sexta-feira, 22 de maio de 2026

Mesmo assim

Mais uma vez vejo os amigos indo embora. 
A história se repete. 
De novo e de novo.

Me lembro dos primeiros amigos que fiz, 
no colégio, 
mas o tempo se encarregou de nos afastar. 

Depois, aquele que foi o grupo mais caloroso em que estive, 
e que me deixou, sem nem olharem para trás, 
porque odiaram as palavras que escrevia quando sentia dor. 

Eles não me entenderam.

Destes, alguns ficaram um pouco mais, 
e nos aproximamos ainda mais. 

E aí veio aquela traição... 

Eu ainda fui tido como errado mas, 
no fim, 
eles escolheram ficar sem mim. 

E agora, de novo. 

Vejo os sorrisos dos encontros, 
sexta à noite. 

Eu aqui sozinho. 

Mas certamente vão lembrar de mim 
quando precisarem de algo. 
É sempre assim,
sou o amigo da necessidade.

Não culpo ninguém, 
exceto a mim mesmo, 
por esses afastamentos. 

Eu também me afastaria aos poucos, 
também me ofenderia com palavras duras escritas sobre mim, 
também escolheria trair um amigo incômodo 
por algo mais agradável. 
Não os culpo por preferirem qualquer outra coisa. 

Eu também queria ser outra coisa. 
Também queria dizer que não me importo com eles. 
Mas seria mentira. 

É sexta à noite, 
muitos estão bêbados, 
ou sorrindo enquanto comem, 
ou com suas famílias. 

Eu tenho os personagens que não me deixam. 

Mas, 
mesmo assim, 
ainda dói. 

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