Aconteceu uma coisa ontem depois da celebração. Estávamos cansados, os músicos desmontavam os aparelhos ligados aos instrumentos, outros desejavam votos, Feliz Páscoa, ecoava pela igreja na noite do Fogo Novo.
Um amigo se aproximou e, com efeito, eu só esperava cumprimenta-lo e ir embora. Não só não gosto muito da repetição e dos sorrisos dessas datas, como queria evitar a alegria de algumas pessoas que fingem não ter feito um inferno na minha vida nos últimos dias. Mas não é disso que quero falar.
Ele se aproximou, sorrindo, cumprira bem sua função. Eu o elogiei, realmente fizera bem. Nos abraçamos, quase como uma dupla consolação: estávamos bem cansados. Eu levantei o rosto e beijei seu pescoço, como faço algumas vezes. Ele endireitou o rosto em minha direção e me beijou nos lábios, ali na frente de todas aquelas pessoas. E saiu para terminar seus afazeres.
Logo voltaríamos, para celebrar o dia que o Senhor fez para nós, quando o sol nascente despontar.
Poderia ser o início de uma história interessante, se fosse real. Mas não é. Eu inventei a única parte interessante dela. Então poderia ser uma história, criada, inventada, sonhada, sim.
Mas poderia um coração, que já não acredita mais no amor, que já não sente mais o amor, que já não enxerga nesse mundo mais o amor,
escrever algo sobre o amor?
Será que o sonho acordado que tive depois daquela missa signifique que, em algum lugar, lá naquele profundo quase intangível, imperceptível, ainda tenha amor dentro de mim?
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