Consegui encontrar algum alívio pro grande abismo da solidão, naquela madrugada que foi ficando mais e mais fria, ao passo em que as histórias, os amores, os sorrisos, os beijos, foram me aquecendo. É, foi uma madrugada solitária, mas não foi ruim.
A beleza deles me lembrou o torso arcaico de Apolo, uma beleza que não podia ser descrita, lamento muito se alguém chegar a ler essas palavras um dia, mas não, não posso descrever o quanto são belos. Só pude ficar a contemplar, a pele iluminada pelo sol, perfeita, sorrisos lindos e olhos brilhantes como as estrelas do universo, vestes em simplicidade ideal, nada exagerado.
Assim como naquele dia, buscarei refúgio naqueles ermos tristes, é verdade, mas onde encontro companhia para dividir a solidão. Um homem escolheu seu destino: a dor no lugar da dor do seu amado. Eu não tive escolha, não amado, mas ambos ficamos na solidão daqueles quartos frios.
Por dias. Semanas. Anos.
Sem saber quando acabaria, sem saber se a cabeça um dia vai voltar a ser como era antes.
Nem sempre funciona. Às vezes as sombras tomam conta de mim e eu fico lá, parado no escuro, esperando. Esperando. Não sei o motivo da espera. Não sei se estou esperando, mas fico lá, no escuro, talvez onde eu já seja um só com toda essa sombra.
"(...) A melancolia é um prazer sensual deliberadamente provocado. Quantas pessoas se fecham para ficar mais tristes, ou para chorar à beira de um riacho, ou escolher um livro sentimental! Estamos constantemente construindo e desconstruindo a nós mesmos." (Gustave Flaubert)

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