sexta-feira, 17 de abril de 2026

Apenas pessoas


“eles não são totalmente bons nem totalmente maus,
são apenas pessoas — e pessoas são um desastre.”  (Charles Bukowski)

Não é nada sério, apenas aquele cansaço depois de ouvir as vozes de muitas pessoas. E então eu me tranco no quarto, não só fingindo que não existem, mas me refugiando num lugar tão escuro e profundo que, em verdade, eles já não conseguem me encontrar.

Cansaço, de pedidos e mais pedidos. De crenças idiotas. De onde tiraram que a Colo de Deus pode salvar a Igreja se eles só podem perder e confundir? A crença permanente de que algo vai mudar. Não vai. Isso é só um expediente falsário usado para tranquilizar a mente que se apavora diante da realidade, crua como ela se aparece.

Choro de criança, mas os adultos são ainda piores.

"Sai daí!"

"Não mexa aí!"

"Volta aqui!"

"Desce daí"

E o som insuportável das musiquinhas que usam para acalmar a criança quando não querem elas por perto.

A guerra declarada contra a beleza. Bauhaus. Também me cansa. Não percebem que mergulham cada vez mais na depressão.

Ou talvez seja apenas eu que acredito que o Belo é sim uma das coisas mais importantes de uma vida.

De todo modo, sejam essas, ou aquelas que só me tratam como enciclopédia, eu estou com preguiça. Me perguntaram se estou bem, mas não era preocupação real, apenas uma convenção boba porque eu não respondi o dia todo. Minha capacidade de responder perguntas é a única coisa que importa aos outros. 

O bolo que tentei fazer não deu certo, deixei cair um ovo no chão, derramei o açúcar, e ainda fico sem gosto. O hamburguer que pedi também não tinha gosto. Ou talvez seja só eu. 

Não quero ver e nem falar com ninguém. Quero a escuridão e o silêncio do meu quarto. 

Apenas. 

“eu estava começando a entender que as pessoas não são algo a ser consertado.
são algo a ser suportado.” (Charles Bukowski) 

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