“— Tudo é mera descrição, não o meu eu verdadeiro. Tudo é simplesmente uma figura, uma forma, um identificador pra deixar que os outros me reconheçam como eu mesmo. Então... o que eu sou? Isso sou eu? O meu verdadeiro eu? Meu eu falso? O que que eu sou?
— Você é você. Existe uma pequena diferença entre como você interpreta a si mesmo e como os outros interpretam você.
— Certo. Minhas roupas. Meus tênis. Meu quarto. São partes que compõem o meu eu.
— Essas coisas estão conectadas através da sua percepção.
— Então o que eu acho que eu sou, sou eu! O que eu reconheço como mim mesmo, sou eu mesmo! Eu sou nem mais nem menos do que a soma da consciência de mim mesmo. Mas eu não entendo a mim mesmo. Onde eu estou? O que eu sou? O que eu sou?
(...)
Para estabelecer minha identidade, tenho que me comunicar com as mentes de muitas pessoas. Tenho que examinar isso que está no meu núcleo.”
(Neon Genesis Evangelion)
Nos episódios finais de Neon Genesis Evangelion, a pergunta “o que sou?” não é formulada uma única vez porque uma única resposta não bastaria. Ela retorna. É repetida, deslocada, reformulada, dirigida ora ao próprio sujeito, ora à imagem que os outros fazem dele. A repetição não representa simples falta de resposta: ela é parte da representação do dilema. A consciência gira em torno de si mesma porque o objeto investigado é precisamente aquela consciência que investiga. O instrumento e o objeto da investigação coincidem, o que já torna o trabalho desagradavelmente mais complicado do que consultar um espelho.
Se observarmos bem, todas as construções da humanidade de alguma forma buscam a aproximação na vida das pessoas. Tudo o que fazemos é em função de suprir esse medo, de usar as pessoas à nossa volta para preencher esse vazio existencial.
Talvez “todas” seja uma palavra grande demais, dessas que a juventude emprega com o desembaraço de quem ainda não foi obrigado a defendê-las diante de três filósofos mortos e um revisor mal-humorado. Mas a intuição permanece interessante se reduzirmos sua pretensão: uma parte considerável da experiência humana pode ser compreendida como tentativa de diminuir distâncias. Construímos casas, cidades, linguagens, cartas, telefones, redes, ritos e instituições através das quais indivíduos separados conseguem agir uns sobre os outros e fazer sua presença ultrapassar os limites imediatos do próprio corpo.
Em Evangelion, essa distância deixa de ser apenas metáfora. O Campo AT dá forma visível àquilo que os personagens experimentam psicologicamente: a existência de uma fronteira que separa cada indivíduo dos demais. A obra converte, assim, um dos seus dilemas existenciais fundamentais em representação dramática. O que, fora da ficção, chamamos vagamente de reserva, interioridade, medo, defesa ou impossibilidade de acesso integral ao outro aparece ali como barreira. O conceito recebe corpo: essa barreira impede até os ataques durante as lutas mas, uma vez quebrado, permite que a consciência seja afetada em níveis brutais.
E dessa forma vamos tentando construir nossa própria identidade, nossa própria forma de ver, encarar o mundo.
Mas aqui aparece uma dificuldade que meu antigo eu, que pensou nesse assunto há quase dez anos, ainda não havia levado suficientemente longe: talvez não construamos nossa identidade primeiro para depois apresentá-la ao mundo. Talvez parte daquilo que chamamos de identidade seja produzida precisamente nesse encontro entre nós e o mundo.
No entanto, para que eu consiga estabelecer essa identidade, me comunicando com os outros, preciso primeiro ter algo para comunicar, pois uma alma fracionada não pode comunicar outra coisa senão confusão e caos. Pelo seguinte motivo: para se expressar uma ideia, ela deve primeiro estar formada, para então poder ser expressa através de palavras ou atitudes, enfim, através de interações.
Essa afirmação parece evidente. Primeiro penso, depois comunico aquilo que pensei. Primeiro possuo um eu; depois apresento esse eu aos outros. Mas talvez justamente aí esteja uma das ilusões que Evangelion desmonta.
Freud já havia retirado da consciência o conforto de imaginar-se senhora absoluta da própria casa. Nem tudo aquilo que nos move está imediatamente disponível para inspeção consciente; desejos, defesas, conflitos e lembranças podem atuar sem se apresentarem ao sujeito sob uma forma clara e organizada. Se isso é verdade, então não existe necessariamente, antes de cada palavra, uma ideia perfeitamente acabada esperando apenas encontrar a frase adequada. Às vezes descobrimos aquilo que pensamos enquanto tentamos dizê-lo.
Lacan levará essa dificuldade ainda mais longe. O eu não surge como uma pequena substância autônoma, já pronta, que depois decide relacionar-se. Ele se constitui através de identificações, imagens e relações com uma alteridade que o antecede. Até a linguagem na qual digo “eu” já existia antes de mim. Recebo nomes, categorias, expectativas e modos de reconhecer-me que não inventei. A consciência deseja encontrar em seu interior aquilo que imagina ser absolutamente próprio e descobre, para seu desgosto, uma quantidade considerável de mobília deixada pelos outros.
Isso não significa que o indivíduo seja apenas produto passivo da sociedade. Seria apenas trocar uma simplificação por outra e chamar a operação de profundidade. Mas significa que a hipótese de um “eu verdadeiro” completamente formado antes de qualquer relação precisa ser investigada, não presumida.
No entanto, em se tratando de minha pequena mente distorcida, posso afirmar que minha comunicação é sempre prejudicada por essa deficiência. São sentimentos demais, impressões demais que de forma alguma poderiam ser ditas por não existir, ou por eu não conhecer, palavras que o possam fazê-lo.
Há aqui uma experiência que merece ser preservada justamente porque não é apenas teórica. A linguagem falha. Não necessariamente porque seja pobre, mas porque o que tentamos comunicar nem sempre possui a organização que retrospectivamente gostaríamos de lhe atribuir.
Dizer “não consigo explicar o que sinto” pode significar pelo menos duas coisas. Pode significar que existe em mim uma experiência clara para a qual ainda não encontrei palavras. Mas pode significar também que a própria tentativa de falar revela que a experiência nunca foi tão clara quanto parecia.
Essa diferença é essencial para nossa investigação das representações dos dilemas morais e existenciais em Evangelion. Os personagens não sofrem apenas porque ocultam sentimentos já perfeitamente compreendidos. Muitas vezes eles próprios não sabem exatamente o que desejam do outro. Querem proximidade e afastamento. Querem ser reconhecidos e temem ser vistos. Pedem afeto e atacam quem se aproxima. A contradição não aparece depois, na comunicação. Ela já habita aquilo que deveria ser comunicado.
Mas o vazio permanece, e com ele vem a angústia, o sofrimento. Logo, para tentar encontrar uma maneira de me comunicar melhor com o outro, eu preciso examinar o meu núcleo. E aqui é onde penso que se encontra o maior problema: algo tão fragmentado pode dar algum resultado?
Kierkegaard nos obriga a desconfiar um pouco da própria imagem do “núcleo”. Em O desespero humano: Doença até a morte, o eu não é descrito simplesmente como uma coisa escondida nas profundezas da pessoa e esperando ser encontrada depois de escavação suficiente. O eu é relação: uma relação que se relaciona consigo mesma. Isso muda bastante a pergunta.
Em vez de perguntar somente “o que existe no centro de mim?”, talvez precisemos perguntar: “como me relaciono com aquilo que encontro em mim?”
Uma consciência pode conter contradições sem deixar por isso de ser uma consciência. Pode desejar coisas incompatíveis. Pode negar aquilo que deseja. Pode querer tornar-se outra pessoa e, ao mesmo tempo, ressentir-se por não conseguir permanecer exatamente como é. O problema não é necessariamente possuir um interior fragmentado; talvez o desespero surja também da exigência impossível de alcançar uma unidade absoluta.
Digo fragmentado pois sou acometido por tantos pensamentos durante todo o dia que às vezes começo a me perguntar se todos são frutos de minha própria mente. Me irrito com coisas banais, tenho uma série de manias que não fazem nenhum sentido sequer e mais uma incontável lista de paranoias que só me revelam uma mente fragmentada, obcecada em fugir da solidão e desesperada por se encontrar tão sozinha.
Não emprego aqui “fragmentada” em sentido diagnóstico. Interessa-me a experiência fenomenológica contida na palavra: a percepção de que a consciência não se apresenta a si mesma como bloco perfeitamente coeso. Pensamentos se contradizem, afetos se sobrepõem, impulsos surgem antes que consigamos justificá-los. À antiga pergunta “todos esses pensamentos são meus?”, a psicanálise acrescentaria uma provocação: mesmo quando são nossos, isso não significa que conheçamos inteiramente sua origem. Olavo de Carvalho dizia que era sempre imperioso saber de onde vieram nossas ideias.
Schopenhauer poderia tornar essa suspeita ainda mais desagradável. Aquilo que chamamos de intelecto racional não governa soberanamente o querer. A vontade precede muitas das justificações com que posteriormente tentamos explicar nossos atos. Em termos menos respeitáveis: decidimos que queremos alguma coisa e, alguns segundos depois, contratamos nossa inteligência para redigir a defesa.
Essa obsessão explicaria minha atitude masoquista e condescendente com o sofrimento autoinfligido que meus afetos me causam. Esse ponto já está bem claro pra mim. Meu medo de ficar sozinho, de ser esquecido e abandonado sem nenhuma importância se reflete na forma como eu encaro as pessoas à minha volta, particularmente meus amigos.
Por isso, na grande maioria dos casos, eu acabo por confundir educação com afeição, ou até mesmo paixão. O que, nem preciso dizer, traz consequências desastrosas para mim: as inúmeras frustrações, decepções e abandonos.
Aqui surge, pela primeira vez com bastante clareza, não apenas um dilema existencial, mas também um dilema moral. Se preciso do outro para confirmar minha existência, até que ponto ainda consigo encontrá-lo como outro?
Há uma diferença entre amar alguém e atribuir a alguém a tarefa de reparar nossa própria falta. Quando essa diferença desaparece, a pessoa concreta corre o risco de transformar-se em função. Ela deixa de ser encontrada em sua alteridade e passa a ser recrutada para um trabalho que nunca aceitou: garantir que eu não me sinta sozinho, assegurar meu valor, confirmar minha identidade, impedir meu abandono.
Esse é um dos pontos em que Evangelion é particularmente impiedoso com seus personagens. Quase todos desejam alguma coisa uns dos outros, mas poucas vezes conseguem separar amor, necessidade, reconhecimento, dependência e medo. Gendo procura Yui. Shinji procura no pai uma aprovação que nunca chega. Asuka procura reconhecimento de seu valor e vive a atenção alheia como medida de sua própria existência. Misato deseja proximidade e, ao mesmo tempo, protege regiões de si às quais não permite acesso fácil.
O problema moral aparece justamente porque necessitar do outro não nos autoriza a reduzi-lo àquilo de que necessitamos.
Voltando à afirmação sobre o vazio fundamental, cada um busca preenchê-lo de uma forma, e em cada um ele se manifesta de uma forma. Posso afirmar então que esse vazio se manifesta em mim através da carência.
Como resultado, temos um Gabriel sempre se sentindo solitário, descontente e apaixonado, suspirando pelos cantos. Tragicamente, poucos foram os momentos de minha vida em que pude afirmar não estar apaixonado por ninguém. Isso só mostra como eu tento preencher o vazio de minha alma com o calor dos braços do outro.
Hoje eu faria uma pequena correção à palavra “mostra”. A experiência sugere; não prova. O autor de dez anos atrás era bastante generoso consigo mesmo ao extrair conclusões metafísicas de sua vida amorosa. É uma tradição respeitável, convém dizer. Metade da filosofia talvez desaparecesse se proibíssemos homens infelizes de generalizar a partir de seus afetos. Mas a intuição permanece: o objeto amoroso pode tornar-se representação concreta daquilo que esperamos que nos complete.
Mas obviamente isso não é a forma correta de se fazer isso, o que traz por resultado minhas catastróficas experiências amorosas. Também aqui eu seria menos apressado hoje. O problema talvez não seja buscar no amor uma resposta para a solidão. Seria estranho exigir que o amor não tivesse nada a dizer sobre solidão. O problema começa quando lhe exigimos uma resposta absoluta.
Amar pode aliviar uma solidão sem abolir a condição de sermos separados.
Pode oferecer companhia sem produzir fusão.
Pode permitir intimidade sem conceder acesso total.
Pode tornar a existência mais habitável sem explicar definitivamente por que existimos.
Mas temos sempre procurado escapar desse vazio, pois a dor que ele traz é maior do que a dor que infligimos em nós mesmos em nossas fracassadas tentativas de encontrar a felicidade. Essa talvez seja uma das constatações mais importantes porque ela descreve uma estrutura que Evangelion representa repetidamente: preferimos certas dores conhecidas à ameaça de confrontar uma falta mais profunda.
Shinji foge, retorna, foge novamente. Asuka busca aprovação de maneira quase autodestrutiva. Misato repete formas de vínculo que reconhece como problemáticas. Gendo constrói um projeto de proporções apocalípticas porque não suporta uma perda individual. O extraordinário é justamente a desproporção. Homens pequenos e frágeis colocam monstros em marcha. O aparato é colossal; a ferida é íntima, invisível ao outro.
E talvez aí esteja uma das imagens centrais de toda a série: alguns dos maiores acontecimentos de seu universo nascem da incapacidade de indivíduos concretos suportarem experiências humanas elementares como abandono, rejeição, luto e solidão.
A impressão que tive ao me deparar com a obra foi, depois de uma enxurrada de ideias, a de voltar a ficar sem respostas, com a impressão de quê? Um vazio. Um vazio enorme e imenso que me traz angústia e uma fadiga horrendas, mas que não sei como preencher.
Um vazio.
Outra vez.
O retorno da palavra não precisa ser eliminado. Pelo contrário: é precisamente pela repetição que o vazio deixa de funcionar apenas como conceito e começa a comportar-se como motivo.
É assim também nos episódios finais de Evangelion. A pergunta retorna até desgastar as respostas automáticas. “Quem sou eu?” “O que sou?” “Onde estou?” Repetir não é necessariamente permanecer parado. Na música, o mesmo tema pode reaparecer depois de atravessar harmonias diferentes e já não significar exatamente aquilo que significava na primeira exposição. O mesmo deve acontecer aqui.
Lamentavelmente, pelo que pude observar das pessoas à minha volta, a maioria também sente esse vazio, outras o ignoram, e outras, por sua vez, costumam preenchê-lo de qualquer forma, recorrendo às vezes a maneiras desesperadas e autodestrutivas de suportá-lo.
Mas a passagem da minha experiência particular para “as pessoas à minha volta” introduz um problema metodológico que vale conservar em vez de esconder. Quanto posso inferir da interioridade alheia? Se o outro já é justamente aquilo a que não possuo acesso direto, não posso tomar seu comportamento como transparência imediata de sua consciência.
Aqui a perspectiva que quero trazer de Olavo de Carvalho pode cumprir uma função importante: devolver prioridade metodológica à experiência efetivamente vivida pela consciência individual. Há coisas que sei porque as experimento em primeira pessoa; há coisas que apenas interpreto no comportamento dos outros. Misturar esses dois níveis produz falsas certezas.
Isso não significa que devamos ficar presos numa bolha subjetiva. Significa apenas reconhecer a diferença entre testemunhar minha própria experiência e formular uma hipótese sobre a experiência de outra consciência.
Eu me interpreto.
Você me interpreta.
Eu imagino como você me interpreta.
Depois ajo em resposta à imagem que imagino existir na sua consciência.
E você faz o mesmo.
No episódio 25 somos apresentados a esse dilema do relacionamento e da comunicação, aliás, não admira que a comunicação humana tenha adquirido fama tão medíocre. Por isso caímos no vazio.
Mas penso que esse vazio deva fazer parte da minha existência. Devo aceitá-lo. Sim, admito que devo também continuar a buscar a resposta para esse vazio, mas que isso não me leve à loucura.
Não “preencher o vazio”.
Não “eliminar o vazio”.
Aceitá-lo.
Mas aceitar não significa resignar-se passivamente. Significa admitir a possibilidade de que aquilo que experimentamos como falta não seja simplesmente defeito acidental a ser corrigido.
Schopenhauer desconfiaria de qualquer promessa de satisfação definitiva enquanto permanecemos submetidos ao querer. Freud lembraria que a vida psíquica jamais se deixa reduzir integralmente à consciência. Lacan faria da falta algo ainda mais radical na constituição do desejo. Kierkegaard recusaria tanto a fuga de si quanto a fantasia de fabricar autonomamente um eu completo. Talvez todos ordenassem a internação de Gendo Ikari.
Por caminhos diferentes, todos perturbam a mesma esperança: talvez não exista um estado em que finalmente possamos declarar terminada a tarefa de ser.
E então a Instrumentalidade reaparece.
Porque ela oferece justamente aquilo que esta reflexão começa a suspeitar ser impossível ou indesejável: uma solução definitiva para a separação Se o vazio decorre das fronteiras entre os indivíduos, basta eliminar as fronteiras. Se sofremos porque não conseguimos entrar na consciência do outro, basta abolir o outro enquanto exterioridade. Se minha identidade depende de uma diferença entre “eu” e “você”, basta dissolver essa diferença.
Mas então surge novamente a pergunta que acompanha nossa investigação: o que exatamente estamos salvando quando, para eliminar o sofrimento do eu, eliminamos as condições que tornam possível a existência desse eu?
Talvez seja por isso que “examinar o núcleo” seja necessário, mas não para encontrar uma essência imaculada escondida atrás de todas as influências externas.
O exame pode produzir resultado justamente porque encontra contradição.
Eu quero o outro.
Eu temo o outro.
Eu preciso ser reconhecido.
Eu não quero ser reduzido ao reconhecimento alheio.
Eu desejo aproximar-me.
Eu desejo conservar minhas fronteiras.
Eu quero deixar de sentir o vazio.
Eu não sei quem seria se ele desaparecesse.
Talvez o problema não esteja em descobrir qual dessas afirmações é a verdadeira e eliminar as demais.
Talvez o sujeito apareça justamente na tensão entre elas.
E se for assim, a fragmentação que antes me parecia apenas deficiência talvez seja também ponto de partida.
Não porque todo conflito interior seja bom.
Não porque todo sofrimento deva ser romantizado.
Mas porque uma consciência viva não é uma peça perfeitamente lisa. Ela é relação, memória, desejo, linguagem, corpo, medo, reconhecimento, resistência. Examinar o núcleo talvez revele, para enorme inconveniência de nossa sede de simplicidade, que não existe núcleo sem relações.
E então a pergunta “o que sou?” pode não terminar numa definição, mas numa longa tarefa. Ou, para manter o motivo que Evangelion repete até quase nos exaurir:
O que sou? O que sou para mim? O que sou para os outros? O que permaneço sendo quando as representações entram em conflito? E quanto de mim desapareceria se, um dia, todas essas diferenças finalmente fossem abolidas?

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