Talvez não seja uma resposta, mas um aceno: o que desejo não é amor, porque não creio mais nele. Não sei se sou capaz de amar. Mas desejo a companhia, o calor de um abraço. E cada vez que me olho no espelho, me vejo mais distante disso.
Parece-me cada vez mais que a solidão é a minha condenação,
e não terei uma segunda chance sobre a terra.
Era só isso, alguem para abraçar. Nas imagens em minha mente ele nem sequer tem rosto, mas tem costas largas em que posso me encostar, e calor.
Não tenho pensado em sexo, mas apenas nesse abraço.
Por isso vou assistir um pouco mais hoje, algo em que os personagens se abraçam, se apoiam...
Não é tesão, mas talvez se expresse assim, ou entendam assim porque só conseguem conceber esse tipo de vazio como tesão ou carência,
fisiológico ou afetivo.
Mas não é isso.
Não é tão simples assim.
como de um Arrancar que luta num deserto selvagem para sobreviver,
enquanto devora uns aos outros.
É terrível.
E então, numa noite como essa, quase fresca, em que o vento sopra e alguns relâmpagos clareiam por brevíssimo instante, uma sensação, uma certeza, uma condenação, se marca no meu peito, cortando carne e músculos até o tutano como aço frio:
a completa totalidade do vazio,
olhando para a noite e sabendo que,
nesse imenso mundo, maior do que qualquer mente pode abarcar ou conceber,
não por ser homem ou mulher,
mas por ser eu,
amargamente eu,
infeliz eu,
desprezado como o último dos mortais.
Atormentado pela angústia profunda.
Não há sequer alguém que dividiria a cama comigo,
fria alcova,
fria cova,
rasa,
a parte que falta em mim.

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