I. Soneto
Não sei se posso dar-lhe o nome, enfim,de alegria, ou de qualquer conforto;talvez um sonho, quase já absorto,que insiste ainda em respirar em mim.Não foi esperança. Não chegou assim,qual ave abrindo os céus de um rumo morto;foi só um breve alívio, um portoque o mar logo apagou dentro de mim.Nem houve riso. Nem palavra inteira.Mal se tocou o instante e já passava,qual luz tardia à beira da fogueira.E eu mesmo, antes que forma alguma dava,torcia o frágil caule da quimera,matando o que talvez sequer brotava.

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