quarta-feira, 24 de junho de 2026

Noite ilustrada

Noite de tristeza fabricada. Ou acompanhada. Ou ilustrada. Na ausência do outro, do seu calor no primeiro dia do inverno, fico com o amor e o carinho das histórias de amor do outro lado do mundo. Quando, ao chegar a primavera, as flores finalmente voltaram a abrir-se ao amor depois de tantos anos. A separação do longo inverno deu lugar ao calor e às cores de um novo tempo.

Existe uma honestidade confortável nas histórias. Elas não prometem responder mensagens. Não cancelam encontros. Não desaparecem depois de alguns meses dizendo que precisam "se encontrar". Terminam quando o roteirista decide e, por mais cruel que seja o final, ao menos tiveram a decência de avisar que era ficção. Nem sempre avisam.

Fico feliz com algumas notícias, por exemplo: os atores TeeTee e Por acabaram de anunciar que o nome do seu fandom será VAVA, que significa "estrelas", já que a gente costuma associá-los com as imagens do sol e da lua, então nós ajudaríamos a compor o céu dessa história. Sim, isso me fez feliz. Assim como ficar revendo as apresentações do Perses, com o Pluggy rebolando pro Palm e o Jung. Ou ainda tantos outros exemplos, como o conteúdo dos dois novos ships TopTapMin, de Payback, e InnOngsa, de Edge of Horizon. A beleza deles me faz flutuar.

Talvez seja uma felicidade ridícula. Mas as melhores costumam ser. Enquanto isso, o mundo adulto continua produzindo planilhas, boletos, reuniões e relacionamentos que terminam por mensagens compostas com a criatividade de um aviso de vencimento bancário.

Fugaz, eu sei, mas é infinitamente melhor que as pessoas que me mandam mensagem: "pode nos ajudar?" ou áudios de mais de um minuto que eu nem sei se vou ouvir. Dormi ontem o dia todo e hoje deve ser igual. Aproveitar o frescor dos primeiros dias do inverno. Dormir. Acordar mais tarde, hoje tem o último episódio de Magic Move, a história foi média mas os protagonistas são lindos, valeu, vou acordar pra isso e nada mais.

Há quem acorde cedo para perseguir grandes sonhos. Eu acordo para assistir homens bonitos se apaixonando em idiomas que mal compreendo. E, sinceramente, nada vai me convencer de que a primeira opção seja mais sensata.

Fiquei feliz ao ver um antigo colega se assumir. Temos a mesma idade, mas só agora ele conseguiu dizer isso em voz alta, e as palavras embargadas pelo choro me mostram o quanto deve ter sido difícil para ele. O medo da rejeição, as pessoas que se distanciaram. Mas, ao mesmo tempo, suas palavras continham um suspiro de alívio. A figura dele naquele vídeo era mais leve, ele estava se livrando de amarras. Fiquei feliz.

Algumas pessoas passam metade da vida tentando sair de uma prisão construída por expectativas alheias. Quando finalmente escapam, descobrem que o mundo continua sendo o mundo. Mas ao menos a cela ficou para trás.

Imagino como deve ter sido o processo de aceitação dele. Quem finalmente o conquistou e lhe deu a segurança para fazer o que ele fez... É, ele foi corajoso, e espero que possa amar, que ainda exista amor para ele.

Talvez ainda exista mesmo. O amor tem um hábito irritante de reaparecer onde jurávamos ter visto apenas ruínas. Como ervas daninhas brotando entre rachaduras de concreto. Uma insistência quase ofensiva. Irritante. Já faz algum tempo que não bebo, porque não interage bem com as medicações (ignore o fato de eu ser viciado em tomar quatro vezes mais remédio do que foi prescrito), mas acho que hoje seria uma boa noite pra um porre daqueles.

Aqui eu, por outro lado, demonstro sinais claros do cansaço e da descrença total no amor. Meus olhos não brilham com nenhuma emoção, apenas aquelas fabricadas, assistidas. Não tenho tempo nem paciência para joguinhos de desinteresse ou, o que é ainda mais provável, desinteresse mesmo. As mensagens não respondidas são isso mesmo.

Não existe mistério escondido atrás delas. Nenhum romance epistolar interrompido pelo destino. Nenhuma paixão secreta esperando o momento certo. Às vezes uma mensagem não respondida é apenas uma mensagem não respondida. A humanidade adora transformar silêncio em narrativa porque a alternativa é admitir que quase ninguém está pensando em nós tanto quanto imaginamos.

E talvez seja isso que o inverno ensine melhor do que qualquer estação: as árvores não fingem flores quando não possuem flores. Permanecem nuas. Esperam. Sem discursos motivacionais. Sem promessas. Apenas atravessam o frio.

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