Aquela conversa era uma troca de provocações. Mesmo que ele, talvez não desse conta disso completamente. Dois homens com tesão falando sobre isso o dia todo. O pau torando nas calças e a gente fingindo que não está pensando em sexo o dia todo.
Acho que os homens são assim. Ao menos a maioria deles. Alguns devem se concentrar em ganhar dinheiro, ser ou parecer bem sucedido mas, no fim do dia, parece que tudo é feito com o objetivo de comer alguém. E talvez seja mesmo.
Ele queria enfiar os dedos em alguma garota, descontar o acumulado, enquanto chupa com ferocidade os peitos dela. Eu queria colocá-lo no meu colo, bater uma pra ele até ver aquele rostinho claro ficar vermelho, e cuspir porra por toda parte.
Ele não tem ideia, ou finge, do quanto seria bom se me deixasse fazer isso.
Talvez tenha passado o dia olhando pra uma planilha estúpida no computador, com mente no tesão que passava como eletricidade percorrendo seu corpo. Eu passei o dia me retorcendo na cama, enlouquecido com cada coisa que ele me dizia, como quando disse que ficara completamente pelado ao chegar do trabalho, ou como ia bater punheta em todos os cantos da casa pra aliviar a coisa.
Os momentos de luxúria ensandecida se dividem com a apatia de cada dia. Ao mesmo tempo que sentia o calor do quarto aumentar por minha causa, se abria os olhos, ainda vi tudo coberto por uma fina camada de poeira, um véu me separando de tudo o mais.
Que droga!
É um desperdício que toda aquela porra seja jogada fora. Eu engoliria tudo, e o beijaria, e isso o deixaria louco, e então faríamos como animais, meus dedos em seu rabo, seu pau na minha boca, até cairmos para o lado, exaustos.
Talvez ele pense nisso hoje à noite, antes de bater mais uma pensando naquela garota sem graça. Eu não sei se vou me forçar a assistir outra noite triste e, em vão, tentar dormir amanhã. Os dias têm sido um saco. Muito barulho, insuportável.
E às vezes, na maior parte das vezes, nem consigo ouvir muita coisa. É como se tudo, mesmo que ao meu lado, estivesse distante. Ouço como se fosse ao longe, minha anuviada, e ainda assim muitas vezes me encho de fúria.
Por isso eu prefiro voltar a pensar em como seria se estivesse lá com ele. Talvez também ficasse distante de tudo o mais, apenas ciente e consciente de sua presença.
No banho, fitaria seu corpo branco cheio de marcas dos meus lábios. Passaria sabão pelo seu corpo, com uma mão, e a outra já no meu pau. Não tem problema, homens não ficam satisfeitos facilmente. Nunca é demais. Daria a ele mais uma punheta gostosa, antes de me virar de costas para ele empinar a bunda, o rabo pronto pra receber seu cacete, que já estava duro. Ele mete devagar, não é tão grande mas é bem grosso, e parece me rasgar, me fazendo gemer e sorrir. Porra, que moleque gostoso! E ele começa a bombar mais rápido, gozou dentro de mim, encostando a cabeça nas minhas costas. Me viro e gozo no seu pau, olhando mais uma vez as marcas.
Ficariam ali por semanas:
lembrança de que eu estive ali e fiz meu aquele corpo, daquele cara que, como eu, pensa em sexo o tempo todo.
Depois cada um vai pra um lugar, faculdade, caminhar pela rua e pensar no vazio. Aula de estatística e energético. Eu sentaria pra ouvir música e tomar uma cerveja.
Qualquer coisa assim.
O chá que fiz ficou fraco, e esfriou logo. Acho que perdi o jeito. O de ontem tinha gosto de terra. Os remédios pra dormir já não ajudam mais. Não tenho bebido, pois com os remédios a ressaca é sempre horrível. Não sei o que fazer. Cada dia me sinto mais perdido, até mesmo ao conversar com um cara assim e falar bobagens.
Será que eu só quero sexo? Quando penso em alguém, só consigo pensar nisso. Conhecer uma pessoa, me aproximar, tudo isso é muito chato, me cansa só de imaginar. Acho que, depois da última vez, quando ouvi algumas das piores palavras da minha vida, não sou mais capaz de amar. Finalmente. Amar é uma droga ou, como disse o velho Buck: o amor é um cão dos diabos.
Não vou tomar banho com ninguém. A única interação será com desconhecidos dos vídeos na internet. Um pouco de vento nessa noite, mais ou menos fresca, em que vou dormir sem saber se quero dormir, assistir, ou simplesmente desaparecer.
Passei mais um chá, preto, e dessa vez não ficou tão ruim. Mas nunca mais senti o sabor como antes. Começou a chover um pouquinho. O calor podia finalmente dar uma trégua de alguns meses, mas no jornal disse que volta a ficar quente ainda essa semana. Droga!
"talvez o amor seja sexo. talvez o amor seja uma tigela de mingau. talvez o amor seja um rádio desligado." (Charles Bukowski)

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