segunda-feira, 31 de julho de 2017

Castelinho

Já parou pra pensar que as coisas acabam? Parece que tudo tem um prazo de validade, uma hora pra acabar, uma season finale, um ponto final...

Leonardo DiCaprio já não é mais tão bonito quanto era 10 anos atrás. É apenas um cara normal agora, e olha que ele já foi gato. Isso deve acontecer comigo também, com a diferença é que nunca fui um gato, e nem sequer normal, portanto seguindo a escala atômica da desgraça eu nem quero imaginar como estarei em alguns anos.

Até os prédios, sólidos e grandiosos mostram em si o peso do tempo em suas estruturas. Por mais robusta que seja uma construção ela uma hora vai começar a dar sinais de sofrer com as intempéries do tempo. Se isso acontece com os prédios, de aço e concreto, o que será de nós, pedaços de uma carne fraca e uma mente mais fraca ainda?

Tudo na nossa vida também passa, acaba, termina. Nossas amizades esfriam, e chegamos ao ponto de ignorar a pessoa que um dia chorou em nosso ombro, ao cruzarmos na fila da loja de conveniências do posto de gasolina. Digo, se os laços que dizemos ter uns com os outros são assim tão verdadeiros porque eles acabam, se desgastam a ponto de nem sequer ser mais possível reatá-los?

Penso então que talvez não existam laços verdadeiros, mas que o máximo que podemos viver é apenas um traço temporário, um badalar de sinos no relógio da eternidade, isso quando muito. Tenho observado que na verdade nada do que temos é realmente forte, concreto, mas apenas uma ilusão que criamos para que não tenhamos a impressão de estarmos flutuando no mundo sem nada de realmente concreto para nos agarrar, para nos amparar.

Desse ponto de vista tudo aquilo que envolve as relações humanas é como um castelinho na areia, tão frágil e passageiro que até a menor das ondas o destrói completamente, deixando a impressão de que  o castelinho sequer tenha existido ali um dia. Simples assim, efêmero assim!

domingo, 30 de julho de 2017

Irracional

Sei que deveria considerar com racionalidade a situação
Sei que não deveria me preocupar
Sei que não deveria pensar demais nisso
Sei que não poderia nem sequer começar a surta por isso

Mas antes mesmo de considerar com racionalidade a situação
Eu já estava me preocupando demais
Eu já estava pensando demais
Eu já tinha surtado demais

Deveríamos nos preocupar apenas com coisas realmente importantes
Mas a verdade é que nos preocupamos com aquilo que tornamos importantes
Sejam importantes de fato ou não
Sejamos importantes para elas ou não

Minha preocupação se tornou um estranho misto de medo e paixão
Com ciúmes e a certeza da traição
Mas uma traição que não seria traição
Senão apenas em minha própria doente concepção

Minha preocupação não á racional
Não é fundada num perigo real
Mas é apenas um medo surreal de ser largado e por ele esquecido
Mal percebo eu que nada que eu faça pode impedir essa previsão

Meu abandono é uma realidade imutável
Bem como meu esquecimento total
Por parte daqueles que amo
E por parte daqueles que dizem me amar

Na verdade minha preocupação não é racional
Mas é fruto de uma mente perturbada
Que em sua própria distorção e concepção
Concebeu um grande medo irracional

Me desculpe por me preocupar
Me desculpe por pensar
Me desculpe por surtar

Tolo irracional
Tolo irracional
Tolo irracional
Tolo irracional

Se preocupa com o que não deve se preocupar
Se preocupa com quem não deve se preocupar
Pensa demais no que não deve pensar
Pensa demais em quem não deve pensar

Surta por coisas que não devia surtar
Surta por pessoas que não devia surtar
Isso porque não consegue ser racional
Tudo o que é é um grande tolo irracional

Enquanto se preocupa eles dormem
Enquanto se preocupa eles sorriem
Enquanto se preocupa eles vivem
Enquanto se preocupa eles se ocupam

Enquanto pensa eles dormem
Enquanto pensa eles sorriem
Enquanto pensa eles vivem
Enquanto pensa eles se ocupam

Enquanto surta eles dormem
Enquanto surta eles sorriem
Enquanto surta eles vivem
Enquanto surta eles se ocupam

Enquanto se preocupa eles nem ligam para você!
Enquanto se afoga eles nem ligam para você!
Enquanto morre eles nem ligam para você!
Enquanto se mata eles nem ligam para você!

E quando finalmente partir dessa existência
Dessa existência imunda
Patética e preocupada
Eles sorrirão, dormiram e viverão sem sequer lembrar de sua existência!

Em pele humana

.Não me tornei aquilo que um dia jurei destruir
Alguém como eu nunca quis destruir nada e nem ninguém
Mas se o meu eu de antes visse quem sou agora
Certamente teria medo de se aproximar de alguém assim

Isso porque deixei o ódio tomar conta de mim
E a pessoa que antes apenas falava de amor 
No momento só sabe refletir sobre a sua dor
Causada por esse mesmo amor

E o ódio que nasceu dessa dor
Acabou sufocando o próprio amor
E dominou o homem que antes era apenas amor
E o transformou num ímpeto de dor e langor

Vestindo uma pele humana, mas não sendo mais homem
Apenas uma vil criatura das trevas que não sabe amar
Apenas tem forças para odiar
E odiando quer e deseja o fim cruel de todos os homens

Vestindo uma pele humana, mas não sendo mais homem
Sendo amigo dos que desejam sua morte
Desejando a morte dos que são seus amigos
Querendo sempre um não sei quê que ninguém lhe pode dar

Vestindo uma pele humana, mas não sendo mais homem
Se esquecendo do é que ser gente
Aos poucos se entregando aos seus instintos animalescos
E se tornando mais um grande animal grotesco.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Oráculo da morte

Já estamos quase no meio da noite, daqui alguns poucos minutos será um novo dia, e com ele em algum lugar renascerá uma nova esperança e uma nova força de viver. Em algum lugar alguém encontrará seu verdadeiro amor. Em algum lugar alguém passará o resto de suas noites ao lado de seus amigos, contando histórias e sorrindo, sem ver a vida passar, sem ter de se preocupar com nada e nem com ninguém que possa os atrapalhar. Mas isso é algum lugar, não será aqui, e nem tampouco amanhã...

Pois minha mente não funciona com base nas esperanças, e nem renova suas forças de viver com o sol que nasce na aurora. Minha mente apenas acredita em suas próprias invenções e apenas vive conforme lhes obriga essas maquinações. Minha mente não funciona conforme as regras da normalidade, em que as pessoas conseguem ver aquilo que elas de fato precisam ver. Minha mente vê sempre aquilo que não quer ver, prevendo todo e qualquer sofrimento que a vida há de ter para ela. Minha mente apenas vive conforme suas invenções. 

Sei que isso deveria fazer de mim um pessimista, e admito que na maioria das vezes eu realmente vejo as coisas de uma perspectiva um tanto quanto trágica demais, mas de um coisa tenho certeza, minha mente é plenamente capaz de antever as piores tragédias que possam vir a me acontecer, e em se tratando do meu emocional, ou melhor, daqueles que afetam meu emocional, eu quase nunca erro. Isso porque consigo ver tragédias onde as pessoas apenas enxergam simplicidade, e vejo malícia onde as pessoas enxergam pureza. 

Elas não conseguem ver, o quanto vão se machucar, o quanto farão mal umas as outras, e por isso insistem em se aventurar por caminhos que apenas os conduzirão a morte, e uma bem dolorosa. Esse prenúncio da hecatombe que se abaterá sobre mim e sobre aqueles que amo pesa e me esmaga impiedosamente. E impiedosamente uma voz continua a murmurar em meu ouvido, que aqueles que amo me matarão. 

Prevejo meu corpo sendo deixado para apodrecer, meu coração partido pelo fio da espada, e por ter amado, fui condenado a morrer!

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Futuro esquecimento

Mais uma vez sou assolado pelo poderoso sentimento de inutilidade, como se minha existência nesse mundo fosse completa e absolutamente dispensável, trivial. Sei que após minha morte, logo minha passagem por essa terra será apagada do mapa, como a areia da praia que voa para longe e nunca mais retorna a mesma praia. Mas isso deveria de fato me incomodar? 

Acredito que sentir isso tem sido tão doloroso para mim nos últimos dias devido ao fato de desejar ser importante, de querer estar marcado no coração das pessoas da mesma forma como muitas estão marcadas no meu. Assim como algumas pessoas passam pela minha vida, e como os pés nas areias inexploradas da praia, deixam em mim sua marca, e logo partem em direção ao objetivo que cada um tem em suas vidas. Mas minha passagem na vida dos outros é diferente, é como uma vela, que enquanto acesa ilumina, mas tão logo se apaga tem sua luz esquecida por todos quanto a viram acesa. Assim tem sido comigo em todos esses dias e assim creio eu que continuarei vivendo até o fim de meus dias miseráveis: sem nunca realizar nada de importante e sem deixar minha marca no coração de ninguém.

Dias atrás conversava com um amigo e na ocasião disse a ele exatamente isso, que tinha a impressão de estar me sentindo sempre como se minha presença fosse não só dispensável, mas até mesmo incômoda e muitos casos, e que, caso viesse a morrer repentinamente, muitas pessoas longe de se entristecerem se alegrariam com minha partida, isso porque não sou alguém que deixa marcas boas naqueles que se encontram ao meu redor. Longe disso, as marcas que deixo são apenas impressões de tristeza e alucinações sem fim que assustam, irritam e amedrontam aqueles que tenho por importantes em minha vida. Diante disso eu cheguei a essa conclusão. 

Aqueles que mais amo seriam então os primeiro a se alegrarem com minha morte, e os primeiros a me esquecerem também. Seria para ele então depois de algum breve período de tempo apenas uma lembrança distante de algo incômodo que hoje já não incomoda mais. Sou como uma mosca irritante numa tarde quente de domingo, minha presença incomoda, chateia, irrita, e quando se vai não produz satisfação no outro, nem sequer chega a tanto, apenas o deixa com uma vaga lembrança de algo desagradável que não existe mais.

Assim como a areia da praia que disse antes eu desaparecerei desse mundo. As experiências que tive irão para o caixão junto com meu corpo apodrecido, e as pessoas que amei logo se esquecerão do homem que um dia caminhou, ou desejou caminhar, ao seu lado. Simples assim... Grande futuro não é mesmo? 

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Desejos profundos

Como todos os animais nós homens também somos influenciados por nossos impulsos, e até certo ponto eles podem guiar nossas ações. Alguns de nós são mais sensíveis a esses impulsos, a esses instintos, digamos assim, pois perdemos a razão e passamos a ser controlados pela emoção.

Enquanto a razão, isso é, a capacidade de pensar, refletir e concluir, é quem governa o homem, suas ações podem ser contidas, comedidas e controladas, mas a partir do momento em que a emoção é que passa a comandar o homem ele perde o controle, e passa a ser como um animal, que apenas vive em busca de saciar os seus ímpetos.

Quando não seguimos os nossos instintos, sentimos dor, pois nosso corpo grita em protesto de sua necessidade ignorada. Das dificuldades da vida não conheço nenhuma mais dolorosa do que querer algo que não se pode ter. Principalmente em se tratando de uma pessoa que nunca poderemos ter. Por esse motivo meu corpo grita desesperadamente em protesto por seu desejo mais profundo, mais íntimo e ao mesmo tempo mais latente. 

E um desejo quando não atendido tende a crescer no íntimo de nós. E dentro de mim cresce um ímpeto de amor que já se transformou em ímpeto de dor, pois o desejo tão ardentemente que até meus ossos gritam em protesto por ele. Os músculos de minha carne se enrijecem e se contorcem em um oceano luxurioso de hormônios que tendem a me transformar num fera sedenta, sem pudores ou escrúpulos, apenas desejos a serem saciados de forma brutal e sangrenta. 

Meu desejo é o de explorar corpos com meus lábios, de deflorar as matas virgens de corações ainda indecisos, de ser o desbravador de novos sentidos até então desconhecidos, de experiências novas, capazes de abalar as fundações de conceitos e certezas que por terra cairiam depois de minha passagem. Meu desejo é de manchar os belos e doces lábios rosados de um sangue carmim, doloroso, porém fruto de um desejo descontrolado e bestial. Meu desejo é de cortar com uma lâmina fria a pele morena e banhar-me com o sangue virgem de minha vítima. Em suma, meu desejo é o de ser o marco permanente no coração que sem querer marcou minha mente com seu amor.

Mas o meu desejo é também comparável a um filme de terror, onde não há uma realização, apenas uma fruição de decepções ininterruptas que culminam na morte do protagonista infeliz que por mais de uma hora lutou por sua própria vida. E no caso o protagonista sou eu, vítima do roteiro escrito pela minha própria mente distorcida e sem perspectiva de sequência...

Oh, as fantasias provenientes dos desejos são profundas, poderosas, mas também carregam em si a maldição de nunca tornarem-se verdadeiras. As fantasias são doces, luxuriosas, mas ao mesmo tempo venenosas... Revelam dos sonhadores seus desejos e mostram ao mundo que suas faces amigáveis nem sempre correspondem a suas verdadeiras personalidades. Ora, quem diria que por debaixo da máscara gentil existe um monstro tão sedento por sangue quanto os mais voraz dos animais? 

terça-feira, 25 de julho de 2017

(Não é) Um bom dia

Vivendo num daqueles dias em que não gostaria de ter contato com ninguém. Um daqueles em que tudo o que mais queria seria passar o dia no escuro, ouvindo música e ruminando no meu interior a infelicidade da miséria humana. 

Não é um bom dia, é um dia ruim, um daqueles péssimos, que embora nada de ruim tenha acontecido, em que minha mente apenas é capaz de cultivar o ódio e o rancor até mesmo pelo menor dos erros que cometemos. É um daqueles dias que não gostaria de ver ninguém pois fatalmente serei levado a sentir raiva de todos aqueles que cruzarem meu caminho, e fatalmente também é um daqueles dias em que tenho de cruzar com muitas pessoas. 

Impossível para mim colocar uma máscara alegre e contente por sobre a carranca de ódio que agora se observa em meu semblante. Se tivesse uma aura ela estaria negra, como o manto da morte que desejo aqueles que me rodeiam e a mim mesmo desejo. 

Não é um bom dia, e me peguei percebendo que se morresse, mais do que deixar uma ou duas pessoas tristes faria um grandiosíssimo favor a tantas outras, afinal, seria um peso a menos em suas mentes. Ora, não precisariam se preocupar com um viado nojento em seu encalço. O mundo se livraria de uma pessoa desprezivelmente pervertida e uma abominação a menos caminharia pelas estepes e agrestes escarpados dos corações dos homens. Seria um favor que prestaria aos homens se morres hoje, e até acredito que uma festa deveria ser celebrada, para agradecer aos céus a partida de tão asquerosa pessoa. Se é que posso ser considerado uma pessoa. Acredito que "Tendeiro", "Mafarrico" sejam palavras mais adequadas a mim... Que se varrido da superfície da terra faria do mundo um lugar melhor.

As pessoas não precisam de um professor fracassado, que não tem coragem de fazer uma entrevista, e que em seu coração cultiva apenas ódio pelos seus fracassos e desejos torpes para com os jovens moços de boa aparência. Criatura com desejos mais torpes e desprezíveis não há...

X

O ensaio (mais cedo em minha casa) fez com que me sentisse mal. Sei que deveria estar feliz por estar com meus amigos, mas ainda assim me senti mal. Parecia que ali, minha presença era dispensável, como em todos os lugares, e que se eu sumisse não faria falta, pelo contrário, faria um favor aqueles que ficassem. Que diferença faria? Nenhuma!

As belas vozes me encheram a alma, ficaram realmente belas, cada uma delas, e isso me deu um pouco de contentamento. No entanto ainda sentia que se não estivesse ali, continuaria sendo tudo bonito. Não digo isso por querer que me encham a autoestima, mas apenas porque minha presença é realmente trivial demais pra ser considerada.

Me incomoda não ter alguém próximo, realmente próximo, que me entendesse, mas no fundo até quem eu considero próximo tem por mim como uma aberração com forma humana. Até os mais próximos são como se vivessem num mundo diferente do meu.

Sou tolerável apenas pela minha forma, mas não pelo que realmente sou. Sou como um animal grotesco, que as pessoas ficam olhando, mas que têm nojo de tocar... Quem eu realmente sou provoca no outro ânsias de vandalismo. Isso machuca, saber que todos preferiam que eu fosse diferente, que não fosse eu... Por isso minha inquietação em saber que nunca somos realmente próximos de ninguém... Sempre há um limite, uma barreira intransponível que nenhum homem é capaz de quebrar. E quando se vive preso contra essa parede, acabo me vendo num beco sem saída!

segunda-feira, 24 de julho de 2017

A infeliz esperança na felicidade

Não existem mais pessoas no mundo, a esperança na humanidade acabou. Não creio mais na possibilidade da felicidade, agora em meu íntimo apenas aceito que se trata de um conceito abstrato demais, criado pelos homens para justificar seu sofrimento, para dar a ele algum sentido. A felicidade nada mais é então do que uma esperança vazia e infundada que criamos para diminuir o medo da morte que habita em cada um de nós...

No fundo, de perto, não existem pessoas boas. Todos somos desprezivelmente maus, terrivelmente e inconsequentemente perversos. Conquistamos uns aos outros, damos ao próximo um motivo para existir, uma esperança em ser feliz, e no fim de tudo partimos, tirando do coração do homem a única coisa que demos ao seu coração maldito: a infeliz esperança na felicidade.

Acusamos o outro de abandono mas abandonamos os nossos a todo momento. Choramos por não encontrar o amor mas negamos o nosso amor aqueles que mais necessitam dele. Dizemos valorizar as amizades, fazemos juras de carinho eterno e gratidão mas na primeira oportunidade que temos trocamos os nossos amigos por outros que melhor correspondam nossas necessidades naquele momento. 

Não é uma matemática complexa, apenas escolhemos aqueles que mais possam nos oferecer em dados momentos. Quando não precisamos mais, podemos descartar, afinal ninguém é insubstituível, ninguém é importante o tempo todo, ninguém é de fato imprescindível em nossa vida... No fim das contas não passamos todos de pessoas desnecessárias criando nos outros a falsa sensação de serem especiais, e de que juntos alcançaremos a felicidade. Bobagem! Todos morreremos tristes e sozinhos, no fim de tudo, pois somos incapazes de cultivar laços verdadeiramente eternos, já que somos apenas movidos por nossos interesses mais egoístas. Chego então a conclusão que merecemos a infelicidade, merecemos a solidão. No fim apenas recebemos a paga devida ao nosso egoísmo...

domingo, 23 de julho de 2017

Entre os amplexos do amado

Quão feliz uma alma
Que numa visita inesperada
É levada ao céu entre os amplexos de uma alma amada

Vi aquele cuja face há muito já não via
E aquele cujo sorriso há muito não ouvia
Cujo toque há muito não sentia

Quão feliz a mente perturbada
Que num sorriso se desfez em lágrimas
Pelo amor que sentia pela visita inesperada

Senti o abraço que fez sonhar por noites inteiras
E que me deixou desperto por tantas outras
Que tantas vezes fez meu mundo parar

E sem órbita a gravitar
Por mais me fazia desejar
E tanto desejava que por vezes cheguei a chorar

Meu coração largou-se completamente
Encheu-se de júbilo exultante
Abandonado em meio aos amplexos do amado

Quão feliz ficou meu coração
E minha alma em paz cantou
E até minha mente do desespero se acalmou

A visão daquele anjo da cabelos negros em mim se marcou
E por séculos ainda existirá 
Pois mesmo que morra em minha alma ela ainda habitará

Quão feliz o coração
Que num abraço abandonado
Se enche de alegria e gozo entre os amplexos do amado

Mais feliz ainda deve ser
Quem no seu puro amar
Pode viver eternamente entre aquele que habita no íntimo do seu ser

E que não necessita de abandonar-se magoado
Pois esquecido pode adormecer 
Entre os amplexos do amado

sábado, 22 de julho de 2017

Queria um abraço

Queria um abraço
Me sentia tão sozinho que precisava de um abraço
Daqueles apertados
Para que num instante que fosse 
Preenchesse meus braços com outros braços
E encostasse meu coração em outro alguém
Para segurar com meus braços um outro mundo
E por instantes ter meu mundo segurado por um outro alguém

Queria um abraço
Mas não era um daqueles simples abraços que damos aos colegas de trabalho
Nem aqueles de cumprimentar as visitas de sábado
Mas um abraço daqueles que restituem os pedaços partidos de um coração
E que trazem de volta a nossa emoção
Que fazem a gente se sentir sem chão

Queria um abraço
E fui atrás daqueles abraço
Nas estepes e campos escarpados, nos agrestes e nas tundras congeladas
E encontrei o meu abraço nos braços de um anjo de olhos claros e camisa azul
Ele me segurou em seus braços
E com seus olhos descongelou a gramíneas da tundra do meu coração
E por um instante imaginei essa mesma tundra
Não como um campo baixo, mas como um grandioso jardim cheio de flores

Queria um abraço
Mas não queria ter de caminhar entre os lobos para encontrá-lo
Nem ter de percorrer desertos terríveis para recebê-lo
Mas talvez os desertos sejam necessários aos abraços
Assim como os espinhos são necessários as rosas

Queria um abraço
Encontrei o meu abraço
Mas agora começo a crer que meu problema não era o abraço
Pois ainda desejo um abraço!

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Caminhos que se cruzaram

Os dias estão enevoados
O sol quase não tem se mostrado
E em meu coração a névoa também tem pesado
E minha alegria quase não tem se mostrado

A solidão tem sido minha única companhia
E no silêncio a minha voz é a única que escuto
Bem como a dos socos nas paredes
E dos choros surdos

Quando sozinho me deito a noite
E sozinho me levanto pela manhã
Desejo sem querer aquele abraço apertado
Em meio a um grande sorriso do amado

E o desejos dos amplexos do amado
Se marcam no vazio dos meus braços
Como o fogo marca o couro do gado
E nunca deixa de se ver onde foi marcado

Meus braços enfraquecidos
Doem como se tivesse carregado um grande peso
Mas na verdade tudo o que suportaram
Foi o fardo do fato de estarem sós no mundo

Tento buscar companhia nas palavras
Mas mesmo as que me respondem
Soam vazias e sem significado
Como se nem elas se importassem com meu abraço

E então na escuridão insegura
Meu coração se pergunta
Onde estaria o meu amado
A andar nessa noite escura?

Estaria ele na companhia de felizes amigos?
Ou se entregando aos prazeres de outro amado?
Estaria dormindo sonhando com seus amores?
Ou sofrendo com seus próprios temores?

Meu amado
Aquele que é branco e rosado
Caminha nesse mundo em estradas pavimentadas
Distantes do caminho acidentado que percorro

Nossos caminhos se cruzaram brevemente
Mas ele seguiu logo em frente
Enquanto eu me detinha suavemente
A sonhar com o seus olhos claros em minha alma escura

A arder como uma tocha na noite escura
Meu coração grita e chora pelo amado
Pelo cavaleiro dourado
Mas o cavaleiro foi embora!

quarta-feira, 19 de julho de 2017

Meus limites

Alguns pensamentos me dominam já há alguns dias, mas infelizmente não tinha palavras que fossem suficientemente boas para expressá-los. Tentei fazê-lo em forma de poesia mas o resultado não foi tão satisfatório também, e agora torno a tentar, ainda que resulte apenas em balbucios inexpressivos. 

Estava pensando nos motivos que possam explicar minha tendência a querer ser dominado. Minha linha de ações quase sempre displicente e passiva é por vezes mal vista, como sinônimo de fraqueza. De fato me considero fraco, em todos os sentidos possíveis, física e mentalmente... 

Percebi que sou sempre um fardo a todos aqueles que me cercam. Sempre pedindo por atenção, sempre doente, carente, cheio de paranoias, exigindo respeito, compreensão, paciência. Eu sou um peso morto, um grande peso morto e não há nada que eu faça que qualquer outra pessoa não possa fazer igual ou melhor. Percebi que não sou importante, e que dentre tantas pessoas bonitas, talentosas, famosas, eu sou completamente dispensável, trivial. 

Daí é que vem esse meu desejo de ser usado, pois dessa forma eu estaria sendo útil, ainda que apenas para servir como um objeto e depois descartado. O meu desejo vem de ser desejado, ainda que por um breve momento, por aqueles que desejo. Por isso meu baixo critério, por isso me considero culpado apenas por existir, quando na verdade não tenho culpa de ser assim, fraco. 

Não consigo ser importante, como os famosos e talentosos, pois não consigo ser bom. Não sou uma boa pessoa. Eu sinto coisas que não deveria, sentimentos que se os outros soubessem, passariam a quilômetros de distância de mim.

Nesse exato momento mesmo, vejo uma "amiga" tirando de mim uma das pessoas mais importante de minha vida, e mesmo sabendo que isso deveria ser algo bom para ele, ter ela como companheira, eu não consigo sentir nada além de raiva. Quando penso nela só me vem a mente as piores palavras que conheço e até mesmo um impulso violento, que não é característico de mim vem à tona. 

Sinto ódio dela, por ser uma pessoa tão amigável com ela, por fazer ele se sentir bem, até melhor do que quando está comigo. Isso porque sei que minha amizade tem um limite pro quanto pode bem a ele. Tem um limite pro quanto posso ajudá-lo e ela não, se realmente quiser ela pode ser mais do que apenas uma amiga, e pode fazer ele esquecer aquela que o faz sofrer até hoje. E quando isso acontecer, eles se tornarão um casal, enquanto eu continuarei sendo apenas um amigo. Quando sairmos todos, é ao lado dela que ele se sentará, e eu continuarei sendo apenas um amigo, e ainda que eles terminem, haverá outra, e então mais uma. E eu nunca conseguirei romper meu limite.

Limite.

O coroinha bonito me acha estranho, não tenho nenhuma chance de me aproximar dele. Se o fizesse tenho certeza que seria brutalmente rechaçado. Seu olhar é óbvio: guarda apenas frieza e nojo de mim. 

O outro, o dos olhos bonitos, não é muito diferente. Sorri quando me vê apenas por educação. Posso ter muitos defeitos mas sei que meu sorriso é bonito, e por isso os outros sorriem em resposta, mas não é como se ele sentisse algo por mim, nem como se algum dia num futuro incerto e doentio fruto da minha mente distorcia ele pudesse vir a sentir. É um devir que não virá a ser. Me tornei o demiurgo de uma dimensão que está aos cacos, com todas essas esperanças infundadas e absurdas. 

Existe um limite em mim que não posso ultrapassar, e por isso fico distante de todos, pois todos estão depois desse limite. Todos me observam a distância e de repente virão as costas para mim, seguindo cada um a sua própria vida. Tem um limite pro que cada um pode fazer nessa vida, e certamente ser feliz está além dos meus limites... Certamente ser útil, necessário, está fora dos meus limites. Sou apenas um homem que insiste em continuar existindo, mesmo sem razão para tal, e que insiste em continuar sendo um peso morto a todos os que me cercam, nunca conseguindo superar meus próprios limites...

terça-feira, 18 de julho de 2017

Arma

Não quero ser dono de mim mesmo
Não pedi para ter autoridade sobre mim
Mas sei que não tivesse, desejaria ter

Mesmo sendo dono de quem sou
E sendo responsável pelo que sou
Eu não quero ser de mim mesmo

Quero ser servo, quero ser escravo
Quero ser o escudo humano daquele que amo
Quero ser para ele uma arma para atingir os seus objetivos

Quero ser em suas mãos a espada que abrirá caminho 
Entre os corpos de seus inimigos
Entre as cidadelas conquistadas por seus ideais

Não quero viver por mim
Não quero viver para mim
Mas apenas por ele desejo morrer

Apenas por ele desejo me tornar uma lança e um escudo
Apenas por ele desejo ser usado
Apenas por ele suportaria ser descartado

Sobre um homem só

As vezes o homem precisa se afastar
Se distanciar
Se silenciar
Se retirar

E recolhendo-se a si mesmo
Se remediar
Se estudar
Se conhecer

As vezes um homem precisar descobrir o seu valor
Da sua própria companhia
Da sua própria alegria
Da sua própria energia

E recolhendo-se a si mesmo
Ele compreende melhor os seus desejos
E entende melhor os seus medos
E aprende a lutar melhor contra certos anseios

Um homem quando está sozinho
As vezes tenta compreender o significado da sua solidão
E do aperto de seu coração
Que lhe faz tremer as mãos

Por isso as vezes o homem precisa se afastar
Se distanciar
Se silenciar
Se retirar

Aprender a viver só
Pois só ele sempre estará
E mesmo acompanhado
É só que o homem está

Mesmo amando está só
Mesmo sendo amigo está só
Mesmo tendo amigos está só
Mesmo tendo pessoas ao seu redor está só

E no fim de tudo, 
Será traído
Abandonado
Largado

Pois o homem nada significa
Não tem nenhum importância
Não tem nenhum valor
Não tem significado

Mas apenas sozinho
Encontra sua importância
Seu valor
Seu significado

Apenas sozinho
Aprende que não pode depender dos outros
Nem acreditar nos outros
Nem confiar nos outros

Pois os outros
Sempre decepcionarão
Sempre abandonarão
Sempre o largarão

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Ninguém

O quanto nos sujeitamos a situações baixas para ter alguém ao nosso lado? O quanto nos humilhamos, deixando de lado nosso amor próprio apenas para dizer que temos alguém conosco? Percebi hoje o quanto abrimos mão de nossa vida em favor de uma pessoa que não demonstra o mínimo de consideração para com a gente... Esquecemos de nosso próprio valor por acreditar que ninguém vai nos querer, que ninguém vai nos amar, mas isso não é verdade! 

Não deveria ser assim... Relacionamento deveria ser uma troca de sentimentos, de afetos e demonstrações espontâneas, não uma troca onde damos e exigimos algo em troca na mesma proporção. Não é assim... Bonito é quando carinho e o sentimento verdadeiro brotam de nosso coração, e não quando os damos por cobrança, obrigação. Amor a força não é amor, amor sob ameaça não é amor. Dói, fere a alma e o coração e não faz bem a ninguém... A ninguém!

domingo, 16 de julho de 2017

Fases

Mais uma vez fui vítima das torturas lancinantes de minha própria cabeça... Mais uma vez ela me fez de brinquedo e em suas mãos fui maleável e não tive nenhuma escolha... Com meus próprios pés caminhei em direção a mesa do torturador, e o único a sofrer com isso foi meu corpo, tombado de dores, temores e horrores indescritíveis...

A tortura me levou a lugares abomináveis, trouxe à tona pensamentos que há muito adormeceram e que eu acreditava estarem muito bem enterrados dentro de mim. Como a fênix ressurgiram das cinzas para me incendiar novamente, e uma horda de cadáveres veio junto para me assustar.

Muito embora minhas crises tenham sempre um gatilho psicológico, nem sempre é fácil compreender o que me deixa assim, no entanto elas seguem um padrão que me oferecem algumas pistas. Primeiramente elas sempre me deixam primeiramente eufórico, com dezenas de pensamentos indo e vindo numa frequência que nem eu mesmo consigo suportar... Ai eu escrevo, loucamente, páginas e páginas, ou choro por horas, ou fico ainda um bom tempo ouvindo música. O ponto comum de todas elas é que sempre me vem uma energia demasiado grande demais para ser contida dentro de mim.. Essa energia, mesmo sendo direcionada para algo não se desfaz rapidamente, o que me leva ao segundo estágio...

Geralmente após a euforia vem a segunda parte da crise: o agravamento do quadro clínico. Sempre no meio de uma crise eu começo a passar mal, seja numa crise alérgica, respiratória ou ambas. As vezes me ataca a sinusite, a rinite, a asma, a bronquite, tudo ao mesmo tempo. Já estou desde sexta com uma crise alérgica terrível, já se foram quase duas cartelas de remédios e até agora só houve uma melhora mínima. Para ir a Missa hoje cedo, por exemplo, foi um sufoco...

As vezes em companhia das crises de asma ou depois dela vem a terceira e pior fase: o cansaço, o torpor. É o momento em que a fadiga decorrente da excitação da fase passada começa a cobrar uma taxa do meu corpo, e além disso, considerando o fato de que na primeira fase eu quase sempre tomo algum decisão estúpida, é nesse momento que me arrependo dela ou tenho de suportar seus efeitos, suas consequências (quase sempre tomando mais decisões erradas).

Na primeira fase ocorre a carência, que se manifesta em excitação, e nessa ela se mantém mas se manifestando no sentimento de solidão, abandono... É sem dúvidas a pior de todas, e a que deixa marcas mais profundas em mim...

Fui tomado por uma profunda obsessão antiga que achei estar bem enterrada. Até eu mesmo fiquei assustado com o nível da paranoia que me dominou. Cheguei a ler algumas das linhas que escrevi durante aqueles momentos e não me reconheci nelas, pareciam terem sido escritas por um outro alguém, distante, diferente, não era eu... Mas sei que fui eu, pois reconheço a forma da escrita bem característica minha. Mas naquela hora, tudo o que eu conseguia era pensar nele, e de forma louca, desesperada, alucinada. Temo que esse descontrole, que por sorte foi visto apenas por alguns amigos, possa piorar e alguma hora resultar num erro irremediável. Imagine seu num momento como esse eu invento de agarrar a pessoa na rua? Certamente ia tomar uns bons socos pra deixar de ser maluco assim...

Mas realmente fiquei (estou) deveras assustado com o nível de paranoia que eu pude inventar, o que me faz questionar até onde irei... 

sábado, 15 de julho de 2017

Noite sem luar

Não deveria estar pensando nele, não a essa hora da madrugada, quando a carência e os hormônios me privam da razão e me levam a crer que pode haver no futuro um futuro para nós. Não deveria estar pensando nele, não dessa forma, como se desejando algo ou alguém com toda a minha força alguma força do universo me ouvirá e o entregará a mim... Não deveria estar pensando nele.

Mas ainda assim a minha mente dispara para o seu lado quando fecho os olhos, e quando repouso meu corpo é como se tivesse corrido por várias milhas para encontrá-lo... Não importa o quando eu diga a mim mesmo "Mim mesmo, não pense nele!", minha mente ignora a minha ordem e continua a pensar. E pensando se angustia por não conseguir me levar a nenhum lugar...

Em meu corpo ele gravou sem querer a pressão do seu abraço, e agora quando a solidão vem rotineiramente me visitar e em posição fetal eu mesmo me abraço são os seus braços que sinto a me visitar. E então a dor vai embora, e a solidão se diverte ao lado do destino pela alegria que lhes dou ao agir tão pateticamente para os seus braços em torno de mim sentir...

Em meu coração ele gravou sem querer uma canção com seu sorriso, e agora quando o dia se escurece, e já não consigo mais ver nenhuma esperança é ao lado dele que meu coração encontra refúgio e abrigo de toda essa desesperança...

Em minha alma ele gravou sem querer a bela imagem de sua visão, e agora quando não vejo mais beleza no mundo encontro em sua imagem o idílio que os anjos não conseguiram plasmar. Os olhos e os cabelos negros como uma noite sem luar, tão belos que fazem minha mente pelo universo viajar... O corpo moreno e ainda inexpressivo em sua latente virilidade a dar corda a minha mente distorcida ao lhe desejar... 

Mas eu não deveria estar pensando nele, não a essa hora da madrugada e nem dessa forma, pois não importa o quando esteja cego e nem o quanto deseje estar ao lado dele, o universo não o fará se entregar a mim.

Teu corpo a me tocar

Sonhei com você, oh meu amor
Sonhei com você, oh meu amado!
Vi a figura que há muito eu já não via
E mesmo não vendo de verdade, o meu coração ardia!

Minha mente quase havia se esquecido
Do seu olhar, do seu sorriso, do seu toque
Mas meu coração em mim te manteve vivo
E mesmo sabendo da distância que há em nós, o meu coração ardia!

Alegrei-me ao afagar os seus cabelos negros
Que sob a brisa do luar esvoaçavam
E sob a luz do mesmo luar sentia o seu olhar a me fitar
E mesmo não vendo de verdade, o meu coração ardia!

Quase não cabia em mim mesmo de alegria
Ao ouvir o seu semblante que delicadamente sorria
E sorrindo me aquecia a alma e o coração
E mesmo sabendo da distância que há em nós, o meu coração ardia!

O seu corpo eu senti tocar o meu
E minhas mãos ainda guardam a impressão do seu toque
O meu eu guardou no meu íntimo a impressão da sua forma de amar
E mesmo não sendo de verdade, o meu coração ardia!

Quisera eu poder viver no mundo que meu sonho criou
E todas as noites ser tocado por ti como no mundo que meu sonho criou
E todas as noites ver olhar e seu cabelo no vento a esvoaçar
E sendo verdade, arder de amor pelo seu amor a me tocar!

Sonhei com você, oh meu amor
Sonhei com você, oh meu amado!
Vi a figura que há muito eu já não via
E mesmo não vendo de verdade, o meu coração ardia!

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Indecisão

Quando pequeno eu queria ser professor... adorava brincar de entrar em sala com pastas no braço e fingir escrever no quadro enquanto uma turma de alunos me fitava com os olhos fixos e atentos. Era uma brincadeira interessante, e quem diria que anos depois eu me formaria professor.

Nunca tive um período de indecisão, ao menos não no passado, com relação ao que eu gostaria de ser no futuro. No breve momento do Ensino Médio em que busquei refletir no que faria para o resto de minha vida eu logo cheguei a conclusão que gostaria de ser professor. Entre as áreas do conhecimento a escolha foi ainda mais fácil, escolhi aquela que me permitiria um aprendizado amplo sobre a maioria das coisas, História, e dentro dela poderia me aprofundar em outras áreas, afinal tudo tem sua história, e foi o que eu fiz: Me especializei em História da Arte para então continuar meus estudos na História da Música. Agora estudo filosofia pois pretendo usar também dessa área do conhecimento para confrontar o pensamento que a Música nos traz e sua relação e impacto na História da Arte.

Embora não tenha passado por um período de indecisão, onde a maioria experimenta uma espécie de deserto intelectual onde nenhuma área corresponde realmente aos interesses do sujeito pois o mesmo não sabe quais são esses interesses, tive um momento de desvio desse caminho. Usarei aqui a expressão desvio na falta de uma melhor que não me ocorre nesse momento.

Por alguns anos eu decidi que queria me tornar sacerdote, e até cheguei a passar alguns meses num Instituto de vida consagrada em Brasília, onde os membros são encaminhados para o sacerdócio. Estudei nesse tempo, enquanto terminava minha primeira graduação, um pouco de exegese bíblica, hebraico e latim, além de claro, ter contato com diversas expressões de fé. Foi uma boa experiência, que hoje admito ter abandonado sem pensar, num momento de desvario sexual que não convém dizer nesse momento. O fato é que, não considero o tempo que passei nesse instituto como uma perda de tempo, e inclusive sinto falta, e não vejo-o também como um desvio do meu caminho de professor pois o padre é também um mestre, mas da vida espiritual.

Vejo então hoje alguns de meus amigos que terminaram ou irão terminar num futuro próximo o ensino médio e que não fazem a mínima ideia do que fazer com suas vidas, e percebo que eu, já formado e pós-graduado, agora tenho dúvidas também no que quero fazer com meu futuro, que diga-se de passagem, está rugindo em meu ouvido já a algum tempo.

Me pergunto se não segui o caminho errado, e se não deveria ter tentado algo mais prático, ou que desse mais dinheiro, me fazendo assim mais realizado, dado o fato de que sempre fui muito apegado a gastos supérfluos, luxo que poucos professores têm. Por outro lado, ainda vejo hoje a dificuldade que tenho em me relacionar com o outro, e não me refiro ao falar em público, coisa que me é extremamente fácil, e que gosto de fazer, mas em fazer entrevistas, pedir empregos, ter aqueles primeiros contatos que exigem dos candidatos uma postura séria e interessada. Admito ser difícil estar interessado hoje, numa profissão que provavelmente me levará ao limite da loucura em poucos meses.

Talvez devesse ter pensado na música, estudado mais o violino, ter entrado no curso de regência e quem sabe arriscar nessa área. Poderia ter tentado Direito também, que muito embora me irrite profundamente por sua exagerada polidez e cordialidade é de fato uma área que desperta interesse e que traz bons resultados no que se refere ao custo aplicado e ao benefício recebido.

O que estou tentando dizer é que não estou mais seguro do caminho que trilhei. Acho ainda que posso me sair bem no meio acadêmico, mas não creio que consiga ser um bom professor.

Não tive um período de dúvidas no passado, mas o tenho agora, e as possibilidades que se abrem a minha frente não me satisfazem, pelo contrário, em sua maioria despertam em mim a ojeriza, mas ao mesmo tempo trazem um enorme ponto de interrogação que aos poucos vem me apertando o estômago e o coração...

O que será de mim? O que devo fazer daqui para frente? Devo abandonar o caminho acadêmico que trilhei até aqui e tentar algo do zero? Devo retornar ao seminário e tentar mais uma vez seguir o caminho vocacional? Ou meu futuro está num possibilidade escondida que ainda não considerei?

Essas são algumas das perguntas que vem me tirado boa parte de meu precioso sossego, mas não acredito que esteja próximo de encontrar uma resposta. Muito pelo contrário, quanto mais penso no assunto, menos consigo chegar a uma conclusão...

Como o amanhã será? - Resenha Watterboyy - The Series

Melhores casais...
O amor é sempre responsável por grandes surpresas na vida da gente, e nem preciso dizer o quanto ele consegue surpreender todas as vezes com coisas que em si não são novas, mas que por conta dele acabam se tornando algumas das maiores maravilhas do mundo. 

Tudo bem, "algumas das maiores maravilhas do mundo" foi um superlativo de minha parte, sinal claro de minha veia poética latente, mas ainda assim as coisas que o amor nos dá são sempre em si repletas de beleza, ainda que se apresentem na mais simples das formas. Penso nisso sempre que vejo uma rosa, ou um pequeno beija-flor, ou sempre que acompanho uma história de amor...

O fato é que o amor nos toca, e quando isso acontece ele transforma as coisas mais simplórias em idílicas e grandiosas. Um poema por exemplo, quando repleto de amor pode ser mais belo do que as maiores epopeias, dessa forma o ordinário feito com amor se torna extraordinário.

Assim me sinto ao terminar de ver a série que ficará em muito coração por um longo tempo: Water boyy - The Series. Já a algum tempo eu fui seduzido pelos lakorns tailandeses (perdoem-me o pleonasmo). Comecei pelo cinema, e logo depois as séries se tornaram parte de minha vida. Recordo que o primeiro contato com a cultura tailandesa foi com o filme Love of Siam que contava com a atuação daquele fofo do Mario Maurer e uma história lindinha. Até hoje é um de meus filmes favoritos. Pouco tempo depois eu conheci Make it Right - The Series e foi outro amor a primeira vista, e depois Sotus - The Series (que assistir de uma vez só, passando mais de 15 horas na frente da TV) e por ai... Hoje a lista não parece ter fim e cada uma delas tem um lugarzinho especial no meu coração, pois cada uma delas me ensinou uma importante lição.

Dentre essas, Water boyy tem um lugar de destaque ainda maior. Meu primeiro contato foi com o filme, que ainda hoje me arranca suspiros e lágrimas cada vez que o vejo. A série, por ser uma espécie de reboot do filme então mesmo antes de lançada já tinha minha atenção e expectativa. A sinopse deixa a entrever um pouquinho do que a série nos traz... 

"Waii é membro e o capitão e um dos mais populares do clube de natação da faculdade. Ele tem um relacionamento difícil com seu pai, que também é o treinador da equipe. Apo se muda para treinar e se juntar ao clube, e acaba se tornando companheiro de quarto de Waii." (Pi Fansubs)

Como não podia deixar de ser a minha primeira impressão foi positiva devido ao elenco... E que elenco! Onde foi que encontraram tanto homem bonito assim é um mistério pra mim, pois se descubro vou pra lá amanhã mesmo. Nem se eu quisesse poderia dizer quem é o mais gato ali, pois cada cena era um suspiro diferente. 

Geralmente em se tratando de cultura asiática beleza não é sinônimo de talento, o que resulta em atores lindos mas que são mais lindos do que atores mesmo, e isso não se aplica aqui. A atuação deles é até bem equilibrada se comparada com tantas outras produções onde assistir se torna quase sofrível. Destaque por exemplo para o gato do Techarukpong Chatchawit (esses nomes me matam), que além de atuar na série como Min (um dos poucos héteros da série, diga-se de passagem) ainda canta a música de abertura. O mesmo para a fofa da Imraporn Charada que canta a de encerramento além de interpretar Pan, a lésbica que mudou de time. Impossível não se pegar suspirando pelo fofo do Thitipoom Techaapaikhun (Apo) ou pela gracinha do Teepprasan Tytan (Meu crush, que interpreta o fofo do Achi, tiete do Waii mas que termina se apaixonando pelo insistente Kluay)... Claro que nesse quesito os boys do filme também não ficam atrás (foto) Enfim, poderia passar vários parágrafos falando sobre isso, mas ai já seria uma lista e não uma resenha! 
Cuidado para não babar. 
A trilha sonora também me chamou atenção. Quase toda produzida pela própria GMM, que é uma das maiores empresas do ramo do entretenimento da Tailândia e por isso seus artistas são multifacetados, cantam, dançam e atuam... A abertura e o encerramento são ótimas, embora as incidentais pudessem ser um pouquinho mais variadas. 

Outro ponto não tão bom assim é bem comum na maioria dos lakorns. Já teve a impressão de que os personagens de tal séries são as únicas pessoas do mundo em que ela se passa? Sério, sempre tenho essa impressão. Talvez o orçamento para contratar figurantes seja baixo mas as vezes a faculdade me parecia um tanto quanto deserta. Poxa, eles eram membros do Clube de Natação, mas será que eram os únicos 6 estudantes de uma universidade que parecia ser bem grande? Fica no ar o questionamento. Não que isso atrapalhe alguma coisa, só um detalhe...

A história me surpreendeu, e consegui me prender a todos os núcleos. Diferentemente do filme que foca apenas no casal principal e nas namoradas que são trocadas a série trata de vários casais ao mesmo tempo. Teve o trainador tendo um caso com um aluno, a treinadora que era ex de um aluno e mais dois casais no clube de natação, além de traumas e brigas de amigos... Enfim, teve drama pra todos os gostos. Eu particularmente adorei o lance entre o Kluay e o Achi, sério, amor eterno, e muitas vezes me via mais apegado a eles do que ao casal principal.

Verdade seja dita, os protagonistas da séries não são entrosados quando os do filme, muito embora tenha rolado um dos melhores beijos de que me lembro em muitas obras do gênero. Só faltou um pouquinho mais de química. Talvez pelo Waii extremamente sisudo ou pelo Apo que na maioria das vezes não parecia saber o que tava fazendo assim. Talvez tenham pedido pra ele atuar daquela maneira, porque em Sotus ele é bem mais esperto e ligadão.

Claro que isso cai por terra quando aqueles olhares se cruzam e a tensão pode ser sentida na pele do lado de fora da tela do computador. Não há cristão que não sinta o baita climão que rola entre os dois, isso é fato. 

Pensamento da noite: acho que vou me juntar a algum clube de natação...

Pois bem, embora seja difícil para qualquer ser humano normal se concentrar depois dessa foto, vamos ao que realmente interessa: o que a série marcou na minha vida?

Primeiramente me vem a baita ironia no drama do protagonista Waii, que tem problemas com o pai porque esse namora um antigo colega dele. Waii não aceita o fato de o pai namorar um cara, que já foi seu amigo, e se enfurece só de lembrar disso. Não demora muito porém para ele começar a sentir o coração bater mais forte pelo novo colega de quarto, que não cede ao seu humor sempre fechado e sério, as vezes até bruto, como vimos nos primeiros episódios. O doce Apo aos poucos consegue amolecer e conquistar o coração do capitão e inclusive é um dos poucos da série a ter bom senso suficiente pra não tomar decisões bobas que só prejudicassem o resto do time. 

Aprendi que o amor vem de onde menos se espera e que ele pode quebrar barreiras de gênero e de identidade. O treinador se apaixonou pelo aluno, a lésbica se apaixonou pelo amigo e assim vai indo... O importante é seguir o coração nos diz, como o próprio treinador disse no último episódio, pois é com quem amamos que devemos estar.

Outra coisa que muito me marcou é que mesmo quase todo mundo fazendo besteira e magoando quem ama, o esforço em pedir perdão e ser sincero quanto aos próprios sentimentos é uma lição a ser aprendida por todos. Kluay percebeu isso quando viu que tendo humilhado Achi na frente de todo mundo deveria se desculpar também na frente de todo mundo. Waii o aprendeu ao ver que não ser sincero consigo mesmo traria problemas não só a ele, mas a sua namorada e ao homem que ele realmente amava também. 

Concordo então com a mensagem central da série, que é buscar a sinceridade consigo e com o outro acima de tudo. As coisas se resolvem mais tranquilamente quando os sentimentos são esclarecidos e assim notamos que na verdade os problemas estão apenas em nossa cabeça. 

Quantas vezes nos sentimos impotentes de dar um passo porque simplesmente não somos sinceros com aquilo que realmente somos, queremos e amamos? Quantas vezes temos medo de viver por temer o que o outro pensará de nós quando nem sequer sabemos como ele reagirá?

Quando somos sinceros, amigos se perdoam, pendências se resolvem e travas são removidas, e uma vez livres de tudo o que nos prendia, podemos então saltar rumo ao mergulho nesse grande mar da vida... De fato, Water Boyy acabou, e levou com ela uma grande parte de mim, mas também levarei a sinceridade de sentimento comigo de agora em diante... E agora eu me pergunto: Como o amanhã será?

"Como o amanhã será? 

Eu não me importo.
Eu nunca me importo com o que terei que enfrentar o amanhã. 
O amanhã  será amanhã, e hoje, eu ainda estou sozinho.
Quem quer que eu vá conhecer, eles sempre vem e vão. 
Fiquei até desapontado, a ponto de até parar de esperar por algo, e tudo depois desapareceu. 

O que é o amor? 
Provavelmente deve significar tristeza. 
Até que eu te conheci. 
A pessoa que ainda está comigo. 
Você foi alguém diferente de qualquer outra pessoa que eu já conheci. 
Apenas tê-lo aqui fez tomar meu amanhã significativo. 

Se eu não tivesse te conhecido naquele dia, hoje eu provavelmente estaria respirando, passando os dias e as coisas provavelmente seriam tristes, chatas, como de costume. 
Eu provavelmente seria uma pessoa que o mundo esqueceria. 
Se eu não tivesse te conhecido naquele dia, eu provavelmente não me importaria com o girar do relógio. 
Você me fez dar valor a cada dia, mudou todos os meus dias, e amanhã, eu quero passá-lo com você, eu quero passá-lo com você".

(Tradução de Tomorrow Morning, tema de abertura, cantada pelo sapão do Techarukpong Chatchawit)

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Tamanho poder

Exteriormente foi como se nada demais tivesse acontecido, e de fato nada aconteceu, ao menos nada que tenha sido visível aos outros, ou a você... 

No entanto dentro de mim uma batalha foi travada, e durante aquela hora em que ficamos próximos um mundo inteiro se revoltou bem aqui no meu peito. Uma parte de mim, e não era uma pequena, queria ficar perto de você, queria te fazer sorrir, apenas para mais uma vez ver o seu sorriso. Seria bom, e mais uma vez eu poderia ter um pouquinho daquele idílio na terra que é seu sorriso. Mas não podia me entregar a essa vontade... 

Do outro lado uma parte de mim queria manter distância, pois sabe que o seu sorriso, e consequentemente os sentimentos que em mim ressurgiriam depois dele, significaria a minha morte. Não posso ter você comigo, nem para mim, logo não faz sentido querer despertar sua atenção... Apenas iria resultar em mais dor e sofrimento, e convenhamos, de dor e sofrimento a vida já está cheia para que eu busque ainda mais...

Por isso fiquei distante, e posso dizer que houve então um lado vencedor nessa guerra, mas as baixas foram grandes, e mesmo a distância o seu sorriso, apenas o fato de que ele estava ali a poucos passos de mim, já foi o suficiente para destravar algo dentro de mim, algo que fez fluir um oceano de sentimentos que estava prendendo, mas que não fui capaz de prender por nem um segundo sequer após seus olhos fitarem os meus. 

Até quando travarei uma batalha contra minha própria vontade a cada vez que te ver? Até quando terão os seus olhos tamanho poder sobre mim? 

Pastoreados por lobos

A Diocese de Luziânia acordou em festa (!?) nesta manhã de quarta-feira com o anúncio da aceitação da renúncia de seu Bispo Diocesano, agora emérito, Dom Afonso Fioreze, que nos últimos anos conduziu, ou tentou conduzir, o governo da nossa jovem porção do povo de Deus que caminha pelas estradas da vida rumo ao céu, ou sob o báculo dos bispos ligados a CNBB nas estradas rumo a um lugar um pouco mais abaixo, leia-se como quiser.

Dom Waldemar Passini assume o governo pastoral da Diocese de Luziânia (GO), por força da aceitação da renúncia de dom Afonso Fioreze ocorrida nesta quarta-feira, 12 de julho. O comunicado da Nunciatura Apostólica feito para anunciar a renúncia por razão de idade, também traz a informação de que “em consequência, o governo pastoral da Diocese de Luziânia será assumido pelo Excelentíssimo dom Waldemar Passini Dalbello, bispo coadjutor”. (CNBB)

Uma visita rápida a quaisquer duas ou três paróquias distantes dentro de nosso território pode mostrar o quão heterogênea tem sido a atuação pastoral do nosso clero. Muito embora a diversidade de carismas seja reflexo do Espírito Santo que age sobre a Igreja o que verificamos aqui é uma diversidade de espiritualidades que pouco ou quase nada exprimem de verdadeiramente católico. Parece que vivemos no verdadeiro "mundo de ninguém" onde qualquer um encarregado sobre a administração de uma paróquia faz o que bem entende com sua visão minimalista e superficial da Igreja. 

Como resultado temos aqui uma Missa celebrada em mais de 3 horas de duração sendo destas apenas 30 minutos dedicados a oração eucarística, comunhão, ação de graças e ainda os irritantes avisos finais que nada contribuem para uma verdadeira devoção ao maior tesouro que a Igreja possui, a Eucaristia. Do outro lado da rua temos uma Missa festiva, carnavalesca e completamente arbitrária, fruto das mentes criativas de nossos agentes de pastoral e padres que francamente recebem menos formação do que alguém que tenha aberto o catecismo e estudado por si só. Tal diversidade não exprime a ação do Espírito Santo, mas apenas mostra que todos estão cegas, tateando as escuras, buscando cada um a seu modo a forma correta de caminhar até a verdade. Não culpo esse ou aquele como responsável, mas um conjunto de realidades e ações que nos lançaram a esse lamaçal doutrinário onde a inversão total de valores tem sido o único objetivo final. 

A Dom Afonso sempre faltou o pulso firme que um pastor precisa ter com seu rebanho, e excetuando por algumas poucas intervenções quase nada fez para frear a onda de confusão que se estendia por sobre sua diocese. Também lhe faltava saúde, pobrezinho, e um pouco de bom senso também. Nunca teve visão do que realmente deveria ser prioridade. Temos hoje uma diocese que se encaminha para uma boa estruturação econômica, mas cuja pastoral está jogada aos lobos, e antes estivesse às traças. De nada adianta, penso eu, uma estrutura econômica se a fé dos fiéis e em consequência sua salvação, está em risco. Mas ao que parece aos bispos brasileiros a salvação das almas é uma preocupação que não encontra espaço na igreja pós-conciliar que, embora aberta e viva faz de tudo, menos levar a salvação. 

O seu sucessor no entanto não terá um governo caracterizado pela omissão, creio que não, mas sim caracterizado por suas fortes opiniões políticas, progressistas em sua assustadora maioria. Quase sempre precisamos observar com cuidado as ações de uma pessoa antes de entender suas opiniões, o que não se aplica a Dom Waldemar, cujas ações deixam claro que logo nossa diocese será um espelho das arquidiocese de Brasília e Goiânia. Empresas que visam o lucro em cima do genocídio de seus clientes, quero dizer, fiéis e que nada exprimem de católico em suas ações. 

Dom Waldemar é um bispo jovem, porém já com grandes serviços já prestados à Igreja. Nomeado bispo auxiliar de Goiânia (GO) em 30 de dezembro de 2009 e ordenado em março de 2010, ele realizou um trabalho reconhecidamente de grande expressão na capital goiana. Já em 2011, foi nomeado pela Congregação para os Bispos como Administrador Apostólico da Arquidiocese de Brasília (DF) no período até a posse do novo Arcebispo Metropolitano de Brasília, dom Sergio da Rocha, atual Cardeal e presidente da CNBB, que ocorreu aos 6 de agosto de 2011. Foi nomeado bispo coadjutor de Luziânia em 3 de dezembro de 2014. (CNBB)

De fato grandes serviços mesmo... Seminários vazios, retrato de uma pastoral vocacional fundada na busca de pessoas que correspondam ao modelo barato de sacerdote que nossa igreja tem formado, e não baseada no ensinamento bimilenar da verdadeira vocação sacerdotal de Cristo. Matam seus fiéis de diabetes, mas incapazes de defender a verdade. Aliás, sacerdotes que são formados não rezando a Liturgia das Horas, tesouro secular, mas apoiados num sistema novo desenvolvido sabe-se lá onde mas que certamente já tem seu objetivo alcançado nos padres midiáticos, aversos a batina e adeptos ao relativismo tão caro ao nosso Brasil...

Temos então um povo sedento de Deus, mas que encontra apenas psicologia barata e filantropia, mas não fé e muito menos doutrina. Hermenêutica da continuidade nem sequer é cogitada, mas novas formas de evangelização que na verdade são apenas teorias psicológicas travestidas de espiritualidade barata. 

Uma igreja que não se destaca do mundo, mas que se encaixa perfeitamente nele, pois a época em que era necessário viver a sua fé diferente do que prega o mundo já passou. Uma igreja onde a batina afasta o povo que busca justamente ser diferente do mundo onde vivem, mas que os embala e os encaminha novamente para o mesmo mundo, ainda mais despreparados para enfrentar os desafios de sua fé do que estavam antes. Uma igreja que sabe todas as músicas da Colo de Deus (sic!), pois tocam em todas as missas, mas não sabem rezar sequer um Pater Noster, em comunhão com toda a Igreja verdadeiramente católica. Não reconhecemos mais nossas igrejas como igrejas, afinal seus prédios apontam para o que nossa fé se tornou, uma construção feia e barata inventada do nada, e que ao nada leva a todos nós. 

Resta ao povo de Deus colocar os joelhos no chão e rezar pelo futuro de nossa amada Mãe e Mestra da Verdade, só não poderemos ajoelhar durante a oração eucarística, pois se trata de um exagero. Devemos ficar de pé, enquanto ouvimos a assembléia tomar parte nas orações que sempre foram reservadas ao sacerdotes e que não são mais, afinal esses tempos já passaram. 

Tempos em que o bispo era a sede da verdade na diocese, onde guiava seus sacerdotes e seus fiéis sob a rocha invencível de Pedro. Mas o que mais poderíamos esperar não é mesmo? Afinal se nem Pedro sabe aonde vai, como suas ovelhas poderiam saber?

terça-feira, 11 de julho de 2017

O Eu de hoje

Engraçado notar que aos poucos os pensamentos vão mudando, as emoções vão mudando e o comportamento também vai. Olhamos para trás e já não conseguimos mais aplicar as decisões do passado no presente, e nem conseguimos mais projetá-las no futuro. A vida é assim, vamos crescendo e aos poucos abandonado algumas atitudes e tomando outras para si.

Gostaria de dizer que isso se chama amadurecer, mas nem sempre as novas atitudes são sinal de amadurecimento. As vezes são apenas fruto do cansaço de se viver tanto tempo de uma tal maneira que já não correspondia mais ao ser "eu mesmo", mas que passou a ser viver conforme os outros querem que eu viva... Por isso ao lugar de amadurecer, prefiro dizer que isso é apenas viver.

E viver então nesse contexto é a cada novo dia inaugurar uma nova forma de ver a nossa existência, de avaliar nossas ações, de experimentar novas formas de viver e de ser "eu mesmo". Viver é experimentar, errar, acertar e as vezes fazer coisas que não são nem certas nem erradas, mas apenas são, e não precisam de nenhum complemento quanto a sua atribuição. Viver é buscar sempre o significado que se esconde por detrás da busca de significado. Não é caminhar rumo algo definido, mas caminhar sempre, rumo ao sempre.

Vou descobrindo aos poucos o que é estar vivo de verdade, mas amanhã já não saberei mais, pois a definição de hoje terá passado, então buscarei meu significado novamente, e novamente posso encontrar ou não, chegando assim a viver no interminável ciclo da vida, de busca constante por algo que nem sempre sei o que é...

O Eu de hoje não será o mesmo de amanhã, como não é o mesmo de ontem. O Eu de hoje é mais do que o de ontem, pois abarca também o que fui, mas deixa-me aberto ao que ainda serei. O Eu de amanhã ainda não é, posso vir a ser ou não, isso só amanhã poderei dizer, se me tornei ou não, assim como hoje digo que sou, e que ontem era, mas que antes de ontem não tinha certeza de ser. E assim eu vou seguindo... Nem sempre fazendo sentido, mas as vezes convicto de algo que logo mais se transformará em dúvida. E nessa eterna reinvenção eu vou mudando a cada dia, mas sem ter uma versão final a ser alcançada, apenas uma diferente...

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Contato inesperado

A noite de ontem foi marcada por um contato inesperado... 

Fiquei de frente com olhos que há muito eu já não via, e que há muito eu desejei entender. Recordo que antes de nosso afastamento, ou melhor, quando ele se afastou de mim, eu desejava entender o que se passava em sua cabeça. Muitas hipóteses me surgiram, mas nenhuma delas me agradou de fato, pois não parecia corresponder com a realidade. O fato é que eu não compreendi o que se passava com ele, e na época isso significou o rompimento do delicado laço que nos unia.

Nos tornamos próximos devido a uma necessidade de ambos em tentar superar cada um o seu vício. Nossa aproximação se deu numa partilha de nossas fraquezas, o que por um lado foi bom pois significa que nunca fomos tomados por uma certa expectativa quanto ao outro, dado que a princípio já fomos apresentados ao pior que o outro tinha a oferecer: seus males e vícios. 

Quando nos afastamos, reconheço que não soube agir frente a confusão que ele demonstrava frente com relação aos seus sentimentos por mim, e levado pela exasperação do desespero acabei afastando-o de mim, que temendo se machucar achou que seria melhor ficar longe até entender melhor o que se passava com ele, e onde o perdi definitivamente, se é que algum dia tinha sido meu.

No encontramos então com a vista um pouco mais clara, sem as faíscas que antes subiam ao nos vermos, tudo normal. Havia apenas entre nós uma sombra, que pairava as nossas costas, lembrando que, um dia, ouve algo, que ainda não entendemos o que foi, mas que já não havia mais.