sexta-feira, 20 de julho de 2018

Bom Dia

Você deve estar se aproximando agora da esquina, e meu corpo ainda experimenta uma espécie de superconsciência da sua presença. O temor que tinha em te ver, que durante o dia me renderam fortes dores de ansiedade, logo se dissiparam quando entrei em contato com seu olhar. A sua presença tirou de mim todo o temor que havia pela anunciação dessa sua mesma presença.

A sua voz ecoa no meu pensamento, bem como seu cheiro, e por isso não consegui dormir. A sua lembrança aparece a mim novamente a cada segundo, quase como se você se manifestasse ante meus olhos. Não poderia deixar meu corpo e mente livres sabendo que você estava ali, há poucos metros de mim, indefeso, mas que não poderia tocá-lo de maneira alguma. 

Tão lindo. Tão alto. Tão majestoso. Seu sorriso me desconcerta, me desconcentra, me hipnotiza. Não é de se surpreender que fique tanto tempo te olhando, é uma missão quase impossível não te olhar, não te querer por perto, ao meu lado. 

Só queria segurar a sua mão, e dormir sentindo sua presença não perto de mim, mas ao meu lado. Só queria caminhar ao seu lado. E numa manhã como essa, acordar tendo a sua bela visão como primeira visão, anuviando até mesmo a beleza do sol. Oh, que lástima, poder olhar sem poder te tocar.

É engraçado ver o sol nascer, quando para mim o dia já brilhava simplesmente por saber que você estaria ali quando acordasse. Assim como ontem a noite a lua não brilhou tanto por saber que você estaria aqui. Não é que o universo se curve a sua beleza, mas eu que não consigo ver a beleza do universo quando você está aqui, pois estou completamente imerso nessa doce obsessão por você.

Eu te dou Bom Dia, quero a sua companhia... Assim começo meu dia, um bom dia? Pensando em você, olhando para você, depois de ter sonhado com você, e por fim, apaixonado por você!

quarta-feira, 18 de julho de 2018

Do horizonte

Descendo de uma montanha, correndo, minhas pernas se movem mais rápido do que meu pensamento. Tropeço em algumas pedras, escorrego aqui e ali, meu braço se arranha nas rochas que surgem repentinamente. 

Meu olhar? Não presta atenção ao chão acidentado em que corro, está fixo no horizonte. Fixo na luz brilhante que profusamente refulge em tudo o que meu olhar toca. Lampejos brancos, amarelos, laranjas, violáceos. A beleza daquele horizonte é tão hipnótico que quase sinto meu corpo flutuar, voando velozmente em direção a ele. Quero tocá-lo, quero alcançá-lo, quero de alguma forma chegar até ele. 

Os pulmões gritam em protesto, as mãos adormecem, o coração bate tão forte e tão veloz que sinto que poderia saltar de meu peito a qualquer momento, e sair correndo por si só. Cada célula do meu corpo, cada músculo, cada osso anseia por aquele horizonte, e meus olhos brilham já com as cores daquele l'arc en ciel que se abre como um canvas pintado pessoalmente pelas mãos de Deus, e colorido pelos anjos com as cores das asas das sílfides mais belas que já existiram e que já voaram naquele mesmo céu. 

Finalmente chego, não no horizonte, mas na campina de onde é possível vê-lo em todo seu esplendor, por sobre a copa das arvores, por sobre o cimo dos prédios e das torres, e ali, sozinho, apenas pra mim, aquele espetáculo silencioso se desdobra ante meus olhos, com a música do meu coração a tocar, e com as lágrimas da minha alma a derramarem-se na minha face ruborizada, na minha mão suja de terra, em meus pés calejados e ensanguentados. 

Ergo uma das mãos, como uma criança que tenta pegar o brinquedo acima de sua cabeça, e o arranhado se mostra mais nítido naquela luz. Não ligo pro quanto possa doer, só quero por um instante que seja, sentir que faço parte daquele universo de cores, luzes e perfeição!

terça-feira, 17 de julho de 2018

Um diálogo

Uma postagem na internet dizia: "Cite um sentimento, e eu vou citar uma pessoa que desperta em mim esse sentimento."  E eu citei:

Companheirismo

Qual foi a minha surpresa quando vi meu nome na resposta, dizendo que eu sou sinônimo de companheirismo, para um grande amigo. Uma doce alegria me dominou no instante exato que meu nome surgiu naquela tela. O diálogo a seguir se deu de forma privada, momentos depois disso.

- Sabe, eu me surpreendo quando alguém diz isso, porque eu sou o tipo que as pessoas procuram quando querem que eu faça algo que elas não querem fazer, então dificilmente sinto que alguém me procura porque confia, porque quer. Isso faz eu me senti um pouco menos desprezível...

- Eu sei como é, passo muito por isso também...

- Mas obrigado, e desculpe se em algum momento fiz você pensar que não pode cofiar em mim, mas estou tentando melhorar pra você!

- Eu digo o mesmo!

- Não somos perfeitos, é impossível não magoar um ao outro. Mas acho que o importante é sempre se arrepender, tentar melhorar. E quem sabe fazer dessa cicatriz que ficou, uma armadura!

- Tu tem umas reflexões fodas. Normalmente as pessoas falam "Pois é né."

- Mas é isso, eu sei q magoo você, eu magoo meus pais todos os dias, e muitas pessoas me magoam também. Mas o que eu posso fazer senão tentar mudar e magoar menos quem eu amo?

- E X A T A M E N T E. Eu tento ao máximo melhorar...

- Acho que alguns esperam que os outros mudem!

- Agora a gente encerra o assunto, se não eu choro...

~

Encerrado o assunto eu prossegui refletindo. Prossegui pensando se vale a pena o esforço de me reaproximar de uma pessoa que eu amo tanto.

De um lado há aquela necessidade, o apego pela presença da pessoa. Sabe, trata-se de alguém que consegue me fazer sorrir pelo simples fato de dizer que pensa em mim nesse ou naquele momento. Por outro lado, depois de certas desavenças, a dor da presença é quase tão grande quanto a alegria. E a nossa amizade se tornou isso, um misto de alegria e medo que eu não sei administrar.

Sempre que ouço a sua voz eu me estremeço. As vezes chego ao extremo de sentir dor e me paralisar de desespero em vê-lo. Outras vezes o meu semblante mais triste se converte num sorriso imenso, retrato da alegria que é vê-lo, tocá-lo... E é essa a dicotomia do meu coração, uma cornucópia de sentimentos conflitantes que flutuam ao redor de uma única pessoa.

É com um sorriso no rosto, uma mescla de desespero e alegria, uma esquizofrenia, que digo essas coisas, sem compreender, mas apenas sentindo...

sábado, 14 de julho de 2018

Perdido na praia

Onde está você? 
Onde eu estou? 

Eu olho ao meu redor e só vejo o mar escurecido pela noite, a brisa fria em minha pele... As minhas costas as luzes distantes da cidade brilham delicadamente, como se a lembrança daquelas pessoas estivesse num passado distante. 

O apaixonado veria a mais bela das paisagens. 
O desesperançado vê apenas um lúgubre retrato da solidão. 

Uma voz rouca canta longe de mim, um violão desafinado, sorrisos de casais apaixonados, e o brilho triste da lua a iluminar meu rosto. As lágrimas frias se perdem no meio do mar, gotas se desfazendo no oceano, como meu coração se desfez em meio ao amor. A areia, que durante o dia era aconchegante, agora é só uma fria camada de pó sob meus pés, e em breve eu também serei pó. 

Olho para aquela imensidão negra, e meu coração se volta para realidade distantes dali. As almas sobrem ao céu, aos montes deixam esse mundo. Será que ainda amam? Onde está o céu para onde elas vão? As estrelas que timidamente brilham ao redor da lua as levam pra um lugar melhor?Aquele mar me leva para longe, e não há poesia em mim que possa conter o mar, mas o mar sendo imensamente impetuoso, me faz ver coisas que eu não queria, me faz chorar. 

Onde está você? 
Quem é você? 

Saia da escuridão em que se esconde, me deixe ver seu rosto. Segure minha mão, e me faça ver de novo a beleza desse mar. Caminhe comigo, me faça recuperar o sorriso que perdi entre as lágrimas que derramei. Me traga de volta desse abismo... Me leve de volta para aquele tempo em que tudo era mais fácil, em que não me preocupava, em que não amava.

Onde está você?
Tem alguém aí? 

Tem alguém que me leve para dançar, sob a luz do luar? Pois agora eu só estou dançando sozinho,  na noite escura, e sonhando com alguma coisa um pouco melhor do que isso aqui... Oh, por favor, alguém me leve de volta... 

Para mim!

De uma tragédia real

Da noite escura à repentina esbofeteada da vida capaz de nos abrir os olhos a verdade. De verdades duras e frias, mas verdades. De mentiras doces que se vão como fumaça por entre os dedos. De mentiras inebriantes que no circundam como névoa. De todas essas coisas é feito nosso destino.

As mentiras nos amolecem, a verdade nos machuca. O covarde se esconde, atrás das cortinas, de suas palavras, de caixas vazias, de sangue remediado. Esperanças vazias, realidades mais cruéis do que nossas lágrimas são capazes de expressar.

Dor.

Abandono.

Tristeza.

Solidão.

Aquela voz sofrida, de quem tenta reunir as dores que lhe resta para enfrentar um desafio, quando os desafios já deveriam ter-se extinguidos e dado lugar ao doce conforto da velhice. 

Em algum lugar há alguém sendo abandonado nesse exato momento*, e não metaforicamente como costuma acontecer. Nesse exato momento alguém realmente anda sem saber para onde ir, onde se esconder do frio, da escuridão, da dor da incerteza, do horror do abandono. 

Palavras são incapazes de expressar a dor de um coração assim. A garganta seca parece ter sido alvo de pancadas, e já não há mais voz nenhuma, além de soluços descompassados. As mãos treme, o olhar lacrimeja e a perna vacila... É isso, contra a verdade cruel do mundo não há poesia que há romantize! Contra a verdade cruel do mundo não há amor que não se emocione.

~

Nota -  Me refiro a esse incidente absolutamente horrendo que me chocou barbaramente na noite do último sábado (13): Uma idosa de 63 anos foi abandonada na porta do Lar dos Idosos em Brusque

Da mediocridade

Sabe, é estranho olhar para si, seja no espelho ou numa reflexão noturna aleatória, e não se reconhecer, ou melhor, se reconhecer mas se recusar a gostar do que vê. 

Não gosto de quem me tornei. Não aprovo o lugar onde estou e nem as coisas que faço. Não me vejo fazendo nada de útil ao próximo, não me vejo sendo necessário, não me vejo sendo sendo alguém, me vejo apenas como algo menos do que um homem, mas que ainda insiste na forma humana. 

Tenho estado confuso sobre muitas coisas, e as outras poucas das quais tenho certeza, me machucam de tal modo que não consigo desejar outra senão uma reviravolta completa. 

A primeira coisa que me incomoda é a forma como tenho me afundado cada vez mais em coisas que não podem me dar senão dor e sofrimento. Todas e cada uma das coisas que explodiram na minha cara e deixaram um rastro de destruição no meu coração foram ali colocada por mim, e nem me atrevo a dizer que não sabia o que estava acontecendo pois tinha, e tenho, completa ciência de que as coisas podiam dar errado, e ainda assim insisti em cada uma...

Agora eu sou a pessoa que anda de cabeça baixa por aí, passando dias sem ver o sol, e desejando uma pessoa que, quando fala comigo, só me faz querer sumir e nunca mais olhar na cara dela. Me tornei covarde, incapaz de encara-lo de frente, e também incapaz de deixa-lo ir, ou de partir eu mesmo.

E não só com ele, estou preso não há uma, mas há uma dezena de pessoas que vieram, me machucaram e se foram, e cada uma dessas histórias passadas ainda pesam em mim como correntes de aço que me impedem de andar.  Esperanças que me cegaram até o momento em que a verdade me esbofeteou violentamente, mostrando-me seus tentáculos gelados, com os quais me golpearia até a morte.

Eu finjo que minha autoestima melhorou, quando na verdade eu apenas consigo dizer coisas que antes não dizia, mas continuo odiando o que vejo no espelho, e nem as tatuagens que se multiplicam em minha pele me fazem gostar do que vejo. Não tenho um intelecto passível de grandes melhorias, e sinto me aproximar de meus limites.

Não há nada em mim que possa atrair alguém, uma personalidade distorcida, fruto de uma mente perturbada, e um corpo desprovido de qualquer atributo positivo. O que esperar de uma pessoa assim que vá além de uma vida medíocre e patética ao extremo? 

Acredito que o pior seja ainda estar tão absorto em tudo isso que me tornei incapaz de mudar essa realidade. Me encontro paralisado, em parte pelas muitas pessoas que insisto em manter em meu coração e em parte pela completa desesperança que agora habita em mim. 

Não há como mudar.

Não há como melhorar.

Não há luz no fim do túnel.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Sobre querer e ser

Eu acho que isso não vai dar certo. Acho que o que estamos fazendo não pode nos levar a lugar algum, e a decepção futura já é quase certa. Não estamos felizes, não somos felizes, como podemos esperar fazer um ao outro feliz? 

Nossas visões são muito distintas. Nossas perspectivas de futuro parecem não encontrar meio termo. Nosso passado é muito diferente. Parecemos ir cada um pra um lado, e como podemos andar juntos então? Se até a amizade necessita de perspectivas semelhantes para sobreviver, quanto mais um relacionamento entre duas pessoas. Como podemos tirar algo de nós, se cada um quer uma coisa diferente?

Não quero te machucar, mas se continuarmos assim eu sei que nós vamos nos machucar. E isso não é bom, não quero isso. 

Eu bem sei o quanto é assombrosamente doloroso se derramar em alguém incapaz de corresponder ao nosso amor. Eu bem sei o quanto é desesperador saber que o objeto de nosso amor deseja outro amor. E eu não quero alimentar em você esperanças de que num futuro eu possa vir a te amar. Não quero que sofra como eu sofri quando vi que essas esperanças se tornaram alimento para as chamas que agora me consomem.

Você precisa se entender primeiro, compreender o que se passa com você, e só quando estiver satisfeito consigo, com quem você é e quer, se sentirá livre para entrar num relacionamento.

Mas como posso eu exigir de você aquilo que eu mesmo não tenho? Pareço projetar em você as frustrações que há em mim também.

Posso estar consciente do que sou, mas nem de longe eu sei o que quero. Posso estar satisfeito com minha sexualidade, mas e o resto onde habita o mais completo caos? Como posso dizer que só assim será livre se eu mesmo me fiz escravo de um senhor que não me quer nem como ferramenta?

Eu estou claramente preso e arruinado por isso, e ainda tenho a ousadia de exigir liberdade de você, e nem sequer tenho a coragem de mascarar isso com uma sombra de preocupação genuína contigo, como se dissesse: não faça como eu! Mas não, nem essa honra há em mim...

Talvez não haja um momento específico para se começar um relacionamento. Talvez não haja um sinal claro. Talvez tudo o que haja seja duas pessoas que necessitam de outra pessoa... Não sei se isso é motivo suficiente para um relacionamento, mas também não consigo dizer o que seria um motivo suficiente.

Por isso disse que iríamos deixar rolar... Talvez o tempo nos abra os olhos e nos mostre o que realmente queremos ser e viver. Talvez não seja hora de colocar mais barreiras onde elas já existem aos montes. Que apenas a vida interfira negativamente com suas perdas e traições... 

quinta-feira, 12 de julho de 2018

Sobre caminhar sozinho

Ubi vera amicitia est, ibi idem velle, et idem nolle, tanto dulcius, quanto sincerius.*

Santo Tomás disse que a amizade está no querer e no rejeitar as mesmas coisas que o próximo. Dessa forma a amizade se entende como um caminhar junto, indo em direção ao mesmo destino. Eu entendo esse caminho de muitas formas, seja intelectual ou divino, e vejo o quanto caminhar ao lado de quem pensa de outra maneira tem se tornado pesado, e praticamente insuportável. 

Digo isso pois vejo nos outros o estranhamento em seus olhares quando falo a respeito das coisas que busco, e fica nítido o quanto desprezam o que para mim é de suma importância. Seja em matéria de conhecimento, de posicionamento religioso, ou até no gosto musical as pessoas discordam grandemente, e por vezes me perguntei se era eu errado por buscar e amar as coisas que busco e amo.

A sociedade, sob o pretexto de nos unir numa única massa de iguais, acabou por abolir o sentimento de caminho individual. Os valores pessoais, que antes ditavam o agir virtuoso ou vicioso, agora foram substituídos por um politicamente correto que vê em toda sorte de perversões uma aplicação do direito pessoal e inalienável, e no pensamento individual um atentado a esse mesmo direito. Ou seja: agir como o todo, sem nenhum escrúpulo moral, é agir corretamente, ao passo que se opor as muitas demonstrações de banimento da moral e dos bons costumes se tornou um gravíssimo atentado ao sentimento de conjunto que nos foi imposto. 

Outros decidiram que o que é certo passou a ser errado, e que o errado passou a ser certo e que descumprir isso é um crime. Mas e aqueles que se recusam a fazer parte disso? E aqueles que buscam a verdade sem se importar com andar ao lado de todos os outros que da verdade se apartam e fazem chacota, que devem fazer? E aqueles que não encontram no todo, disforme e hipersexualizado que hoje vivemos, as respostas para seus anseios?

Não vejo o mundo oferecendo respostas, mas apenas fugas e mais fugas. Ele entorpece os sentidos, inebria a mente e a alma, mergulha a todos numa doce hipnose, mas não responde de maneira alguma aquele desejo que se encontra na alma de cada um. Aquele vazio,  que se encontra bem no âmago do nosso coração e que assusta o homem desde o primeiro pensamento, continua vazio.

Na Igreja essa realidade encontra uma situação ainda mais peculiar. Caminhar na Igreja é sempre optar por ir contra o mundo, mas há dentro dela uma divisão que torna o caminho mais singular ainda. Decidir-se por uma vida de busca pela santidade é caminhar sozinho. Mas aqui a palavra sozinho encontra uma beleza peculiar: é caminhar sozinho em relação aos irmãos, muitas vezes em relação a toda comunidade, mas estar acompanhado da pessoa de Cristo, de seus anjos e de seus santos, e todos quantos optaram por seguir o caminho da santidade.

Caminhar exige uma decisão solitária, e hoje tem se tornado quase impossível encontrar alguém que partilhe das mesmas ideias, que queira e que rejeite as mesmas coisas. Já não se busca a Verdade, no máximo busca-se uma realidade confortável, que nada tem a ver com a realidade. E ver isso machuca, nos faz por alguns momentos chegar a desejar por essa mesma cegueira. Mas a Verdade se tornará a companhia da alma que a busca. E a mesma Verdade atrairá os seus para aqueles que a ela também desejam. 

Talvez seja esse o objetivo da solidão: mostrar que para seguir a Verdade há que se abandonar tudo o mais que não seja a mesma Verdade, e aguentar o período de solidão que dessa decisão receberemos. Mas passada essa provação ela mesma se encarregará de não permitir que os seus pereçam na solidão. Caminhemos sozinhos, se preciso for, mas com a certeza de que nunca estaremos de verdade. Seja na busca pela Verdade ou pela santidade sempre haverá aqueles que antes e depois de nós buscarão nelas também o conforto e o sentido de suas vidas.  

~

Nota: "Onde está a verdadeira amizade, aí está o mesmo querer e o mesmo não querer, tanto mais agradável, quanto mais sincero" (Santo Tomás de Aquino - Summa Theologiae I.42.3)

quarta-feira, 11 de julho de 2018

Da escuridão silenciosa

É aqui na escuridão 
silenciosa 
da noite que eu me reencontro. 

A paz que a noite me traz 
reconforta a alma e acalma o coração 
que se inflamou de amor.

É na noite escura que minha alma chama 
por quem ela ama, 
e no silêncio sua voz, 
a minha voz, 
se perde na imensidão 
por entre estrelas e cometas.

Até onde chega minha voz? 

Sei que não pára até chegar a planetas e mundos distantes, 
mas não consegue penetrar seu coração...

Gosto da noite, 
a lua e as estrelas são minhas companheiras, 
a música me embala, 
o frio me hipnotiza. 

Por mim nunca precisaria amanhecer, 
poderia dormir pra sempre.

O sol me abrasa o corpo e a alma,
me traz lembranças dolorosas 
do sol que me consumiu. 

A lua me traz a paz, 
sua chuva de prata me encanta. 

A lua me faz crer num mundo silencioso, 
onde a gritaria não abafa os suspiros do meu coração.

E é aqui na escuridão 
silenciosa 
da noite que eu me reencontro. 

terça-feira, 10 de julho de 2018

Mais dias vazios

Você conhece o vazio? Você conhece a sensação de olhar pra dentro de si buscando uma luz, uma resposta, e não encontrar nada além dos ecos de uma memória gasta e de uma consciência debilitada? Sabe o que é caminhar sem ter um lugar para chegar, e vagar sem rumo, indefinidamente, apenas porque não quer que o julguem por não ter aonde ir? Onde se encontra um objetivo? Onde se encontra uma razão para ser, um motivo para existir? 

Temo que nenhuma dessas coisas se encontre facilmente por aí, há muito eu ando e nunca as encontrei. Será que realmente existem? Me pergunto se seria possível que todos ao meu redor disfarçam seu desespero em também não ter uma razão de ser com seus afazeres, se agarrando ao trabalho como se isso fosse a causa e o fim de sua existência. Pode parecer loucura mas é esse o tipo de vazio que eu vejo ao olhar os outros no fundo de seus olhos. Ou talvez só esteja preocupado em me confortar, pensando que não estou sozinho, quando na verdade sou o único a não ter um objetivo. 

Meus dias tem sido cheios de vazio, o nada preenche o meu ser com sua essência, e o horizonte que para os outros é um mar de possibilidade para mim não é mais do que um quarto vazio, frio e sufocante, que esmaga o meu corpo com o peso de sua misteriosa existência. 

Devo continuar aqui sentado no escuro, ou caminhar sem rumo? Já não quero fazer nem um e nem outro, meu único desejo é o de desaparecer, para assim não precisar pensar nas respostas para nenhuma dessas perguntas. No estado em que estou, tanto o escuro quanto a luz do dia tem sido assustadoramente pavorosos para mim. Ser obrigado a enfrentar qualquer um deles seria uma crueldade, e essa possibilidade me faz desejar o fim.