segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Privilégio

Gosto muito desse clima fresco, sério, por mim todos os dias seriam nublados e com uma leve brisa fria a balançar nosso cabelo. Infelizmente onde moro esses dias são raros, então eu preciso aproveitar...

Como prova disso passei o dia inteirinho que Deus deu deitado na cama vendo anime. Porque sim. Podem me julgar.

Iria dizer que também gosto quando o clima reflete nosso humor, mas acho que pensando melhor é exatamente o contrário... Muito embora a regra não seja absoluta, afinal, embora hoje tenha sido um dia calmo e tranquilo, meu interior estava insanamente agitado, como as águas revoltas de um mar durante a ressaca. 

Acontece que eu continuo internalizando tudo e fazendo de tudo uma grande tempestade dentro de mim. E acho que isso nunca vai mudar.

Conversando com uma amiga então eu cheguei a conclusão de que não sou daqui. De onde eu sou então? De outro mundo? De outro planeta? Quem é que sabe? Só sei que daqui eu não sou. Não me encaixo aqui, nem me dou bem com as pessoas daqui. Todos são completamente estranhos, mesmo que tenhamos convivido por anos. 

Mas deve existir algum motivo pra justificar a minha existência aqui, então prefiro acreditar que fui enviado a esta terra para cumprir alguma missão especial. Talvez eu deva reunir outros loucos como eu e tentar dominar o mundo, afinal com toda essa gente certinha por ai dominar o mundo deve ser fácil. Mas nós loucos estamos dispersos, ocupados demais tentando entender nossa loucura... 

Mas ser louco é justamente não precisar fazer sentido, então não fico mais me pressionando quanto a isso. Não tento mais entender os motivos disso ou daquilo, as coisas são assim, eu simplesmente devo aceitar... 

Não digo isso num tom lamentoso não, digo com um sorriso no rosto, afinal, ser louco é ser único, e numa sociedade onde todos estão cada dia mais parecidos uns com os outros em sua ignorância, ser único é um privilégio! 

sábado, 25 de fevereiro de 2017

Tudo errado

Eu tento, eu penso, eu luto, mas por mais que eu insista, parece que nunca consigo chegar a lugar nenhum.

Sabe quando parece que tudo o que você faz ta errado e ai começa a dar tudo errado? Pois é... O que eu esperava que ia dar errado deu errado, o que eu acreditava que ia conseguir deu errado, e até o que eu tinha certeza que ia conseguir deu errado também. 

Com tudo isso só posso concluir que eu estou de fato fazendo algo de muito, muito errado. 

Minha forma de viver ta errada, meus valores estão errados, minhas concepções estão erradas. Ta tudo errado! E ta tudo ferrado! 

Sinto como se eu estivesse em guerra, e precisamos invadir a fortaleza do inimigo. No entanto, o inimigo tem um número incrivelmente superior de armas e homens, e seu prédio fortificado é quase impossível de se atravessar. A minha frente se estende uma verdadeira muralha de aço. Não há como atravessar. Não há como derrubar, não há como sequer arranhar. Nem que eu a golpeie com todas as minhas forças, tudo o que conseguirei é machucar minha própria mão. Mas a muralha nunca cairá, nunca se quebrará. 

Acima de mim o exército inimigo ri da minha situação, e o desespero por não conseguir superar essa muralha me angustia de tal forma que penso em me entregar a espada do inimigo. Seria melhor, morrer de forma digna do que continuar sendo motivo de risadas...

Mas eu queria derrubar essa muralha, enxergar o que há do outro lado...

Queria derrubar a parede fria do seu coração, conseguir chegar no mais íntimo da sua alma e ali mostrar a você o meu amor. 

O meu amor...

Amor...

Quando penso nisso, imagino aquela linha da lenda oriental, que diz ligar as pessoas destinadas a ficarem juntas... Mas ao que parece o outro ponto da linha que sai do meu coração se encontra dentro daquela fortaleza impenetrável. E nada pode atravessar. Nada.

E eu grito, esmurro, tento derrubar, furar, subir, e é tudo inútil... 

Tentar te alcançar é inútil, é inútil...

Você continua fora do meu alcance, cada dia mais distante, mais frio, mais longe... 

E ainda assim eu quero você, tenho desejo de você... 

Não consigo parar de sonhar com você aqui comigo, do meu lado, sorrindo, contando histórias, ou simplesmente em silêncio, segurando minha mão, me abraçando...

Me abraçando...

Me abrace...

Me abrace, por favor me abrace... Não me deixe sozinho...

Não em abandone...

Não me deixe...

Me abrace!

Por favor... 

Por favor...

Por...

Deserto

Somos bilhões de pessoas, e elas estão em todos os lugares, fazendo todas as coisas possíveis... Ninguém está de fato sozinho, basta olhar ao nosso redor para percebermos que o mundo nos oferece possibilidades quase infinitas de pessoas com quem podemos nos relacionar. E isso não é ruim, mas também não é porque somos muitos que relacionar-se com o outro é fácil, muito pelo contrário...

Esse já é um discurso deveras conhecido e com certeza eu não sou o único e também não serei o último,  fazê-lo... 

Acontece que me sinto sozinho. Mas não estou sozinho. Meu pai e meus irmãos estão na sala assistindo uma partida de futebol. Minha mãe está na casa da minha tia, cuidando do meu avô. Eu estou quieto no meu quarto, desde as 14h, dormindo, simplesmente deitado, assistindo ou pensando numa série de coisas que não devia.

Sei bem que esse ócio é prejudicial, e a solidão pode ser fatal. O que as pessoa geralmente fazem quando se sentem sozinhas? Nada que se aproveite, isso é fato. Mas eu não tenho força física e nem psicológica para tomar qualquer outra atitude que seja.

E o tempo ocioso parece ter uma espécie de contrato vitalício com o coração, e aparentemente esse contrato foi registrado em cartório pelo capeta, pois basta que eu fique apenas alguns minutos fazendo "nada" que meu pensamento flutua para o lado dele. 

Mas não é o lado dele, propriamente dito. Não sei onde ele está, não sei o que ele está fazendo. Somos amigos apenas de nome, talvez porque ele tenha medo de que se dizer que nossa amizade acabou eu acabe sofrendo ainda mais. Grande engano. Meu sofrimento está no silêncio. Sofro por não receber notícias, sofro por não ver aquele sorriso único, sofro por saber que não sou importante.

Ele se encontra fora de alcance para mim. 

Física e afetuosamente. 

Completamente distante, sem chance.

E me sinto só, sofro por isso. 

Meus planos falharam. Meu amor se foi. Não tenho mais nenhuma razão pra continuar lutando, não há o que fazer, não há motivos pra continuar insistindo numa vida tão vazia assim. 

Me vejo agora num deserto. Se olho para cima, vejo um céu claro, sem nuvens, cujo calor me abrasa a pele e me faz falhar a respiração. Para todos os lados só consigo ver areia. Areia. O símbolo do frágil, do inútil, do passageiro, do efêmero. O símbolo da minha vida.

Ironicamente nas costas tenho a marca da morte, a Houmounka, como símbolo de sobrevivência, mas isso está errado, eu não sou um sobrevivente, sou um fracassado. Não consigo sequer dar um passo rumo a um crescimento acadêmico e nem tampouco consigo resolver meus problemas afetivos.

Não consigo deixar de amá-lo, nem tampouco consigo conquistar seu coração. Um completo inútil. 

Por isso me sinto como um grão de areia no deserto. Pequeno, inútil, rodeado por outras miríades de grãos. Tudo o que eu faço é voar com o vento, sem destino, incomodando o olhar dos viajantes que passam... Um grão de areia, perdido na imensidão do deserto. Deserto esse que reflete o que se passa no meu interior. Não há em mim mais sinal de vida, nem de sombra ou água fresca. Apenas um sol abrasador e um solo infértil que apenas pode conduzir a morte. 

Um deserto é assim, e por mais que nele andem, não é possível encontrar uma vida florescente, ou um ambiente agradável. É tudo inóspito, não propício a vida... E é isso que eu sou, uma areia no deserto.

Uma areia no deserto. 

Um deserto. 

Meu deserto. 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Mudança (inesperada) de planos

Tanta coisa a ser dita e eu nem sequer sei por onde começar... Mas vamos nessa...

Poucos dias se passaram, mas desde então uma avalanche de acontecimentos inesperados abalaram completamente a minha vida, e essa guinada de 360° não gerou apenas consequências no tangente aos meus relacionamentos pessoais (família, amigos...), mas abalou profundamente o meu interior.

Achava que já estava me recuperando, aos poucos, com a ajuda da terapia e do tratamento com os remédios que tenho feito, do meu estado quase catatônico depois do colapso nervoso que tive no ano passado, e do SMAD¹ que desenvolvi a partir dele, mas ao que parece meu estado mental ainda é de uma instabilidade preocupante, e eu temo que a possibilidade de internação num hospital psiquiátrico esteja cada vez mais próxima, embora eu quisesse evitar isso a todo e qualquer custo. Meus pais falam sobre isso, e não sabem que eu estou ciente disso, mas também me incomodo em dar tanto trabalho para eles. Talvez fosse melhor ser internado ser resistir... Quem sabe.

Bom, como resultado de tudo isso eu me tornei uma pessoa extremamente sensível, afetado por tudo e por todos, ficando devastado por coisas mínimas e excitado com outras tão pequenas quanto. Instável, em constante estado de ebulição, pronto a explodir a qualquer momento como um vulcão adormecido que destruirá toda a civilização que abaixo dele se firmou.

Sei bem dos perigos de se levar tudo ao mais alto nível de sentimentalismo, mas é algo que já se encontra tão intrinsecamente impregnado no meu âmago que afeta meu desespero desde o primeiro pensamento.

Conceitos como futuro, responsabilidade e amadurecimento me assustam, mas quando parece que finalmente conseguirei chegar numa conclusão satisfatória, tudo desaba na minha frente como um castelo de cartas...

Como parte do meu tratamento psicológico eu fui orientado a buscar experiências que pudessem me servir de apoio na construção de uma personalidade mais madura. Um mestrado e um emprego poderiam me proporcionar não só crescimento profissional, mas o contato com pessoas de círculos sociais completamente diferentes e que seria uma excelente oportunidade de sair da minha zona de conforto e me confrontar com novas experiências enriquecedoras me permitindo uma abertura maior no tangente as minhas relações.

Afinal de contas, como destaca o Mestre Hideaki Anno em Neon Genesis Evangelion, as relações humanas formam laços, e esses laços são a ligação entre o eu e o próximo, e são essas ligações quem define quem somos (Instrumentalidade Humana 1° Parte – Você me ama?). Trata-se do confronto da visão que tenho de mim mesmo com a visão que o mundo tem de mim. Essas duas, juntas, unem numa terceira percepção, esta por sua vez sendo de uma complexidade típica da grandiosidade psicológica do homem.

Bom, depois dessa breve (?!) introdução, passarei a relatar os fatos.

Como proposta de mudanças na fuga da área de conforto, foi sugerido que desse entrada num curso de mestrado, ou ao menos que eu começasse a criar contatos lá dentro, no intuito de facilitar minha entrada. No entanto esse nunca foi meu objetivo, até porque academicamente falando não há absolutamente nada na UNB que me agrade, exceto é claro o peso que o nome da instituição tem no mercado de trabalho, peso este que embora infundado, é presente e real.

Por isso decidi optar por uma especialização em Liturgia, o que de longe seria o curso mais apropriado para mim, afinal de contas, quase 80% da minha vida é dedicada a liturgia, e qualquer coisa que eu pudesse fazer para melhorar esse quadro, ou seja, para me tornar um liturgista de maior capacidade e entendimento, seria de grande acréscimo na minha vida. Até porque a liturgia na minha vida não ocupa lugar apenas cultual, religioso, ela faz parte de quem eu sou, define minha existência.

Dito isso, fui aprovado para a Especialização “lato sensu” em Liturgia na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Brasília, em 3° lugar, diga-se de passagem. No entanto, apenas 13 candidatos foram aprovados, e o edital do curso previa o mesmo só aconteceria se ao menos 35 candidatos fossem aprovados. Logo, o curso foi cancelado. Ofereceram-me ainda a possibilidade de entrar na Especialização “lato sensu” em Direito Canônico Familiar. Completamente fora da minha área de atuação e interesse. Fora de cogitação.

Essa notícia me devastou completamente, sério. Desabei em lágrimas por horas até que com muito custo um amigo. espero poder chamá-lo assim, me recordou que:

“Tudo é no tempo de Deus”.  (T.L)

Mas eu estava contente como há muito tempo não estava. Essa era a possibilidade real de contribuir ainda mais para a difusão de uma mentalidade mais santa acerca da Sagrada Liturgia, uma área que hoje em dia é de grande importância na Santa Igreja Católica, mas que infelizmente não desperta interesse de muitos fiéis. Afinal, não há razão para se preocupar com rubricismo quando a igreja precisa alimentar os pobres. Mas enquanto a “igreja” alimenta os pobres, a Igreja padece de fome numa Eucaristia muitas vezes vazia e sem nenhum significado para os ministros e leigos. Na minha concepção, é só através da santificação pela Santíssima Eucaristia é que conseguiremos alimentar de verdade os pobres, como dizem os Padres Jesuítas. Meu objetivo era ter mais condições de mudar, ao menos um pouquinho que fosse, essa mentalidade, e despertar no povo o real amor para com o Santíssimo Sacramento.

Esse era meu plano A, e eu ingenuamente não tracei um plano B. Afinal praticamente abandonei o mestrado por hora, por conta da exigência mental que eu certamente não conseguiria suportar.

Ainda há algumas opções que posso explorar, e muito provavelmente será a que seguirei de agora em diante. Atentei-me para a possibilidade de fazer outra especialização, talvez em Historia Cultural ou em Ensino Religioso, ou ainda em Filosofia, mas isso ainda preciso pensar melhor.

Sem chance nenhuma de tentar um mestrado agora. Surtaria com certeza. E eu não quero surtar. Não quero voltar a ser aquele monstro arisco sedento pela própria morte de meses atrás.

Quero viver, uma vida nova.

Vida nova. 

Nova vida.

Isso nos leva ao segundo ponto que me abalou no dia de hoje:

Como é de conhecimento geral, ou não, porque na verdade ninguém sabe disso, eu estava até bem com meu ex namorado, com quem cruzei sem nenhum problema num encontro da igreja meses atrás. Nada de errado, nada de estranho, nenhum clima chato. Concordamos em conviver como amigos, nos confessamos, comungamos e decidimos manter uma relação de amizade e respeito, buscando uma vida de mortificação e castidade, como ensina o Concílio Vaticano II (Cf. CIC N° 2357 – 2359).

No entanto como num passe de mágica tudo mudou quando ele simplesmente resolveu me excluir do Facebook, me bloquear no WhatssApp e me ignorar na rua. Sinceramente não sei o que pode ter havido.

Será que se chateou mais uma vez com a frequência com qe escrevo aqui sobre aquele que impediu que o amasse completamente durante nosso namoro? Mas eu NUNCA menti sobre nada para ele. Nunca disse um Eu Te Amo que não fosse 100% verdadeiro.

Acontece que as coisas nunca são como esperamos que elas sejam, e no fim das contas, todos nos abandonam em algum momento da vida. Meu primeiro ex me abandonou sabendo que eu tinha abandonado tudo por ele, minha vida como religioso, meu futuro. E agora ele, que jurou ser meu amigo, agora age como se nem sequer me conhecesse.

Esse é o preço que se ganha por confiar demais nas pessoas. Ninguém é confiável. Só em Deus se encontra a verdadeira esperança, afinal “Poderia uma mulher de seu filho se esquecer? Ainda que isso acontecesse, não haveria de te perder” (Is 49, 15). No fim das contas ele é o único que merecesse nossa confiança. Pois “aqueles que esperam no Senhor renovarão suas forças, correrão e não se cansarão, caminharão e não se fatigarão, e voaram como águias” (Is 40, 31).

Mas em momentos como esse, em que a confusão domina cada pequena parte da mente distorcida pelo medo e pela insegurança eu só consigo clamar “E eu pobre que farei, que patrono invocarei?”²

No fim de tudo, quando chegar o “Dia de ira aquele dia, que volverá o mundo em cinza fria”?² eu perceberei que em ninguém deveria ter confiado, pois todos me abandonaram. O meu grande amor, os meus amigos, o meu leãozinho. Todos se foram... Não há mais ninguém, não mais esperança, não há mais amor!

Agora é tentar acordar amanhã e procurar alguma possibilidade para esse um futuro, algo em que eu não possa ficar parado, algo que me faça pensar, mas sem surtar. Algo que me faça esquecer o que é amar. Talvez outra pós, ou um curso qualquer, apenas para impedir que minha mente retorne aquele estado do qual quase não consegui fugir.

Termino portanto com um grande conselho de Carlos Ruiz Zafón:

“Nunca confie em ninguém, especialmente em relação às pessoas que você admira. 
Serão essas que irão desfechar os piores golpes."

Meio exagerado, eu bem sei disso, mas acredito que reflita em partes uma realidade que me sufoca...

E sufoca... 

E aperta... 

E queima... 

E dói...

~

Notas:

. 1. SMAD refere-se ao Síndrome Msta de Ansiedade e Depressão. "A base para o diagnóstico é a detecção da associação de sintomas depressivos com sintomas de estados ansiosos. O indivíduo passa a apresentar uma angústia intensa, não consegue ficar quieto, caminha de um lado para o outro, desespera-se. Esses são os mais comuns sintomas ansiosos. Associam-se a estes os sintomas orgânicos verificados nos estados ansiosos, tais como tremores, cansaço fácil, sensação de falta de ar ou asfixia, batedeira no peito ou coração acelerado, suor excessivo, mãos frias e suadas, boca seca, tonteira, ânsia de vômitos, diarréia, desconforto abdominal, ondas de calor, calafrios, micção freqüente, dificuldade para engolir, sensação de “bolo na garganta”, dentre outros.

As manifestações depressivas mais freqüentes são a tristeza excessiva, melancolia, choro fácil ou freqüente, apatia e indiferença com as coisas (ex: “tanto faz como tanto fez”), sensação de falta de sentimento, de tédio, aborrecimento crônico, maior irritabilidade especialmente com situações corriqueiras que usualmente não incomodavam a pessoas (ex: ruídos, vozes, pessoas), desespero, desesperança.

Associam-se a estes sintomas depressivos acima diversos outros, como desânimo, redução da vontade, insônia ou sono excessivo, redução ou aumento do apetite, redução do apetite sexual, diminuição da resposta sexual (disfunção erétil, orgasmo retardado ou ausência de orgasmo), incapacidade de obter prazer em várias esferas da vida. Também surge ideação negativa, pessimismo em relação a tudo, idéias de arrependimento e culpa, ruminações com mágoas passadas, idéias de morte, desejo de desaparecer, dormir para sempre. Nota-se prejuízo nas atividades cotidianas, devido principalmente ao déficit de atenção e concentração, redução da capacidade de memória, dificuldade para tomar decisões, sentimento de baixa auto-estima, de insuficiência, incapacidade, vergonha e autodepreciação." (DALGALARRONDO P. Síndromes ansiosas. In: Dalgalarrondo P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000:188 – 189.)

2. Trechos do Dies Irae, hino da Sequentia da Messa per Requiem, atualmente em desuso na forma ordinária do Rito Romano. Acredita-se que tenha sido escrito por Tomás de Celano.

Serviço de mensagens do coração

Na primeira vez em que eu o vi, sabia que ele era o escolhido. 
Sério, queria poder dizer a ele o quanto ele é lindo. 
Mas eu ainda sou uma moça e isso não seria apropriado... 
Então comecei a agir como se não estivesse interessada, 
Até que ele veio até mim pedir meu número. 
E claro que eu pedi que ele me ligasse logo. 

Se você ligar para qualquer outra pessoa, 
Vai ouvir uma musiquinha pedindo para esperar... e esperar. 
Mas se você ligar para mim vai ouvir o meu coração dizer: 
Você ligou pro serviço de mensagens do coração, por favor, 
Deixe seu coração comigo depois do sinal. 
Eu me rendi desde o dia que o vi pela primeira vez. 
Por favor deixe o seu coração em troca do meu número. 

Meu coração vai se partir se alguém roubar o seu de mim. 
Meu primeiro amor, eu realmente nem sei se posso encontrar outro igual. 
Então deixe seu coração em troca do meu número, é assim que tem de ser. 

Se você ligar para qualquer outra pessoa, 
vai ouvir uma musiquinha pedindo para esperar... e esperar. 
Mas se você ligar para mim vai ouvir o meu coração dizer: 
Você ligou pro serviço de mensagens do coração, por favor, 
Deixe seu coração comigo depois do sinal. 
Eu me rendi desde o dia que o vi pela primeira vez. 
Por favor deixe o seu coração em troca do meu número.

(Tradução de My Heart For Your Number - Yinglee)

Ta, eu sei bem que essa não é a melhor música do mundo. Mas é de longe uma das minhas favoritas. Gosto desse climinha de novo amor que ela transmite... Acho que coincide com a época que eu to vivendo...

Novo me lembra frescor... O frescor de um novo amor, uma brisa leve que balança nosso cabelo e nosso coração. Ter um novo amor é descobrir um mundo novo, é se lançar pelo espaço esperando nada mais do que ser surpreendido. É permitir que a vida pinte nossa tela em branco e assim vá adicionando suas cores cada vez mais, nos tornando aquelas belas pinturas que não enfeitam as paredes vazias dos museus, mas que apenas tornam as casas de milhares de pessoas mais belas e confortáveis. O novo amor torna o nosso coração mais confortável, pois dentro dele não há apenas somente a voz da nossa consciência, mas há também uma imagem que nos traz paz, que acalenta nossa mente e que aos poucos transforma nossa terra árida num belo jardim, repleto das mais belas flores... 

Ter um novo amor é maravilhoso, mas é também assustador, pois é dar um passo no escuro, sem olhar para o caminho, tendo em vista apenas o céu estrelado que se estende a nossa frente num véu de mistério e beleza. 

O novo amor é como a noite, de beleza arrebatadora, iluminada por milhares de estrelas e governada pela soberana de prata. Por outro lado lado essa mesma noite também é assustadora, pois esconde em sua negritude perigos inimagináveis. Mas o que seria do amor se nele não corrêssemos algum risco? 

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Manias

Ser estranho e cheio de manias as vezes é engraçando... Eu não consigo dormir sem antes conferir se tranquei todas as portas da casa. E como eu faço isso? Destrancando e trancando novamente. Também não gosto de nada que não esteja enumerado em algum tipo de ordem, e por isso eu organizo MINHA VIDA através de ordens bizarras. Por exemplo, as musicas são em ordem alfabética e os livros em ordem alfabética de gênero. Até ai tudo bem, mas os perfumes são enfileirados do mais frutal ao mais amadeirado, bem como os cremes e outras coisinhas de higiene pessoal. As roupas seguem o clássico método de organização por cor.

Sei que nada disso é importante de verdade pra minha vida e eu muito provavelmente conseguiria encontrar tudo do mesmo jeito se organizasse as coisas um pouco menos meticulosamente. Sei dizer por exemplo quando alguém mexeu no meu armário, mesmo que tenha colocado de volta porque geralmente as pessoas deixam algum pequeno detalhe fora do lugar, e esse detalhe, por me irritar profundamente, me faz ter certa atenção.

Isso faz de mim uma criatura de hábitos. De fato eu detesto coisas de improviso, e tenho uma grande dificuldade em acompanhar mudanças drásticas, enquanto outras pessoas, pelo que pude perceber, adoram essas mudanças.

Se me levanto todos os domingos as 6h para ir a Missa, saio de casa as 6h45 e chego pontualmente as 6h55 na igreja, o dia que por algum motivo eu chego lá as 7h me incomoda profundamente, ainda que esses cinco minutos nada influenciem na organização do altar. Mas é um hábito difícil de quebrar.

Também não consigo deixar o volume de nenhum aparelho num número par, e se as coisas estiverem sempre centralizadas eu agradeceria muitissimamente. Gosto de alinhar a franja meticulosamente sobre o olho esquerdo, mesmo sabendo que o vento vai tirar ela do lugar no exato momento em que minha mão abaixar. Gosto de estalar os dedos a cada 20 ou 30 minutos e tenho verdadeiro pavor de coisas tortas, como velas, toalhas e linhas.

Outros hábitos no entanto, me incomodam e me prejudicam. Habitualmente por exemplo eu detesto ouvir a voz de quem quer que seja mais ou menos durante o período de 1h depois de acordar, seja de manhã ou em qualquer outra hora do dia. E isso me deixa explosivamente nervoso, bem mal educado inclusive. 

Também tenho o péssimo hábito, ou costume, de interpretar de forma errada as pessoas ao me redor. Eu tenho o dom incrível de sempre chegar a conclusão errada ao tentar ler uma pessoa. Por exemplo, se alguém fica levemente diferente comigo no relacionamento virtual eu já começo a imaginar cinquenta mil possibilidades para justificar tal mudança: a pessoa descobriu algo sobre mim que não gostou, eu fui chato em algum momento, ela na verdade nunca gostou de conversar comigo e eu a cansei... Mas na verdade a pessoa apenas está com sono, ou cansada, ou sem tempo, e nem sequer percebeu que estava diferente. Mas na minha cabecinha perturbada não, isso não entra de forma alguma.

Sou um mocinho cheio de hábitos, não consegui me lembrar de nenhum deles agora, no entanto são quase todos bobos, alguns até divertidos, mas não chego a ser um transtornado compulsivo, só um carinha estranho mesmo... 

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Disposição

Acredito que a essa altura do campeonato ninguém mais (além de mim) acredite em Príncipe Encantado não é mesmo? Pois bem! Continuo acreditando pois sou um sonhador nato, óbvio.

Enfim, ninguém acredita mais nisso, porque de perto, ninguém é perfeito, então não existe príncipe encantado, não existe amor perfeito, nem pessoa ideal. No máximo encontraremos uma pessoa cheia de defeitos e que vai estar disposta a nos amar e a aguentar nossos defeitos, pedindo apenas que façamos o mesmo.

Mas como nada é ruim o suficiente que não possa piorar, eu acredito que até essa já é uma visão deveras otimista da vida. O problema que eu encontrei se encontra justamente num pequeno detalhe dessa afirmação: disposição!

Acontece que hoje em dia as pessoas não estão mais dispostas a nada. Ninguém quer se dar ao trabalho, ninguém quer se esforçar, ninguém quer se arriscar. Ao menos não pelo outro. Tudo o que fazemos, somos e tudo pelo que lutamos é por nós mesmos. 

Ninguém está disposto a se esforçar pelo outro, a arriscar tudo pelo outro, a apostar num relacionamento. "Ah, mas eu não o amo mais, vamos terminar!" Tudo é assim, simples, qualquer coisa já é motivo para desistir. 

Mas realmente, no século do egoísmo, quando o eu se tornou mais importante que o nós, já era de se esperar que as pessoas valorizassem sempre mais o próprio bem estar, ao invés de arriscar a felicidade acompanhada. Lamentável.

No entanto, mesmo com essa sendo a mentalidade comum, eu ainda continuo acreditando no amor, com uma esperança até mesmo exageradamente inocente. Mas fazer o que não é? Se todos deixarem de acreditar no amor, quem vai acreditar?

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

(In)Feliz Aniversário

Eu simplesmente odeio o dia 21 de Fevereiro, data do meu nascimento, em trágicos 22 anos atrás. 

Primeiramente eu nunca compreendi essa convenção social boba de se comemorar o dia do nascimento de um pessoa com festas e presentes. Se o propósito fosse presentar com algo que essa pessoa considerasse útil, seria muita mais inteligente e bem menos cansativo presentar com dinheiro. Seria mais ou menos assim: ao invés de procurar comprar algo no valor de cinquenta reais, seria muito ais simples dar apenas o dinheiro a ela. Daí, no meu aniversário ela faria o mesmo, repetindo o ciclo por 40 ou 50 anos até que um dos dois morresse, deixando o outro cinquenta reais mais rico. 

No mais, eu simplesmente detesto, com todas as minhas forças, o fato de a cada ano ser considerado mais velho. Que benefício pode haver nisso? Nenhum! 

Para os outros eu vejo como muitos consideram tal dia como uma ocasião de celebração da vida e toda aquela baboseira, mas não há nada para celebrar (no meu caso), tornando então esse dia uma celebração vazia de todo e qualquer sentido humano.

O que tem demais em 22 anos? Duas décadas de fracassos e derrotas. O que eu fiz nesses 22 anos miseráveis de existência? Nada!

Se acaso viesse a morrer hoje nada deixaria como legado. Até mesmo esse blog deixaria de existir em alguns meses. Nenhuma conquistas acadêmica ou profissional, nenhuma conquista pessoal, e exceto por uma ou duas pessoas além dos meus pais, não acho que muita gente iria sentir minha falta. Talvez por um dia ou dois, quando vissem que a sacristia da igreja foi abandonada ou que não haveria mais um bobo para mandar poemas de boa noite. Mas nada que realmente seja importante. 

Não é uma data feliz por uma nova fase que se inicia, mas é uma fase horrível que continua. Não é um novo dia, uma nova possibilidade, mas sim um dia a menos!

Penso que a cada aniversário completado, é uma recordação da morte que se aproxima. Por isso meu aniversário é para mim uma grande celebração da morte. Sim, da morte! É o dia em que reflito sobre a sabedoria que alcançaria com a morte. Afinal, nessa vida podemos aprender sobre todas as coisas, temos uma vasta gama de conhecimentos a serem explorados, mas ainda resta uma coisa que permanece desconhecida a todos os viventes: a morte! Esse conhecimento só é adquirido através dessa experiência, e admito que é algo que atrai diariamente. Todo o mistério envolvido na morte é para mim um objeto de desejo.

Não gosto do meu aniversário, não gosto de envelhecer, não gosto de ver o quanto sou inútil. 

Por isso não há nenhuma razão para comemorar. Odeio esse dia. Só posso me esconder e torcer para acabar logo.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Não quero

Eu estou desesperado, completamente aterrorizado. 

Socorro, estou perdido (de novo)! Não sei onde estou, nem como cheguei aqui. Não faço ideia de como posso sair daqui e nem do que eu devo fazer a partir de agora.

Muito embora ainda esteja claro, e a rua ainda visível na minha frente, tudo o que meus olhos conseguem ver é uma escuridão medonha, um caminho que aparenta me levar a umd estino frio e cruel.

Estou desesperado, completamente aterrorizado. Sem rumo, sem prumo, sem equilíbrio, sem motivo, sem objetivo, sem sorriso. 

Quero dormir, mas o sono não vem, e as dores não deixam que ele se aproxime. Quero chorar, mas as lágrimas secaram, tudo o que consigo é uma série de caretas e expressões de dor, que na verdade são reflexo das dores que meu corpo todo sente.

Minhas costas doem. 

Minha cabeça dói. 

Meu pesocoço dói. 

Meu coração queima. 

Eu estou desesperado, completamente aterrorizado. 

Dentro de mim uma voz grita pedindo para sair, mas eu não consigo entender o que ela tem a me dizer. Apenas sinto que algo está errado, que algo precisa ser mudado e que algo precisa ser feito, senão eu com certeza morrerei. 

Mas morrer não é mais uma coisa assustadora. Alguns se perguntam por que a morte é tão difícil. Eu discordo. Morrer é fácil, viver é que é difícil.

Eu não quero mais viver, não quero mais. Me chame de frouxo, de covarde, de fraco, do que quiser, mas não quero mais continuar com isso. Não quero mais, chega. Mas ainda sou covarde demais até mesmo para morrer... Um completo inútil, sem realmente nenhuma utilidade, sem nenhuma coragem, sem nenhum futuro.

Não quero mais sofrer, não quero mais chorar, não quero mais me esconder, não quero mais me machucar, não quero estudar, não quero me incomodar, não quero sair, não quero conhecer, não quero me dar ao trabalho. 

Eu só quero paz. Comigo mesmo e com o mundo.

Não quero ter de satisfazer a vontade de ninguém. Não quero fazer mestrado ou trabalhar pra agradar a mais ninguém, e também não quero ficar mais cansado, porque tudo isso me cansa só de imaginar... 

Não quero. 

Não quero. 

Não quero... 

NÃO QUERO! 

NÃO QUERO! 

NÃO QUERO!

E essa dor só aumenta, sobe pelo peito, esmaga meu pulmão, como se alguém pisasse com força sobre mim, e queima, queima como se eu tivesse de engolir um pedaço de carvão em brasa, mas como o fogo a dor não diminui, parece consumir cada vez mais o meu corpo, o meu eu. E já não sei mais o que ele tem para consumir, pois não restou nada, já levou meu corpo, meu amor, minha alma, nada restou...

E eu não quero mais essa dor... 

NÃO QUERO! 

NÃO QUERO! 

NÃO QUERO!

Não quero. 

Não quero. 

Não quero... 

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Dificuldades

Não raramente eu me orgulho em dizer que sou um cara sensível. Me orgulho em deixar claro que eu sinto mais do que a maioria das pessoas. Me orgulho por ser um dentre milhares que ignoram os sentimentos de carinho, atenção e amor verdadeiro. No entanto...

No entanto por mais que eu saiba ser essa uma importante característica para minha sobrevivência num mundo que dita que eu devo ser exatamente diferente do que eu sou, ser ainda é as vezes mais doloroso do que eu gostaria de admitir.

Realmente ser assim é complicado, pois a todo momento sinto como se estivesse mais vulnerável do que todos os outros. Sinto como se estivesse numa grande caverna, bem no fundo, e lá eu gritasse desesperadamente, na esperança de um dia ser ouvido por alguém.

Esse grito parte do lugar mais profundo da minha alma, e ecoa por todo meu corpo, chegando ao meu coração e saindo pelas lágrimas que brotam pelo silêncio que recebo como resposta. Tudo o que consigo ouvir é o eco da minha própria voz, existindo sozinha na escuridão daquela caverna. 

Já se sentiu como se você sentisse demais, e não fosse compreendido por isso? Como se isso fizesse de você uma pessoa completamente diferente de todas as outras e que por esse motivo nunca conseguirá se encaixar em nenhum lugar? Pois bem!

Sei que não há motivo pra mudar o meu jeito de ser, mas também digo que é doloroso ser assim, é mais difícil do que eu gostaria que fosse. Mas talvez por esse motivo mesmo é que a recompensa será boa... ou não, nem sei se haverá uma recompensa no final de tudo.

Talvez a vida não seja uma corrida olímpica, com direito a premiações e homenagens no final e isso seja apenas uma coisa que criamos na nossa cabeça para tentar nos animar a continuar lutando e insistindo nas batalhas da vida quando na verdade todas elas são infundadas e injustificáveis, sendo apenas uma fonte inesgotável de dor e sofrimentos mil... 

Mas não há nada que possamos fazer, senão continuar a sofrer, e eventualmente reclamar, afinal ninguém é de ferro, e justamente por sermos todos feitos de carne, osso e gelatina, é que devemos continuar sentindo...

Responsabilidades e profundidades

Responsabilidade definitivamente não é pra todos. Só se é responsável com aquilo que se preza, e só se preza aquilo que de uma forma ou de outra é importante para nós, seja porque a falta de tal coisa nos causaria desconforto ou porque amamos tal coisa que para nós se torna impossível tratar a mesma com desdém.

Cheguei portanto a conclusão que é impossível ensinar alguém a ser responsável com algo que não se ama ou não se preza. É um desperdício de tempo e paciência, e nos dias de hoje essas coisas são valiosas para serem desperdiçadas com pessoas vazias demais para compreender esses conceitos.

Conceitos

Além de responsabilidade, creio que também somos incapazes de fazer o outro compreender o que sentimos, ao menos completamente.

Sentimentos como amizade, carinho, afeto, atenção, são todos abstratos e pessoais demais para conseguirmos fazer o outro compreender a definição que temos de tais coisas.

Impossível uma pessoa vazia compreender um apaixonado de seus sentimentos. Impossível essa mesma pessoa compreender o amor e a dedicação que temos para com aquilo que amamos. E isso se aplica as mais variadas esferas de nossa vida.

Vejo ao meu redor e percebo pessoas incapazes de compreender o amor que sinto. Vejo ainda pessoas me tratarem como se a forma que eu amo fosse completamente absurda para os padrões atuais que a maiorias das pessoas tem sobre essas coisas. Mas ai eu me pergunto? O absurdo está na forma como eu vejo o mundo e as relações entre as pessoas que nele vivem, ou absurda é a forma como o mundo passou a conceber essas mesmas relações?

Desculpem-me os partidários da política do desapego que ditam que o melhor é não sentir nada. Os humanos são criaturas sentimentais, e a beleza dos sentimentos está na sua intensidade. Qual seria a graça de uma amizade morna, de um amor morno? Logo, se os homens são seres sentimentais, deixar de possuir esses mesmos sentimentos seria o mesmo que deixar de viver. Ora, não nos reduzimos muitas vezes a pessoas que apenas levam uma existência vazia demais para ser chamada de vida?

E essas pessoas, estamos assim tão distantes uns dos outros, sentimentais e não sentimentais, que nunca conseguiremos alcançar uns aos outros?

Percebo isso ao ver que muitas vezes nos derramamos demais, nos dedicamos demais, a pessoas que são incapazes de retornar ou até mesmo de compreender o que sentimos, o que queremos e o que amamos. Por mais que a gente diga "eu te amo" ou até mesmo que através de atos demonstremos esse amor, é o mesmo como se estívessemo derramandoa água num jarro partido. Mas se é assim que funcionam nossas relações, o problema não está em quem se derrama, mas em quem é incapaz de conter.

Me recuso a acreditar que o erro está em sentir demais. O mundo é que não sente mais nada, e não sentindo quer que todos os outros também deixem de sentir.

Somos uma raça em extinção.

Quem muito ama, quem muito sente é visto como estranho, é sempre incompreendido e classificado como alguém que tem apego ao sofrimento, quando na verdade só nos recusamos a aceitar que a alegria do homem está no sufocar aquilo que quem nasce naturalmente do nosso âmago.

Mas continuo na busca, aliás, já encontrei algumas pessoas que também sentem demais, que pensam demais, e que às vezes sofrem demais, mas ainda precisamos nos reunir, reunir todos aquelas pessoas que nesse mundo de insensíveis ainda insiste em amar e sentir demais, pois somos a única salvação para este mundo que cada vez mais se torna triste, vazio e cinza!

Só quem ama consegue entender então o que é amizade, o que é companheirismo, o que é confiança, o que é afeto, o que é responsabilidade.

Apaixonados de todo o mundo, uní-vos!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Amigo

Quanto vale alguém ao seu lado em todos os momentos?

Acredito que esse seja um problema que já encontramos na própria definição de amizade.

O que é um amigo?

Um amigo é alguém em quem você confia seus segredos mais obscuros? Então isso é um amigo ou um confidente? Um amigo é alguém em quem depositamos a confiança num momento de dificuldade? Então um amigo é apenas alguém de quem esperamos alguma coisa? Um amigo é alguém que nos consola quando estamos desolados demais para conseguir seguir em frente? Então reduzimos os amigos a apenas responsáveis por um apoio moral que nossas pequenas mentes distorcidas são incapazes de oferecer a si mesmas?

Creio que um amigo não seja nada disso...

E seja exatamente tudo isso ao mesmo tempo!

Amigos são almas irmãs. Pessoas que se encontraram em meio as estradas da vida e que, por diversos motivos, se aproximaram e já não vivem mais uns sem os outros. Não há motivo claro, ou ao menos não é necessário que exista um para duas pessoas serem amigas.

Tenho amigos para quem conto meus segredos, todos eles, para outros não. Tenho amigos para quem gosto de mandar mensagens de bom dia e corações fofos, e tenho amigos com quem só converso as vezes. Não significa que amamos uns mais do que outros, apenas amamos de formas diferentes. E o amor é tão vasto em suas demonstrações quantas são as pessoas que devemos amar, e a quem devemos amar mesmo? A todos! Por isso não digo que amo apenas meus amigos, amo também meus inimigos (ou ao menos deveria amá-los), mas todos de forma diferente.

Amo a minha mãe diferente de como amo meu pai, e amo meu amigo confidente diferente da forma que amo meu amigo companheiro das horas difíceis. Mas amo.

Há também conexões e conexões. Tenho amigos com quem convivo há anos, e nem por isso somos próximos o suficiente para depositar neles minhas decepções e fraquezas. Por outro lado as vezes revelo essas coisas para amigos que conheço há poucos meses. Não significa dizer que amo mais o segundo em detrimento do primeiro, apenas demonstro isso de formas diferentes.

Tenho amigos que amo apaixonadamente, abraço, beijo, aperto e perturbo na internet o dia inteiro se deixar, e tenho amigos que na verdade são colegas, pessoas próximas mas que ainda não consigo amar como deveria. Acredito que essa seja a única diferença eu, infelizmente, faço. Não existem amigos, colegas e conhecidos, apenas pessoas que ainda não consigo amar como deveria.

Claro, sempre haverão ao nossos redor pessoas com quem nos sentiremos mais a vontade ou não, mas isso não muda o fato de que devo amar a todos.

E então volto a perguntar: Quanto vale alguém ao seu lado em todos os momentos?

Com essa pergunta eu busco (me) questionar justamente sobre o fato de que, o que estou fazendo pelo próximo para ser tratado como seu amigo? Quais sacrifícios tenho feito por aqueles que espero que se sacrifiquem por mim? (Não que ser amigo signifique se sacrificar, mas ao menos estar disposto a fazê-lo).

Trata-se de um questionamento que faço antes de tudo para mim.

Tenho amigos que amo a ponto de querer dar a vida por eles. E tenho amigos que não. No entanto, deveria amar a todos igualmente, e desejar dar a vida por todos. Ainda preciso trabalhar mais isso dentro de mim.

Por isso desejo cada dia mais conseguir amar o outro como ele merece ser amado. A cada dia eu preciso aprender a amar o outro, independente de ele me passar ou não confiança, e independente de ele ter ou não alguma (má) intenção para comigo.

Preciso também a cada dia aprender o que significa TER e SER um amigo.

Ser um amigo é amar, dedicar-se, bem querer, desejar, brincar, abraçar e se preciso for, se sacrificar. SEM DESEJAR NADA EM TROCA. Amar exige em primeira instância justamente o amor verdadeiro, que é desinteressado, gratuito, justamente por ser divino!

O amor é divino, a amizade é divina! Ser amigo é ser instrumento de Deus e amar como ele nos ensinou. Todo o resto pode mudar: podemos confiar ou não em tal pessoa, sorrir ou não ao lado dela, mas a única coisa que não podemos escolher é se devemos amar ou não, e quando amamos, somos amigos!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Observador

Nosso mundo é de uma grandiosidade inimaginável. Qualquer um que já tenha viajado, por poucos lugares que seja,consegue perceber o quanto o mundo guarda segredos maravilhosos. 

Não é raro ver que os homens, especialmente as crianças, sonham com aventuras fantásticas, que se passam por mundos de fantasia moldados no interior de nossos sonhos mais livres. Afinal, quem nunca sonhou em ser um grande herói, com poder para mover montanhas, ou de voar rasgando o céu, sendo visto como deus pelos homens? Todo garoto já sonhou em ser um super homem, pois deve ser fantástico fazer coisas que ninguém mais é capaz de fazer, e ser admirado por elas... 

Meus sonhos não ficaram na infância, ainda sonho em lutar com super vilões e salvar o mundo, ganhando da mocinha (?!) um beijo ao final de tudo. Isso porque eu ainda desejo poder fazer coisas que ninguém mais consegue. Pois tolo como sou, não percebo a grandiosidade das coisas de que sou capaz, afinal eu sou único!

Sei bem que a internet já está completamente repleta de textos motivacionais que sempre dizem as mesmas coisas: "Você é único, incrível, só você é capaz de realizar seus sonhos, por isso acredite em você mesmo..." e por aí, as possibilidades são infinitas, mas verdade seja dita, a esmagadora maioria desses textos são manjados demais para surtir qualquer efeito que seja na alma ou na auto estima de uma pessoa. Quem os lê então, a menos que esteja buscando apenas massagear o seu ego já bastante inflamado, muito provavelmente vai terminar sua experiência de contato tão vazio ou mais vazio do que antes. Isso porquê se uma pessoa não acredita mais em si mesma, não é um texto de autoria de pseudointelectuais que irá mudar isso. A mudança da auto estima parte de dentro, e é quase impossível que alguém de fora consiga mudar algo que dentro de nós já está deveras prejudicado.

Não que eu tenha moral alguma pra dizer isso, afinal eu ainda espero ansiosamente pelo dia em que andar por ai com uma máscara na cara seja socialmente aceitável, pois acho covardia obrigar o mundo a olhar para mim.

No entanto, vejo que tantas outras pessoas passam pelo mesmo problema que eu. Não acreditam em si e nem em seus potenciais. E é complicado observar isso sem conseguir fazer nada. Meus amigos mesmo, tenho orgulho de dizer que são algumas das pessoas mais fantásticas que já conheci, e a honra que é ter sua amizade é quase incalculável, mas ainda assim, eles tratam a si mesmos como se fossem piores do que a escória da humanidade. 

Estranho ver um dos homens mais bonitos que conheço dizer que se considera feio, e ver o quanto sua auto estima é ruim por não ter o corpo que considera belo. O mesmo se passa comigo, não que eu seja bonito, claro!

Acontece que, os heróis que conheço, ou melhor, as pessoas que realizam feitos incríveis, são na verdade pessoas comuns. De perto, nenhuma delas é realmente extraordinária. E ao mesmo tempo todas o são. 

O que estou tentando dizer é que ninguém é um super homem 24h por dia. Alguns são o são quando voam nos altos céus, ou quando levantam carros com apenas uma das mãos. O mesmo para quem consegue estudar, trabalhar e ainda ter pique pra sair com os amigos no fim de semana. Isso é ser um super homem. 

Ser um herói é saber reconhecer uma boa música numa sociedade onde todos foram bestializados pela triviliade da produção de massa que transformou uma sub-cultura em algo digno de ser ouvido, mas que deveria ser apenas usado como exemplo do que não ser e do que não fazer.

Se nos quadrinhos os heróis precisam salvar a terra de invasões alienígenas e gênios do crime os os heróis do mundo real precisam salvar os homens deles mesmos, pois a morte se tornou objeto de desejo do homem, que acredita desejar uma vida de prazeres.

Valores trocados, experiências vazias de sentido e significados, uma sociedade deprimida e ansiosa. E no fundo da alma, um garotinho ainda sonha em fazer a diferença. Sua visão infantil de justiça e de certo e errado é a única amarra que o impede de sucumbir a zumbificação dos que o rodeiam, mas isso significa que ele se sente sozinho, afinal é incompreendido e mal visto por todos. E as vezes esse herói se sente incapaz de salvar seu povo, e no íntimo ele começa a se perguntar se talvez não fosse melhor render-se, desistir de lutar e apenas entregar-se, levando a vida que todos querem que ele leve.

Eu não sou um herói, não tenho forças para realizar nada do que os outros são capazes. Também não sou um intelectual, capaz de guiar com a razão aqueles que possuem força dentro de si. Eu só observo, e sendo um mero observador eu apenas posso acompanhar, na maioria das vezes com tristeza, os rumos que tomam os heróis desse mundo. Tragicamente percebo que até mesmo aqueles que deveriam guiar a humanidade para o progresso na verdade apenas lanças os seus no precipício. Mas a hipnose foi completa e todos acreditam caminhar em direção a terra prometida, quando na realidade caminham para a morte certa. O observador não tem voz, nem tampouco força, o observador não é um herói, ele apenas sonha.

Sonha com um mundo melhor, com uma vida feliz, com um amor perfeito, com uma grande aventura. Mas não pode realizar nenhum de seus sonhos. 

E então com tristeza ele observa sua própria imagem, que se reflete num espelho d'água, e vê que nunca será um herói, nunca será importante, e nunca conseguirá salvar sua humanidade. É muito fraco, muito pequeno, não possui nenhum atributo dos guerreiros, nem dos magos, nem dos sábios. Não pode então lutar, nem liderar, nem conjurar feitiços, nem ser exemplo a ser seguido. Ele é apenas ele mesmo, sem acreditar em si, mas já sem esperanças no outro também. 

O que poderá ele, tão pobre, tão frágil e tão covarde, realizar sozinho? Nada.

A verdade é que alguns nasceram sob uma boa estrela, nasceram destinados a grandeza. Outros destinados ao fracasso, e existem ainda aqueles que não foram destinados a nada. Apenas vivem para observar as vitórias e fracassos do outro, mas sem nunca tomar perdido em nenhuma batalha para si. Morreram da mesma forma que viveram, sem nada realizar e sem nada para surpreender os seus.

Aceitar isso é a única coisa que um desses observador pode fazer, para tentar ter o mínimo de felicidade que sua condição desprezível lhe posssibilita. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Leãozinho

Hoje foi apenas mais um daqueles dias em que fui completamente inútil ao meu país, ou a qualquer outra coisa. Na verdade a única beneficiada de hoje foi a biblioteca de músicas do meu notebook, já que eu baixei mais de 100 CDs de Kpop só pra tentar aliviar a minha necessidade patológica de organização eletrônica. 

Na verdade eu tenho estado deprimido nos últimos dia, deprimido demais pra tomar qualquer atitude, e estou tentando diminuir a quantidade de benzodiazepínicos no meu sangue, então estou evitando os tarja preta o máximo que posso. Mas não sei se conseguirei ficar longe deles por muito tempo, porque meu corpo segue uma lógica bem simples: se eu fico longe dos tarja preta, eu me aproximo dos problemas emocionais, principalmente no tocante a esfera amorosa, e não queremos isso não é mesmo? Pois bem.

Aliás, não era pra eu estar falando sobre a minha quase-dependência a remédios controlados hoje, o foco do meu desabafo era pra ser um pouquinho diferente, mas como disse alguns dias atrás, as palavra são livres, e portanto fluem livremente através de mim, mesmo que seja para falar sobre sua própria liberdade. 

De qualquer forma, eu estou cansado. Não fisicamente. Fisicamente continuo igual, mas minha está destruída, cansada, exausta de tentar chegar sabe-se lá onde... Mais uma vez eu queria ficar aqui quietinho, deitadinho, ouvindo BoA enquanto meu pensamentos fluem pra longe, pra ficar do lado do meu leãozinho... 

Leãozinho, apelido bobo que inventei pra ele, porque a beleza dele é arrebatadora como a de um grande felino, mas ao mesmo tempo que é bela, é tão grandiosa que sua presença esmaga quem a contempla. Mas ainda assim, é uma beleza fenomenal. (O diminutivo é só reflexo da minha mente infantil mesmo...)

Claro que a personalidade dele é ainda mais incrível que sua beleza, mas não há como descrever em palavras as características tão belas de sua alma, seria impreciso demais, nem conseguiria sequer arranhar a superfície de sua genialidade. Mesmo sendo de um alcance limitado, não posso me furtar a dizer algumas palavras sobre tão distinta pessoa.

De uma inteligência e sagacidade impar, ele consegue se impor delicadamente sobre a maiorias das situações. Sem dificuldade encontra a solução mais agradável para todos durante um momento de desentendimento. Claro, ele ainda é um homem, não um deus, e não estou dizendo que ele é perfeito, mas se os homens pudessem alcançar a perfeição, certamente ele seria um forte candidato. 

Mais do que sua beleza, foi justamente sua personalidade que me conquistou. Equilibrando virilidade e delicadeza de uma forma que eu não achei ser capaz ele aos poucos foi conquistando minha atenção, e logo depois, conquistou também meu coração...

Não poderia conceber uma descrição mais tola de uma pessoa tão cheia de facetas e enigmas, mas de qualquer forma é assim que, de forma resumida, ele se apresenta através de minhas palavras...

Por isso gosto tanto de pensar em sua figura, pois não sendo possível descrevê-lo usando palavras, a criatividade o faz usando de belas imagens... Ah se fosse possível imprimir de algum forma as imagens que se apresentam em minha mente... Certamente seria eu considerado mais genial do que qualquer outro artista que nessa terra já ousou plasmar uma figura divina... E assim eu continuo aqui, deitado no escuro, pensando no meu leãozinho... 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Energias

Não sei se somos seres de energia. Não sei nem ao menos o que dizer isso significa, mas não sabia tampouco como começar o texto de hoje. Não somos de energia, mas a temos dentro de nós. Chame como quiser, eu chamo de espírito, alguns de alma (sim, eu sei que tem uma diferença), outros de aura, ou sei lá mais o que a criatividade humana foi capaz de inventar para nomear isso.

O fato é que dentro de nós habita uma força misteriosa, que as vezes se expande e outras vezes se retrai. Me recordo dela como uma força que flui do interior como um rio, e que as vezes encontra obstáculos a sua frente e se represa, mas que as vezes também se enche e sua fúria acaba por destruir tudo o que há por perto. 

Ela pode aumentar conforme nossos sentimentos se intensificam. Quem nunca sentiu uma força extraordinária ao ficar possuído pela raiva? Ou quem nunca sentiu ser capaz de derrubar um tanque ao começar a amar alguém? Pois bem, é a isso que me refiro, essa força interior que as vezes flui para fora de nós através das mais diversas maneiras, como força física ou palavras de ódio ou carinho. De qualquer forma ela está la, sempre presente em nosso interior, e as vezes se manifestando no exterior.

Por isso pessoas com "energias" parecidas se atraem. Não me refiro a nada tão bobo quanto as energias que o exoterismo afirma existir, me refiro a afinidades, carinho, apreço ou desprezo, é disso que falo, no entanto a pobreza do meu vocabulário me faz soar como algum charlatão que afirma ser capaz de ver o futuro nas estrelas ou nas folhas de chá... 

Me preocupo em externar essa energia quando não devo, como por exemplo quando olho demais para alguém e outros começam a perceber as minhas intenções, é engraçado pois se somente fosse visto olhando, nada significaria, mas o fato de a pessoa compreender o que se esconde por detrás do ato é a prova de que algo a mais se exterioriza, além do próprio ato em si.

O mesmo quando estamos ao lado de alguém especial... Algo em nós altera a atmosfera em que nos encontramos e acabamos dando a entender o que se passa em nosso interior. Nenhuma palavra foi dita, nenhum olhar foi trocado, mais ainda assim os dois sentem como se estivessem na mais profunda das conversas. Ou não. Talvez eu tenha me equivocado completamente e tudo não passou de um grande mal entendido. 

(Estatisticamente falando isso é bem provável de acontecer, afinal não seria a última vez. Fica no ar então o questionamento: a sensação daquela troca de energias foi real?)

Tendo sido ou não real eu me senti bem... Gostei de estar ali, em silêncio, ao lado dele. Será que sentiu a energia que fluía do meu coração naquele momento? Novamente, fica no ar o questionamento... 

Cada um de nós tem dentro de si um universo inteiro a ser explorado... Um mundo de emoções, energias e poderes ainda desconhecidos. Quando duas pessoas se unem, esses universos colidem, e dão origem a outros universos, infinitos maiores que os infinitos que antes existiam naqueles dois... É belo ver essa colisão de estrelas, dos universos que, colapsando, se tornam um só... É, gosto disso, é uma bela forma de ver a vida, e a forma como nos relacionamos... 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Palavras livres

As palavras constituem para o homem um universo misterioso. Virtualmente elas traduzem em símbolos e códigos aquilo que se passa na superficie da alma de uma pessoa, mas nem sempre essa tradução é fiel e em muitas das vezes as palavras apenas arranham a imensa realidade do coração do homem.

Por outro lado aqueles que dominam com maestria essa arte tão bela conseguem se aprofundar ainda mais nas águas turbulentas que é a psiquê humana. Por isso como resultado dessa discrepância entre mestres e tecnicas é que as vezes temos muitas coisas para dizer sobre poucos assuntos, em outros dias, como hoje, temos poucas palavras a serem ditas e muitas a serem sentidas, vividas. 

Acontece que as palavras, assim como nossa alma, são livres. São livres para fluirem como quiserem, livres para ir, para voltarem, para fazer sentindo ou para enganar. São livres, e é na liberdade das palavras que o poeta encontra a beleza necessária para poetizar as dores de sua alma, pois é nessa mesma liberdade que ele se torna verdadeiramente livre das amarras da humanidade. 

Você (não) está sozinho.

Você (não) pode avançar.

Você (não) pode voltar.



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Fios e escolhas

“Um fio invisível conecta os que estão destinados a conhecer-se… Independentemente do tempo, lugar ou circunstância… O fio pode esticar ou emaranhar-se, mas nunca irá partir.” – Antiga crença chinesa

Será que de alguma forma nosso destino está já predefinido? Será que tudo ao nosso redor acontece apenas por acaso ou algumas coisas estão fora de controle para nós, homens? 

Minha veia romântica gosta de pensar que algumas pessoas estão sim destinadas a ficarem juntas, almas gêmeas, por assim dizer. Sim, sei bem que e trata de uma concepção bem infantil do que seja o amor, ou destino, mas ainda assim n;ão deixa de ser uma bela visão. Quantas belas histórias de amor não estão a acontecer ao nosso redor sem que possamos perceber? 

Nesse exato momento, dois amantes que passaram a vida em busca um do outro podem estar se encontrando e finalmente se apaixonando, dando início a um amor que haverá de durar por toda a eternidade? Por outro lado, almas que estão destinadas a ficarem juntas podem estar nesse exato momento entregando-se a outros acreditando que assim serão felizes, mas na verdade estão assinando o próprio certificado de óbito...

Não há como saber se tal pessoa é nossa alma gêmea, ou talvez seja possível, mas quem encontrou a resposta para tal pergunta certamente a guardará para si, junto com seu amor. 

É belo pensar que, nesse exato momento alguém em algum lugar do mundo possa estar também em busca de mim, que sou seu grande amor, como eu também busco. Minha tristeza? Apenas resultado da nossa distância. Assim acontece com aqueles que tem em seu dedo o fio do destino, quanto mais longe da pessoa prometida, mas triste se encontra e quanto mais próximo, maior é a sensação de felicidade e completude. 

Talvez eu esteja destinado a conhecer alguém, um amor, um amigo, ou os dois, mas talvez exista em algum lugar um plano onde eu esteja envolvido com alguém. 

Acho que acabamos restringindo demais nossas relações e por esse motivo nos tornamos infelizes. Por exemplo, quando pensamos em amor, pensamos em namoro, sexo, coisas assim. Mas amizade também envolve amor, logo duas pessoas podem estar destinadas a viverem juntas, como amantes amigos, companheiros... 

Mas nem tudo é definido pelo destino. Nossa vida é o conjunto de predefinições estabelecidas por uma força superior, para mim, Deus, para outros, o universo ou sei lá o que mais, e também de escolhas, que só dependem de cada um de nós.

Por exemplo, não escolhi ser gay, outros sim. Não escolhi ter os cabelos castanhos ou a pele morena, mas escolhi tatuar um ourobouros no peito e uma houmounka nas costas. Outros escolheram pintar os cabelos ou deixar como estavam. Alguns decidem mudar de estado e assim dar uma virada de 360° na vida, outros escolhem permanecer como estão.

Algumas coisas estão destinadas, outras nós é que devemos escolher. E é belo notar a complexidade do mundo que nos cerca. Basta olhar para o céu iluminado pelas estrelas para se ter uma noção da grandiosidade esmagadora de tudo que existe. Por isso algumas vezes é bem difícil dizer se algo foi premeditado ou escolhido. As vezes inclusive culpamos o destino por nossas escolhas erradas, e queremos chorar pela nossa triste sorte, enquanto suspiramos pela liberdade, mas nos esquecemos que o poder de alterar o destino está em nossas mãos. 

Gostaria só de dizer isso: há sim um futuro predefinido para cada um de nós, mas temos o poder de alterar esse mesmo destino com nossas mãos, se decidirmos lutar pela felicidade e pelo amor com todas as forças... Pois o amor é isso, a maior das forças, capaz de distorcer até mesmo o véu de aço do destino que se coloca a nossa frente. 

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Vivendo e aprendendo

Eu sou feito de
Sonhos interrompidos
Detalhes despercebidos
Amores mal resolvidos.

Sou feito de
Choros sem ter razão
Pessoas no coração
Atos por impulsão.

Sinto falta de
Lugares que não conheci
Experiências que não vivi
Momentos que já esqueci.

Eu sou
Amor e carinho constante
Distraída até o bastante
Não paro por um instante.

Tive noites mal dormidas
Perdi pessoas muito queridas
Cumpri coisas não prometidas.

Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
Pensei em fugir para não enfrentar
Sorri para não chorar.

Eu sinto pelas
Coisas que não mudei
Amizades que não cultivei
Aqueles que eu julguei
Coisas que eu falei.

Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
Lembranças que fui esquecendo
Amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.

Martha Medeiros

Ritmos e sensibilidades

Definitivamente não é uma boa noite, deveras fria e tranquila, lá fora, aqui dentro do meu peito tudo está prestes a se romper. Minha sanidadade se encontra presa apenas por fio, um dos fios dourados do destino que indicam nossa vida. Ok, talvez seja sim uma boa noite, mas certamente não é uma noite fácil, muito menos simples!

Estou sensível, mais do que o habitual, e tudo está me afetando, tudo mesmo, desde o olhar torto de um estranho na rua até o abraço frio de um amigo, ou um beijo sincero de uma amiga. 

O problema de ser sensível, e estar ainda mais do que o habitual, é que tudo o que acontece ao meu redor se torna motivo pra risos ou choros, e eu vou do sentimento de morte a alegria completa em questão de poucos minutos. é cansativo, ninguém aguenta uma carga neural tão intensa assim por tanto tempo. 

Por isso eu gostaria de diminuir o ritmo...  Assim como a chuva começou a cair forte nos últimos dias logo se tornou uma garoa fresca e agradável que tem caído quase que o dia todo aqui na região... Ela diminuiu o ritmo, continua chovendo, mas não na mesma intensidade. Eu gostaria de ser capaz de fazer isso com minha cabeça, e com meu coração. Ambos trabalham num ritmo acelerado demais pro meu corpo acompanhar. 

Diminuindo o ritmo talvez eu conseguiria ir com mais calma nas minhas relações, em todas elas. Conseguiria ser um amigo melhor, sem confundir admiração com paixão. Conseguiria demonstrar meu amor por atos e não por palavras... Mas talvez isso seja um sonho distante, até porque, ser sensível ainda é uma qualidade rara nos dias de hoje. Claro que significa sofrer milhares de vezes mais do que as outras pessoas com coisas que nem sequer as arranhariam, mas também significa ver belezas onde os outros não conseguem enxergar nada além de sua pequena definição de normalidade.

Ser sensível é ser diferente, é andar na contramão do mundo, indo contra a maioria de suas regras. Ser diferente é ótimo, ao menos nesse sentido, pois me torna único, insubstituível...

Mas é isso, as vezes o ritmo acelerado do meu coração me coloca em situações difíceis, como agora, em que tento reorganizar no meu interior as definições de amor e amizade, e entender até onde amamos os amigos, e até onde somos amigos de nossos amados. Minha mente distorcida também tem uma parcela de culpa nisso aí, mas ta tentando me ajudar a solucionar, pelo menos. 

As vezes ela exagera nos sentimentos, e as vezes me obriga a internalizar, o que acaba resultando em dores, apertos, tudo resultado do fluxo de sentimentos que buscando um escape no meu corpo acabam por transformar meu sangue em veneno, mas um veneno que só mata a mim mesmo...

De qualquer forma, acho que não vale a pena tentar mudar o que sou e nem como sou por conta das dores que isso me causa, pelo contrário, devo continuar firme, pois nós, pessoas sensíveis, somos únicos, e o mundo estaria perdido sem nossa forma diferente de enxergar as coisas!  

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Não sozinho


Numa tarde chuvosa você saiu do conforto da sua casa para vir até a minha somente porque te convidaram e não tinha como recusar? Custo querer acreditar nisso. Se realmente quisesse teria dito não, mas você veio, novamente, me obrigou a agir como se nada tivesse acontecido. E assim o fiz. 

De repente eu percebi que estou me tornando muito bom e algo que considero horrível: ignorar você! E isso faz com que eu me sinta mal, muito mal. Já não sei se é possível retomar ao estado inicial, antes do apogeu do fim de nossa amizade. Receio que isso já esteja fora de nosso alcance, infelizmente não há nada que possamos fazer em relação a isso, exceto é claro, por recomeçar, mas duvido que você  queira. Mas, não há nada que eu possa fazer, pelo menos não sozinho.

É mais fácil então fingir que nada aconteceu, que não nos conhecemos, que somos dois semi-desconhecidos que uma ou duas vezes por semestre se encontram e convivem por algumas poucas horas.

Você vai voltar aqui? Cantará ao meu lado sem nenhum problema? Acho difícil acreditar, foi apenas mais um episódio isolado, sem nenhum relação com mais nada. Aliás, sem nenhuma relação comigo. Não há mais, portanto, nenhuma relação entre eu e você. Mas ainda sobraram restos que caíram do banquete de nossa amizade, algumas migalhas estão ao chão e, muito embora a mesa já tenha sido retirada, aquelas migalhas aos meus pés ainda me obrigam a recordar dos dias em que éramos felizes, antes que eu estragasse tudo, e colocasse tudo a perder.

Mas, não há nada que eu possa fazer, pelo menos não sozinho.