Minhas mãos nunca alcançaram você
Sempre caminhei atrás,
achando que poderia te alcançar.
Por vezes,
quando a caminhada ficava pesada,
e quando o fôlego começava a falar,
eu estendia a mão
mas não conseguia te alcançar.
Algumas vezes você me olhava,
virando a cabeça por sobre o ombro,
e me sorria, e aquele sorriso,
iluminava tudo ao redor,
e eu sentia o rosto corar,
o coração titubear,
um assombro.
Mas isso não significa que eu podia te alcançar.
Você é o tipo de pessoa que,
se pudesse voar,
jamais voaria.
E eu sou o tipo de serpente que,
ao ver a águia voando no alto céu,
só pode sonhar em voar também,
enquanto rastejo,
respirando a poeira deste chão.
E então,
mesmo quando em devaneio,
em ilusão,
eu acreditava que,
para te alcançar,
bastava estender a mão,
eu percebia
que na verdade você se desfazia,
como fumaça,
por entre meus dedos.
Isso porque eu nunca vou poder te alcançar.
Na verdade,
depois de tanto tempo,
eu finalmente entendi que,
não adianta o quanto eu a mão esticar,
ninguém,
eu nunca vou poder alcançar.

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