quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Ao que honra a Beleza

Inspirado em Inn Jakkrasin Atsavatanachai,
ator e modelo tailandês. De excepcional beleza.

A primeira visão que tive
não foi da carne somente:
era estátua que respira,
era chama permanente.
Rosto não feito de névoa,
mas de herói antigo e ardente.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

Branco e rosado na aurora,
como mármore que sente,
corre sangue sob a pedra
com fulgor adolescente.
Na fronte pousa a vitória
como ouro resplandecente.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

Seus cabelos, copa erguida
contra o vento e contra o tempo;
suas faces, bálsamo e mirra
num jardim em movimento.
Nos lábios traz uma rosa
em sinal de juramento.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

Os ombros são duas colunas
onde a guerra fez morada;
mas jamais manchou a pele
que parece ser talhada
na oficina dos deuses
com a luz da madrugada.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

O arco firme dos seus flancos
guarda a força e a clemência;
nos braços mora o triunfo
sem perder a inocência.
É aço puro e primavera
na mesma transparência.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

O peito sorri, e cega.
O riso é lâmina e flor.
O olhar desce em chama lenta
no arco vivo do ardor.
No giro oclto dos flancos
há um fruto por romper.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

Nunca houve lâmina ou lança
que o fizesse menos claro;
se combate, é como Aquiles,
se ama, é templo raro.
Príncipe entre os semelhantes,
nobre mesmo em desamparo.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

Mas seu feito mais temido
não foi campo ensanguentado,
nem muralha derrubada,
nem estandarte fincado:
foi abrir-me o peito obscuro
e ensinar-me a ser amado.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

E se um dia a corte cesse
e as trombetas se calarem,
ainda assim seu nome ecoa
onde meus pulsos falarem;
pois meu herói reina inteiro
onde meus olhos pousarem.

Que é o meu amado mais que os outros?
é aquele cujo corpo honra a própria Beleza.

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