quarta-feira, 8 de julho de 2026

Borrão


Um borrão, 
é a única forma de definir os últimos dias. 

Indo dormir tarde, 
acordando no fim da manhã 
e tomando remédio pra dormir de novo 
e só acordar quando fosse noite novamente. 

A ideia de ver o mundo me assustava. 
Aterrorizava. 
Não me lembro de quase nada. 

E então passou um dia, 
e outro, 
e outro... 

E ainda estava lá. 

Fui deixando uma mensagem para depois, 
e depois, 
e depois...  

Ainda estava lá. 

O assunto havia caducado, 
e eu ainda não tinha resposta. 

Apenas abria os olhos e, 
se ainda fosse dia, 
voltava a dormir, 
ignorando o barulho ao meu redor. 

Quando o sol começava a surgir, 
depois de uma noite inteira, 
eu me isolava novamente. 

O ar do quarto foi ficando pesado, 
já cheirava mofo e suor, 
mesmo me incomodando não conseguia fazer nada. 

Meu corpo inteiro dói, 
dói muito, 
por ficar tanto tempo deitado. 

Meu cabelo está oleoso 
e a pele ressecada do frio, 
mas eu não sinto frio. 

Me olho no espelho algumas vezes, 
mas não sei o que é isso que me encara de volta. 

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