quinta-feira, 4 de junho de 2026

Antes de qualquer coisa III

III. Verso livre

Não sei se era alegria.

Talvez chamar-lhe alegria
fosse já exagerar o seu tamanho.

Era apenas qualquer coisa
que interrompeu por um momento
o lento funcionamento da tristeza.

Não uma esperança.
Nem sequer a sua promessa.

Apenas a recordação
de que ainda existe em mim
alguma parte sonhadora
que se recusa a morrer.

Não sorri.
Não houve conversa.
Não houve nada
que pudesse sustentar uma expectativa.

E no entanto,
durante um instante,
alguma coisa despertou.

Talvez tenha sido um consolo.
Talvez apenas um engano.
Ou talvez eu tenha sufocado,
mais uma vez,
uma esperança ainda sem rosto.

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