terça-feira, 29 de novembro de 2016

Últimas palavras

Mais uma vez eu escrevo pensando em você, e mais uma vez toda e cada uma das palavras aqui escritas estão repletas de todo o sentimento que tenho e alimento por você. 

Alguns momentos antes de me sentar em frente ao computador e dar início ao meu processo criativo de escrita, eu contemplava o céu desta noite sem estrelas. E observando os poucos pontos luminosos que ela continha e as nuvens que aqui e ali apareciam em pequenos filetes de algodão corrompidas pelas correntes de ar que lá em cima correm eu pensava justamente na grandeza do mundo, e nas distâncias que essa grandeza nos proporciona.

Não estamos exatamente muito distantes um do outro. Algumas poucas horas de carro são suficientes para dar conta disso facilmente. Hoje em dia, com todo o aparato tecnológico a nossa disposição nem mesmo alguém que mora no Japão é completamente incomunicável e inalcançável, a menos que ela queira. E é aí que entra nossa situação. 

Entre nós existe uma distância que faz a distância entre o Brasil e o Japão parecer com a distância que há entre minha casa e a padaria da esquina. Entre nós existe uma distância que nem mesmo os mais potentes computadores da NASA conseguiriam calcular, e que não pode ser vencida nem mesmo pela velocidade da luz. Entre nós existe mais do que uma distância muito grande, existe uma barreira intransponível. Uma verdadeira muralha que impede que um atravesse para o outro lado. E no entanto, como que numa brincadeira do destino eu ainda consigo te enxergar, justamente para ver que a cada dia essa distância entre nós cresce ainda mais.

A amizade que havia entre nós morreu. Ainda que me diga guardar consideração por mim não há amizade onde não há comunicação, onde não há contato. Pode haver sim sentimentos de apreço, admiração, mas amizade não. Talvez esteja errado e me equivocando ao afirmar isso, pois sei que existem amizades que sobrevivem a anos de distância. No entanto essas amizades foram forçadas a isso, e esse não é nosso caso. Muito pelo contrário. Todo o mundo se encontra a nosso favor para que ainda houvesse amizade entre nós, e no entanto sequer trocamos uma dúzia de palavra em nosso último encontro.

Encontro aliás que me destruiu completamente. 

O corpo que fisicamente já se encontrava debilitado teve de suportar uma dor que o deixou também psicologicamente esgotado. Talvez 'desfalecido' seja uma palavra mais apropriada. Olhei você por apenas um ou dois segundos, e logo virei a face. Mas já era tarde demais, não houve tempo suficiente para erguer as proteções que eu havia criado para o caso em que precisasse tornar a te ver. Naquela hora eu caí por terra, lançado violentamente contra um chão frio e duro que me fez em pedaços.

Nosso abraço, nossos cumprimentos, apenas formalidades... Não senti calor, não senti nada além de dor. 

Mas eu me controlei. 

Não me lancei aos seus pés e mesmo que a muito custo consegui conter as lágrimas. Mas minha voz foi afetada, e quase não conseguia cantar como de costume. Meu equilíbrio também se abalou, não consegui ficar de pé e agradeci a compreensão de meus amigos em perceber que já não estava mais bem.

Isso porquê o amor que desenvolvi por você se tornou algo tóxico para mim. Cada vez que olho para você ou que penso em você com mais intensidade é liberada dentro de mim uma substância que transforma meu próprio sangue em veneno, e que começa a corroer o meu próprio interior como um ácido. Mas não estou dizendo que você me faça mal. O sentimento que criei por você é que o faz.

Não há necessidade de mais uma vez me alongar em dizer como isso chegou ao estado em que se encontra. Você sabe que quando começamos a nos aproximar, juntamente com nossa amizade nascia dentro de mim algo maior. Um sentimento de paixão que aos poucos ia tomando conta do meu ser, e ganhando cada vez mais espaço acabou tomando também de mim as minhas esperanças, meus sonhos e meus desejos. De repente eu me vi sem nenhuma outra perspectiva no mundo senão a de te possuir. 

Mas isso não era possível e tão logo percebi o quanto essa situação perigosa eu lutei para conseguir esquecer o que havia criado dentro de mim.

Fui embora para outra cidade, mas não aguentei e retornei depois de alguns meses. De volta, comecei a namorar na esperança de que conseguisse te esquecer. Não funcionou e logo comecei a me abater com isso. Foi então a sua vez de ir embora, e como isso me afetou... Era como se arrancassem de mim o meu próprio coração. Assim eu me senti sabendo que você ia para longe. Mais uma vez eu comecei a namorar na esperança de te esquecer mas isso só piorou ainda mais a minha situação. 

Foi então que eu percebi que quanto mais eu tentava fugir do meu sentimento por você, mais ele me conduzia para o labirinto de uma confusão afetiva sem precedentes. Quanto mais eu tentava fugir mais eu me embrenhava nesse amor.

Mas um amor quando não correspondido ele se desespera, e foi o que aconteceu comigo. Eu me desesperei. 

A vontade de gritar até enlouquecer é agora minha companheira diária. A própria loucura já me é uma doce amiga que as vezes me bate a porta, buscando abrigo.

E em dias como esse, em que ela me acolhe em seu colo e me permite nele chorar é que eu torno a olhar para a imensidão do céu e a contemplar com tristeza o imenso abismo que existe entre nós. Olhando para esse céu eu me dei conta da imensidão do mundo, dos milhões e milhões de pessoas que sob esse mesmo céu hoje nascem, morrem, amam e odeiam. E ainda olhando essa imensidão de veludo azul escuro eu me desesperava ao ver que, mesmo tendo bilhões de pessoas a minha volta, você ainda é a única que importa para mim. A única por quem eu morreria, a única por quem eu viveria. 

Mas você não sabe disso, e se sabe, isso não faz diferença, pois a verdade é que, não importa o quão forte e intenso seja um amor, ele será capaz de todos os feitos, menos de forçar outra pessoa a amar. Isso é algo que nem mesmo o amor é capaz de realizar. Talvez nem mesmo os deuses possuam tal capacidade. Isso quer dizer que, não importa o quanto eu o ame. Não importa quantas dessas cartas eu te escreva. Não importa quantas lágrimas eu derrame. Eu nunca serei capaz de fazer você me amar, a menos que você decida por isso. 

E eu sei que isso não vai acontecer.

Minha condenação é então aceitar essa realidade. Aceitar que as coisas são assim e tentar de alguma forma seguir em frente sem você. Sem seu amor e sua amizade. Por mais que seja difícil eu preciso encontrar novos objetivos, novos rumos, novos amores. Eu preciso voltar a viver! E isso só vai ser possível quando eu deixar de sentir o que sinto por você. 

Por isso eu gostaria de dizer que essa é a última carta que eu escrevo para você, mas não sei se isso será de fato verdade. Talvez dentro de mim eu consiga encontrar a força necessária para afogar esses sentimentos, talvez eu encontre também a coragem para acabar de vez com minha vida e não mais ter motivos para me preocupar. Talvez, quem sabe, essas sejam as últimas palavras que eu escreva para você. Talvez depois de queimar essa carta eu consiga seguir em frente, sem olhar para trás. 

Talvez.

É irritante notar que mesmo aqui, nos limites de uma decisão que eu preciso tomar visando minha própria sanidade mental, eu ainda alimento dentro de mim ilusões de um mundo onde os meus sentimentos encontrariam em você a reciprocidade que tanto desejo. Até aqui o fantasma da esperança que me conduziu a morte ousa me atormentar e me impedir de ser feliz. Como se uma mão fria me impedisse de seguir em frente, segurando meu pulso como cabos de aço. 

Mas é só isso que sobrou do meu amor agora: um fantasma apagado. Como brasas que queimam fracas, prestes a se apagarem. E meu único temor é que elas voltem a se acender. Como eu queria poder lançar sobre elas um monte de areia. e as apagar, impedir que elas voltem a queimar e se arderem de amor por você mais uma vez, pois o único que se queimou com elas fui eu. Meu coração foi a única vítima desse deslize emocional que tragicamente me transformou num louco alucinado.

Milhares de imagens passam rapidamente pela minha cabeça, me revelando num breve momento de lucidez o quão alucinado eu me tornei. Nesse momento eu escuto o 3° movimento da 6° Sinfonia de Tchaikovsky e uma marcha militar se cruza com uma marcha fúnebre numa melodia assustadoramente macabra. Como se os instrumentos chorassem as lágrimas que eu não consigo mais chorar. E essas lágrimas de dor se tornam lágrimas alucinadas, que prorrompem num grito, um urro de dor, desespero por uma realidade que eu já não suporto mais carregar.

A música alucinada cessou !? Em seu lugar se ouve agora o adagio lamentoso que provavelmente será o tema de minha própria passagem desta vida para a eternidade. Trata-se mais uma vez dos instrumentos que tomaram para si a minha dor e que a transformaram em acordes escuros e profundos, que refletem com precisão a escuridão da lama em que me lancei por conta desse amor louco que eu inventei por você. 

Mas, assim como os últimos acordes dessa sinfonias falam da morte de um herói que caiu depois de muito lutar por um amor impossível, eu espero que também seja capaz de sepultar esse meu amor, e de fazer com que ele desapareça da mesma forma que lentamente o som vai se desfazendo em tristes notas impulsionadas pelo ópio. 

E como esses acordes aos poucos também as minhas forças se vão... Como disse no começo, desfalecendo, morrendo, desaparecendo... 

O que sobrará desta noite? Certamente não serei mais eu! Ao menos não da forma como o mundo me conhece e como eu vejo o mundo. 

Não serei mais eu a viver pois...

Esse que hoje é apaixonado por você morre aqui!

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Em busca da razão

Acho que cheguei num momento decisivo de minha vida. Cheguei num ponto onde devo tomar uma decisão: preciso me mover e sair desse lugar ou morrerei! Não posso permitir que as coisas continuem da forma que estão. 

Isso não é vida!

Não é vida pois minha atual realidade é fruto justamente de decisões que tomei para ser feliz e só me mostraram que hoje sou ainda mais infeliz do que antes. 

Eu tinha controle sobre mim e sobre meus desejos. Eu sabia onde era meu lugar, o que podia fazer, olhar e falar. Mas a partir do momento em que me permiti ter mais liberdade, eu descobri o verdadeiro significado de escravidão. A liberdade que eu almejava então se mostrou apenas ser a escravidão de meus desejos que se escondia sob um manto de esperança por uma vida melhor. 

A felicidade que essa liberdade me proporcionou foi breve, passageira, fugaz. Nada comparada com a tranquilidade espiritual que antes eu tinha. Mas só agora eu consegui me dar conta de onde eu realmente estava errando. Meu erro foi no princípio, quando me permiti mergulhar nessa poça de podridão que se tornou minha vida. Meu erro foi ter permitido que os meus desejos assumissem o controle sobre mim. E a partir daí, já não tinha mais forças para voltar atrás, mesmo com todos a minha volta gritando para que eu me libertasse. 

A primeira coisa que essa falsa liberdade me tirou foi a coragem. A coragem que antes eu tinha para fugir dos meus desejos profundos era o que me mantinha de pé, e agora, quando não a tenho mais, me tornei vulnerável, lutando na frente de batalha de uma guerra que eu não posso vencer. Foi quando eu caí. Agora eu percebo que a minha força estava no reconhecimento que eu tinha de mim mesmo e de minha fraqueza e que quando isso foi tirado de mim, foi como se minhas pernas tivessem sido brutalmente arrancadas, me impedindo de fugir do mundo de imundícies no qual eu havia entrado.

A única forma de sair é voltar a fugir. Voltar a reconhecer que minha fraqueza e minha covardia são as únicas coisas capazes de me manter vivo pois eu preciso continuamente fugir do monstro imundo que há dentro de mim. Preciso me esconder desse demônio feroz que se apoderou de meu corpo e com minha autorização cometeu inúmeras torpezas. E nessa batalha, somente aqueles que fogem podem sobreviver. Não é uma desonra fugir nessa situação pois essa é a única forma de continuar a viver, e como disse, o que tenho hoje não é vida, é apenas uma existência fria, vazia e triste. Um mar de eterna melancolia e depressão que me mantém preso a um abismo de pecados e mentiras. 

Eu achava que sendo livre seria feliz, mas percebi que eram as grades que me prendiam que me faziam feliz. Percebi que a felicidade não estava no mundo, mas na minha cela interior, na cela que criei para conter a fera que habitava dentro de mim e que agora corre solta pelos vales cometendo seus homicídios. 

Pode ser tarde demais para levar a fera de volta ao seu antigo cárcere, mas não é tarde demais para construir um novo. Posso nunca mais voltar a ser como era, mas posso me tornar ainda melhor, se estiver disposto a recuperar a coragem que me foi tirada, se estiver disposto a correr e a fugir novamente, se estiver disposto a dar o primeiro passo...

Eu acordei de súbito em meio a esse terrível campo de batalha. Recuperei parte da consciência que há muito havia perdido. Recuperei parte do bom senso e da razão que há muito não sabia que ainda habitava em mim. 

Eles me fizeram perceber que não sou um guerreiro, não fui feito para os campos de batalha. Aqui eu nada posso fazer sem cometer mais erros do que acertos. E que se deve fazer quando um inimigo se mostra poderoso demais para vencê-lo na frente de guerra? 

Deve-se pensar numa estratégia que permita vencê-lo de outra forma. Alguns inimigos não devem ser encarados de frente, apenas quando se pode usar uma força que seja igual ou superior. No meu caso, eu não tenho força, sou um único e pequeno jovem que inventou de lutar uma guerra que não poderia vencer. Minha tolice foi tamanha que sequer consegui definir com precisão onde estava de fato meu inimigo, e acabei virando as costas para meus aliados. 

Agora, ferido e prestes a morrer, uma pancada na cabeça me revelou parte da verdade que o sangue da batalha havia encoberto: eu não devo lutar, mas fugir e me esconder. Essa é minha verdadeira batalha, a de lutar contra os ímpetos que existem no meu interior. Devo vencer primeiro o inimigo que há dentro de mim para só então quem sabe um dia, conseguir lutar uma batalha de verdade. 

Eu tinha liberdade, e não a reconhecia. Me achava infeliz por estar sozinho, mas hoje, mesmo tendo me libertado dessas amarras, eu só pude conhecer uma dor e uma infelicidade ainda maiores. Isso significa que eu já possuía a felicidade, e fingir não a ter. Eu já podia voar livremente pelos céus, mas preferi me lançar na lama, e agora essa sujeira impedem minhas asas de tornar a voar. Eu já era livre, e fingia não o ser. Eu já tinha uma grande arma para lutar contra meu inimigos, mas a deixei no chão, me aventurando por um desconhecido sombrio que me aniquilou. E hoje eu percebo onde de fato está minha arma.

Minha única arma está na razão. 

A mesma que há muito havia trocado por prazeres e luxúrias. 

Essa razão é a única coisa capaz de me salvar da morte que se aproxima de mim agora. Essa razão no entanto não é minha, não procede de mim, pois se assim fosse, eu não estaria nessa situação. Mas ela vem do alto, e é essa razão que eu abandonei em vista de outras coisas que me fez ficar do jeito que estou.

Por isso eu devo voltar atrás. Devo procurar recuperar o que perdi nessa batalha inútil. Devo recuperar a confiança de meus aliados e mais, devo aprisionar novamente meu inimigos num lugar onde eles não mais possam vir a escapar e assim, me cercar das medidas necessárias para que eles nunca mais tenham influência sobre mim.

Eu devo voltar atrás. 

Preciso abandonar essa liberdade que fez de mim seu escravo e recuperar a liberdade que eu possuía em minhas cadeias. Preciso entender que não sou um herói, não sou um guerreiro. Sou apenas uma pequena criatura que guarda dentro de si um terrível monstro, mas que só machuca a mim mesmo, por esse motivo meu lugar não é na batalha, é na cela, e é nesse mesma cela que eu posso encontrar a felicidade e a paz que um dia eu possuía, mas que não dava importância, até que a perdi de vista. 

E hoje essa paz me faz falta. Eu preciso dessa paz novamente dentro de mim. Preciso recuperar a vida que perdi. Preciso recuperar os sonhos que eu tinha, e que por conta dessa falsa liberdade eu deixei de sonhar. Preciso voltar a voar pelos céus que conhecia, e não mais aventurar por essas terras distantes onde só conheci dor e desamor. 

Preciso, acima de tudo, (re)aprender a amar. 

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Lendas

Há momentos em que a solidão passa a ser nossa única companhia. Primeiramente, não digo solidão como se fôssemos completamente infelizes por isso. Não o somos. A gente se acostuma. 

Chega um momento em que não queremos mais correr atrás de ninguém. Não quero mais me dar ao trabalho. Não quero mais me cansar.

Eu estou cansado.

Eu estou fisicamente cansado e psicologicamente esgotado. Não tenho mais forças para continuar investindo em coisas que não darão certo. Não tenho mais forças para continuar lutando. 

Não tenho mais forças.

Não quero mais lutar. 

Não quero mais me machucar.

Pois toda vez que tento lutar por algo, a vida me mostra que não consigo conquistar nada além de dor. E não quero mais me machucar. Acho que não sou capaz de suportar mais dor. Acontece que cheguei num momento limite. O que passar disso é sinônimo de loucura. 

Loucura.

É assim que nos sentimos quando tentamos demais, quando lutamos demais. Perdemos o sentido dos motivos pelos quais lutamos e acabamos apenas enlouquecendo, sem consciência de que na verdade só estamos nos matando. 

Nos matando.

O mundo nos faz crer que estamos lutando por nossos sonhos, e que só assim conquistaremos algo. Na verdade o mundo nos engana. Estamos lutando contra nós mesmos. Estamos nos matando. Estamos destruindo nosso corpo, mente e coração. Estamos nos destruindo.

Não precisamos de tudo isso.

Não precisamos levar nossa mente ao limite para provar que somos inteligentes ou capazes de exercer uma profissão. Isso é cruel. Não precisamos passar a vida toda atrás de alguém para nos fazer felizes, devemos aprender a ser por nós mesmos, sem a necessidade de alguém. Pois isso na verdade não existe.

Essa história de amor pra vida toda é uma lenda urbana. Um conto de carochinha que as gerações imprimiram em nossa mente fazendo com que a gente pense que precisamos de alguém pra ser feliz. Quando na verdade não precisamos. E sabemos disso, mas fingimos não saber. Preferimos lutar. Preferimos nos matar.

Triste e lamentável ver que preferimos nos matar e nos machucar, ao invés de realmente sermos felizes. 

Felicidade.

Será outra lenda? Será que ela existe de verdade? Ainda não sei. Mas sei que não é lutando e se machucando que vamos conseguir, afinal, o que toda a luta me trouxe até agora? 

Ou talvez eu mesma não deva ter sido criado para a felicidade. Talvez alguns não estejam destinados a felicidade...

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A Porta da Verdade

Sinto como se mais uma vez caminhasse nos tribunais de minha própria condenação. Mas este é um tribunal diferente, não há nele nenhuma possibilidade de absolvição. Pois neste tribunal eu não serei levado à força para responder por um crime que cometi, eu mesmo a ele me dirijo, e eu mesmo serei aquele a proferir a sentença final. 

Não sou inocente. Não poderei dizer que fiz sem saber. Não poderei dizer que não sabia do que estava fazendo. Eu sabia, sabia e fingia não saber. Fingi entrar por uma sala escura sem saber o que havia lá dentro. Fingia estar curioso com os mistérios que se escondiam por detrás daquela porta, e eu a abri. A empurrei com força. Mas eu já sabia bem o que se encontrava do outro lado. Do outro lado da porta se encontrava a verdade.

A verdade.

A verdade é fria e real. É dura como um bloco de concreto e esmaga a todos que contra ela se chocam. A verdade é firme e se impõe contra qualquer corpo frágil, e apenas se abala contra aqueles que são mais sólidos do que ela. Mas no meu caso, eu não sou de forma alguma mais forte que a verdade, pelo contrário, eu sou aquele corpo frágil e mole que cai disforme ao chão depois de se chocar com a rocha da verdade. 

Dizem que ao primeiro contato com a verdade, não há mais como fechar os olhos a ela. Minto, não sei se alguém diz isso mesmo, acabei de inventar, mas é uma verdade que trago comigo. Mas mesmo que não possa fechar os olhos a ela, eu posso correr e me esconder. 

E foi o que eu fiz.

Corri, corri e me escondi. 

Entrei por uma porta que parecia forte o suficiente para me esconder de todos os meus medos. Uma porta que parecia esconder atrás de si a resposta para as minhas perguntas. Essa porta parecia poder esconder aquilo que eu tanto buscava. E embora ela fosse para mim completamente nova, ao mesmo tempo eu senti que ela sempre estivera ali, escondendo atrás de si a verdade.

Como um jovem ingênuo e curioso eu a empurrei com força. E quando ela se fechou atrás de mim, eu pude enxergar o que de fato se escondia atrás dela. E o que me aguardava por toda a eternidade.

Eu estava enganado.

Atrás daquela porta não estava o amor que eu procurava.

Estava apenas a mesa onde seria torturado por todo o sempre pelos fantasmas que criei dentro de mim na busca incessante por uma verdade que não era a verdadeira verdade. A verdade se enfureceu com meu desvario e me condenou a eterna condenação.

Os meus gritos seriam a única coisa a sair por aquela porta, para que todos pudessem ouvir o que acontecia com aqueles que se recusavam a encarar a verdade como ela é e tentavam criar uma nova verdade.

A verdade não pode ser mudada, nem recriada. 

A verdade é apenas uma, única, imutável.

A verdade dói.

E as vezes a verdade dói tanto que sentimos como se ela nos torturasse para que aprendêssemos a reconhecê-la e a aceitá-la. Na verdade essa tortura é apenas ela marcando fundo em nossa pele a sua verdade. Como se quisesse impedir que ela fosse esquecida. 

Para se marcar profundamente em nossa alma, a verdade se usa de três procedimentos, a compreensão, onde temos o primeiro contato com ela. A destruição, onde ela nos tortura até que nossa alma esteja bem afinada com sua verdade e por fim, a recomposição, onde ela reconstrói a carne destruída de uma forma nova, uma forma verdadeira.

Essas duas últimas fases, a decomposição e a recomposição são duas faces de um mesmo fenômeno: o do conhecimento da verdade. 

Ela destrói mentiras que nos pareciam verdades, e constrói a verdade de uma forma sólida em nossa consciência. Esse processo, por ser doloroso, é temido, mas necessário.

Não sei ainda se entrei pela porta certa. Se a destruição que tenho sentido é fruto da verdade ou de minhas ilusões, mas a certeza que tenho é que ao final dela eu serei reconstruído. Seja como um homem melhor ou como um cadáver. Mas a verdade não passa sem deixar uma marca. 

Mas não sei ainda se entrei pela porta certa.

Essa porta me levou a escuridão total. Ao frio, a dor. 

Essa é mesmo a porta da verdade? 

Aqui eu não encontrei respostas. 

Não encontrei nada além de sofrimento. 

Não encontrei nada além da verdade sorrindo para mim satisfeita com minha dor e meu sofrimento.

E não consigo mais voltar também. Acho que estou aqui, preso nessa escuridão de desamor para todo o sempre a pensar...

A pensar em como é do outro lado da porta da verdade, onde o amor é real e não um conceito abstrato e distante, inalcançável para simples homens como eu. 

Um dia quem sabe eu consiga passar pela porta da verdade...

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Monstro na escuridão

Ultimamente tenho me escondido da luz do sol. Tenho preferido os locais escuros e silenciosos. Acho que as constantes crises de enxaqueca me acostumaram pensar melhor na vida quando estou sozinho assim.

Ou talvez existam motivos maiores para isso... 

Pode ser que eu prefira fugir e me esconder nesses lugares do que enfrentar os problemas que aparecem a luz do sol. Lá fora não há como me esconder deles e nem como fugir dos que me perseguem. 

Mas uma coisa deve ser notada, só os monstros preferem se esconder nos lugares escuros e isolados. Como os demônios que espreitam embaixo das camas das crianças para lhes perturbar os sonhos eu também me escondo para causar perturbação ao mundo. Ta, essa deve ser a comparação mais boba que já fiz, mas é assim que me sinto no momento. Um monstro que se esconde nas sombras, apenas esperando o momento certo para revelar-se. No entanto, minha revelação não se dará na forma de um susto ou um pesadelo. 

Penso que essa revolução será uma explosão! O momento em que eu finalmente não suportarei mais a indecisão e as dores que eu mesmo provoquei em mim. 

Aqui eu me sinto confortável para pensar em quem não devo. Para me perder em devaneios, para sonhar com meus mundos imaginários de realidade utópicas. Aqui eu posso imaginar um lugar onde só exista eu e você, e onde você me ama. Aqui não á tristeza, nem sinal da mácula primeira. Seremos só eu e você, por todos os séculos que ainda haverão de existir.

Imagine só: um mundo onde eu não precise mais me esconder na escuridão em busca da solidão. Um mundo colorido e iluminado por nosso próprio amor. Um mundo onde seu brilho ilumine mais que o próprio sol. Será que há alguma possibilidade de esse sonho se tornar realidade?

Me deixe em paz para sonhar, para chorar... Deixem que eu chore, pela minha sorte, e que eu suspire pela liberdade.

Eu preciso sonhar, pois a escuridão também é assustadora. Esconde perigos que eu nem sequer posso imaginar. Ou talvez o único perigo seja eu mesmo, que me tornei nocivo e venenoso para comigo mesmo.

E acho que já tem surgido efeito... Sem dúvidas. Já me sinto aproximar-me dos umbrais da mansão dos mortos, onde encontrarei minha anfitriã com uma grande abraço e palavras sobre o quanto esperei por aquele momento.

Mas por enquanto continuarei aqui, quietinho no meu quarto escuro. Sem vontade de sair a luz do sol, me escondendo dos meus fantasmas, esperando a hora certa para sair daqui...

Gostaria de ser um poeta, ou um compositor. Gostaria de através da poesia ou da música conseguir expressar minha dor. Gostaria de saber usar belas palavras ou os mais belos acordes pra expressar o meu amor. Escrever lindas poesias e lindas canções de amor. Nasceriam de minhas mão os mais belos sonetos e as mais apaixonantes sinfonias. Deixaria Shakespeare e Beethoven orgulhosos de seu jovem aprendiz. 

Mas eu só consigo escrever, e meu lamentos não são capazes de despertar nada além de tédio e pena. Não consigo fazer mais do que me lamentar num quarto escuro das desgraças que eu mesmo provoquei em meus sentimentos confusos e complexos. 

Quem dera de minha criatividade pudessem fluir um Requiem mais belo que o de Verdi, ou canções mais românticas que os Noturnos de Chopin. Quem dera pudesse falar do amor como Vinícius de Moraes ou Mário Quintana.

No entanto a boca fala daquilo que o coração está cheio, e ele transborda daquilo que há dentro de nós. E no momento, só há dor e rancor, tristeza, por isso é só sobre isso que consigo falar. 

Dor, rancor, tristeza, solidão.

Eu devo parecer uma pessoa extremamente dramática e vitimista, e de fato eu sou. Mas escrever sobre isso foi a única forma que encontrei para amenizar minha situação. Não resolve completamente, mas ajuda bastante.

Não nasci então com talento para compor ou poetizar. Apesar de ter uma visão romântica do mundo que me cerca eu também não levo muito jeito com as palavras. Embora me elogiem por alguns dos textos aqui escritos, só consigo ver esses elogios como uma demonstração de pena pela minha condição miserável.

Mas penso que, se contivesse tudo isso dentro de mim seria ainda pior... Eu estou deveras muito cansado. Fisicamente já cheguei ao meu limite, e mesmo sendo tão jovem já não tenho mais expectativas de futuro. Psicológicamente meu estado é ainda pior, estou afetivamente esgotado, como se tivesse usado de todas as minhas forças para gritar num quarto vazio, na esperança de receber alguma resposta, mas tudo o que consegui ouvir foi minha própria voz gritando em desespero para ser ouvida por um alguém distante.

Por isso eu fico aqui, no escuro, transformando os urros de minha fera interior em palavras de dor.

Quem sabe um dia algo aconteça e eu consiga transformá-las em palavras de luz e amor. 

sábado, 19 de novembro de 2016

Deriva

Seria covardia da minha parte desejar nunca ter te conhecido? Seria covardia querer partir para bem longe a ponto de nunca mais ouvir falar de sua existência? Seria exagero querer desaparecer só para garantir que você nunca mais escute falar de mim?

Eu sei que deveria erguer minha cabeça, enfrentar esse sentimento de frente, sem medo, afinal, o quão ruim pode ser? Mas eu já senti tanta dor por saber que não há reciprocidade entre nós que não tenho mais coragem para nada disso. 

Para dizer a verdade já não tenho mais coragem para nada nessa vida. Tenho vivido apenas em função de continuar existindo. Os dias sem comer estão cada vez mais comuns e acho que minhas doenças avançam sem obstáculo dentro de mim, se tomar meu estado psicológico como critério para meu sistema imunológico. Isso se deve ao fato de que não há mais em mim razões para continuar a viver.

Sei que pensar na morte somente por conta da dor significa que fui mimado pela vida mas já cheguei ao meu limite.

Meus planos se mostraram tentativas débeis e infantis de viver com um mínimo de previsibilidade, mas se desmancharam como castelos na praia. 

Praia...

Numa praia muitos barcos foram abandonados, e já não levam mais ninguém a pescar... São os barcos dos sonhos que eu tinha, mas que eu deixei de sonhar... Abandonados eles vagam sem destino, esperando apenas o dia em que serão destruídos por algum tsunami, assim como meu coração foi destruído pelo tsunami de meu amor por você.

Assim como esses barcos também se encontram à deriva, eu também tenho vagado sem destino, desde que perdi a bússola que tinha, e que somente apontava para você.

Mas ela estava errada, não apontava para o Norte e sim para a Morte. 

Morte

Foi tudo o que consegui encontrar nessa minha viagem. Antes não tivesse embarcado, e tivesse permanecido onde estava, agora nem sequer consigo mais retornar. 

Não há mais caminho de volta.

Nem objetivos a serem atingidos a frente.

Não há mais nada.

Apenas incertezas. 

Mesmo agora eu ainda me pergunto: Será que você em algum momento pensa em mim? Será que ao menos por um segundo passou por sua mente a necessidade que tenho de você? Será que chegou ao menos a considerar a existência de um "nós"? 

"Perguntas cujas respostas eu já sei mais que finjo não saber, apenas por pura covardia. Pura ilusão... E apesar de toda desesperança, ainda la no fundo me resta um garotinho que acredita na remota possibilidade de que um dia você me ame como amo você.
s vezes em meio a toda essa loucura que é a vida,
eu paro e tento enxergar aonde o tempo está me levando.
É desesperador a sensação de ser um barco perdido,
sendo levado pelo vento. Não importa o quanto você tente remar, ou qual direção você decida seguir, o vento sempre te arrasta de volta pro mesmo lugar.
A sensação de ser uma criança chata e a vida nossa mãe. De estar de castigo e quando tentamos levantar a mãe vem e nos segura sentados nos chão, dizendo "eu mandei você ficar aí!"
Talvez exista algum sentido pra isso tudo e mais tarde a gente possa realmente entender. Talvez seja tudo isso uma mentira, e na espera de um dia entender tudo isso, chegue o nosso fim." 

(N.D)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Profundidade

Não somos importantes.

 Não somos indispensáveis. 

Todos são substituíveis e sempre haverá alguém capaz de fazer tudo o que fazemos de uma forma ainda melhor. 

Reconhecer isso deveria ser humildade, no entanto, penso que essa seja na verdade uma realidade cruel. 

Passamos os nossos dias dedicando nossos pensamentos e sonhos com pessoas que sequer pensam em nós senão como pobres coitados. Almas infelizes que insistem em importunar e incomodar. Aquela frase do Facebook criada apenas para entristecer encontra na realidade então base suficiente para se firmar como uma máxima verdadeira: "aquela pessoa só não te responde porque está falando com alguém mais importante." 

É um fato. Não digo isso porque tomei um vácuo, na verdade foram vários. Mas porque hoje o que anda prevalecendo é ainda o joguinho da conquista, do se fazer de difícil. 

AS PESSOAS ESQUECERAM QUE PALAVRAS SERVEM PARA SE COMUNICAR. 

Por isso nos obrigam a participar de seus joguinhos doentios. 

Se estamos gostando de alguém, devemos dizer. Se não temos intenção de ficar com alguém, também devemos dizer. É simples assim! Mas as pessoas gostam de complicar, e nos obrigam a embarcar nesses joguinhos de interesse que francamente, cansam mais do que trazem algum resultado. 

Mas também não somos inocentes nessa brincadeira insana... Ah não... Nós embarcamos, caímos nas armadilhas. 

Pegamos nossa dedicação, nossos sentimentos, e depositamos justamente nessas pessoas vazias, ou que simplesmente não pediram por nada disso. E então nossos sentimentos são descartados. Jogados fora. Afinal, não somos importantes. Existem pessoas mais interessantes por aí. 

Acho que meu problemas estão justamente aí... Despejar sentimentos demais em pessoas que não os pediram. Para mim, essas pessoas se tornaram vazias. E de pessoas vazias eu estou fugindo. Eu quero profundidade. Quero alguém que mergulhe comigo no oceano do desconhecido. Que desbrave o mundo ao meu lado, e que esteja disposto a enfrentar mil exércitos por mim. Quero pessoas que falem sobre qualquer coisa comigo pois não querem parar de falar comigo.

Mas isso não acontece. Se eu não chamar não há conversa. Se eu não insistir não tem papo, e se eu preciso forçar é porque não vem naturalmente. E eu não quero nada superficial, quero sentimento natural, daqueles que brotam no coração e transbordam num sorriso. Não quero só educação. Eu quero profundidade, quero amor de verdade.

Será que isso existe de verdade, ou é apenas mais uma invenção de minha mente perturbada?

"De repente me deu vontade de um abraço. 
Uma vontade de entrelaço, de proximidade. 
De amizade, sei lá. 
Talvez um aconchego que enfatize a vida e amenize as dores. 
Deu vontade de poder rever. Saudade de um abraço. 
Só sei que me deu vontade desse abraço" 

(Autor Desconhecido)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Sobre amizades

Pergunta ao amigo

O que significa nossa amizade para você? Companheirismo ou interesse?

Paremos pensar em como estamos tratando nossas amizades. Será que de fato valorizamos nossos amigos ou fazemos deles apenas válvulas de escape para quando estamos necessitados de atenção e carentes?

O que significa minha amizade para você? É algo importante ou sou apenas alguém que escuta o seu rosário de lamentações, e que também partilha tristezas e incertezas, mas que não pode ser revelado ao mundo por vergonha de quem sou de verdade? 

Sirvo como amigo no sigilo da criptografia do WhatsApp mas na publicidade do Facebook é necessário tomar cuidado com uma foto nossa pois podem pensar que estamos nos pegando? Minha capacidade de te ouvir e de tentar de ajudar só serve se ninguém mais saber de nossa amizade?

Pode parecer dramático de minha parte mas pensa bem, é o que parece as vezes. Se preocupa tanto com o que os outros vão pensar de você que nem se importa em esconder-se atrás de uma máscara para evitar que manchem sua reputação.

Somos amigos pra ouvir um ao outro sim. Isso se chama apoiar. Mas uma amizade que só pensa nisso, não é amizade, é interesse, é apenas necessidade de ser ouvido.

Acho que precisamos rever nossas posturas, e assim crescer como amigos de verdade...

Resposta do amigo

Vc é muito amigo            
Claro que amizade não é só um ombro amigo, só uma pessoa pra desabafo
Cara 
Não tenho vergonha de sair contigo, não tenho vergonha de postar foto contigo no face, insta, seja o que for
O que os outros pensam ou deixam de pensar não importa                        
Amizade
Não posso definir amizade
Não posso dizer pq vc é meu amigo     
Vc simplesmente é vc 
Vc é o pq da amizade, o pq gosto de vc  
Não por causa das suas qualidades e nem dos seus defeitos                        
Tenho poucos amigos e muitos colegas, e vc é um dos meus amigos.

(Via WhatsApp)

Logo, penso que não há como, nem motivos, de definir o que é uma amizade, ou um amigo. Talvesz seja apenas um encontro entre duas almas. Talvez seja algo que eu não sei o que é... Mas uma coisa é certa...

Não há como viver sem amizades...

A Palavra do Poeta


Enfim, depois de tanto erro passado 
Tantas retaliações, tanto perigo 
Eis que ressurge noutro o velho amigo 
Nunca perdido, sempre reencontrado.

É bom sentá-lo novamente ao lado 
Com olhos que contêm o olhar antigo 
Sempre comigo um pouco atribulado 
E como sempre singular comigo.

Um bicho igual a mim, simples e humano 
Sabendo se mover e comover 
E a disfarçar com o meu próprio engano.

O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...

(Soneto do Amigo - Vinícius de Moraes)

Não há como viver sem amizades...

A Palavra do Especialista (e poeta)

A amizade é um amor que nunca morre. 
A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe,
alguns descobrem, mas poucos reconhecem. 
A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível 
A confiança, tal como a arte, não deriva de termos resposta para tudo, mas,
de estarmos abertos a todas as perguntas. 
A dor alimenta a coragem. Você não pode ser corajoso se só aconteceram
coisas maravilhosas com você. 
A esperança é um empréstimo pedido à felicidade. 
A felicidade não é um prêmio, e sim uma conseqüência,
a solidão não é um castigo, e sim um resultado. 
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que
percorremos para encontrá-la. 
A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga. 
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você. 
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos. 
A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar. 
A maior fraqueza de uma pessoa é trocar aquilo que ela mais deseja na vida, por aquilo que ele deseja no momento. 
A persistência é o caminho do êxito. 
A pior solidão é aquela que se sente na companhia de outros. 
A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO... 
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura... 
A tua única obrigação durante toda a tua existência
é seres verdadeiro para contigo próprio.
A verdadeira amizade deixa marcas positivas que o tempo jamais poderá apagar. 
A verdadeira amizade é aquela que não pede nada em troca, a não ser a própria amiga. 
A verdadeira generosidade é fazer alguma coisa de bom por alguém
que nunca vai descobrir. 
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si.
Algumas pessoas acham-se cultas porque comparam sua ignorância com as dos outros. 
Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante. 
Amigo é a luz que não deixa a vida escurecer. 
Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você! 
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados... 
Amigo é aquele que, a cada vez, nos faz entrever
a meta e que percorre conosco um trecho do caminho
Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os. 
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom, vibram juntas... 
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!!! 
As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem. 
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado. 
Diante de um obstáculo não cruzes os braços, pois o maior
homem do mundo morreu de braços abertos. 
Elogie os amigos em público, critique em particular. 
Errar é humano, perdoar é divino. 
Evitar a felicidade com medo que ela acabe; é o melhor meio de ser infeliz. 
Faça amizade com a bondade das pessoas, nunca com seus bens! 
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.

(Érico Veríssimo)

Não há como viver sem amizades...

Textos crueis

Vagando pela internet as vezes nos deparamos com algumas pérolas. De fato, algumas palavras tem o poder de nos tocar e de nos fazer refletir profundamente. Foi o que pensei desses dois textos, por isso decidi colocá-los aqui. 

Amor de verdade a gente conserta, não joga fora
                   
Considerado o “Poderoso Chefão” dos sentimentos, todo mundo quer encontrar o grande amor. Mas, ao mesmo tempo, ninguém quer dividir tristezas e desilusões, sentir as incansáveis dores físicas, passar por torturas psicológicas ou ficar noites sem dormir. Ninguém quer ter que aguentar o outro de mau humor,suportar as diferenças, compartilhar e ceder.

As pessoas querem mesmo é viver apaixonadas, curtir aquele desejo e vontade de fazer sexo todas as noites, tomar sol em uma casa de veraneio na praia ao som dos pássaros cantando e viver o sonho da família Doriana. Por isso, os amores de hoje são tão descartáveis. A cada esquina se acha alguém para se apaixonar, mas ninguém para amar. Cadê as pessoas que estão dispostas a suportar, no dia a dia, as imperfeições e que estão afim a criar problemas e, depois, resolvê-los juntas?Está tão clichê dizer eu te amo e fazer amor (que nem pode mais se chamar de amor), que andar de mãos dadas não reflete companheirismo e um elo, mas sim, só mais duas mãos e alguns passos, que podem seguir separados. O que mais me impressiona não é nem o fato do “felizes para sempre” estar quase que em extinção, mas a coragem que as pessoas têm de, quando não conseguirem fazer as coisas darem certo e enfrentarem dificuldades juntas, se consolarem com o simples “Não era pra ser…”. Porque afinal, a culpa toda é do destino. 

Esses dias estava tentando resolver um cubo mágico e me irritei tão fácil que obviamente não cheguei nem na primeira lateral de cores. Fiquei pensando na quantidade de coisas na vida que deixamos passar por falta de força de vontade. Com o amor é assim. Não queremos unir o azul, o amarelo, o verde, o branco e o vermelho, queremos só o vermelho e pronto. Mas para tudo e todo tipo de amor, sejam entre homens e mulheres, amigos e familiares é preciso de uma união de cores, sentimentos e mais do que isso, paciência. Tudo precisa se encaixar no lugar certo. Só que nós precisamos fazer nossa parte para que isso aconteça. 

Tentar, quem sabe?

~

Você vai serpentear todas as suas teorias falidas de amor em cima do meu peito como um carnaval carioca onde Deus resolveu que seria bom chover e acabar com a magia dos foliões. Você ainda vai queimar todas as minhas esperanças na humanidade porque haverá dias em que ainda lhe darei esse poder sobre mim - afinal, como me desvencilhar de algo e alguém que criei? Passam-se os anos e a gente continua inventando pessoas, téses de mestrado, motivos para seguir. E eu sigo apesar de você.

Haverá dias em que você sobressaltará todas as minhas expectativas e eu pensarei ter superado você até que sua presença cairá, incólume, como um envelope vazio dentro da minha mente. Eu vou pensar tanto em você até as ligações entre meus neurônios não aguentarem mais e explodirem. Então você sairá de mim como quem vai a alguma revolução pós-moderna a fim de se salvar e salvar a humanidade: com a fé imaculada, vou cuspir você para fora de cada centímetro de cada nanopartícula. Mas agora não. 

Agora, e ainda assim, você vai dominar todos os meus pensamentos. Com as suas ameaças, você ainda vai ter uma parte minha porque, por muito tempo, decidi que você era tudo que eu tinha. E é um pecado para com o amor a gente construir a ideia de que o outro é tudo que temos. O amor não nos perdoa em nossas tolices de não saber jogar o jogo da vida - não que em nossa miséria cotidiana não precisemos nos apegar a algo que nos dê a ideia de salvação; mas caramba, precisa-se, sempre, ser assim? Precisa-se apegar-se à ideia de que o amor salva tudo e todos? Nem ele aguenta mais. E ele continua apesar de falharmos, e falhei tanto. Mas hoje você ainda continuará me sussurrando dos caminhos que seguiu e você me escreverá emails contando que a pessoa pela qual você se apaixonou é melhor em enes aspectos que eu; que ela lhe completa e que consegue abraçar suas costas sem reclamar. O seu fantasma continuará pregando peças no meu caminho e eu terei medo de ir à faculdade, de me entregar a alguém novo e especial, de tentar. Vou evitar os cafés da avenida paulista, vou me resguardar das festas facultativas e vou me dedicar mais a mim. Passo a passo. Viverei por mim, pelos centímetros de cabelo que vêm crescendo e pelo conhecimento que adquiri nesse meio-tempo.

Quando alguém vai embora da sua vida, o tempo parece não passar nunca. Você muda seus hábitos literários, as músicas que ouvia-se perdem o sentido, os cantores favoritos caem no ostracismo. Você muda, sua pele fica macia, os desejos por lugares leves e livres tomam conta da sua mente. Você percebe que está livre - não no sentido ruim da palavra, como se antes não estivesse; mas é que agora há um mundo a ser explorado e gente para ser sentida e outras sensações, países, territórios. E durante todo o processo, suas células trocam experiências, conversam, dialogam sobre sua sobrevivência. Seu corpo, durante este espaço, cria estratégias para que você continue de pé, existindo. Evite passar por aqui, apague aquela memória, olhe-se mais no espelho, saia com seus amigos, e assim por diante. E você renasce, revive, tensiosa a própria pele, cria vida. Leva tempo, eu sei.

Você ainda vai ter pequenas partes de mim, fragmentadas. Porque durante todo esse período eu fui dissecando todas as camadas de pele que você tocou e tudo que pudesse conter seu nome - roupas, livros, músicas, tudo. Destruí tudo que havia construído para reconstruí-las novamente, para poder abraçá-las e entender que não tem nada a ver com você, nunca teve. A vida é tão-maior do que as coisas que abdiquei porque você estaria contido nelas. Porque a vida é, inclusive, você contido nelas. A gente não apaga a queimadura da pele. Não dá. Quando alguém olha pra mim, faço questão de mostrar a cicatriz: ansiolíticos três vezes ao dia durante um mês inteiro. Eu não quis enlouquecer. 

Não o fiz.

Mas você aparecerá outras vezes, talvez em dias específicos ou talvez em prints fazendo comentários infelizes que demonstram o ser humano que você é - não menos daquilo que imagino, e eu imagino tão pouco quando penso em você. Tenho pensamentos sobre muitas pessoas, cujos quais flutuam e voam rumo ao México. Sobre você, nada passa do teto de casa. Nisso reside a minha pena. Você aparecerá em dias aleatórios, também. E em memórias descartáveis de dias, idem, descartáveis. Você ainda terá algumas de minhas opiniões - que, assim como as músicas, estou destruindo para reconstruí-las. Você subirá no meu pescoço e me fará ameaças verbais e não-verbais. E você irá embora, da mesma maneira que veio. Você sairá de mim como o sangue escorre de uma casca que a gente arranca sem medo da dor: cicatrizou. Não sai mais nada.

Todo processo tem seu fim. Todo carnaval também. E que bom, meu Deus, que bom.

~
Fontes:

MATTAR, Anna Paula. Amor de verdade a gente conserta, não joga foraBlog Casal Sem Vergonha. Disponível em: http://www.casalsemvergonha.com.br/2014/10/22/amor-de-verdade-a-gente-conserta-nao-joga-fora/ Acesso em: 17/11/2016.

TEXTOS cruéis demais para serem lidos rapidamente. Sem Título. Facebook. Disponível em: https://www.facebook.com/textoscrueisdemais/posts/1815427042028400 Acesso em: 17/11/2016.

Cinzas

Um só homem não pode lutar contra uma força da natureza. É impossível que ele sozinho consiga deter a força destrutiva de um furacão que arremessa longe tudo por onde quer que passe. É impossível que ele consiga sobreviver a uma erupção vulcânica lutando contra as ondas de lava que avançam em sua direção transformando todo o mundo em cinzas.

Cinzas.

As vezes parece que todo o universo se queimará e se reduzirá às cinzas. Toda vida, toda cor, tudo se transformará em cinza fria naquele temível e lacrimoso dia. 

No entanto, alguns recebem a visão dessa grande destruição antes que ela aconteça. As cinzas cobrem as cores e impedem a passagem da luz e do calor. 

Que o mundo inteiro queime e se torne cinza. 

Já não há mais vida depois que as cinzas tomam de conta. O que sobreviveu ao fogo não sobrevive a escuridão. Já não há mais esperança para o mundo que se queimou. Uma cicatriz de queimadura pode nunca desaparecer, e mesmo que ordinariamente pare de doer, ainda será sentida nos dias frios com  certo incômodo. 

Mas é também no fogo que se prova o ouro. E uma espada só pode ficar verdadeiramente forte após passar pelo fogo e pelo gelo. E ambos tem a mesma força destrutiva. Ambos servem para fortalecer ou para matar. Assim como o amor.

O amor pode ser então essa chama viva onde se prova o ouro e onde se forja a arma, mas também pode ser a lava que queima e reduz tudo a cinza. 

O amor pode ser aquela brisa fresca de um dia ameno ou o ar congelante de uma geleira onde se encontram os corpos daqueles que tentaram desbravá-la. 

Desbravar.

Mais uma vez o amor se apresenta a mim como uma terra gigantesca a ser desbravada. Um lugar desconhecido que pode esconder belezas indescritíveis mas ao mesmo tempo perigos incalculáveis. 

A decisão de seguir em frente e encarar os desafios e descobertas é toda minha. E no entanto o caminho escolhido pode me conduzir tanto a uma praia bela e confortável quanto para um vulcão mortal, onde encontrarei a morte.

Penso ter tomado então o caminho errado. Não achei nenhuma beleza real nessa aventura. Apenas dor e morte. A única beleza que meus olhos contemplaram foi aquela das rosas venenosas que inebriaram meus sentidos e me conduziram para a morte certa. 

Morte certa.

Foi uma aventura breve, mal começou e já havia acabado. Fui um daqueles personagens descartáveis. Um daqueles peões que morrem nas primeiras jogadas de um jogo de xadrez para garantir a vitória de um time que no entanto ele não viverá para assistir.  

Nessa brincadeira eu apenas me machuquei, apenas me queimei, e fui obrigado a assistir ao meu próprio coração ser reduzido às cinzas. 

E assim como quando um vulcão entra em erupção ele destrói toda a vida do lugar onde se encontra, também toda a vida que havia em mim morreu queimada por suas vivas chamas.

Não sobrou mais nada, apenas uma vaga memória da beleza que um dia existiu.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

A cada dia que passa sinto como se me afastasse cada vez mais de você. Como se a distância entre duas galáxias fosse próxima comparadas a distância que há entre nós.

Você já não se preocupa em falar comigo. Já não parece se importar que fale com você, tampouco. Parece que tudo o que restou entre nós foi uma cordialidade fria e insignificante, que apenas se mantém devido a educação que recebemos de nossos pais. Já não parece que há amor, nem tampouco amizade.

O amor que sinto por você se mostrou pior do que inútil. E o amor-amizade que você diz ter por mim, não se mostrou mais do que apenas belas palavras de eufemismo para atenuar a dor que sentiria ao ser rejeitado por você.

A verdade é que você se foi. Deus as costas para mim. Eu estou sozinho agora num quarto escuro, a gritar seu nome, sem receber nenhuma resposta de sua parte. Mas quando você se foi, levou consigo uma parte de mim. Já não sinto mais meu coração. E com ele se foi minha vontade de viver. Não tenho mais motivos para continuar existindo. Minha existência tornou-se um desperdício de espaço e suprimentos humanos.

Eu quero a morte, eu quero desesperança. 

Não quero ser obrigado a viver num mundo sem seu amor. 

Um mundo sem amor.

Um mundo vazio. 

Sem cor, sem sentido, sem sabor.

Já não quero mais viver assim.

Mas você não se importa com isso. Você segue com sua vida. Você provavelmente já se apaixonou por alguém, e apenas espera a hora certa para me contar isso. Não o fez ainda pois teme minha reação. Me conhecendo bem, sabe que isso poderia significar o estopim de algo grandioso, possivelmente fatal. Me conhecendo bem sabe que isso poderia significar minha morte. 

Mas você tem sua própria vida. Não há motivo nem razão para se impedir de fazer algo por minha causa. Como eu deixo por você. E isso é uma grande tolice minha. Grande mesmo. 

Olhando bem eu percebo que tenho aos poucos me matado por você. Enquanto você não se importa comigo. Sei que dizer isso soa extremamente dramático de minha parte, mas é assim que me sinto.

A face que tenho de mostrar ao mundo é apenas uma máscara para esconder o homem que definha de amor não correspondido. Por dentro estou apodrecido. 

Já não há mais dentro de mim calor, já não há mais dentro de mim amor. 

Tudo o que restou foi o pó por sobre os móveis da casa que imaginei que construiríamos juntos. E assim como a poeira se depositou por sobre as memórias e lembranças, lhes tirando a cor e a vida, a dor se depositou por sobre meu coração, me privando também da vida.

Pois eu erroneamente te entreguei minha vida. 

Eu cometi o grandiosíssimo erro de depositar em você tudo o que tinha. E tudo o que eu tinha era amor, você não soube como agir. 

E você o jogou fora. 

Jogou no lixo tudo o que eu tinha. 

Já não há portanto mais razão para continuar vivendo. Insistir nessa existência doentia é apenas esperar e pedir por mais sofrimento. Tem de haver um fim para tudo isso. Não é possível que a vida seja apenas dor e sofrimento por esse amor.

O que eu fiz de tão ruim assim para merecer tal punição? 

Desafiei os céus? 

Insultei os deuses? 

Não posso ter sido tão ruim... 

Olho ao meu redor e não enxergo mais no mundo razões para continuar existindo. Mas ao mesmo tempo sou covarde demais para dar um fim a esse sofrimento com a morte. Apenas espero sua chegada, lenta, porém certa. Até o dia em que finalmente deixarei de sofrer, e voltarei ao pó, pois "do pó nascemos e ao pó haveremos de voltar." (Gn 3,19)

Angústia

Parece que o dia passou como se nada tivesse acontecido. E na verdade nada de especial aconteceu. Tudo o que se passou foram horas de um tédio profundo regado a melancolia e pensamentos mórbidos. 

Sinto como se tivesse um grande buraco bem no meio do meu peito. Um vazio enorme que não consigo preencher com nada por mais que eu tente. Esse vazio no entanto não é algo recente, porém vem ficando maior a cada dia e a cada nova decepção. 

É o vazio da minha existência que já não faz mais sentido existir. 

A água foi criada para saciar a sede. O fogo para aquecer. Os pássaros para voar e cantar, e no entanto eu não tenho razão para existir. Não há pessoas que dependam de mim, não tenho um cargo ou função de grande importância em nada e se morresse hoje, não faria diferença para absolutamente ninguém.

Não.

Estou enganado.

Tornaria a vida de muitas pessoas mais fácil. Meus pais não precisariam se preocupar com minha saúde, nem com me alimentar entre outras coisas. Meus amigos não precisariam me aturar e aqueles por quem me apaixonei não precisariam mais se preocupar comigo os incomodando. 

De fato eu me equivoquei em dizer que não não faria diferença. Na verdade minha morte seria para o mundo uma coisa boa. Como aquela doença incômoda, uma lepra, que mancha a pele e afasta a todos com um mal cheiro da podridão que se tornou meu coração e minha alma. 

Apenas continuo vivendo um dia após o outro sem ter razão para fazê-lo. Não coloco um fim a tudo pois sou deveras covarde demais para isso. E então eu continuo aqui, como um peso de papel, sem grande utilidade, sendo apenas um grandiosíssimo estorvo a todos. 

Não há mais o que sentir. Toda a dor que era capaz de suportar eu já suportei. Tudo o que restou foi meu corpo ensaguentado ao chão. Meu coração, se tornou dormente devido as sucessivas pancadas e até minha mente já não se importa tanto, graças a umas boas doses de vinho e Lexotan, diga-se de passagem. 

No chão meu sangue se espalhou, saindo de meu corpo, assim como meu amor transbordou de dentro de mim. Mas não foi amparado por ninguém, e este também se espalhou pelo chão, e se perdeu por aí. 

Não há mais amor, apenas dor. 

Apenas vazio. 

Não há mais nada.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Gentil como a água, impetuosa como uma flor

Me desculpe por pensar tanto em você... 

Me perdoe por perder o sono ao sonhar com seu olhar, por imaginar seu sorriso a me aquecer o corpo e a alma....

Me perdoe por te incomodar. 

Acontece que eu simplesmente não consigo me controlar quando se trata de você. Pensar no seu olhar me tira o sono e eu posso simplesmente virar a noite pensando em você. Por isso te mando aquelas bobagens as duas da madrugada dizendo que estou pensando em você.

Gostar de você foi um acidente. Começou como uma brincadeira, e logo que me dei por mim, percebi que estava praticamente apaixonado. Eu realmente sinto muito por isso, mas é que agora, eu não consigo mais ficar um dia sequer sem pensar em você. Se tornou um costume, você já faz parte de meu cotidiano, pensar em você é natural.

A lua minguante brilha obscura no céu na noite nebulosa
Dois jovens são crucificados juntos em uma armadilha cruel

Ah! Se ao menos o amor que encobre o presente pudesse continuar vivo em meu coração...*

Parece que o sofrimento e o único destino daqueles que ousam se aventurar pelo amor. É como se esse grande sentimento fosse como uma terra desconhecida, e amar significa se aventurar por esse lugar. Significa tropeçar por muitas pedras, se arranhar em galhos e cair em desfiladeiros. Significa caminhar por um lugar escuro, guiado apenas por uma força que nos impele a seguir em frente. Significa caminhar com a própria vontade para uma armadilha cruel. 

Gentil como a água, impetuosa como uma flor
Enterre a lâmina trêmula de sua espada nesta cicatriz
Mesmo que o destino traga lágrimas para os meus olhos
Elas irão me lembrar de você

Em um abismo escuro, espero pelo fim, como um órfão soluçando.
Me apoio nesse meu amor que me pisoteia e o protejo com minhas mãos

Não consigo continuar lutando, vamos andar lado a lado neste caminho manchado de sangue.

Amar é então assinar o próprio atestado de óbito. É como puxar a corda da guilhotina. Significa abraçar a morte como se abraça a uma velha amiga. E por mais que seja doloroso amar, quem ama não consegue deixar de fazê-lo. Mesmo que amar nos faça chorar, continuamos amando por as lágrimas nos lembram nosso amor. Nessa realidade, amar é doloroso sim, mas é justamente apoiados nesse amor que conseguimos suportar as suas dores.

Gentil como a água, impetuosa como uma flor
Enterre a lâmina trêmula de sua espada nesta cicatriz
Mesmo que o destino traga lágrimas para os meus olhos
Elas irão me lembrar de você

Gentil como a água, impetuosa como uma flor
Enterre a lâmina trêmula de sua espada nesta cicatriz
Mesmo que o destino traga lágrimas para os meus olhos
Não posso parar o fluxo de sangue que corre em mim.

Fluindo como mel, caindo ao solo sem sentido
Levando embora minha abatida fantasia
Mesmo se o destino nos trouxer uma escuridão azul
Irei vagar por dentro dela, junto a você, neste mundo.

Acontece que quem ama, não consegue parar de amar por conta do sofrimento. Na verdade, na maioria das vezes, quem ama e sofre, continua a amar justamente por sofrer, já que esse sofrimento é uma recordação permanente desse mesmo amor.

O amor é então como a água, gentil porém mortal. E também como uma flor, delicada mas capaz de esconder em si o mais mortal dos venenos.

Amar é como enterrar uma espada num ferida já aberta, é fazer com que ela se abra ainda mais, e garantir que a sua cicatriz nunca desapareça completamente.

Amar é um mistério. 

Amar é uma dor. 

Amar é uma fantasia. 

Amar é um tiro no escuro. 

Amar é...

~

Nota: *O texto em itálico é a tradução de Kouga Ninpou Chou da Onmyouza, tema de abertura de Basilisk - O Pergaminho Secreto dos Kouga anime/mangá de Masaki Segawa.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Sem forças

Olho para dentro de mim e tudo o que consigo ver é uma grande nuvem cinza. Não consigo mais enxergar as cores do arco-íris, apenas uma triste melancolia dolorosa que me consome dia após dia. 

Olho ao meu redor e vejo que não sou o único a padecer de tal destino: outros sofrem como ou mais do que eu. 

Sofremos não por amor, ou no nosso caso pela falta dele, mas sofremos por não sabermos como lidar com a dor. Nos apegamos demais, nos apaixonamos demais, de tal forma que toda desilusão se torna um inferno na vida daqueles que ainda não sabem como se proteger dos danos alheios ao nosso coração. 

É irônico ver o quanto sofremos enquanto as pessoas que nos causam essa dor sequer pensam em nós. É uma realidade absurda que no entanto faz parte do nosso cotidiano. Sofrer de tal forma por pessoas que sequer pensam em nós é algo profundamente imbecil, e sabemos disso, mas não conseguimos mudar essa realidade. 

Acho que se pode dizer que nos especializamos em amores de mão única. Amamos demonstrando nosso amor, mas esse amor se perde no espaço entre nós e o outro, e portanto não consegue chegar ao coração dele. 

Infelizmente não temos força suficiente para mudar essa realidade. Ficamos impassíveis, sofrendo, choramingando pelos cantos sem nada fazer para deixar esse estado lastimável. 

Esse não é um texto motivador, que mostrará como sair dessa situação. Muito pelo contrário, é apenas o grito desesperado de alguém que não sabe mais como seguir com a vida, amando tento alguém que não me ama e sem forças para dar um basta nessa situação.

Quando conversamos com alguém sobre isso, nos dizem que precisamos de mais amor próprio, que precisamos aprender a dar valor a quem nos ama. Mas sabemos disso. Como bons amantes conhecemos bem a teoria do amor, no entanto a prática é bem diferente. Não adianta eu dizer ao meu coração para que ele ame A que também me ama quando ele insiste em amar somente B, que sequer se importa com minha existência. Na prática não há como mudar isso.

Nos tornamos então escravos de nossos próprios corações. Sem motivos para continuar a viver e covardes demais para por um fim a esse sofrimento. Ficamos apenas assistindo nossa vida caminhar em direção ao precipício. Sem forças para mudar essa realidade. 

Sem forças...

Parece que caminhamos rumo a uma morte iminente... Como almas cujos destinos já foram traçados. 

Sem forças...

Sem forças para lutar, para levantar e caminhar, para tomar novos rumos, para mudar a nossa vida... Estamos sem forças. Tudo o que conseguimos fazer é chorar, e desejar com toda nossa alma, com toda nossa vontade, com todo nosso coração que aquelas pessoas nos amem também.

Chegamos a desejar que coisas pequenas, que falem conosco, que nos deem um simples bom dia. E vamos mais longe, pedimos que se importem, pedimos que nos amem. No fundo tudo não passa de uma grande desespero motivado por nossa carência. 

Carência.

Talvez seja esse o motivo de tanto sofrimento. Colocamos em nossa cabeça que precisamos urgentemente de alguém ao nosso lado e fizemos disso uma prioridade, e a cada nova decepção parece que vemos nosso mundo desabar a nossa frente. 

Mas isso não é verdade, o mundo não vai acabar por conta disso. Apesar de tudo vamos continuar vivos. Mesmo que nossas lágrimas sequem e nossos corações se fechem para o amor definitivamente, continuaremos vivos. Mas as cicatrizes dessa dor permanecerão para sempre em nós. Independentemente do que façamos ou do que aconteça, e só poderão serem curadas no dia em que alguém nos abraçar tão forte que unirá novamente todos os pedaços de nosso coração partido. Mas isso também é só mais um devaneio. 

Eles não se importam. 

Ela não vai ligar para ele. 

Ele não vai começar a se importar comigo da noite para o dia. 

Essa é a verdade.

Fazemos parte do grupo condenado a cem anos de solidão. E como disse Gabriel Garcia Marques, "as estirpes condenadas a cem anos de solidão não terão uma segunda chance sobre a terra." Assim morreremos: 

Sozinhos.