domingo, 31 de maio de 2015

6 days later... Um ensaio sobre a vocação...

Sim, eu sei.

Morri?

Nop...

Passei a semana no Retiro de Convivência com os membros de um instituto em Brasília. Uma experiência única. Simplesmente incrível. Mas antes de falar sobre ela, falarei um pouquinho da minha cominhada vocacional, que começou a pouco tempo atrás mas já renderia uma daqueles livros de pseudo formação espiritual vendidos na Canção Nova a R$10,00. Vamos? 

Na playlist, B1A4, e pra me acompanhar, uma caixinha de dell Valle Laranja Caseira. 

Há alguns anos atrás, em meados de 2012 se não me engano, quando me tornei catequista na Paróquia São Francisco de Assis, eu dizia a todos que queria me formar em História ou Filosofia, me tornar professor, depois, fazer Teologia e continuar a carreira como Catequista. Como em apenas meio ano eu consegui ums alto considerável na hierarquia da catequese, isso meio que me subiu a cabeça. Em poucos meses eu passei de um auxiliar de catequista a um Catequista Titular de 3 turmas, membro ativo da Liturgia, do Teatro da Catequese e conhecido por uma parcela consideravelmente influente da comunidade. Não tinha motivos pra me preocupar com vocação sacerdotal, estava muito bem assim.

Mas como eu devia prever, isso não duraria muito, e se eu subi com facilidade, com mais facilidade ainda eu caí. Lá pro fim do ano, uma amiga minha resolveu me ajudar com uma das minhas turmas, até que era divertido... Quando a catequese terminou, ela se aproximou muito de uma de minha catequisandas. Bom, eu sabia de tudo e sinceramente, fiz o que achava certo, se a jovem tinha cuiriosidade, porque não dar moral as investidas de minha amiga? A essa altura eu era muito próximo de ambas e como confidente, agi como uma espécia de ponte entre elas. Bom, elas ficaram algumas vezes e estavam praticamente namorando. Tudo ia bem até que os pais da jovem descobriram, contaram ao Pároco, espalharam a história e foi aquele pandemônio. Fui expulso de tudo o que fazia parte e proibido de me aproximar de qualquer coroinha e/ou afins, inclusive de um menino por quem eu era apaixonado.

Aquilo foi um golpe cruel demais pra mim. Me destruiu, meus pais acharam que eu iria entrar em depressão. Ouvia boatos de um possível processo e entrei em pânico. Como fui praticamente expulso, procurei outra paróquia para trabalhar, visto que já não era mais bem vindo por aquelas bandas. Resolvi permanecer apenas na Pastoral do Dízimo, as quartas feiras, em consideração a uma amiga;

Pois daí vim para essa paróquia, até então, Quase Paróquia Nossa Senhora de Fátima. Aqui, fui muito bem acolhido pelo pároco e pela maioria da comundade. Aqui, me tornei catequista novamente, membro da Pastoral da Juventude, Servo da Renovação, Acólito e mais tarde Cerimoniário, suplente da Liturgia e do Batismo, mais tarde Secretário Paroquial. A essa altura, um Seminarista que aqui fazia pastoral, vinha me questionando sobre um possível discernimento vocacional no Instituto a que ele pertencia. Sem muita eficiência, diga-se de passagem. Vale ressaltar ainda que eu fugia com muia frquência dos comentários do tipo "você quer ser padre?", e sempre com a mesma desculpa, de que queria ser apenas professor.



O então pároco daqui também tentava sem maiores sucessos, me convencer a fazer os encontros, até que um dia um amigo meu resolveu fazer, e pela proximidade que ele tinha com o pároco, estava com a entrada praticamente arranjada. Héteros tem preferência e não precisam passar pelos 3 a 5 anos de observação antes de receber um sonoro 'não' como eu.

De qualquer forma, fui então convencido a fazer os encontros. E fui brutalmente desarmado. Me vi numa situação deseperadora. Ora, não tinha mais perspectiva, meus planos tinham sido arruinados e eu só conseguia pensar em entrar para o seminário. Na verdade, ainda penso muito, muito mesmo nisso. Mas claro, a situação no Seminário Diocesano não era tão simples assim. Por ter sido franco e me assumido para o então reitor, fui para os escrutinios, onde sou observado por um grupo de pessoas que no fim das contas decidiram se posso ou não ser aceito lá. A levar em consideração as muitas confusões que me envolvi depois disso, a maioria delas incluindo acusações de assédio e má administração de sacerdotes da diocese, essa opção é praticamente nula.

Restou-me então recorrer ao Instituto, do seminarista que citei anteriormente, que mais tarde se desligou da instituição e hoje namora com uma moça da Paróquia. Esse seminário não tem uma das melhores reputações entre os seminários brasileiros, mas ainda consegue que seus candidatos sejam ordenados. Então para mim, é mais do que suficiente. E ainda me identifiquei com o carisma da casa, o estudo das Sagradas Escrituras e das Linguas Bíblicas, algo fascinante.

Durante o ano de 2014 eu fiz os encontros em ambas as instiuições. Fui negado no diocesano e ninguém foi admito ao religioso. Nesse ano, não consegui ir a nenhum diocesano, mas fui em todos do religioso, e sinceramente, me sinto otimista dessa vez. Fui muito bem tratado pela maioria. A dinãnica é muito boa e particularmente, acho que me identifiquei com todos no geral. Quem sabe então isso não signifique que eu possa ter uma chance, não é?

De volta a realidade paroquial, estamos nos preparando para a Solenidade de Corpus Christi. Com direito aos tapetes para a procissão eucarística e tudo. Estou ansioso, mas ando meio cansado. Mesmo que, como a procissão só será daqui a 3 dias, estou na verdade sendo cauteloso. Mas acho que tudo dará certo no fim. Com fé em Deus. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Onde canta o Sabiá...

"Nestes versos tão singelos
Minha bela, meu amor
Prá você quero contar
O meu sofrer e a minha dor
Eu sou como um sabiá
Que quando canta é só tristeza
Desde o galho onde ele está

Nesta viola canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Eu nasci naquela serra
Num ranchinho beira-chão
Todo cheio de buracos
Onde a lua faz clarão
Quando chega a madrugada
Lá no mato a passarada
Principia um barulhão

Nesta viola, canto e gemo de verdade
Cada toada representa uma saudade

Lá no mato tudo é triste
Desde o jeito de falar
Pois o Jeca quando canta
Dá vontade de chorar

E o choro que vai caindo
Devagar vai-se sumindo
Como as águas vão pro mar."
(Angelino de Oliveira)

Antes de mais nada, gostaria de começar dizendo que estou em plenas posses de minhas faculdades mentais e NÃO GOSTO DE MÚSICA SERTANEJA. Dito isto, comecei o artigo porque o Blog é meu eu escrevo do jeito que eu quiser. E sim, estou num mal humor sem precedentes, e sim, também sei que isso aqui nada tem a ver com isso, mas sabe como é, melhor descontar na máquina sem alma do que nas pessoas.

Bom, então vamos à busca da causa desse mal humor, antes que eu tenha um aneurisma?

Lá vai. 

O fim de semana foi até tranquilo. Digo, tinha mais gente em casa do que eu gostaria que tivesse pois recebemos visitas, mas ainda assim foi suportável. Tenho acompanhado bastante uma séria chamada The Fosters, e simplesmente apaixonado por ela, até os casais héteros me cativaram. Mas claro, o casal mais fofo do mundo by the way ainda é Jonnor (Jude + Connor). Simplesmente fofos. Como quando o Connor pintou as unhas pra evitar que os coleguinhas fizessem bullying com o menor. Ou quando ele fugiu do Pai pra ir na festa na casa do outro... #MuitoAmorEnvolvido

Na playlist, minha musa Hitomi Shimatani, e o seu último álbum 'Honjitsu, Tonai, Bonshõ', pra me embalar nesta fossa de terça a noite.

Ontem foi um dia de depressão. Acordei tarde (quase não acordei na verdade), tive crise respiratória logo depois e passei o resto do dia vendo série.

Hoje por outro lado, eu tive de tentar me sacudir. Levantei um pouco mais cedo, terminei um trabalho da faculdade, verifiquei como ta minha situação esse semestre e depois fiquei fazendo hora pelo resto do dia. Fui pra aula e agora quando voltei tava vendo série de novo até decidir escrever. Então esperei o episódio acabar e vim pra cá.

Bom nesse meio tempo, aconteceram algumas coisas que me deixaram chateado. Pra começar, meu visinho arranjou um namorado. E, bom, quando você é apaixonado por uma pessoa a vários anos, você não quer exatamente ouvir todos os detalhes da pegação dos dois não é? Pois é. Acho que sou parado demais pra dizer isso a ele.

Estou conversando agora, e desde as 23h pra ser exato (são 01:25h da madrugada agora) e não posso dizer que seja nossa conversa mais agradável. Bom, pra ele ta normal, mas eu to forçando aqui... Meio abalado. Mais cedo, eu mandei uma foto que eu vi no Facebook de duas pessoas de mãos dadas, dizendo o quanto acho isso bom. Dai ele me disse que não gosta disso. 

Ai.

Mega golpe na moral. Perceber que você na verdade é só um estorvo na vida de uma pessoa tão importante para você. E é a vida que segue. Isso me abalou, na boa. Ando vulnerável, sensível e isso me derrubou. 

Mas isso é besteira, não devia me preocupar. Mas não consigo ignorar. Simplesmente não dá. 

Ah, outra música que ouvi hoje e que achei uma graça:

"Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal
Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal

Ai menina, meu amor, minha flor do cafezal
Ai menina, meu amor, branca flor do cafezal

Era florada, lindo véu de branca renda
Se estendeu sobre a fazenda, igual a um manto nupcial

E de mãos dadas fomos juntos pela estrada
Toda branca e pefumada, pela flor do cafezal

Meu cafezal em flor, quanta flor do cafezal
Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal

Ai menina, meu amor, minha flor do cafezal
Ai menina, meu amor, branca flor do cafezal

Passa-se a noite vem o sol ardente bruto
Morre a flor e nasce o fruto no lugar de cada flor

Passa-se o tempo em que a vida é todo encanto
Morre o amor e nasce o pranto, fruto amargo de uma dor

Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal
Meu cafezal em flor, quanta flor meu cafezal."
(Luiz Carlos Paraná)

Não sei o que me deu hoje, mas essas músicas me deixaram emocionados. Achei as letras belas, tristes, mas belas. A aula hoje foi intensa, e como eu já tava abalado lá, elas me marcaram, assim com o poema do Gonçalves Dias, a Canção do Exílio:

"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossas flores têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
 
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar - sozinho, à noite -
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá."

Achei as 3 composições, em especial a primeira e a última, de especial lirismo e de uma delicadeza ímpar. Como gosto de pensar em mim mesmo. Como um sabiá, que canta sozinho as suas tristezas.

Eu sou solitário, e o sou por vontade própria. Meus gostos são excentricos demais para que eu seja compreendido por outros. E por mais que isso soe piegas, é verdade, ninguém me entende. E eu também não consigo entender ninguém. Mas nesse ponto, acho que não sou o único. As pessoas não costumam se entender. E isso posso afirmar com certeza, pois, desde que o mundo é mundo e o homem se entende por homem, mata a si mesmo a ao seu próximo em detrimentos das suas próprias vontades. Lamentável.

Continuando, quantos rapazes de 20 anos você conhece que, quase as duas da madrugada de uma terça feira está ouvindo baladas japonesas enquanto escreve sobre sua frustrações num blog privado? Bom, como o blog é privado, posso aceitar que os de outros também o sejam. Quem sabe então, todos os jovens de 20 anos do mundo escrevem em blogs particulares? Pode ser que sim, pode ser que não, creio que talvez.

sábado, 16 de maio de 2015

Torpor...!

Hey, sabadão com cara de domingão... Parado e sonolento. Passei o dia vendo série e baixando música, ainda nesse friozinho gostoso que, com fé em Deus, poderia durar o ano inteiro. 

#PartiuEuropa

De qualquer forma. o post de hoje será um grande lamento. E pra combinar, o último álbum da BoA , Kiss my lips tocando na playlist. E vamos lá, seguindo o enterro:

Ontem me queixei de a noite estar me sentindo sozinho em meio a multidão. Pois é. Hoje eu to me sentindo sozinho de tudo mesmo. Um sentimento de solidão crescendo e subindo, como uma dor que vai chegando e incomoda, mas por não ser de todo muito forte, você ignora até que percebe que não tem mais cura. Claro que não vou permitir que isso continue, vou ficar em estado de letargia e torpor por um ou dois dias e então sacudir isso. Não pretendo me tornar mais um adolescente convalescente e demente como esses que eu to acostumado a ver por aí.

Bom, ainda tenho umas coisinhas a resolver até conseguir ficar em paz. mas convenhamos, se considerarmos como eu estava quando comecei a escrever o blog, estou bem melhor agora. Claro, continuo a mandar mensagens para o meu ex e continuo a ser ignorado com sucesso. Continuo a pensar em meninos que não deveria e isso me deixa mal, mas numa escala, diria que minha dor chegou ao nível 2 ou 3, incomoda, mas não é suficiente para eu me preocupar.

Agora, uma coisa me incomoda: certa fadiga, uma certa impressão que não consigo interpretar e que justamente por isso não consigo saber do que se trata. Não gosto de sentir algo que não sei o que é... e o pior é que por isso mesmo, nem sei que atitude tomar para melhorar. Acho que vou apenas esperar passar. É, isso é o melhor. 

Acho que também vou me deitar um pouco, logo mais a noite tem CPP, e se eu estiver disposto quando voltar, escrevo também coomo foi. Isso se tiver algum barraco, se não, outro dia eu escrevo...

sexta-feira, 15 de maio de 2015

Serviço de Recuperação

Noite fria e bem solitária, diga-se de passagem. Depois de um dia agarrado no meu amigo visitante, sentindo o calor dele, estou eu aqui, sozinho na cama ouvindo temas de abertura de animes e escrevendo para um blog no qual só eu tenho acesso... 

Ouvir essas músicas sempre me dão uma certa nostalgia, talvez por me remeterem a todas as histórias que eu acompanhei ou por terem feito árte de uma playlist que me acompanhou por grandes momentos, bons e ruins, e isso me faz reviver minha própria história. 

Agora mesmo, essa playlist inclui as openings e endings de Death Note, Get Backers*, Neon Genesis Evangelion, Basilisk e Planet Survival. Grandes memórias haha.



Get Backers foi um anime que me marcou muito e ainda pretendo conseguir baixá-lo pra manter a memória. Uma história tranquila e divertida, e personagens que me cativaram um montão, principalmente o Imperador dos Raios e o Mestre dos Fios, Kazuki, sem sombra de dúvidas algumas de minhas paixões. Lembro de levantar todos os dias bem mais cedo do que precisava para assitir no Sony Spin, e depois ir para a escola ouvindo essas músicas. E elas me acompanhavam também durante todo o dia, bons tempos. Mas nem por isso mais fáceis do que o tempo presente. Na verdade, meus problemas continuam os mesmos, meninos, apenas mudaram de nome e endereço.

Hoje foi um dia e tanto. Há semanas meu amigo não me visitava e hoje e ele veio novamente. Resultado: grudei mesmo. Se ele não aparecer pelas próximas semanas, já sabemos o motivo. Mas foi ótimo, assistimos um filme e botamos alguns papos em dia. Perfeito. Inclusive ele me provocou tanto que, quando já tinha ido embora e fui observar eu até estava tendo um principio de ejaculação (xiiiiiiiiu).  

Gostaria apenas que ele tivesse ficado um pouco mais. Ainda assim, foi bom. Mesmo com sua recusa permanente em retribuir carinhos. Até entendo. Ele era uma pessoa extremamente carinhosa, provavelmente ainda mais do que eu, mas seu término conturbado fez com que ele se fechasse pra isso. Lamentável na verdade. Queria tê-lo conhecido antes disso. Devia ser uma pessoa também fascinante.

Agora pela noite eu experiementei com riqueza de detalhes e requintes de crueldade a máxima "Sozinho em meio a multidão". Trezentas mil conversas pra responder e eu só queria algumas poucas horas de silêncio para ver algum anime ou série. E agora que finalmente consegui, só quero rezar o terço e ir dormir. Bye Bye.

*Nota: Get Backers é o Serviço de Recuperação a que me refiro no título. Trata-se do serviço dos personagens principais do anime que garantem recuperar qualquer coisa.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Minha estória - Cap. 1 ~ Luna

Luna

A chuva caia rapidamente do lado de fora do carro e fazia uma barulho alto e agradável ao bater nas janelas e abafar os ruídos que normalmente se ouviriam a distância em um colégio, ainda mais um colégio daquele tamanho, com tantas crianças barulhentas e tantos jovens ávidos em conversar sem parar nem por um momento sobre suas vidas. Já estávamos na metade do 1° semestre. Entrar no ensino médio já não era uma tarefa fácil, entrar no ensino médio duas vezes num mesmo ano então era algo quase insuportável. 

Ta, dramas a parte, a vida escolar por aqui não é como vemos nos filmes americanos onde as panelinhas são praticamente a lei da instituição e o status quo é muito mais importante que o ensino aprendizagem dos alunos. Não, não seria tão complicado assim, mas certamente não seria também fácil. 

Eu sempre fui incrivelmente péssima em fazer novas amizades. Não era lá a pessoa mais inteligente do mundo e nem também a mais obtusa. Não era a mais bonita, mas tinha certo charme. Mas nada que chamasse de fato a atenção de ninguém a ponto de querer se aproximar de mim. Mas também não era uma esquisitona solitária esperando por uma grande aventura começar dando início a uma jornada de auto descobrimento que resultaria num grupinho de 4 ou 5 amigas que viajariam pelo mundo compartilhando um jeas da sorte. Essas coisas não existem. Sou uma pessoa normal. Simples assim. 

Me despedi então de minha mãe que estava dirigindo cautelosamente naquela manhã por causa da chuva forte que impedia boa parte da visão e disse para o meu irmãozinho correr assim que abrisse a porta, a fim de evitar que chegássemos mais encharcados do que já chegariamos a descer. 

- Um grande primeiro dia - Pensei -  molhada e ainda surtada em ficar gritando com o irmãozinho. Mas ele é sempre muito lerdo. E as expectativas não poderiam ser menores. 

Depois de entrar correndo com meu irmão na nova escola, um prédio grande e imponentemente cinza, se destacando em meio as arvores do seu próprio terreno que era consideravelmente maior dos que todos os outros próximo dali, fui então a procura de minha sala, caminhando sem muita convicção até um mapa que ficava na entrada. O prédio era tão grande que precisava de um mapa para os alunos se localizarem. Na minha antiga escola, eram apenas 3 pavimentos, todos no solo, e frequentemente um aluno conhecia alunos de todas as outras salas, visto que era uma escola bem pequena. Por outro lado, mesmo alguém que tenha estudado aqui por toda a vida não deve conhecer mais do que a metade de um único andar. A escola era realmente grande. 

Identifiquei que minha sala deveria ficar no 4° dos 5 andares e no Pavilhão Norte, o chamado Torre Verde. Meu irmão, que viera pra cá uma semana antes já sabia bem onde era sua sala e nem pensou duas vezes antes de me deixar e sair correndo para alcançar uma menina que provavelmente era de sua sala. Tomei uma escada larga que se abria a minha direita e fui lentamente atrás de minha sala. Quando ainda estava no 3° andar, ouvi o delicado sinal avisando que todos os alunos deviam ir para suas salas por as aulas logo comecariam, Me apressei e notei que subi na torre errada, dei a volta rapidamente no corredor e cheguei a Torre Verde, com muitos olhares voltados para mim, a menina ruiva que andava rapidamente molhada pelo corredor já vazio. 

Finalmente encontrei a sala, 16B, correspondente ao 1° ano B, com a porta já fechada. Droga, Isso signifaria que toda a sala já estava quieta e a aula provavelmente já começara, sendo eu obrigada a ter de olhar para todos antes de conseguir um lugar. Bati. Nenhuma resposta. Bati novamente. Uma senhora gordinha de óculos e aparência simpática abriu com um livro dobrado nos braços me recebeu e fez sinal para que entrasse.

- Oh, Senhorita Luna, você conseguiu, seja bem vinda. 
- Obrigado - disse, sentindo minha bochechas ficarem vermelhas.
- Vamos, não tenha medo, sente-se e logo logo vai conseguir nos acompanhar. Eu leciono Matemática, vamos. - disse ela apontado para uma mesa vazia do outro lado da sala, o que significava que eu teria de andar muito até chegar lá, com os olhares curiosos a minha volta. Ao menos não houveram apresentações.
- Certo, er, tudo bem.
- Ah, quase ia me esquecendo, volte aqui. - Droga, eu já estava a meio caminho - Essa é a senhorita Luna, que acaba ser tranferida para nossa escola. Sejam todos gentis com ela - agora é oficial todos estão olhando para mim. Alguns com expressões de curiosidade, outros com a já conhecida cara de deboche, como quem iria me pregar uma boa peça em um ou dois dias.

Não me demorei e logo fui ao meu lugar, tropeçando uma vez antes de conseguir finalmene me sentar e fixar o olhar num ponto fixo do quadro até que a vergonha passasse. Essa seria uma semana difícil. Me sentei na 4 cadeira da última fileira, encostada na janela, que agora escorria da violenta chuva que parara a poucos minutos. Eu estava certa, a aula já começara a tempos, demorei mais do que percebi em cruzar as torres, e o quadro já estava repleto de uma matéria que identifiquei como sendo correção de um exercicio anterior. Mais um problema em se mudar quando o ano letivo já começara. As atividades já estariam todas em desenvolvimento, e eu levaria semanas para conseguir acompanhar. Depois se seguiu mais uma breve explicação de uma matéria que eu já estudara e mais exercícios. Pelo menos eu podia me concentar apenas no livro sem ter de olhar a minha volta. 

Depois de vários minutos, pois as aulas eram geminadas, a professora gordinha finalmente foi embora, entrando em seu lugar um homem alto, de bigodes grossos e terno cinza, que logo começou a explicar a matéria de lingua portuguesa. Sua explicaçãoe era simples, e como não houve muita coisa complexa eu pude acompanhar sem muitas dificuldades. Após essa, que seria a 3° aula, ouve o intervalo. Claro que eu não sai da sala, me aariscando a me perder novamente e me atrasar para o 4° horário. Fechei o livro e o caderno, os arrumei embaixo da carteira e encostei a cabeça no braço, assim, podia ouvir a chuva que recomeçara e batia lentamente na janela eo meu lado e ainda ignorar os outros alunos. 

Não ficaram muitos alunos. Dois rapazes bonitos que conversavam sobre uma partida de futebol que estavam planejando pra dali a dois dias. Uma moça que estava claramente dormind desde a 2° aula e um rapaz muito bonito também de cabelo preto que ouvia música. Ótimo. Não precisaria me esforçar em manter nenhuma aparencia. 

O intervalo passou lentamente. Ora alguns alunos entravam e saiam da sala, mas quando foi dado o sinal para o 4° tempo, todos já estavam de volta e bem acomodados, Mas pelo que entendi, por que o professor de biologia, que entraria ali agora costumava reclamar demasiadamente com os alunos a ponto de todos se acostumarem a voltar mais cedo do intervalo na segunda feira. Ele era realmente rígido em sua sala, não houveram conversas e nem piadinhas. Mas fora isso não vi nele nada que o caracterizasse como um ditador, como ouvi mais cedo. 

As duas últimas aulas também seriam geminadas, história. A professora pediu então que nos dividíssemos em grupos. Droga. Socialização forçada. Os grupos deveriam discutir entre si aspectos de Roma e Grécia entiga e a atividade se desenvolveria em 5 aulas, sendo essas 2 primeiras, dedicadas a discussão interna do grupo. Por sorte, os participantes já tinha sido previamente sorteados pela professora que como sabia que eu chegaria naquela semana já me incluira num grupo.

Erámos então eu, mais 2 meninas e um menino. Uma delas era loura e bonita, simpática e de personalidade forte pelo que pude observar, e se apresentou como Anna. A outra, tinha o cabelo castanho e cacheado, que combinava com sua pele morena e se apresentou como Cybelle. O rapaz, Eric, era meio desligado, mas muito bonito, de pele bem clara, corpo definido e o cabelo escuro bem arrumadinho num topete. Perdi tanto tempo fazendo essas observações que nem notei quando me perguntaram meu nome. Então a loura repetiu com uma expressão de quem desconfiava de minha capacidade intelectual em estar ali.

- Ei, e você, como se chama? - Disse ela num tom quase impaciente.
- Ah, eu me chamo Luna, acebei de vir da Capital... - disse envergonhada, abaixando a cabeça.
- Por que sairam da Capital? Veio sozinha? - Perguntou a morena.
- Minha mãe foi tranferida para a filial daqui. Não. Viemos eu, ela e meu irmão mais novo.
- Ela trabalha com o que? - tornou a perguntar Cybelle.
- Não sei bem. Ela cuida da contabilidade de uma loja de computadores...
- E por que mandaram ela pra cá?
- Muito bem, depois que terminarmos ela responde o que a gente quiser pode ser? - Interrompeu Anna com uma piscadela, já que a professora vinha em nossa direção - Ei, acorda! - Ela cutucou o ombro do rapaz que tombara sobre os próprios braços e acordou num sobressalto.

A professora passou então por nós e foi chamar a atenção do grupo que estava a nosso lado, e fazia piadinhas acerca da sexualidade dos soldados romanos. No entanto, sua advertencia não surtiu o efeito desejado, pois os alunos passaram a rir ainda mais alto, e ela os deixou, com uma expressão divertida no rosto.

Começamos então a discutir sobre o assunto. Na verdade, eles começaram, e de tempos em tempos tantavam me incluir na história. Percebi que eles não costumavam fazer aquilo também. Anna e Eric conversavam tranquilamente, mas Cybelle, embora enérgica, nã estava a vontade com os dois, e eu menos ainda. Ma de rest foi tranquilo. Pouco mais de 1 hora depois já tinhamos exaurido todo o tema e voltamos ao papo de minha mudança, depois, consegui levar a conversa para outro rumo e perguntar sobre eles também. Eric se mudara para cá com o pai no ano passado, então sabia como eu me sentira em relação a escola nova. As outras duas semmpre moraram aqui, com exceção de Anna que morou 2 anos com uma tia em uma cidade próxima, mas voltou quando ela morreu. Fim da aula.

Meu irmão já fora embora mais cedo (o 6° tempo é apenas para o Ensino Médio) então eu estava certa de que seguiria sozinha para casa. Mas descobri que Eric morava perto, então seguimos andando em silêncio, depois de nos despedirmos de Cybelle e Anna que seguiram cada uma por uma rua diferente. 

Não andara muito desde que cheguei aqui, na sexta passada. Mas sabia como chegar em casa. Era só seguir pela estrada de Ypês e dpois virar em 2 esquinas que já chegava em nosso condomínio. Eric, ficou uma rua atrás. 

Moro no 2° andar. Entrei em silêncio e notei que estava sozinha em casa. Meu irmão teria ido para o escritório de minha mãe e então eu ficaria sozinha até a noite. Resolvi me deitar e descansar da manhã longa, e acabei pegando no sono. Como nenhum dos professores passou atividade para casa, estava livre aquela noite. Terminei de arrumar algumas coisas que ainda não tinha ajeitado e fiquei deitada, navegando na internet por algumas horas, esperando minha mãe chegar para fazer o jantar, não estava disposta a fazer isso eu mesma. Me surpreendi com um convite de amizade de Anna no Facebook e depois de aceitar o dela, o de Eric e Cybelle também. Simpáticos. 

Minha mãe chegou pouco depois das 20h, saíra mais cedo do escritório e passara no mercado comprando algumas pizzas congeladas para a noite. Pelo visto não era a única a estar indisposta. Mas ela se adptara bem melhor do que eu no escritório. Tinha autoridade e fora transferida a pedido da própria presidente da corporação.

- Como foi o primeiro dia? - perguntou colocando um grande pedaço de pizza  para mim enquanto meu irmão atacava um enorme prato ao seu lado.
- Melhor do que eu esperava. Sem mortes. Vamos ver como termina a semana. - disse desanimada.
- Bom, se ninguém morreu já é um bom sinal. 
- Acho que sim. E no escritório? 
- Tudo tranquilo. Não estavam muito confiantes com uma mulher no comando, como eu esperava, mas depois de uma semana, já parecem acostumados comigo... - disse com uma expressão de deleite, e eu sabia que ela estava fazendo todos trabalharam  três vezes mais do que o chefe anterior, demitido por roubo,
- Não vá fazer inimigos.
- Não faço inimigos, mas também só faço o que eu quero - disse rindo - Fellipe, não coma tudo de uma vez, ai...
- Desculpa... - disse ele de boca cheia.

Meu irmão se dera bem na nova escola, já tinha amigos e até uma menina com quem estava quase tendo um romance, como ele mesmo disse. Mas eu sabia que romance não seria a palavra certa. Ele não era romântico, e iria largar a pobre moça assim que encontrasse outra mais interessante.

Depois de comer, subi e tomei um banho bem quente, antes de me deitar. Minha mãe também dormir e Fellipe estava na sala vendo séries e comendo chocolate. Eu me deitei e fui verificar as mensagens no celular. Alguns amigos da antiga escola me desejando boa sorte. Um grupo do WhatssApp de título e conteúdos duvidosos que logo saí sem dar muitas explicações. 

Tive mais sorte no Facebook, Uma mensagem de boa noite de Cybelle, com carinhas e beijinhos e uma de Anna:

"Temos aula de artes de amanhã. Leve tela e aquarelas. Boa Noite"

Isso estava na longa lista de materiais que pediram quando me matriculei na São Tiago, mas sem seu aviso eu muito provavelmete deixiaria ali no fundo do armário. Agradeci e fui me deitar, ovundo a chuva que batia gentilemente na janela do meu quarto. 

Levantei mais cedo do que era necessário, assustada com o sol que entrava pela janela e que  eu não via desde que chegara, Mas até onde sei, o período das chuvas estava no fim, então não deveria me surpreender. Fiquei sentada então, olhando o bordado delicado da colcha que minha mãe comprara antes de vir para cá. Eu tinha dito que só me mudaria se pudesse escolher a decoração e assim ela concordou. Meu novo quarto era menor que o de minha antiga casa, com uma cama grande no canto e móves cor de tabaco que eu mesma escolhi antes de vir. Meu irmão ficara com os móveis brancos de minha antiga casa. Nas paredes, prateleiras com dezenas de ursinhos que eu não brincava mais, mas que eu gosto de usar para decoração, O resto da casa tem uma decoração mais sóbria. Móveis escuros ou de cores neutras que, na minha opinião, copiam a decoração dos escritórios em que minha mãe trabalha. 

Como não estava chovendo, fui andando para a escola, por um outro caminho longo que o que tomei no dia anterior para voltar, reconheci o rapaz que ficara ouvindo música na sala ontem saindo de uma igreja grande e bonita já de uniforme e mochila, mas com uma batina nos braços, e como algumas senhoras também saiam dali, imagino que a Missa terminara a pouco. Acho que ele não me reconheceu, pois passou por mim indiferente, mas o admirei por levantar-se tão cedo para ir a igreja. 

Cheguei ainda com tempo na sala, a segunda a entra na verdade, depois apenas do rapaz da igreja. Como ele chegou tão rápido?

Algum tempo depois começaram a chegar outros alunos, e aos poucos o barulho foi aumentanto a medida que se aproximava o ínicio da aula. Alguns me cumprimentaram, outros não. Alguns se apresentaram. Um rapaz chamado Matheus, uma mocinha baixinha chamada Rita e um cara grandão, de pele escura, que se apresentou como Bill. Ao menos as pessoas que se sentavam ao meu redor eu já sabia o nome. 

A aula logo começou. 1° tempo: Geografia, 2° e 3°: Biologia. 

No intervalo, Anna e Cybelle vieram em minha direção e me chamaram a andar com elas. Fui, pois acompanhada não poderia me perder. Ao descermos um lance de escadas, no refeitório que ficava no 3° andar, encontramos Eric com alguns amigos, que se sentaram com a gente, numa mesa vazia bem no meio do salão. Como era de se esperar, o colégio era tão grande, que minha aparencia desconhecida nems equer foi notada. Exceto pelos amigos de Eric, todos atletas, alguns do time de Basquete e outros como ele, do time de Futebol, que me perguntaram meu nome umas três vezes e ficaram sorrindo como bobos, deixando ele meio sem graça, mas eu gostei, estavam fazendo eu me sentir acolhida. Estavam todos numa conversa animada sobre a feira de ciências que ia acontecr na outra semana. Como eu não fazia ideia de como iria me inserir nesse assunto, me contentei em concordar com algums posições e prestar atenção no que todos estavam fazendo.

Não estava com fome, e mesmo ouvindo que a comida hoje estava estranhamente boa, resolvi ficar quieta, a me deslocar ao outro lado do salão para pegar alguma coisa. Eric e um outro amigo, que pelo me lembrava se chamava João, foram pegar mais um prato, Cybelle foi com eles. E foi Anna que quebrou o silêncio:

- Não sabe o que fazer não é? 
- Na verdade nem sabia disso. Mudar de escola é uma droga.
- Não é complicado.
- Não acho que seja, só não me animei muito, todos já tem seus projetos, e em uma semana eu não vou conseguir muito - suspirei - vale muita coisa?
- Na verdade, 30% da nota de todas as disciplinas - disse ela eficiente.
- Argh, eu to perdida.
- Pode fazer comigo, estou desenvolvendo um projeto sobre o cultivo de plantas com adubo natural. - ela disse isso comos e fosse algo muito emocionante,
- Bom, acho que vai ser o jeito - disse, sem muita convicção.
- Não precisa se não quiser - disse ela orgulhosa. Os meninos voltaram e se sentaram em nossa volta de novo.
- Não, não, quero sim - me desculpei.

A conversa então correu para outro assunto, que os meninos trouxeram junto com as bandejas de comida, e eu liguei o automático novamente pelo resto da manhã. Anna apenas me disse para ir a sua casa naquela tarde e me passou o endereço num papel cor de rosa escrito com uma caligrafia fina e elegante. 

Bilhetinho sem vergonha

Ta, eu sei, fiquei de escrever uma história e copiei uma FanFic do Exo, nem pergunte o motivo, não faço ideía. Mas como eu gostei muito dessa, eu resolvi que queria manter ela aqui... Talvez faça o mesmo com algumas outras que tenho no computador, é bom que vou liberando espaço. E tambpem não posso esquecer de editar aquele artigo sobre a Instrumentalidade Humana de Neon Genesis Evangelion que eu achei por essa internet réa sem portera.

Me divirto com essas coisas sem noção. Me lembro dos manuais de alquimia que eu escrevia, copiando textos de diálogos de Fullmetal Alchemist Brotherhood. 

Pensando bem, eu não era uma criança muito ocupada. 

Acho que isso aqui não va passar de um bilhetinho sem vergonha, porque eu realmente renho a intenção de começar a escrever o que prometi. Mas antes preciso arrumar vergonha na cara, sentar e organizar essas ideías e finalmene botar pra digitar aqui. E pensar que eu comecei a fazer isso e parei tipo, uns 4 anos atrás... absurdo.

Engraçado notar como me interesso por coisas que, na maioria das vezes, não desperta mais do que desprezo nas outras pessoas.

O resto desse post se perdeu pois a minha net está de sacanagem com minha face. Mas eu comecei a escrever como havia prometido a mim mesmo. E nem em sonho vou escrever toda semana pois ficou muito grande e eu quando me empolgo vou longe...

Sonata - Cap. 13 (Final)

Nota: Essa história não é minha, apenas a copiei de um site de Fics. Sua autora é a Tia Mari, que não conheço nem sei quem é a pessoa por detrás do pseudônimo. Mas como adorei a história. resolvi colocar aqui...

Por: Tia Mari
Via: AnimeSpirit


Capítulo 13 - Entre o Sol e a Lua (Final)

O corpo de Jongin ainda estava úmido. As mãos quentes de Kyungsoo deslizavam lentamente pela pele de suas costas, acariciando com a mais pura delicadeza, tentando sentir cada pedaço dele em seus dedos.
O mais novo tinha as mãos nos lados do rosto do outro, sentado no colo dele, a pele de suas coxas tocava a pele da cintura de Kyungsoo, sua respiração era sonora e barulhenta, sentindo os lábios de Kyungsoo contra seu pescoço. Já tinha lá algumas marcas de carícias mais violentas, manchas avermelhadas espalhadas pela pele morena, aquela visão para o mais velho, tornava tudo ainda mais excitante.
Jongin ao mesmo tempo que vulnerável era possessivo, não tirava as mão de Kyungsoo em nenhum momento, não o deixava se afastar, não o deixava fugir. E o mais velho estava a disposição de Jongin, segurando aquele corpo maior que o seu, sobre as pernas, sentindo o peito dele contra o seu, tentando sincronizar as ofegantes respirações, querendo dividir todos os prazeres.
Os dedos do mais velho correram da cintura dele até suas pernas, sem fartar-se de afundar os dedos nas coxas dele deixando trilhos vermelhos marcados na pele exoticamente morena.
- Você é completamente viciante.
Jongin sussurrou e em seguida pendeu seu pescoço para trás, sentindo um pesado gemido subir sua garganta e escorrer por entre os lábios.
Em toda a cama e chão do quarto, balas de gelatina estavam espalhadas. O cheiro doce se misturava com o do suor que escorria entre os dois corpos colados um no outro. Kyungsoo tinha os olhos curiosos, atentos a todas as reações de Jongin, a cada respiração e a cada gemido contido. Jongin mordia os lábios com cada vez mais força, sentindo as mãos puras do outro lhe tocando tão maliciosamente.

Os dedos dos pés do mais novo se contorciam, contraíam-se sem parar, suas costas igualmente tensas curvavam-se para trás e a cada vez que fazia isso apertava mais sua intimidade contra a de Kyungsoo.

- Não dá mais pra segurar...
O mais velho sussurrou com os lábios forçados contra o pescoço de Jongin, seus olhos cerrados não queriam se fechar, mas o calor que lhe tomava conta do corpo parecia pesar-lhe sobre as pálpebras com força inimaginável.
O quarto tinha tons escuros, as nuvens pintadas nas paredes mal podiam ser vistas, o luar entrava pela janela batendo delicadamente contra as costas brancas de Kyungsoo, subindo por sua nuca e por fim chegando no rosto de Jongin, fazendo seus olhos brilharem ainda mais, com as sinistras suturas que faziam sua nova visão cicatrizar lentamente. Os lábios de Kyungsoo repousaram sobre a saliente clavícula do outro que então abaixou o rosto, e fez os corpos descolarem-se um pouco.

- É injusto...

Jongin sussurrou.

- O que?
 - Você pode me ver perfeitamente...

 Kyungsoo sorriu entre os beijos que depositava na pele macia do outro.

- Quer que eu feche os olhos?”

Sussurrou o mais velho, levando as mãos até a lombar de Jongin o acariciando de forma lenta e torturante. Sentiu o corpo do mais novo escapar-lhe pelas mãos, tão leve como uma pluma, deixando suas pernas sem o peso dele, seus dedos sem seu toque, seus lábios sem sua pele. Jongin não foi tão longe, deu dois ou três passos até seu armário, o abriu e seguiu até algumas gavetas, parecendo procurar algo.
Logo encontrou o que queria, e andou de volta para Kyungsoo com aquilo nas mãos. Um longo lenço preto, de tecido amarrotado e fino que dobrou algumas vezes, e enquanto se ajoelhava na cama levou o tal tecido até os olhos do mais velho que apenas sorria, encantado com aquela ideia de Jongin. 

- Agora você vai sentir tudo, como eu sinto...
 - E quem me garante que você não vai estar de olhos abertos?
- Você vai saber, quando meus olhos estiverem abertos

Jongin tinha um tom sensual na voz, ajoelhado a frente de Kyungsoo, amarrou com força o lenço cobrindo a visão de Kyungsoo.
O mais novo deitou-se ao lado dele, lhe tocando o braço, guiou-o até ficar por cima de si. Jongin tirou ainda mais alguns segundos para analisar os lábios entreabertos de Kyungsoo e fechou os olhos. Sorriu ao ouvir a respiração pesada do mais velho, aquela mesma respiração arrastada de quando dormia. 
Um alto gemido ecoou pelo quarto frio.
A mão de Jongin era mais ágil que os pensamentos de Kyungsoo.
Rapidamente ele lhe tocava, tão sutilmente, deslizando os dedos pelo zíper de sua calça jeans, o segurando com o dedo indicador e médio e puxando tão lentamente como uma tortura.
A venda não seria necessária, os olhos de Kyungsoo estavam bem fechados, pálpebra contra pálpebra. Seu cenho franzido poderia ser facilmente confundido com uma expressão de dor, se não fosse pela sensual forma como mordia o lábio inferior, a fim de conter mais algum som que quisesse escapar de sua boca. 
Mais um pouco e Kyungsoo já não tinha as calças vestidas, devia as ter jogado em algum canto do quarto, provavelmente o mais longe possível. Tinha os joelhos pressionados com força contra o colchão, uma perna de cada lado do corpo de Jongin, seus joelhos apertavam a cintura dele com leveza e suas mãos estavam apoiadas na cama na altura do rosto dele. Kyungsoo nunca sentiu-se tão perdido, já tinha feito aquilo antes, mas não daquele jeito, não com aquela vontade, não com aquela pessoa.
Jongin colocou as mãos nos quadris do mais velho, apertou o corpo dele entre seus dedos como se o tentasse despertar a fazer algo. Jongin sabia muito menos que Kyungsoo, naquele quesito o mais novo não sabia nada.
Não queria deixar o outro saber, não queria transparecer sua inexperiência, mas não era possível esconder um nervosismo tão perfeitamente sutil, que se tornava tão óbvio.

- Kyungsoo...

O mais novo sussurrou enquanto colocava uma mão no braço do outro, lhe acariciando a pele lentamente. Seu nome gemido serviu como um sinal verde, um estalo em sua mente que lhe fez sair de seu transe e perceber que de fato tinha Jongin, semi-nu, debaixo de seu corpo esperando por mais um passo. Sentiu uma fisgada no abdômen apenas ao imaginar todo o poder que tinha em mãos naquela situação. Como queria tirar aquela venda e encarar o rosto de Jongin, poder vê-lo implorar por mais.

- Repete...

Kyungsoo pareceu autoritário, com a voz baixa, desceu o corpo deixando o peito tocar no do outro se deixando repousar lentamente sobre ele. Sua mão esquerda correu pelo lado do corpo do mais alto, afundando as curtas unhas na pele dele, deixando um longo rastro róseo desde as costelas até os quadris onde por fim começou a puxar lentamente a última peça de roupa que ainda tinha em seu corpo para baixo. Como uma tortura, ainda esperando o que havia “pedido” a Jongin.

- Anda Jongin, repete meu nome.

Continuou firme, puxando o tecido ainda mais para baixo, ouvindo um gemido escorrer como veneno por entre os lábios de Jongin. Queria tanto poder ver aqueles lindos lábios entreabertos, puxando por mais ar enquanto sentia as carícias ficarem cada vez mais ousadas.

- Kyungsoo...

Ele não disse. Gemeu, lentamente, como se não quisesse terminar de falar o nome dele. O sorriso extremamente malicioso formou-se nos lábios do mais velho. Sorria para o escuro do quarto, o único que poderia os assistir naquele momento. Sem a menor pressa, Kyungsoo puxou o pano negro pelas pernas de Jongin, até que ele ficasse completamente exposto ao luar que tocava partes de seu corpo. Kyungsoo queria olhar para o outro, estava ficando cada vez mais incomodado por aquela venda.

- Jongin, me deixa tirar isso da cara...

Reclamou e levou a mão até o rosto, mas esta foi segurada com força.

- Não faça isso, ou eu vou ficar muito, mas muito irritado. 

Jongin disse em um tom assustadoramente sério, acabou por ficar sentado na cama. Joelhos levemente dobrados, pés apoiados na cama, pernas uma de cada lado do corpo de Kyungsoo. A luz da lua batia em seus ombros, descendo até metade do peito, cortada pela sombra da janela.
Jongin passou a mão pelo rosto de Kyungsoo, fez com que juntassem os lábios em um calmo e sensual beijo. Os longos dedos do mais novo passaram discretamente de seu rosto até a nuca, onde prenderam-se entre os fios de cabelo, puxando-os sem a menor delicadeza.

Afinal Kyungsoo não tinha nenhum poder ali.

Passaram toda a noite juntos, como um só, entre gemidos intensos e carícias sutis. Fazendo muito mais barulho do que tinham noção. Não dormiram nem por um segundo, e mesmo quando não estavam envoltos um no outro, tinham os olhares trocados, as mãos dadas ou os lábios selados. A lua já havia se despedido dos dois e o sol entrava pela janela do quarto de Jongin, tocando o corpo do mais velho que encarava o exterior do apartamento, com uma estranha vontade de colocar entre os lábios um cigarro ou um copo com alguma bebida forte.
Levantou-se sem pressa, usando calças de pijama do mais alto tão grandes que cobriam seus pés e arrastavam pelo chão, se apoiou na janela encarando a rua começando a ganhar movimento, pessoas saírem preguiçosas de seus apartamentos, carros passarem lentamente, e estudantes passarem apressados em suas bicicletas.

- Fecha essa cortina...

Jongin resmungou, sentindo o sol no rosto, incomodar a visão.

- De alguma forma muito estranha...

Kyungsoo disse em tom baixo e se virou, sentando no parapeito da janela, bloqueando quase todo o sol que por ali entrava.

 -O que?

Jongin, de bruços, apoiou os cotovelos no colchão. Com seus fios dourados bagunçados e olhar preguiçoso, piscava um olho enquanto tentava olhar o rosto de Kyungsoo, mas ele parecia escondido pela sombra.

- Nada...

Kyunsoo deixou seu rosto sair da sombra que havia criado, e sorrindo se aproximou de Jongin, ajoelhou-se a frente da cama, apoiou os cotovelos no colchão e levou as mãos até o rosto do outro, o acariciando levemente. Colocou seus lábios contra a ponta do nariz do mais novo que começou a rir divertidamente enquanto fechava os olhos.
O mais velho sentia-se no paraíso, ao mesmo tempo que no inferno.

- Eu quero torta de limão.

Jongin resmungou e deixou o rosto se afundar contra o colchão. Kyungsoo então colocou os lábios contra a cabeça dele, e aproveitou para sentir o aroma de seus cabelos, cheiravam a chuva.

- Eu costumava odiar seu sorriso...

Jongin voltou a levantar o rosto, o apoiando em uma mão, olhando Kyungsoo com cara de sono.
 
- É, eu sei.
- Você sempre sabe de tudo?
- Não é nenhuma surpresa. Você ficava com um ar irritado toda vez que eu sorria...
- Se você sabia, por que continuava sorrindo?
 - Porque você no fundo gostava, não gostava?
 - Eu gosto... Quer dizer, eu amo seu sorriso...

Kyungsoo deu um sorriso próprio, passando as pontas dos dedos pelos fios na testa de Jongin, um pouco molhados, sedutoramente. Jongin respondeu com um sorriso e voltou a afundar o rosto entre os cobertores, como se quisesse esconder o sorriso entre eles.
O sol fraco da manhã batia contra os dois, iluminando alguns dos fios de cabelo loiros de Jongin e um pedaço do ombro de Kyungsoo. O dia estava quieto, calmo, Kyungsoo podia jurar que estava em sua casa no interior, julgando pela falta do barulho urbano que tanto odiava. Naquela manhã tudo era melodioso, os barulhos de Jongin rolando de um lado para o outro na cama, a respiração naturalmente dificil de Kyungsoo, os bocejos, tudo, parecia muito musical.

- Quer levantar?

Jongin voltou a rolar pela cama se embrulhando mais entre os lencóis.

 - Não...

 Resmungou.

Kyungsoo levantou-se depois de passar as mãos pelos cabelos do outro, os bagunçando mais ainda. Andou então pelo quartro atrás de suas roupas, espalhadas. Foi então que Jongin sentou-se na cama, completamente enrolado em suas cobertas, apenas com os ombros e cabeça descobertos.

- Ei... vai se vestir por que? Volta pra cá... 
- Quero arranjar umas coisas em casa.

Kyungsoo respondeu já colocando sua camisa, a abotoando lentamente, sem tirar o olhar do outro.

- Mas eu ainda não acabei com você...
- Ah acabou sim, acabou comigo a noite inteira.

Brincou terminando de arrumar os botões, trocou de calças rapidamente sentindo os olhos do outro em si o tempo todo, pareciam lhe queimar a pele, como a ponta de um cigarro.
- Kyungsoo...

Sussurrou, lentamente desprendendo o corpo de dentro da prisão que tinha criado com os lençóis, engatinhou pela cama até chegar a ponta dela, e esticando ao máximo o corpo puxou lentamente a barra da blusa do outro.

- Volta pra cama...

O mais velho observava aquela cena sem nenhuma reação. Jongin parecia tão diferente naquele momento do que durante a noite que passaram juntos. Se de dia Jongin parecia um gato preguiçoso e manhoso, a noite era muito mais selvagem e imponente.

- Eu vou em casa e depois me encontrar com Suho. No caminho de volta trago algumas besteiras pra você comer, ok?
- E se você não voltar?
- E por que não voltaria?
- Você não voltou da última vez... 
- Eu vou voltar.
 - Eu vou esperar acordado.

Jongin ainda segurava a camisa do outro delicadamente, a puxando para baixo. Kyungsoo desceu seu rosto e deu um longo selar dos lábios na testa dele. Não sabia porque, mas não conseguiria ficar naquela casa um dia inteiro, talvez por culpa do sol estar brilhando tanto naquele dia. Sentia-se atraído para fora, para andar na rua.

O mais velho saiu de casa apressado e logo deu de cara com Kris. Com umas calças de pijama cheias de desenhos de pequenos pandas, sem camisa enquanto segurava uma caneca branca. Seu sorriso era malicioso e seu olhar parecia querer destruir Kyungsoo de dentro pra fora.

- Bom dia Kris.
-Bom dia Kyungsoo.

Kyungsoo sorriu e um pouco envergonhado tentou desviar o olhar e ir em direção das escadas, mas antes que pudesse dar algum passo as palavras do outro travaram seu corpo.

- Vocês fazem bastante barulho sabe... Deviam controlar isso.
O mais alto brincou e logo levou a caneca até os lábios. Kyungsoo deu um sorriso amarelo, passou a mão pelos cabelos e voltou a andar até as escadas, Kris lhe seguiu com o olhar e quando o menor chegou até o meio delas voltou a falar.

- Não iria no café se fosse você!

Kris parecia tentar se segurar para não rir. Não tinham feito tanto barulho, mas o suficiente para seu vizinho da frente ouvir um pouco do que se passava. Kyungsoo saiu em disparada do prédio, tentando esconder o rosto enquanto passava pela frente da loja no piso inferior.
A rua estava tão calma, mais calma que sua própria cabeça. Era calmante, como se finalmente os dias estivessem a seu favor. Não havia vento na rua, apenas uma leve brisa gelada que insistia bater contra a ponta do nariz de Kyungsoo. Essa brisa incomodava um pouco, e então fez com que seus passos acelerassem para chegar de uma vez em casa.
Deve ter demorado metade do tempo, e mal entrou em casa já queria sair dali.
Andou até o sofá e se sentou, olhando para alguns envelopes que tinha sobre a mesa. Suho tinha a mania de entrar em sua casa e arrumar sua correspondência para que não esquecesse de ler tudo.
Notou que tinha ali ainda os dois lacrados envelopes de Luhan.

Tenho que devolver isso pra Jongin

O mais velho pensou enquanto esticava os dedos até tocar o envelope. Não lembrava muito bem porque não tinha aberto o seu, talvez tinha medo de ler o que estava ali. Tinha que ser corajoso. Pegou o envelope em mãos, trêmulas, e o abriu tirando um fino papel, dobrado no meio. O desdobrou e começou a ler, completamente imerso em uma sinistra angústia de saber, que as últimas mãos que haviam tocado aquele papel foram as de Luhan.

Já perdi as contas de quantas vezes tentei escrever...
E mesmo assim, ainda não sei o que te dizer
Viva a sua vida, sem medo Kyungsoo.
Aqueles olhos vão te guiar.
Nunca deixei de te amar, nem por um segundo.
Nos vemos daqui a … MUITO mas MUITO tempo ok?
-Luhan

Algumas lágrimas caíram sobre o papel, fazendo a tinta do nome dele borrar um pouco, Kyungsoo não conseguia expressar toda sua tristeza. E nem sabia explicar o porque dela. Luhan havia sido seu primeiro amor, mas teria sido o mais forte? Por mais que se perguntasse isso, por mais que essa questão ecoasse em sua cabeça enquanto mergulhava no olhar azul de Jongin não conseguia explicar.
Sentia uma inexplicável falta de Luhan. Uma falta que não sentiu durante o tempo que ficaram separados em vida, sentia agora, tudo ao mesmo tempo sabendo que não havia mais volta. Sentiria sua falta, até que fosse a hora de morrer.
Mas a pior dor, era de sentir como se estivesse traindo Jongin. A cada vez que pensava em Luhan, a cada vez que passava os olhos por alguma foto antiga dos dois, era como se traisse o outro ainda mais. E aquele beijo. Lhe fazia sentir sujo, e mesmo depois da noite que havia passado com Jongin, quando nem por um segundo lembrou-se do outro, lembrar agora fazia com que quisesse morrer.
Kyungsoo sentiu uma forte e repentina dor de cabeça.
Respirou fundo, passando a mão no local que doía mais, e lentamente a dor foi embora. Não podia sentir, não com tanta força e não tudo de uma só vez. Era muito amor, muita tristeza, muito rancor. Era apenas muito.

- Ele está te esperando.
- Está.
- Você não pode fugir Kyungsoo.
- Estava com saudades. 
- Kyungsoo, acorde. 
- Me leve com você.
- Kyungsoo...
- Não me force a voltar.
- Acorde.

Kyungsoo levantou de uma só vez, empurrando seu corpo para fora da água fria que ficara espalhada pelo chão do banheiro, transbordando da banheira. Estava ofegante, tossindo um pouco enquanto apertava a mão contra o peito. Seus olhos embaçados pela água procuravam algo a seu redor. Luhan estava a sua frente à alguns segundos atrás, vestindo o mesmo suéter cinza de quando se viram pela última vez, parecendo infinitamente mais saudável. 
Os cabelos negros de Kyungsoo caíam por seus olhos, molhados e pesados como se quisessem fazer a cabeça dele voltar a ficar debaixo da água.
Não sabia nem mesmo o porque de não querer acordar. O que sabia é que já era tarde, e devia voltar para Jongin, seja como fosse.
Vestiu-se rapidamente e saiu de casa com os cabelos ainda úmidos. Uma mão, dentro de seu bolso, o fazia encolher dentro do casaco a outra pendurada ao lado do corpo carregava uma sacola de compras com todas as besteiras que prometera ao outro.
Chegou mais rápido do que sua percepção. Bateu três vezes na porta e foi recebido pelo rapaz que tinha um grande sorriso no rosto.

- Você demorou.

Kyungsoo não respondeu, apenas entrou no apartamento.

- Está tudo bem Kyungsoo?

Ele perguntou, passando as mãos pela cintura dele, o envolvendo em um abraço aquecedor.

- Kyungsoo... Eu posso não conseguir te ver direito ainda, mas eu consigo de ouvir perfeitamente. Se precisar falar, estou aqui.

Kyungsoo ficou apenas a observar as mãos do mais novo, com dedos enlaçados uns nos outros, apoiadas em sua barriga, apertando gentilmente. Não conseguia ter reação para aquela ação, apenas deixou que o outro ficasse apoiado em seu corpo, com o queixo contra seu ombro, soltando leves baforadas de ar contra ele.

- Eu beijei Luhan.

Disse com frieza e sentiu-se ser abraçado com ainda mais força. Jongin estava sorrindo. Por algum motivo.

- Tudo bem Kyungsoo, eu entendo.

Disse calmo, virou o rosto e apoiou o lado dele no ombro do mais velho.

- Não está chateado comigo?

- Estou até aliviado.

Jongin riu e passou as mãos, espalmadas pelo peito do outro.

- Aliviado?

Não resistiu em perguntar.

- Pensei que tivessem feito mais que isso.

Kyungsoo não conseguiu conter um riso um pouco distorcido.
 
- É sério que você não está chateado?
- Eu entendo como é isso.
- Entende?
- Sei como é ter a pessoa amada escapando pelos dedos e não poder fazer nada, então eu entendo.
 - E me perdoa?

Kyungsoo colocou a mão sobre a do outro apertando gentilmente.

- Não tem o que perdoar.

Kyungsoo virou seu corpo lentamente entre os braços de Jongin que colocou as mãos espalmadas nas costas dele, abaixando um pouco seu rosto para que pudessem ficar com as testas uma contra a outra. O mais novo tinha um leve sorriso nos lábios e os olhos não muito abertos, como se forçasse a vista para o ver melhor.

- Doeu?

O mais velho indagou, e o outro sorriu um pouco mais, levando uma das mãos ao rosto do outro.

- Nem senti, só doeu depois... Só uma coisa doeu...

Seu tom de voz gradualmente entristeceu, ainda tinha a mão no lado do rosto do outro o acariciando lentamente.

- O que?

Kyungsoo perguntou, colocando a mão no topo da cabeça do outro.

- Doeu você não ter estado lá... Mas eu já estou feliz que esteja aqui agora, então não dói mais.

Tinha a voz engasgada, mas mesmo assim conseguiu abrir um grande sorriso no rosto. Tocou a ponta de seu nariz no de Kyungsoo e deixou as duas mãos repousadas na nuca dele, passando os dedos lentamente pelos curtos fios de cabelo.
O rapaz dos cabelos negros sentiu uma forte pontada no estômago, como lhe tivessem dado um soco. Aquele sorriso lhe estava torturando, por ser tão sincero, mas por parecer mascarar alguma mágoa. Kyungsoo também queria ter estado lá, se ele ao menos soubesse onde estava. Jongin tentava entender que o outro não tinha como saber onde ele estava durante aquele tempo todo, mas aquele pingo negro de tristeza em seu mar azul o parecia ter mudado, mesmo que tão pouco.
Jongin fechou os olhos, dissipou seu sorriso e engoliu seco, como se tentasse criar coragem.
 
- Daqui a dois ou três anos, quando minha visão estiver perfeita, você vai estar do meu lado?

Kyungsoo deixou sua mão escorrer do topo da cabeça do outro até os fios da nuca dele, entrelaçando seus dedos com eles. Fechou também os olhos tentando prender seus sentimentos novamente dentro de si.

- Não sei, não posso prever o futuro.

O mais velho sentiu o corpo ser apertado contra o do outro, seus dedos agarravam com força o tecido, repuxando e amassando.

- Odeio quando você é sincero.

Jongin parecia estar se segurando para não chorar, apertando o rosto contra a curva do pescoço do mais baixo e afundando seus dedos com tanto desespero na roupa dele que as unhas acabaram por arranhar a pele.

- E mesmo assim sei que você não está falando toda a verdade pra mim.
- Jongin... A verdade em certos casos é desnecessária.
 - Nunca menti para você. 
 - Nem eu.
 - Você omite.
 - Omitir não é mentir.
 - E se eu perguntar, você vai mentir?
 - Talvez.

Lentamente as mãos de Jongin se desprenderam da camisa do outro, seu rosto se afastou do pescoço dele, com olhos baixos e tristes, seu corpo se afastou tal como sua alma. O rosto estava sereno, nem qualquer expressão, e mesmo assim quentes lágrimas rolavam por suas bochechas.


Eu te vi no espetáculo. Você tocou lindamente. Eu... Kyungsoo... Eu te... Eu sinto tanto a sua falta.


Kyungsoo passou dias ouvindo aquela mensagem.
Se torturando, como se enfiasse uma faca contra o próprio coração.
Jogado em seu sofá, cheirava mal, tinha os cabelos desgrenhados, as roupas amassadas, papeis e garrafas de bebida espalhadas pelo chão. Não punha os pés na casa de Jongin a pelo menos uma semana e meia, tinha dado alguma desculpa qualquer de que devia ensaiar, mas a verdade é que queria fugir de ter que encarar aqueles olhos azuis.

 - Você está louco Kyungsoo...

Repetia enquanto encarava seu reflexo no espelho do banheiro. Estava abatido, doente, como se estivesse desaparecendo aos poucos.

- Você me enoja...

Disse para si mesmo, enquanto encarava o espelho com olhar furioso.

- Aish Kyungsoo... Você ainda não desistiu de ficar trancado nessa casa?

Uma voz ecoou por sua sala, quando o rapaz notou a presença de outra pessoa saiu do banheiro tentando ajeitar os cabelos oleosos com as mãos trêmulas.

- Suho... Você não tinha dito que vinha aqui hoje...

O agente deixou sacos de compras sobre a bancada da cozinha e voltou para a sala, encarando Kyungsoo. Tentou se aproximar, mas ao sentir o cheiro dele parou de andar e ainda recuou dois passos.

- Venho aqui todas as sextas-feiras seu porquinho... Quando foi a última vez que tomou um banho?
- Você disse que hoje é sexta?
- Disse...
- Então faz uma semana...
- Nossa... Bem, vai tomar um banho. Quero te levar pra tomar um café.

Kyungsoo ainda resmungou um pouco, mas obedeceu o agente.

O no lado de fora estava feio, chuvoso e ventava um pouco. Kyungsoo dividia um grande guarda-chuva com Suho enquanto andavam em silêncio pela rua. Alguns carros passavam, não muitos, Kyungsoo mantinha seus olhos fixos no chão espelhado, perdido em pensamentos abstratos nem se deu conta do caminho que tomava, não se deu conta até que Suho lhe fez virar a direita enquanto abria a porta do café.

- Não vai entrar?

Perguntou o rapaz olhando para o outro congelado na frente do café, encarando o letreiro luminoso e a janela sobre ele. A luz estava apagada, sentiu uma insana vontade de subir as escadas correndo e fazer aquela luz se acender, só para que a pudesse apagar minutos depois. Seus joelhos fracos, entretanto, lhe fizeram apenas mover para dentro do café.
Sentaram-se os dois em uma mesa no canto, junta a parede. No estabelecimento haviam apenas mais dois casais que conversavam em tom apaixonado, segurando mãos e trocando olhares. Aquela situação enojava Kyungsoo de uma forma inexplicável. Suho segurou o cardápio de tortas e chás a frente do rosto do outro, o fazendo despertar de sua viagem mental.

- Vai querer o que?

Suho perguntou dando a Kyungsoo um grande e caloroso sorriso, um tanto forçado, como se quisesse atiçar algo dentro dele. Aquele sorriso parecia esconder algo. Como se estivesse tramando contra si, mas deu de ombros, estava com ideias demais naqueles dias e aquela parecia uma das mais estupidas que havia tido.

- Chá.

Respondeu seco, encolhendo o corpo contra ele mesmo, se afundando dentro do casaco que usava. Suho continuava com seu grande sorriso, passou os dedos pelo menu e olhou além de Kyungsoo, na direção da porta.

- Eu vou querer torta de limão.

Seu sorriso aumentou ainda mais, outro não entedia o porque.

- Com licença.

Suho levantou-se, e os olhos de Kyungsoo lhe seguiram até a porta. Rapidamente mudaram de foco, quando viu aqueles brilhantes olhos lhe encararem um pouco assustados. Suho falou um pouco com ele, sorriu na direção de Kyungsoo e saiu do café como se fugisse do lugar.
Jongin deu passos tímidos até a mesa do mais velho. Apontou para a cadeira, sem falar nada, mas como se perguntasse se podia sentar ali. Kyungsoo afirmou que podia sentar com um gesto da cabeça e o outro então sentou-se. Ficaram os dois encolhidos em seus próprios casacos por alguns minutos, sem trocar palavras ou olhares, como se tentassem evitar um ao outro, mas sem ter a coragem de fugir dali. 
O mais novo deu um longo e profundo suspiro, seus olhos tristes encararam a mesa onde o cardápio estava aberto e ali ficaram.

- Eu também senti sua falta.

Kyungsoo disse em tom baixo, ainda sem olhar para o outro, mas fazendo com que ele levasse seus olhos até ele. Esfregava uma mão na outra como se estivesse com frio. Não parecia muito animado, nem triste, parecia o Kyungsoo que Jongin conheceu quando ainda era cego. Uma óbvia incógnita cheia de mágoas e tristezas presas em um coração tão fraco.
O mais velho foi até o balcão e pediu algo para os dois, sem ser seguido pelo olhar de Jongin que ainda encarava o cardápio com tristeza em seu mar azul. O outro voltou e sentou-se a frente dele, colocando um prato a sua frente e outro a frente de Jongin.

- Estamos adiando isso a tanto tempo.

Kyungsoo esticou a mão segurando um garfo para Jongin que com sua mão trêmula o pegou, deixando os dedos acidentalmente -ou não- tocarem a mão do mais velho.

- Ainda não tive coragem de comer isso sem você.

Jongin sussurrou.
 
- Fico feliz que tenha esperado.

Kyungsoo respondeu, lentamente afundando seu garfo na fatia de torta a sua frente.

- O que passa na sua cabeça, quando eu não estou lá?

Jongin disse com a boca cheia, ainda sem coragem de encarar os olhos do outro.

- Muita coisa.
- Tenho todo o tempo do mundo pra te ouvir.
- Luhan... Piano... Meus pais... E mesmo quando você não está nos meus pensamentos, você está lá.

Os dois pararam de comer, olhando para o mesmo ponto morto no centro da mesa.

- Eu sou um fardo pra você?
- Não.
- Você preferia não ter me conhecido?
- Se você não tivesse esbarrado em mim naquele dia, eu provavelmente não estaria aqui hoje.

Kyungsoo levantou seu olhar até o de Jongin, e cruzaram-se os olhares.

Silenciosos, o bater dos dedos de Kyungsoo contra a madeira.

- Por que não me contou que estava doente?
- Porque não estou
- E por que tantos remédios?

Kyungsoo esticou a mão até a de Jongin, mas ele a recuou.

- Depressão, e ter que controlar minha pressão arterial por conta do meu acidente.

Jongin esticou a mão para frente lentamente, tocando as pontas dos dedos nos de Kyungsoo.

- Doeu?
- O que?
- Me contar tudo.
- Isso não é tudo.

A mão de Jongin recuou novamente, se colocando sobre o colo dele.

- No dia do funeral de Luhan, eu acabei tendo um AVC.

Os olhos dos dois haviam perdido novamente a ligação.

- Como fui atendido imediatamente não sofri nenhuma seqüela; 
- Mas pode voltar a acontecer. Eu sei.
- Pode ser que eu tenha algum outro pequeno aneurisma indetectado, e se ele se romper...
 - Eu sei.

Jongin levantou o rosto encarando o teto pintado em bege.

- Você é um museu.

O mais novo falou, ainda olhando o teto, deixando seu pescoço livre aos olhares de Kyungsoo, lhe fazendo lembrar a sensação de o ter contra seus lábios.

- Um museu?
- É.

Jongin respirou fundo e virou o rosto para frente, e os olhos para baixo.

- Você vive de passado. 
- E você?
- Eu sou a lua.
- A lua? Grande, redondo e cinza?”

Jongin riu. Passou a mão pelos cabelos e apoiou o rosto nela.

- Tenho minhas fases, meu brilho pode até se apagar e voltar, mas eu sempre estarei no mesmo lugar.

Kyungsoo sentiu o coração apertar, apertou os olhos contra a mão e deixou a cabeça cair contra a mesa, com um tanto de força. Jongin se assustou, passou a mão até o ombro do rapaz enquanto tentava ignorar os olhares dos outros dois casais presentes no local. Sua preocupação foi repentinamente cortada pelo som de algo que parecia a risada de Kyungsoo, ria com um tom cansado, como se não tivesse vontade de rir, mas como se fosse a única coisa que poderia fazer naquele momento.

- Você é uma torta de limão.

Kyungsoo comentou, levantando o rosto.

- É um doce criado de algo azedo, e que me faz sentir bem.
- Então você também é uma torta de limão.
- Não, eu só o seu prato...
- Meu prato?

Jongin não conseguia conter a risada enquanto perguntava aquilo.

- É Jongin. Eu sou apenas o teu suporte.
- E quem é que vai dar suporte pra você?
- A mesa.

Os dois já estavam imersos em uma contagiante e discreta risada que era ignorada pelos outro no local.

- Prefiro ser a mesa então.
- E que tal assim, eu vou ser essa parte de bolacha ao redor da torta.

Kyungsoo apontou para a massa de bolacha e manteiga que 'forrava' a torta.

- E eu vou ser o recheio?
- Exatamente. Uma torta de limão não é nada, sem eu e você, juntos.

Kyungsoo deu um de seus maiores sorrisos para Jongin, esticou sua mão até a testa dele e ajeitou os fios de seu cabelo. Recuou sua mão, e os risos e sorrisos lentamente se diciparam.

- Nos conhecemos a tão pouco tempo.

Jongin comentou, brincando com o garfo contra o recheio do pedaço de torta a sua frente.

- E eu já não sei viver sem você.

Kyungsoo sussurrou em tom perfeitamente audível. Levantou seu olhar para o mais novo que já lhe olhava com recíproca serenidade.

- Quer subir?
- Quero.

O batimento acelerado de ambos corações, se no mais puro silêncio poderia ser ouvido por qualquer ouvido. As borboletas em seus estômagos batiam com tanta vontade que pareciam querer escapar por entre os lábios entreabertos dos dois.


A luz da lua contra sua pele, contra seus olhos... É hipnotizante”


Os lábios de Jongin escorriam lentamente pela pele alva das costas de Kyungsoo. O mais novo afundava os dedos na cintura do outro, o luar batendo contra seus corpos parecia esquentar um pouco o lugar. Kyungsoo tinha o rosto virado pra baixo, com um braço apoiado no parapeito da janela.
Os dedos do outro pareciam se afundar ainda mais contra sua pele, como se estivesse a ordenar ao outro para que voltasse para a cama consigo. Os quentes lábios de Jongin ainda passeavam pelas costas do outro, distribuindo sutis beijos e algumas abusadas mordidas que lhe marcavam a pele de forma excitante.

- Minha casa é mais bem localizada, mais silenciosa...

Kyungsoo ousou falar e foi repreendido, com os dentes do outro contra seu pescoço lhe fazendo uma obvia marca na pele branca.

- Mas é aqui onde nós acontecemos.
- Não quero voltar pra dentro daquela casa vazia, quero poder acordar todos os dias e ver as nuvens pintadas no seu quarto azul.
- Então não volte. Kyungsoo...

Murmurou contra a orelha do mais velho que sentiu o corpo estremecer em um de vários arrepios que sentiu naquela noite.

- Pare de lutar, e se deixe afogar nos meus olhos...

Jongin sorria enquanto falava aquilo, passando as mãos até os quadris do mais velho, lhe tocando a pele desprotegida, pressionando seu corpo contra o dele. Os olhos do mais novo brilhavam com a luz natural batendo contra eles, tal como a pele branca do outro.
Lentamente Kyungsoo virou seu corpo para ficar de frente para Jongin, levando seu olhar ao dele. Seus lábios imploraram pelos do outro, se juntaram em um desejoso e calmo beijo onde se entregaram tudo que sentiam, pouco a pouco. Jongin cravou as curtas unhas contra a pele de Kyungsoo e o puxando pelos quadris foi até a cama onde se sentou, sem e, nenhum momento desfazer o beijo selado. Kyungsoo sentou-se no colo do outro passando suas mãos quentes pelos ombros morenos de Jongin.


- Vamos dormir...
- Tenho medo de acordar e você não estar mais aqui...
- Eu serei seu Sol.
-

- É... Molhado...

Jongin riu, mas Kyungsoo ria muito mais alto, na verdade gargalhava. A reação de Jongin ao imenso oceano era bizarramente engraçada. Seus pés se enfiavam na areia molhada, mexia os dedos lentamente. Com os olhos fechados, sentia a brisa contra seus loiros cabelos enquanto Kyungsoo o admirava, praticamente embasbacado com toda a beleza dele.

- É melhor colocar seus óculos, o sol pode fazer mal a vista...

Kyungsoo pegou os óculos que tinha presos na gola da camisa e colocou no rosto do mais alto, deixando as mãos deslizarem por seu rosto, acariciando suas bochechas com os polegares, as mãos morenas de Jongin então tomaram as suas, deslizaram das mãos até os ombros do menor. Lentamente juntaram-se então em um abraço gentil, ambos de olhos fechados, sentindo o cheiro do mar misturar-se com seus perfumes.

-
- O que ele escreveu?
- É segredo nosso.

-
Jongin, espero que Kyungsoo tenha controlado sua curiosidade de abrir isso...
Só quero pedir que tome conta do meu anjo.
Eu estarei contigo o tempo todo, te guiando.

Aproveite sua vida, não o deixe ir embora antes do tempo.
-Luhan, seus olhos.




Jongin limpou o rosto coberto em lágrimas, sorriu para Kyungsoo e voltou a dobrar o papel, colocou dentro do envelope original e o apertou contra o peito, murmurando algumas palavras, como se falasse com o vento.
 
-
- Feliz aniversário Jongin.
- Feliz aniversário Kyungsoo.
-

- Que bom que não é torta de limão...

- É chocolate, não sei se você gosta.

- Difícil não gostar.

Jongin comeu um grande pedaço do pedaço de bolo que tinha no prato a sua frente. Comemoravam tantas coisas no mesmo dia. Fazia um ano, desde a primeira vez que esbarraram um no outro. Tanta coisa aconteceu nesse tempo, em tão pouco tempo. Jongin conseguiu um trabalho como professor efetivo em uma escola perto de onde moravam, agora juntos, os dois. E Laika. E Luna, a nova gata do casal.
Kyungsoo não desistiu de seu piano. Agora visitava muitas mais vezes o teatro que tanto amava, já que sua casa havia sido entregue para Suho. Sentia-se muito mais em casa, quando naquele apartamento branco, que tão lentamente começou a ficar colorido, até mesmo porque todo aquele branco machucava os olhos de Jongin.
E por isso comemoravam também.
Jongin tinha a visão praticamente perfeita.

Seu hobby favorito era passar horas olhando Kyungsoo, fazendo seja lá o que fosse, apenas o olhava.
-
“Eu posso te ver perfeitamente, mas isso não quer dizer que você pode ir embora agora”
-

- Você é teimoso Kyungsoo...
- A quanto tempo...
- Não tempo suficiente.
- Ainda não é minha hora?
- Não se depender de mim.

- Eu não quero mais ficar aqui Luhan, quero voltar pra ele...
- Está esperando o que então?
- Eu também te amei.
- Eu sei.
- Nos vemos depois?
- Nos vemos depois.

Kyungsoo abriu os olhos com dificuldade, e logo que recobrou os sentidos sentiu os lábios de Jongin contra seu rosto.
Sorriu por instinto, e levantou a mão colocando contra o cabelo loiro do outro.

- Você me assustou seu maluco.

Jongin murmurou entre soluços, sem fazer esforço para conter suas lágrimas.

- Prometo que não faço mais isso ok?
 
Ficaram em silêncio, Jongin sobre o corpo do outro tentando não o apertar com muita força, mas sem conseguir solta-lo.


-
- Jongin, eu te amo.
“Eu também te amo Kyungsoo”

-

Kyungsoo não conseguiu cumprir com sua promessa

Entretanto.
Tiveram longos vinte e seis anos para tomarem outros tipos de susto, para vivenciarem surpresas, comerem vários tipos de tortas, experimentarem cafés e chás, dividirem noites e dias, brigarem e sorrirem. 
Viveram tudo que podiam, no tempo que lhes foi dado.
Jongin não chorou, sabia que tinha o amado ao máximo, e sabia que tinha sido amado. Apenas sorriu, encarando aquela foto emoldurada por um porta-retratos barato, dois grandes sorrisos. Era assim que Kyungsoo gostava dele, sorrindo.
Então sorriu.

-
O tempo.
Algo inexplicável e imprevisível.
Corre sempre da mesma forma, no mesmo ritmo, mas a percepção de cada um o carrega de forma diferente.
Diz a lenda que apenas o tempo cura certas feridas, pode ser até que seja verdade, mas acredito que o amor é a única coisa que pode apagar as cicatrizes feitas por elas.
Amor não precisa ser dito ou reinforçado, amor é algo muito mais sutil que isso.
Vem na forma de um luar, ou de uma torta de limão, ou talvez de algumas balas de gomas espalhadas pelo chão do quarto.
Amor é muito mais que duas pessoas, amor é tudo que as cerca e tudo que por elas são cercados.
O Sol se esconde atrás da Lua, pare que ela possa brilhar.
As bolachas amassadas contra o prato, são a base de uma torta de limão perfeita.
Um museu não vive só de passado, vive de histórias.
Promessas são feitas.
Mas nem todas serão mantidas.
E assim segue a vida.
Até que o Sol e a Lua possam se encontrar novamente, em uma noite qualquer.