Tem um prazer que dura 4 minutos e você quase nunca tem tempo pra ele: tomar café devagar. Sem celular, sem pressa, só você e a xícara quente na mão. Não é só sobre o café, embora ele seja parte quase indispensável, é sobre os 4 minutos que ninguém tá te cobrando nada.
A gente toma café correndo, em pé, engolindo. Mas quando consegue sentar 4 minutos e tomar devagar, o dia muda. Você sente o cheiro, sente o quente, olha pela janela.
É curioso porque é o mesmo café de todo dia, mas quando toma devagar parece outro. Não mudou o café, mudou o tempo que você deu pra ele. Ou que deu para si mesmo.
Te venderam que prazer tem que ser caro, tem que ser brunch de R$80. Mentira. O melhor café da sua vida não foi o mais caro, foi aquele que você tomou com calma num dia que não tava atrasado. A gente gasta dinheiro com café chique e não tem 4 minutos de paz pra tomar o café simples que já tem em casa.
Me lembro de dias em que colocava o café na xícara e, em seguida, entravam no escritório com mil problemas, me chamavam em outro lugar e eu só voltava pra mim mesa umas cinco horas depois, e olhava triste pro café frio.
Mas também em alguns dias eu ficava olhando a fumaça se levantar, e sentia o aroma preenchendo o espaço e meio que me acolher. E só então começava o dia, como Honoré de Balzac, que dizia que, com café, as ideias marchavam como um exército.
Prazer não é sobre o que você toma, é sobre o tempo que você se dá pra sentir.

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