quarta-feira, 5 de abril de 2017

Pessoas esquecidas

Com frequência nos esquecemos de muitas coisas durante nosso dia. Caminhando na calçada passamos ao lado de uma pessoa de aparência engraçada, antes de virarmos a esquina já nos esquecemos dela. Quando muito, nos recordamos até chegar ao nosso destino. 

Nos esquecemos com essa facilidade das pessoas pois não são importantes para nós, nem sequer as conhecemos... As memórias sobre elas vem e logo passam. Tudo passa. Nessa vida tudo é passageiro. 

As montanhas são desgastadas pelas águas das chuvas e mudam de forma, ainda que essa mudança demore milhares de anos. As folhas caem, os frutos apodrecem, os animais morrem e as pessoas se esquecem.

Nos esquecemos da moça de aparência sofrida por quem passamos na rodoviária a nos pedir esmolas. Nos esquecemos do senhor impaciente que ficou reclamando da vida na fila do banco. Nos esquecemos desses estranhos que brevemente nos cruzam o caminho, mas e quando nos esquecemos daqueles que habitaram em nosso coração? 

Não só dos estranhos nos esquecemos, mas também dos que já nos fizeram felizes, dos que nos fizeram sorrir. Nos esquecemos de quem nos amou, e de quem amamos...

Há quem discorde dessa afirmação, pois dirá que o amor não é passageiro, e sinceramente não sei se essa afirmação é correte ou não. Mas de uma coisa eu sei: amei pessoas e hoje não me lembro mais delas.

Pode não ter sido amor, pode ter sido qualquer coisa, mas eu me esqueci delas.

E elas se esqueceram de mim.

Como uma multidão desconhecida voltamos a nos desconhecer. Almas e corpos que um dia se tocaram, e que, por alguns minutos ou noites se amaram, hoje não se conhecem mais. 

Eu me esqueci de muitas pessoas, que foram um dia importantes para mim, e muitos se esqueceram de mim também... 

De alguns não sinto falta, pois me esqueci deles, mas alguns, gostaria que se lembrassem de mim... Mas para esses não passo de uma sombra de lembranças, um vazio, um salto no esquecimento. Não mais existo em suas vidas, nem em suas lembranças, para eles estou morto...

E afinal, não estamos todos? 

terça-feira, 4 de abril de 2017

Tempo de...

Tempo de sorrir, de andar por aí despreocupado com as mazelas do mundo.

Tempo de ser eu mesmo, de comentar sobre as tatuagens estranhas da moça que cruzou com a gente na calçada. 

Tempo de não pensar nele, nem nas dores que é pensar nele.

Tempo de não pensar em nada de importante. De deixar a mente se divertir livremente. De sorrir para as paredes e se alegrar com a criança sorridente. 

Tempo de sonhar, mas não com o emprego que ainda não veio, ou com a casa conquistada com muito custo. Mas de sonhar com ser um super herói. Sonhar com levantar carros com uma só mão, e destruir prédios com um grito supersônico... Sonhar de verdade...

Desprender-se das amarras da realidade, que nos impedem de viver de verdade. Amarras como nossa fraqueza humana, como a gravidade, como as leis humanas. Prisões...

É tempo de se libertar dessas prisões, de rir daqueles que ainda estão nelas, e de ser eu mesmo, livre, etéreo, disforme, vivo!

Sempre quis ser uma existência livre. Ser menino, ser dragão, ser guerreiro, ser uma massa de energia, não ser eu. 

Ser bonito, ser alto, loiro e dos lábios rosados. Ser alguém desejado.

Tempo de ser eu mesmo. Tempo de ser feliz. Tempo de tentar ser feliz. Tempo de tentar qualquer coisa... 

Tempo de brincar, de esquecer um pouco a seriedade da vida, tempo de sorrir...

Me deixa sorrir, eu quero sorrir, qual o problema de sorrir? 

Me deixa cantar, eu quero cantar, qual o problema de cantar?

Me deixa amar, eu quero amar, qual o problema de amar?

Tempo de amar, de cantar e sorrir... Cantar sorrindo, cantar amando, cantar o amor, amar sorrir....

Cantar, amar, sorrir...

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Pessoas e mais pessoas

Gostaria de hoje falar sobre pessoas, pois passei o dia a refletir sobre pessoas... 

Nunca me canso de contemplar os infinitos universos que somos... Muito me agrada essa comparação do homem com um universo particular, embora não me recorde de onde eu tirei isso, pois acho que ela exprime bem o conhecimento que podemos ter do nosso próximo. 

Assim como o universo, jamais conseguiremos aprender tudo, absolutamente tudo, do que tem nele. Me sinto assim ao observar as pessoas. Por mais que algumas atitudes e formas de pensar sejam previsíveis, as pessoas são sempre uma caixinha de surpresas, sempre mostrando uma incrível capacidade de se reinventar, de se recriar, e isso é belíssimo.

O interior de uma pessoa é certamente um mar espacial completamente inexplorado, e ninguém, senão ela mesma, conhece seu interior. Até mesmo eu, quando me derramo nessas palavras, apenas consigo expor aqui um átomo do que de fato se passa em minha cabeça, e em meu coração. Ainda que passasse o dia inteiro a escrever todo e qualquer pensamento, não conseguiria colocar aqui tudo que penso e sinto. Primeiramente porque não seria capaz, palavras não podem exprimir a profundidade dos sentidos da alma, logo tudo não passaria, e de fato não passa, de balbucio, palavras ao vento.

Há pessoas que nos cativam, que despertam em nós o nosso melhor lado, aquele escondido, sorridente, brilhante, um lado de luz... Mas depois vão embora, abandonado esse oceano de claridade, lançado na densa escuridão as lâmpadas que outrora brilhavam em nosso coração.

Algumas pessoas, por outro lado, despertam em nós aquele veneno interior, que transforma todo nosso sangue num ácido corrosivo, a destruir tudo! Nosso coração, nosso interior, nosso próximo, tudo é destruído por esse ácido. Toda essa dor poderia ser evitada ao evitar o contato com o próximo? Talvez, mas isso não é uma questão tão simples assim. 

Embates entre pessoas não é uma coisa rara, é o embate entre os sensos de justiça que lapida essa mesma justiça no caminho da perfeição. 

Tem pessoas engraçadas, que nos fazem bem mesmo estando fisicamente distantes, isso é engraçado. Não é necessário estar perto pra estar próximo, pode-se estar próximo mesmo distante, mas tem pessoas que mesmo perto ainda estão distantes. Outra dicotomia engraçada...

Mas compreender tudo isso é difícil, e se nem os grandes pensadores conseguiram, não serei eu a conseguir compreender a totalidade do homem, pelo menos não hoje e não com o sono que eu estou sentindo. 

domingo, 2 de abril de 2017

Céu, olhares e chuva

O céu hoje não está tão bonito... 

Não tem muitas estrelas nele, e a lua está opaca, apagada... 

Olhando o céu me vem a sensação de vazio... 

Não, isto está errado...

O que vejo no céu é apenas reflexo do universo que existe dentro de mim. É ele que se encontra vazio, apagado e sem vida!

Assim como o céu que agora olho não reflete nenhum beleza nem tem motivos para brilhar, o meu interior também não consegue encontrar nesse mundo nenhuma razão para brilhar ou buscar ser feliz. 

Apenas existe. 

Existe.

Existe?

Alguns podem olhar para o céu nesse exato momento e achá-lo lindo, a mais bela das noites. Provavelmente nesse exato momento algum casal enamorado  tem nessa a mais maravilhosa das noites. Mas eu não!

Assim como como esse céu posso parecer diferente a quem olhar. Muitos dizem que sou uma pessoa alegre, muito embora tenha uma veia dramática bem acentuada, mas o que veem essa máscara de alegria não sabem do que se passa aqui dentro. A estrela que brilha hoje no céu está morta já há milhares de anos!

Eu não estou sabendo como existir. Já não me atrevo a chamar isso de vida. Não vivo, apenas levo uma existência vazia, guiada por alguns poucos objetivos esparsos que ainda não perderam seu significado na imensidão do meu universo. 

Por alguns momentos algo em mim cintila numa breve faísca. Uma minúscula vontade de voltar a existir, de voltar a brilhar, mas ela logo se vai como areia ao vento, como pétalas ao vento, como vidas ao vento.

Qual o sentido dessa existência sem sentido? 

Seria buscar um sentido? 

Ou viver sem um sentido? 

Não há nada que eu queira mais. Não há um objetivo concreto, como comprar algo ou conquistas algo academicamente... Mas ao mesmo tempo eu só quero que isso acabe. Que a dor acabe, que o vazio seja preenchido com algo, ou que a vida acabe, para que assim a dor acabe também. Mas não creio que isso conte como objetivo, afinal nada mais é do mais uma fuga, e parece que de fugas eu já estou saturado, já fugi demais, já me escondi demais... Depois de passar a vida inteira correndo agora eu paro aqui, embaixo desse céu opaco, a espera de um não sei o quê.

Esperar.

O quê?

Aguardar.

Pelo quê?

Almejar.

O quê?

...

Esperar?

Aguardar?

Almejar?

Palavras de desejo e esperança. Irônico brotarem naturalmente de meu coração, quando nele só há desilusão. 

Acabei de me olhar no espelho... 

Não reconheci a figura que nele vi refletida. 

Aqueles não são meus olhos!

Os meus eram quentes e carinhosos, aqueles eram frios e só guardavam maldade e melancolia. Não eram meus... Não sei de quem são, talvez do meu demônio interior, mas não são meus... 

Voltei meu olhar para o céu novamente, que agora começa a se encher de nuvens... 

Acho que vai chover, não sei, talvez o céu chore essa noite, e eu chova com ele também... 

Idílio

Que decisão eu devo tomar? 

Qual o próximo passo que eu devo dar? 

Será que devo dar algum ou apenas ficar parado? 

...

Como sempre eu não consigo interpretar os sinais, os seus sinais, e nem sequer consigo afirmar com certeza se de fato são sinais... 

Prometi a mim mesmo que não mais falaria com você, somente caso me procurasse, e achei que isso aconteceria logo, já que você passou a vir aqui em casa novamente, muito embora tenha sido contragosto, eu logo o descobri. Então esse foi o primeiro sinal que interpretei errado.

Depois houveram os pequenos cumprimentos. Mera formalidade ou uma tímida tentativa de reaproximação? Na época eu não sabia ao certo. Não, minto! Sabia sim, pelos seus olhos, olhos frios. Sabia e fingia não saber. Não era mera formalidade, mas tampouco alguma tentativa de reaproximação. Era um engodo, para que não pensassem nada, para que não estranhassem que bons amigos agora sequer se falam. Este foi o segundo sinal.

Você buscou uma reaproximação visual nas redes sociais, muito provavelmente pelo mesmo motivo que as vezes me cumprimenta em público. Mas este não é um sinal que interpretarei errado, não mais!

O único sinal que verdadeiramente trata-se de uma mensagem clara e inquestionável é o seu silêncio mortal. Ele me diz "fique longe de mim" e "estou melhor ser você por perto." E penso que você esteja coberto de razão. 

Você está melhor sem mim. Sua vida é melhor sem mim. O mundo seria um lugar melhor sem mim. É mais fácil assim, mas agradável não é? Poder ser você mesmo, ou quem você quer que as pessoas vejam, sem precisar se preocupar com as minhas constantes paranoias a te perturbar. 

Hoje, nesta tarde abafada e tediosa, eu penso sobre como joguei tudo aquilo no lixo. Minha esperança viu que havia uma minúscula chance de você me querer, e agarrado a essa pequena oportunidade eu mergulhei de cabeça num tanque vazio. E o resultado foram as feridas que dali eu recebi. 

Ainda penso em você, o que é tremendamente óbvio pois estou a escrever essa carta, e mesmo sabendo que você não vai ler, ou do contrário me acharia louco, ainda gosto de aqui expor o que sinto, mas que não posso dizer. Pois como você mesmo me disse "você pode sentir, mas não precisa dizer."

Talvez nunca tenha dito isso aqui, mas essas palavras me cortaram como uma lâmina fria, e perfuraram a minha alma. Essa é uma ferida que, acredito eu, nunca irá cicatrizar. Nunca. E quando penso nessa ferida eu mergulho num oceano de dor, rodopiando por águas impetuosas, entrando em desespero.

Tem alguma ideia da força que preciso imprimir para não me jogar aos seus pés cada vez que o vejo? Minha vontade era de gritar implorando perdão. Mas que bem faria isso? Você se zangaria, eu seria considerado louco. 

Dizem então que é melhor pedir perdão por atos, ao invés de palavras, e por isso eu respeitei o seu silêncio. Como não respeitei suas palavras antes, agora eu o faço, sob o peso do seu olhar gélido. 

Perdão, meu amigo, perdão!

Sei que já não tenho mais o direito de chamar-lhe assim, mas o faço, em consideração aqueles bons momentos que hoje estão sepultados em nossas memórias e lembranças. 

O frio do mar ainda me assusta, mas começo a me acostumar com ele. Talvez algum dia o sol possa aquecê-lo como você constantemente fazia com meu coração. Lembra-se disso? Sempre comparei o tom dourado de sua pele com a luz dourada do sol, e da mesma forma como este aquece meu corpo, você aquecia meu coração. Acho que não tem como se lembrar, nunca lhe disse isso. São apenas devaneios que me surgem ao contemplar sua imagem pintada pelas ninfas em minha alma. 

Ainda que os pergaminhos da história de nossa amizade tenham sido guardados no fundo da grande biblioteca de nossas mentes, a tela onde brilha sua pele e seus olhos continua pendurada na entrada da minha morada interior. E ao contrário da realidade, ela ainda traz o brilho e as cores de uma época que não existe mais. Passou, deixando apenas as profundas pinceladas de uma delicada aquarela, de uma delicada amizade que se foi. 

Nos dias nublados ainda gosto de vir aqui, e ficar no escuro, sendo a única luz aquela que provém de sua pele de sol a me iluminar. E quase sinto novamente aquele mesmo calor vibrante aquecendo meu coração, mas é apenas um devaneio meu, não poderia ser, seu coração se encontra agora distante, em todos os sentidos...

Permita-me deter-me aqui mais um instante, a contemplar tal idílica visão, enquanto as pessoas correm no mundo lá fora, e eu me detenho aqui, a tentar tocar seu coração... 

quinta-feira, 30 de março de 2017

Distância e perspectiva

Alguns dias distante... Distante do mundo, distante dos amigos, distante dele, distante de mim mesmo...

Algum erudito poderia dizer que estou buscando uma perspectiva exterior, mas isso não é verdade. Não é verdade porque eu não queria perspectiva, só queria distância. 

Não busco mais resposta nenhuma, o silêncio gritante do mundo me ensinou que elas não existem, são apenas uma criação de nossa mente distorcida para que as pessoas tenham um objetivo. Bobagem. É apenas uma ilusão criada para que as pessoas não se desesperem com a perspectiva de um futuro incerto, mas tão incerto, que elas precisam criar objetivos imaginários. Como se na vida alguém tivesse controle sobre alguma coisa, qualquer coisa que seja.

Muitos acreditam ter controle sobre as coisas, que podem se fazer felizes... Não poderiam estar mais enganadas. Não temos controle algum, essa é outra ideia criada pelos homens para não se sentirem tão impotentes como realmente são. 

Dizem então que sou acostumado a fugir, que meu descontrole emocional é fruto da falta de objetivos, da falta de buscar ser feliz. Ridículos. Na verdade eu sou o único a observar o mundo em sua crueldade máxima, e ver que de nada adianta tentar ser feliz ou formular objetivos se na verdade nada disso depende de nós. A felicidade é uma ilusão que o Destino criou para brincar com nossas vidas, nos manipulando como bonecos de corda. Essas pessoas tem então a crença ridícula de que estão perseguindo seus sonhos, quando estão na verdade apenas andando em círculos como ratos na palma da mão de Buda. É tudo uma grandiosa ilusão.

Não existem sonhos. 

Não existem objetivos. 

Não existe a felicidade.  

Pelo menos não da forma como as pessoas acreditam ser, como um estágio obtido depois de muita luta. A felicidade vem para aqueles que simplesmente aceitam suas vidas desgraçadas e medíocres. O Destino é quem decide quem vai ou não ser feliz, sendo que todos, os felizes e os infelizes, estão presos aos seus fios, que a qualquer momento podem ser cortados. Nem disso temos controle.

Por isso me afastei, me assustei com essa perspectiva, mas isso ainda faz de mim mais corajoso do que os covardes que buscam em ilusões as respostas para as suas existências inúteis. Por isso eu desejo agora que conheçam a dor de verdade, a interior, a morte a desesperança. Quero que conheçam o mundo como ele é, seu o véu criado pelo homem para esconder aquilo que o mundo é de verdade: solidão e desgraça. Tudo o que passa disso é ilusão.

Retire então os véus coloridos que recobrem e anuviam a visão. A vida não é bela, não é fofa e muito menos generosa. Alguns poucos são escolhidos pelo Destino para serem felizes, possuírem dinheiro e inteligência, ou qualquer outra coisa imbecil que os homens considerem importante, mas são apenas bonecos também, usados para deixar a nós, os outros, com a sensação de que com esforço conseguiremos ser felizes. A vida não permite a ninguém ser feliz, ela é cruel, cinza e apenas existe para nos dobrar sob seu poder devastador. 

Devastador.

Ela nos subjuga, nos destrói, nos lança ao chão lamacento e para que? Apenas para nos levar a crer que poderemos nos reerguer, lutar vencer. Ilusões. Na verdade ela apenas quer divertir-se, para no fim de tudo, nos levar a morte natural ou ver os pobres desesperados, como eu, tentarem tirar a própria vida, por perceber o quão cruel ela é na verdade.

Eu não buscava percepção, mas foi o que encontrei nesse afastamento. Encontrei a percepção da desilusão. Encontrei desamor, encontrei desesperança, e agora sinto que encontrei a verdade fria e cinza que se escondia por detrás dos véus coloridos que anuviavam meus olhos... 

Por isso vou na contramão do mundo. Não quero sonhos, não quero amor, não quero ser feliz, quero apenas me livrar dessa realidade, fugir das mãos controladoras do destino e os tentáculos gelados que tentam ao poucos se apoderam de minha mente... 

terça-feira, 28 de março de 2017

Eu fui sem você...

Você não estava lá, eu fui sem você... Ouvi aquela musica que em casa tocava pensando em você, e enquanto escutava os acordes daquele concerto eu fechei os olhos. Fechei os olhos e por um instante, enquanto aquela melodia preenchia minha alma e meu coração, eu vi você do meu lado. Senti seu calor, o toque da sua pele, segurei sua mão. Mas no instante seguinte eu abri os olhos, e vi que não havia nada de você ali, exceto as impressões que tinha trago comigo. Você não estava lá, eu fui sem você...

Estava sozinho naquele grande salão, apenas eu e a música, e a sua imagem, como a de um fantasma. Em nenhum momento, nem sequer por uma nota ou um só compasso eu pude parar de pensar em você. Eu o fazia com tamanha intensidade que mais de uma vez pensei ter visto sua silhueta no horizonte do meu campo de visão. Mas você não estava lá, eu fui sem você...

Chovia muito la fora. E como o céu chorava, eu também chovia. Chovia ao sentir a onda apaixonante do Chopin vigoroso nas mãos daquele jovem pianista e chovia ao ver que aquelas notas ecoavam na minha mente e logo tocavam meu coração, fazendo ressoar não o som, mas a sua imagem. Mas você não estava lá, eu fui sem você... Naquela chuva eu imaginei nós dois, sorrindo, correndo, teria sido bonito, como um casal apaixonado. Mas não somos um casal, não somos nada e você não estava lá, eu fui sem você...

Fui sem você... Serei feliz sem você? Poderei caminhar sozinho sem você? Entrar nos campos dourados sem você? 

Quando eu desejei sua presença, você não estava lá. Quando precisei de sua ajudam você não estava lá. Mas você estava lá quando ela te chamou, quando ela precisou. Quando ela te convidou. Mas quando eu o fiz, você não estava lá. Hoje foi só mais um desses dias, em que você me negou com uma desculpa displicente, apenas para não quebrar o protocolo social da boa vizinhança, mas você não tinha a menor intenção de ir comigo. Teria ido se ela tivesse te convidado não teria? E por isso eu fui sozinho. Você não estava lá, eu fui sem você...

Uma pequena lição

"Não mendigue a atenção de ninguém, e muito menos o amor. Não mendigue o amor de quem não tem tempo para você, de quem só pensa em si mesmo. Nunca faça isso. Quem faz você se sentir invisível e insignificante diante de uma indiferença não te merece. Só te merece quem, com atenção, faz você se sentir importante e presente.

O amor deve ser demonstrado, mas nunca, jamais, deve ser mendigado. O fato de haver necessidade de mendigar amor é o mais fiel reflexo de uma injustiça emocional, de um desequilíbrio do sentimento que sustenta a relação.

Merece seu amor aquele que diz menos, mas faz mais. Não te merece quem só te procura quando precisa, mas sim quem está ao seu lado quando você precisa, e não só quando o interesse pessoal permite. Merece seu amor quem, sem esperar nada, leva esse sentimento dentro de si e faz você sentir que é importante.

No fim é simples, a pessoa que te merece é aquela que, tendo a liberdade de escolher, fica perto de você, dedicando seu tempo e seus pensamento.

Não existe falta de tempo, existe falta de interesse.

Dizem que não existe falta de tempo, mas sim falta de interesse porque, quando realmente se quer, a madrugada se transforma em dia, terça-feira se transforma em sábado e um momento se transforma em oportunidade. Também dizem que quem espera muito, se decepciona e sofre. Assim, temos que checar nossas expectativas e colocar na cabeça o ensinamento: “não espere nada de ninguém, espere tudo de você mesmo”.

Porque as esperanças e as expectativas são, muitas vezes, a base dos fracassos emocionais e, portanto, de percepção das atitudes dos outros como falta de interesse.

Quando percebemos o que os outros fazem ou dizem como mentiras, obviamente sentimos dor. Uma dor emocional que a nível cerebral se comporta da mesma forma que uma dor física.

Nesse sentido cabe fazer uma nota importante: devemos dar ao mal-estar psicológico a importância que ele merece. Não nos ocorreria ignorar fortes pontadas no estômago ou uma dor de cabeça forte e constante.

Por que deveríamos ignorar a dor emocional então? Não podemos simplesmente deixar que o tempo cure, temos que trabalhar sobre a dor e extrair dela os ensinamentos cabíveis do mesmo modo que deixaríamos de tomar chocolate quente se descobríssemos que é ele a causa da nossa dor de estômago.

Isso é muito importante porque socialmente há a falsa crença de que o mal-estar psicológico é sinal de fraqueza e que, ao mesmo tempo, o tempo curará as feridas sem necessidade de desinfetá-las, nem de fazer curativos ou cuidados para evitar que sangrem.

Valorize-se, queira bem a si mesmo.

Dedique tempo às pessoas que merecem e que fazem você se sentir bem. Não mendigue atenção, amizade, nem amor de ninguém. Quem quiser estar com você demonstrará sua intenção, cedo ou tarde.

Por isso, se você está vivendo uma situação de injustiça emocional angustiante, lembre-se:

Não procure quem não o procura e não responde aos seus chamados. Não busque quem não sente sua falta. Não sinta a falta de quem não te busca. Não escreva a quem não te escreve, não se submeta ao castigo da indiferença que fica clara diante de mensagens ignoradas ou silêncios infundados.

Não espere quem não te espera, valorize-se e deixe de mendigar e de implorar por amor. Porque, como dissemos, o amor deve ser demonstrado e sentido, mas jamais implorado. Guarde seu carinho para quem te quer e te compreende sem qualquer julgamento.

– E, sobretudo, não se esqueça do valor do seu sorriso diante do espelho, ame a si mesmo e valorize-se por tudo o que você é, e não pelo que alguém que não te merece faz você pensar de si mesmo. Ame-se e compreenda que o fato de que alguém o trata mal não quer dizer que você não deva fazer o impossível para rodear-se de pessoas que te fazem o bem e te querem bem."

domingo, 26 de março de 2017

Vontade de viver

"A ideia do suicídio é uma grande consolação: ajuda a suportar muitas noites más."
(Friedrich Nietzsche)

Bom, novamente me recordo da afirmação que nos diz que "tem dias que a gente ganha e tem dias que a gente perde" e olha, essa semana eu vim todo trabalhado na derrota. 

Sabe quando a bate a bad? Dessa vez ela me desceu o cacete com força. Acho que me confundiu com algum saco da pancadas por ai... só pode... 

Me veio repentinamente uma necessidade absurda e inexplicável de um certo alguém, e esse certo alguém se fez ausente novamente, pois eu havia me esquecido que todo nosso relacionamento, tudo o que há entre nós é apenas fruto de minha pequena mente distorcida. Resultado: 3 dias sem conseguir comer e quase desmaiando por ai, já que as atividades na igreja e na faculdade estavam em alta.

Consegui voltar a comer um pouco ontem a noite, mas ainda assim sinto o coração apertar contra meu peito, num ardor desagradável que me faz desejar apenas uma coisa: a morte!

Sei do tamanho pecado que é dizer algo assim, mas é apenas a pura verdade, pura e dura. Perdi a vontade de viver, já não tenho mais nenhum motivo para continuar a insistir nessa existência patética. No entanto a minha covardia se faz tão grande que eu sequer consigo pôr fim a essa miserável existência. 

No meu coração não há hoje nem sequer poesias sobre dor e sofrimento, há em mim apenas silêncio, reflexo do vazio que ele deixou em mim. E nesse vazio minha mente se angustia, até o momento em que eu não conseguir suportar mais. 

"O suicídio demonstra que na vida existem males maiores do que a morte."
(Francesco Orestano)

Sei que não há motivo real para tal linha de pensamentos, só que pensar em findar tal fardo se tornou inevitável, e acredito que terei de aprender a conviver com (mais) essa obsessão.

Não é uma vontade de morrer, é apenas covardia, desejo de fugir, por saber que sou fraco demais para resolver isso de forma madura e adulta. É apenas covardia, desejo de inexistência, de sumir, de desaparecer sem nunca deixar nenhum vestígio de minha patética passagem por essa terra. Desejo de ser consumido pelos vermes da terra até que a mesma se torne o meu eu, e que não exista mais um ser tão dispensável ao mundo quanto um sujeito que só consegue sabotar-se e flagelar-se desnecessariamente...

Realmente um homem patético, que sequer merece ser chamado de homem... Patético!

sábado, 25 de março de 2017

Gracejo

Ainda acordado de uma noite difícil, longa, na qual minha mente inundada por um tsunami de pensamentos avassaladores e que me devastaram completamente. Desta noite só me restou uma casca vazia, pois já não sei onde se encontra meu coração. Ou melhor, até sei, mas está fora de meu alcance.

Meu coração está nas mãos daquele que não me ama, e que considera o meu amor uma grande paranoia, o que não deixa de ser, é bem verdade. Mas ele é verdadeiro, e eu não tenho chances para demonstrá-lo como deveria ser. 

Este sentimento me paralisou, me tornou incapaz de qualquer coisa senão de sofrer continuamente pelo amor que não me foi correspondido. 

No meu íntimo eu não consigo parar de desejar, nem de sentir essa vontade esmagadora. No meu íntimo eu não consigo vencer esse medo terrível de te perder. 

Mas eu não posso perder você, pois você não é meu, e não se pode perder aquilo que não se tem.

Por mais que você diga que ninguém perde outra pessoa, eu perdi você, e estou perdendo mais a cada dia, e logo, tudo o que sobrará serão as marcas profundas da sua presença no meu coração, que como uma cicatriz me recorda da ferida de amor que deixou no meu peito. 

Esse sentimento de posse, esse sentimento maldito, só nos traz sofrimentos, e como você disse, me impede de ocupar a cabeça com coisas realmente produtivas, pois fico todo o tempo imerso em paranoias, pensando em te perder.

Só não quero te perder, e mesmo assim sinto que a cada dia eu te perco mais um pouquinho, e a cada dia eu morro também mais um pouquinho.

Morro pois a necessidade que criei de você em mim te tornou necessário a minha existência patética. Mas você não pediu por isso, não pediu pra ser assim, e nunca me pediu e nem me ofereceu nada além de amizade. Portanto eu mereço sofrer isso sozinho, e não compartilhar essa dor com você.

Deveria pôr um fim nisso, acabar com essa história de uma vez só. Mas não consigo sufocar esse sentimento por você, pois ele é mais forte do que eu. E tampouco minha covardia não me permite sufocar minha própria vida, como deveria fazê-lo. Deveria me afastar de você, pois o faço sofrer, e é inadmissível que faça sofrer o homem que mais amo no mundo. Eu deveria sumir, desaparecer, eu deveria morrer. Sim! Não tenho utilidade alguma no mundo, e ninguém sentiria falta, afinal, todos são substituíveis, exceto você no meu coração... Mas seria melhor assim, sem minha existência patética a te atormentar, o mundo seria um lugar melhor para todos. 

Mas como minha covardia não me permite tal gracejo, permaneço a existir nessa forma patética, até quando o destino decidir parar de brincar com minha pessoa, ou até que eu consiga coragem o suficiente para livrar o mundo da minha estirpe.