é apenas de comercial o cunho
no entanto
é Valentine's Day
pra todo o resto do mundo
os namorados se dão presentes
alianças de metal
brilhantes e grossas, finalmente
tão grandes buquês de flores
rosas e vermelhas que do ambiente
são praticamente malfeitores
posam em ensaios
maquiados e enfeitados
de mil corações, ébrios
mesmo os que estão solteiros
posam sem camisa
os famosos biscoiteiros
claro que eu também pensei
em passar blush no rosto
mas ao pensar, cansei
e então apenas continuei rolando
fingindo que não me importava
quando continuava pensando
mas no espelho ou na foto refletida
ao conceber minha figura
de nenhuma beleza seria revestida
imagem grotesca
audácia achar que poderia ser algo
menos do que um demônio dantesco
se, por ventura, algum artista
pintasse no alto de uma igreja
uma cena bíblica em afresco
seria eu a criatura
que terminaria em triste ária
de mezzo soprano coloratura
acabando por ser espetáculo
daqueles que nem sequer acreditam
existir um homem, ou ser, tão ridículo
bom, o que sobra então é a desistência
uma vida que eu já não vejo seguir
quem sabe numa outra por clemência
depois, é claro, da prepotência
o perdão adquirido
do universo a anuência
perdoem-me a redundância
mas nesse mundo apenas poucos
tem da beleza a benevolência
continuam os outros posando
sorrindo, blush e batom nos lábios
a todos apaixonando
malditos
e belíssimos
buquês
só pra não dizer
que de novo
não falei das flores
porque piores que
meus retratos
e meus amores
são justamente meus versos
sobre meus retratos
e meus amores.

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