quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

desejo num bar qualquer


Sinto que me apaixonei,
droga!
De todas as coisas ruins que poderiam acontecer,
a autossabotagem que chamamos de paixão 
é a pior.
Porque é uma desgraça que provocamos em nós mesmos,
e eu tenho agravantes.

Me apaixonei pelas costas largas,
depois que ele tirou a camiseta
que já era transparente,
sem necessidade,
e olhou com aquela expressão sacana
de quem sabe que todo mundo ali
até os caras que fingem não gostar,
matariam pra foder com ele.

Deve ser sensacional!

Me apaixonei por esse sorriso idiota,
pelo rebolado.
Anos atrás ele seria chamado de bichinha.
Hoje é só mais um gostoso dançando,
e cantando palavras provocadoras
de um jeito aleatório.

Droga, droga!

Como eu fui deixar isso acontecer? 
Só devia me sentar aqui e aproveitar pra fumar um
enquanto tomo cerveja nesse calor dos infernos.
Tinha que prestar atenção nele?

Tomo mais um gole grande e peço outra, 
mas sei que não vai dar pra afogar isso.

Mas afinal o que é isso?

Talvez só um tesão romantizado.

É, é isso. 

Porque não existe essa palhaçada de amor.

Talvez seja também um pouco de inveja
pelo corpo perfeito e o sorriso e toda essa coisa da atração
que faz estranhos sonhares estar no meio dos seus braços

Mas pra um homem como eu
em que essa realidade é impossível
só posso pedir mais uma cerveja
tomar com alguns comprimidos pra dormir

e esperar que o sono supere o desejo. 

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