quarta-feira, 23 de setembro de 2026

História Crítica dos BLs Tailandeses I - Introdução

Para quem cresceu entre os anos 1990 e 2000 procurando no cinema e na televisão alguma representação da fluidez da sexualidade humana, o caminho costumava ser estreito. As obras existiam, e em número maior do que às vezes a memória posterior faz supor, mas quase sempre era preciso procurá-las em lugares pouco acessíveis. O cinema independente norte-americano, parte expressiva da produção francesa e aquilo que, por conveniência ou preguiça classificatória, ainda se costuma chamar de “cinema de arte” constituíam alguns dos poucos espaços em que certas experiências afetivas podiam ser vistas com alguma profundidade.

O problema estava também na circulação. Muitas dessas produções permaneciam confinadas a festivais, mostras especializadas, pequenas salas, videolocadoras mais aventureiras ou cópias que passavam de mão em mão. Antes do streaming transformar quase tudo em disponibilidade imediata, assistir a determinado filme podia exigir uma pequena arqueologia: descobrir que ele existia, encontrar quem o distribuía, localizar uma cópia, torcer por uma legenda aceitável. Para muita gente, reconhecer-se numa tela dependia primeiro de conseguir chegar até ela.

Algumas obras atravessaram essas barreiras e alcançaram públicos muito maiores. Priscilla, a Rainha do Deserto tornou-se uma referência popular; O Segredo de Brokeback Mountain (2005) recebeu consagração crítica e ampla circulação internacional; Orações para Bobby (2009) marcou profundamente uma geração de espectadores. A elas se somavam inúmeros curtas-metragens, personagens de séries, produções independentes e filmes que encontravam no circuito alternativo uma sobrevivência possível.

Seu valor permanece imenso. Ainda assim, entre espectadores que buscavam nessas histórias algo semelhante à própria experiência, repetia-se um incômodo que aparecia com frequência nas comunidades e fóruns online daquele período: o amor não heterossexual parecia condenado a pagar pela própria existência.

Havia quase sempre uma perda à espera.

A rejeição familiar, a violência, a solidão, a doença, a separação ou a morte surgiam tantas vezes como horizonte narrativo que o sofrimento parecia ter se tornado parte da gramática dessas histórias. Mesmo quando belas, sensíveis ou necessárias, muitas delas encerravam seus personagens dentro de uma espécie de fatalidade. O amor podia existir, mas frequentemente apenas por algum tempo, como se tivesse recebido da narrativa uma licença provisória.

Esse repertório tinha consequências distintas para quem assistia. Para parte do público LGBTQ+, podia reforçar a sensação de que sua vida afetiva carregava inevitavelmente um preço maior. Para quem observava essas experiências de fora, algumas narrativas acabavam confirmando, ainda que involuntariamente, a velha ideia de impossibilidade. O romance heterossexual podia terminar em casamento, reconciliação, filhos ou simplesmente numa vida comum. O amor entre duas pessoas do mesmo sexo parecia precisar justificar-se por meio da dor.

É nesse horizonte que o audiovisual asiático começa a adquirir particular importância.

O Japão já possuía, muito antes desse momento, uma longa tradição de mangás ligados ao que posteriormente seria internacionalmente reconhecido sob categorias como yaoi e Boys’ Love. Algumas dessas obras receberam adaptações animadas e circularam fora do país, mas o acesso ainda era dificultado pela língua, pelas formas de publicação e pelo próprio caráter restrito dos públicos aos quais inicialmente se destinavam. Para o espectador ocidental, esse universo chegava de maneira fragmentada, frequentemente por traduções de fãs, fóruns especializados, scans, fansubs e comunidades que funcionavam como pontes improvisadas entre mundos culturais muito distantes.

A Tailândia beberia dessa fonte, mas não se limitaria a reproduzi-la. Ao longo dos anos seguintes, desenvolveria uma linguagem própria, associando romances Y, televisão juvenil, cultura de fandom, música, atores transformados em duplas promocionais e uma indústria audiovisual cada vez mais consciente do público que se formava ao seu redor. Aos poucos, essas produções começaram a atravessar fronteiras geográficas com uma facilidade que seus antecessores dificilmente poderiam imaginar.

Para muitos espectadores estrangeiros, algo aparentemente simples adquiriu uma força inesperada: começaram a surgir histórias em que dois rapazes podiam se apaixonar e continuar vivos depois dos créditos.

Podiam ser adolescentes confusos, universitários insuportáveis, médicos, cozinheiros, músicos, policiais, empresários, fantasmas ou pessoas perdidas entre duas vidas. Podiam sofrer, fracassar, trair, reconciliar-se ou terminar separados. A diferença estava na ampliação das possibilidades. A tragédia já não precisava constituir o destino natural do amor representado. O relacionamento podia ser tratado também como comédia, cotidiano, melodrama, fantasia, desejo, aventura ou simplesmente romance.

É a partir dessa transformação que nasce o objeto deste estudo.

Olavo de Carvalho insistiu, em diferentes momentos de sua reflexão sobre o imaginário e sobre os modos do discurso, na importância de formar a imaginação antes de exigir dela julgamentos adequados sobre a realidade. Ele trabalha com a literatura como o alimento para a formação da personalidade. Mas, em que ponto a variedade dos BLs pode contribuir com essa formação?

Para ele existe uma a relação que lhe parece fundamental entre cultura e personalidade. O estudo da a história cultural das nações europeias (refere-se a elas por serem as que ele melhor conhece, afirma), revela que a alta cultura dessas nações é feita inteiramente por pessoas que tiveram aquilo que podemos chamar experiências radicais ou experiências abissais. São pessoas que conheceram a vida nos seus aspectos mais extremos: a morte, a confrontação com céu e inferno, todo o problema do destino humano post mortem, a fraqueza, a fragilidade e a total impotência do ser humano perante o destino, e elas experimentaram isso com muita profundidade e muita intensidade.

Você não vai encontrar uma única grande cultura que tenha sido feita com experiências superficiais ou imitativas, ao contrário. É justamente essa originalidade (ou originariedade) ou autenticidade das experiências que são registradas em obras como, por exemplo, A Divina Comédia, as peças de Shakespeare, as obras de Goethe e assim por diante. O material que existe ali é a experiência humana tomada sempre em seu sentido mais extremo, mais radical, mais perigoso e mais atemorizante.

A literatura, entendida aqui no sentido mais amplo que interessa a esta reflexão, incluindo narrativa, drama, poesia, cinema e outras formas artísticas, expande o campo das possibilidades humanas que uma consciência consegue conceber.

Uma única vida é pequena. Por mais longa que seja, não podemos ocupar todas as posições. Não podemos ser simultaneamente pai e filho, abandonador e abandonado, covarde e herói, assassino e vítima, adolescente e velho, rei e mendigo, santo e criminoso. Não podemos viver todas as escolhas para descobrir o que elas significariam. A imaginação oferece uma aproximação. Não substitui a experiência, mas amplia-a. Nos torna participantes da possibilidade!

Quando acompanhamos uma história, permitimos provisoriamente que outra estrutura de possibilidades entre em nossa consciência. Experimentamos motivos que talvez nunca tenham sido nossos e consideramos decisões que talvez jamais precisemos tomar. Reconhecemos paixões das quais nos julgávamos incapazes. Descobrimos que uma atitude que parecia absurda vista de fora pode possuir uma lógica devastadoramente clara quando observada de dentro.

O propósito das páginas seguintes é acompanhar, ao longo de aproximadamente doze anos, algumas das obras, pessoas e mudanças que transformaram o BL tailandês num universo cultural reconhecível. O percurso parte das primeiras experiências que ajudaram a estabelecer sua linguagem, atravessa sucessos extraordinários, fracassos comerciais, experiências estéticas, fórmulas repetidas até a exaustão, disputas de produção, mudanças de elenco, transformações do fandom e tentativas de ampliar os limites do próprio gênero.

Uma história como essa dificilmente pode ser contada por meio de uma simples sucessão de títulos e sinopses. Cada produção surge dentro de condições específicas e carrega consigo algo do que veio antes. Algumas obras abrem caminhos; outras percorrem estradas já conhecidas. Algumas transformam profundamente aquilo que o público espera de um BL; outras registram, quase involuntariamente, os limites de determinada época. Há séries lembradas pela excelência e outras cuja importância histórica excede em muito suas qualidades artísticas. Mesmo os fracassos dizem alguma coisa, porque também eles revelam desejos, apostas, excessos e equívocos de uma indústria em formação.

Esse movimento será central ao longo do estudo. As obras serão observadas como partes de uma história em que estética, mercado e recepção se influenciam continuamente. Uma série pode alterar a maneira como os casais são promovidos; outra pode demonstrar que determinado gênero narrativo também comporta um romance BL; uma terceira talvez tenha importância principalmente por consolidar um ator, uma produtora, um diretor ou uma forma de distribuição. Às vezes, o que permanece de uma obra não é exatamente sua história, mas aquilo que ela ensinou à indústria.

O recorte adotado situa-se aproximadamente entre 2014 e 2024. As duas extremidades possuem um caráter deliberadamente simbólico. Love Sick: The Series, lançada em 2014, tornou-se um dos grandes marcos da formação do BL televisivo tailandês contemporâneo. Mais de uma década depois, o retorno de obras daquela primeira geração por meio de novas versões e projetos comemorativos, entre eles Love Sick, ofereceu uma ocasião rara: pela primeira vez, aquela indústria podia olhar para trás e reconhecer a existência de um passado próprio.

Dez anos talvez sejam pouco tempo para uma tradição artística. Para uma indústria tão jovem, porém, significam quase uma genealogia inteira.

Nesse intervalo, atores que começaram quase desconhecidos transformaram-se em estrelas internacionais; outros atravessaram diferentes gerações do BL e continuam ativos; alguns migraram para o cinema, para a música, para a televisão convencional ou para a moda. Há também aqueles que simplesmente desapareceram das telas e construíram outras vidas. Diretores amadureceram, produtoras nasceram e desapareceram, plataformas foram substituídas, casais promocionais tornaram-se marcas, fandoms atravessaram oceanos e pequenas séries universitárias começaram a lotar teatros e arenas muito longe de Bangkok.

Esse retorno das primeiras obras produz uma espécie de dobra no tempo. Os atores que hoje refazem histórias de 2014 ou 2016 encontram um gênero que já possui convenções, memória, mercado e uma audiência capaz de reconhecer referências às quais os próprios pioneiros ainda não podiam recorrer. O BL começa, assim, a experimentar algo que toda tradição artística eventualmente encontra: a consciência da própria história.

A dimensão econômica e diplomática acompanha essa transformação. A indústria Y tornou-se uma das expressões mais visíveis do poder cultural tailandês no exterior, movimentando cifras expressivas por meio de publicidade, eventos, turismo, música, moda, plataformas digitais e produtos licenciados. Seus atores passaram a ocupar circuitos internacionais antes distantes desse universo, aparecendo em semanas de moda, campanhas de grandes marcas, festivais de cinema e eventos realizados em diferentes continentes. Ao mesmo tempo, a expansão tailandesa ajudou a fortalecer e internacionalizar produções semelhantes em outros países asiáticos, estabelecendo diálogos, competições e influências que continuam se transformando enquanto este estudo é escrito.

Essa última circunstância impõe uma limitação inevitável e, talvez, apropriada. Não existe um ponto final definitivo para esta história. Enquanto estas páginas são escritas, novas séries são anunciadas, outras chegam ao último episódio, atores formam novos pares, antigas duplas se reencontram e convenções que pareciam sólidas começam a mudar outra vez. O recorte cronológico adotado oferece uma moldura, não uma conclusão.

O objetivo deste estudo será, portanto, registrar esse percurso enquanto ainda é possível ouvir muitas das vozes que o construíram; organizar uma memória que permanece dispersa entre entrevistas, plataformas, comunidades de fãs e lembranças pessoais; e propor uma leitura das transformações que fizeram de um pequeno conjunto de romances juvenis uma das expressões mais particulares da cultura audiovisual tailandesa contemporânea.

Há também um desejo mais simples por trás dessas páginas.

Durante muito tempo, essas histórias sobreviveram principalmente na memória daqueles que as assistiram. Quem esteve presente lembra das expectativas antes de uma estreia, das legendas improvisadas, dos fóruns, dos casais que pareciam enormes e depois desapareceram, das séries que todos comentavam e hoje quase ninguém menciona. A memória do espectador preserva coisas que os arquivos oficiais raramente registram, mas também é frágil: confunde datas, perde detalhes, apaga fracassos, transforma sucessos em mitos.

Uma indústria também é feita daquilo que quase foi esquecido. Registrar essa trajetória significa tentar salvar alguma coisa antes que o tempo faça o que sempre faz com as pequenas histórias culturais: deixe apenas alguns nomes iluminados e apague todo o resto ao redor.

Nota sobre os termos

Este estudo utiliza Boys’ Love, ou simplesmente BL, como denominação geral para uma tradição narrativa e industrial centrada em relações afetivas e românticas entre personagens masculinos. Embora o termo possua uma genealogia ligada ao desenvolvimento do Boys’ Love japonês e às tradições que anteriormente circularam sob denominações como yaoi, seu emprego contemporâneo ultrapassa amplamente esse contexto de origem. Ao longo das últimas décadas, diferentes mercados asiáticos incorporaram, transformaram e nacionalizaram essa tradição, atribuindo-lhe formas próprias de produção, circulação e recepção. É nesse sentido mais amplo que a expressão será utilizada aqui, sobretudo quando se tratar da identificação internacional do gênero e de sua indústria.

Isso não significa, contudo, que BL será empregado como sinônimo de toda representação de relações homoafetivas masculinas. Uma obra pode apresentar personagens gays ou relações entre homens sem pertencer à tradição estética e industrial do BL; do mesmo modo, uma produção identificada como BL pode se relacionar apenas parcialmente com questões de identidade sexual tal como seriam formuladas em um drama LGBTQ+ ou em uma obra de perspectiva explicitamente queer. Essa distinção será particularmente importante ao tratar das produções que antecederam a consolidação do gênero na Tailândia e das obras que, posteriormente, passaram a ocupar suas zonas de fronteira.

No contexto tailandês, aparecerá com frequência também o termo Y. Derivado historicamente da circulação de yaoi e incorporado ao vocabulário local, o termo tornou-se corrente na designação de romances, séries, atores, públicos e práticas ligadas a esse universo cultural. Expressões como série Y, novel Y ou ator Y fazem parte da própria linguagem com que essa indústria passou a reconhecer e organizar suas atividades. Neste estudo, portanto, BL será utilizado preferencialmente como categoria de circulação internacional e como denominação geral do objeto, enquanto Y aparecerá sobretudo quando a terminologia própria do contexto tailandês for historicamente significativa. Os dois termos poderão eventualmente se sobrepor, sem que essa sobreposição implique identidade absoluta entre seus usos.

O termo queer será empregado em sentido mais amplo e distinto. Ele poderá designar obras, personagens, experiências ou perspectivas relacionadas à sexualidade e ao gênero que não se enquadrem necessariamente na lógica específica do BL. Seu uso neste trabalho não pressupõe que toda produção BL seja, por definição, queer, nem que toda obra queer deva ser incorporada ao campo do BL. Essa distinção permite reconhecer tanto os pontos de contato quanto as tensões entre uma indústria construída em torno do romance masculino e outras formas de representação LGBTQ+, particularmente aquelas interessadas de maneira mais direta em identidade, marginalização, família, sexualidade, conflito social ou experiências que escapam às convenções românticas do gênero.

Outro termo recorrente será fandom. Mais do que o simples conjunto de admiradores de determinada obra ou artista, o fandom será compreendido aqui como uma comunidade participativa capaz de interferir na circulação, recepção e, em alguns casos, no próprio valor econômico dos produtos culturais que acompanha. No desenvolvimento da indústria BL tailandesa, os fãs não atuaram apenas como espectadores: produziram traduções, legendas, arquivos, interpretações, campanhas, registros, eventos, comunidades virtuais e formas específicas de consumo. Em determinados momentos, contribuíram diretamente para prolongar a vida comercial de personagens e atores muito além da duração original das séries.

Relacionada a essa dinâmica encontra-se a noção de ship, termo derivado de relationship e utilizado para indicar o desejo ou apoio do público à formação de determinado par. No caso do BL tailandês, é necessário distinguir o casal ficcional da dupla de atores que o interpreta. Um relacionamento entre personagens pertence à narrativa; o ship pode ultrapassá-la e projetar-se sobre seus intérpretes, que passam a ser acompanhados e promovidos conjuntamente fora da obra. Assim, um casal como Korn e Knock constitui uma relação ficcional, enquanto Max e Tul formaram, em outro plano, uma dupla reconhecida e acompanhada pelo fandom. Essa distinção será indispensável para compreender o desenvolvimento posterior da indústria.

A abreviação CP, derivada de couple, aparece com frequência em comunidades internacionais e asiáticas para identificar essas duplas de atores ou personagens associadas pelo público. Embora o termo seja importante para compreender documentos, entrevistas, materiais promocionais e discussões de fandom, seu uso neste estudo será mais restrito. Sempre que possível, serão preferidas expressões em português como casal, quando se tratar de personagens, e dupla ou par promocional, quando estiverem em questão os atores. Nesse estudo o termo ship terá prioridade por estar mais próximo da comunidade do autor, mas couple pode aparecer como sinônimo por motivos puramente estilísticos. 

Também será utilizado o termo fanservice, especialmente quando se tratar da promoção pública das duplas. No contexto do BL, ele pode compreender entrevistas, brincadeiras, gestos de intimidade, aparições conjuntas, eventos, conteúdos de bastidores e outras formas de interação capazes de prolongar, fora da narrativa, parte da relação construída em cena. O fanservice não deve ser entendido como uma prática uniforme ou imutável: suas formas, seus limites e sua importância comercial se alteraram significativamente à medida que a própria indústria se profissionalizou.

Uma prática relacionada, posteriormente cada vez mais visível, é a formação das chamadas fixed pairings, ou duplas fixas, parceiros fixos ou ainda, ship fixos. Trata-se de atores repetidamente promovidos, escalados ou apresentados em conjunto ao longo de diferentes produções e atividades promocionais. A existência dessas duplas indica um estágio em que o vínculo comercial entre dois intérpretes pode adquirir relativa autonomia em relação aos personagens originalmente responsáveis por sua popularidade. O conceito será particularmente útil na análise das fases mais consolidadas da indústria, embora suas origens possam ser observadas muito antes de sua institucionalização.

A expressão novel Y será utilizada para os romances, frequentemente publicados inicialmente em plataformas digitais, que pertencem ao universo literário associado ao gênero e que constituíram uma das principais fontes de adaptação para a televisão tailandesa. Essas obras não serão tratadas apenas como matéria-prima das séries, pois autores, comunidades de leitores e universos ficcionais compartilhados tiveram papel importante na constituição da indústria.

Por fim, algumas expressões correntes no fandom, como NC scene, poderão aparecer quando necessárias à análise de fontes ou de determinadas práticas de produção e recepção. Nesse caso, o termo designa cenas de conteúdo sexual ou de intimidade mais explícita, ainda que seu significado e grau de explicitude possam variar consideravelmente de uma produção para outra.

Os termos apresentados nesta nota não serão tratados como categorias fixas, universais ou atemporais. Seu significado, seu uso e sua importância também possuem história. Algumas expressões surgem, desaparecem ou mudam de sentido à medida que o próprio BL tailandês se transforma. Sempre que necessário, portanto, estas definições serão retomadas e ampliadas ao longo do estudo. Compreender a linguagem pela qual uma indústria, seus artistas e seus públicos passaram a nomear suas práticas é também uma maneira de compreender o momento em que essas práticas se tornaram reconhecíveis como parte de um sistema cultural próprio.

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