quarta-feira, 31 de maio de 2017

Pensar em você

Infelizmente quase sempre buscamos o caminho mais fácil não é? Preferimos colocar uma mascara de que tudo está muito bem, e obrigado, do que aceitar que tudo vai mal, muito mal.

Quando alguém nos pergunta como estamos, prontamente respondemos "tudo ótimo". Ao menos eu sou assim, e não deveria ser, pois não está tudo ótimo.

Eu posso fingir ser feliz, sorrir por qualquer coisa, e postar fotos com filtros brilhantes na internet, mas isso não significa que tudo está bem. E eu só percebo isso em momentos como esse, em que nos escuro do meu quarto me vejo sozinho, enquanto os outros dormem, sonham ou vivem seus amores, eu suspiro pelos amores que não vivi, e que não viverei.

Alguns tentam ajudar dizendo que buscar distração faz bem, mas até mesmo as séries que gosto de ver se mostraram um triste quadro onde tudo que jamais viverei se estende a minha frente.

E então, quando a mascara de carne começa a se tornar pesada demais para carregar, o mundo resolve me classificar como fraco, fresco, ou qualquer outro adjetivo pejorativo que exista por aí. E esse mesmo mundo foi o que me ofertou nada além de desilusão. 

A essa hora tudo se torna desilusão. As musicas com letras românticas, as séries românticas, as fotos das redes sociais. E nem adianta desligar tudo isso, pois tudo me recorda aquilo que eu mais tento esquecer. Se desligar a TV a lua me lembrará, se não ouvir as musicas o cantos dos pássaros me lembrará, e se eu nem sequer olhar as redes sociais, as pessoas que passam por mim farão questão de me lembrar,

Mas ainda assim tudo o que eu queria esquecer. Poder deitar no meu quarto escuro e dormir sem pensar em milhares de coisas que nunca irão acontecer. Só queria esquecer, por um dia, uma hora que fosse... Mas não consigo esquecer, não há como fugir, nem me esconder. Só o que posso fazer é fechar os olhos, e torcer para não pensar em você!

terça-feira, 30 de maio de 2017

O canto das sílfides


Mesmo após tantos meses, ainda me vi sonhando hoje com você. Me veio ao pensamento num momento que pensava em coisas bonitas, e o que poderia nesse mundo ser mais bonito do que você? 

Seu cabelo negro me lembra o farfalhar dos cedros na brisa amena de uma tarde fresca. E como desejo eu poder afagar eu esses seus cabelos, com mão serenas quando em meu colo sua cabeça descansava. 

Seus olhos, mais belo que as miríades de estrelas numa noite de céu límpido. Os astros invejam com razão suas formas perfeitas, e só podem se contentar em iluminar o seu olhar nesse mundo, pois a beleza deles jamais poderia se igualar as suas.

Sua pele macia, clara, como a areia das praias é para o mundo um canteiro dos mais belos lírios, que exalam pelo mundo o perfume doce de sua virgindade. 

Seu sorriso é como o cantar dos pássaros, mas infinitamente mais belo do que esses, deles você tem apenas a aspiração de elevar todos a sua volta. Assim como todos elevam o olhar para fitar as grandes águias que cruzam os céus o seu sorriso eleva a alma daqueles que o veem.

Tais atributos não poderiam ser de um ser humano, mas de um deus que assumiu a forma humana, sendo mais perfeito do que qualquer um de nós. 

As sílfides cantam sua beleza, enquanto os anciãos invejam sua sabedoria. Creio que tenha sido você agraciado por Ea, tendo em sua mente sempre a capacidade de emocionar, chocar e desestabilizar as pobres mentes humanas que inutilmente tentam te abarcar. 

Que poderia eu fazer ante sua imponência senão me afastar em resoluta displicência? E fitar a distância o alvoroçar dos seus cabelos nas praias da vida, onde o mar se espalha infinitamente, como sua magnânima aparência se espalha impondo sua presença em meu pequeno coração apaixonado... 

Diferenças

Tenho um amigo hétero mais emotivo do que eu, e que conhece musicas melhores também. Um outro amigo gosta de matemática e escreve poemas melhores que os meus. 

Alguém algum dia disse que héteros são emocionalmente mais fortes do que nós, e que portanto não são tão sensíveis assim. Francamente eu discordo disso em absolutamente tudo. 

Primeiro por discordar dessa classificação entre pessoas dessa ou daquela orientação sexual. É bobagem. As pessoas insistem em nos classificar, em nos colocar em gavetas, rotulados, e isso é horrível pois nos limita, impõe barreiras onde não deveriam existir. 

Quem disse que homem não pode usar rosa, ou que mulheres não podem gostar de motos e filmes explosivos? Eu sou homem e não sei a colocação de nenhum time no campeonato carioca. Mas ainda assim as pessoas me olham estranho quando digo não conhecer tal atleta, ou por não gostar de Legião Urbana. Francamente, por que raios eu deveria gostar de tudo que os outros gostam, se já tem tantas pessoas assim gostando não precisam de mim. 

Eu prefiro ser eu mesmo, independentemente do que pensam que eu deveria ser. Gosto do meu batom vermelho, e das minhas músicas coreanas, de reger orquestras imaginárias e de achar os caras da ginástica olímpica uns gatos. E não tem nenhum problema nisso! 

Acontece que somos todos diferentes, em todos os sentidos, mas insistem em querer nos fazer como um padrão. Só que isso é uma iniciativa fracassada, pois de perto ninguém é igual a outra pessoa, e ninguém é normal, tampouco. 

Sei que muitas pessoas já escreveram seus manifestos a individualidade, mas até isso me incomoda. Me incomoda o fato de ser necessário dizer algo que todos deveriam perceber por si, que não devemos impor ao outro aquilo que é bom pra nós. Nossos gostos, nossas escolhas, só são perfeitas para nós que as fizemos, para qualquer outra pessoa soará estranho, e fará mal..

Por isso sou feliz sendo eu, e ser eu significa ser um ser em constante mudança, em constante redescobrimento, pois a vida e o mundo são grande demais para eu conseguir abraçar tudo de uma única vez!

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Mundos solitários

Tem dias que estou contente sem motivo aparente. Em outros essa alegria não passa de aparência. Em outros ainda eu não consigo aparentar nada, e ai o meu olhar reflete exatamente o que sente meu coração: solidão!

Me sinto com frio, mas não faz frio, os termômetros marcam altas temperaturas e o sol brilha glorioso la fora. Mas o meu coração esta frio, pois não encontrou no mundo quem o aquecesse. Meu coração está morto, pois não encontrou no mundo quem o fizesse querer viver. 

Eu tinha uma visão a minha frente, um sonho, como costumam dizer, e era ele que eu costumava ter como objetivo de vida. Caminhar sem direção num praia ensolarada com alguém ao meu lado. 

Ironicamente no meu sonho não há um alguém específico, nem um lugar específico, podia ser uma praia em Salvador ou na Califórnia, ou um templo em Chiang-Mai ou uma igreja em Roma, o importante é caminhar ao lado de alguém.

Dizem que nossos sonhos refletem nossos desejos mais íntimos, no meu caso isso é bem verdade, o meu desejo mais íntimo não é ter isso ou aquilo, ser isso ou aquilo, mas não estar sozinho. No fundo é o que mais desejo. 

Talvez por isso a percepção da solidão seja para mim tão aterrorizante. Estamos sozinhos. Vivemos num mundo onde todos estão sozinhos e não há nada que possamos fazer para mudar isso, não há nada que possamos fazer para expandir nossas mentes e completar os vazios uns dos outros, completando aquele vazio do coração do homem que nos assusta desde o primeiro pensamento. 

Mas não adianta temer. Nem correr. Nem se esconder. Nem sequer chorar.

O mundo quis que os homens vivessem sozinhos e ponto. Nossa organização social nada mais é que um delicado organismo que criamos para nos dar a falsa sensação de segurança, de companheirismo. Na verdade, não importa o quão próximas duas pessoas sejam, elas sempre serão dois seres distintos, e nunca poderão se entender completamente. Pois a ideia de duas pessoas próximas o suficiente para eliminar os conflitos é inaceitável num mundo onde conflitos existem a todo momento. 

Conflitos existem pois nossas percepções e concepções formam ao redor de nós uma redoma, que ao se chocar com a redoma do outro produz as faíscas do desentendimento. E é no desentendimento que percebemos nossa solidão. Em todo o mundo só existe uma única pessoa capaz de pensar exatamente como nós, e essa pessoa não é outra senão a própria pensadora. 

No fim, tudo não passa de tentativas de aproximar as pessoas. As ideologias, filosofias, artes... Mas tudo isso não passa de uma tentativa pífia de aproximar mundos distantes, que nunca poderão entrar em perfeita sintonia. 

O homem não tem força para alterar a órbita do sol, e nem tampouco de mudar o pensamento de outro homem.  Um homem não pode ordenar as estrelas que caiam, e nem tampouco forçar o amor de outro homem. Um homem pode criar máquinas que o levem a lua, mas nenhuma tecnologia pode levar o homem ao interior de outro homem.

E seguimos nossas vidas assim, sozinhos, em universos separados, distantes, e estranhos. 

domingo, 28 de maio de 2017

Por onde andam?

Obrigado por se preocupar comigo, por pensar em mim.

Não poderia imaginar que seria eu, dentre tantos outros, que teria a felicidade de dividir sua atenção com seu amado. 

E disse se preocupar comigo! 

Naquele momento meu mundo inteiro parou. Ligue pra NASA, tenho certeza que a terra parou de girar! O fato de ter percebido que faço parte de sua vida a ponto de se preocupar comigo fez de mim naquele momento o homem mais contente de todos. 

Ele pensa em mim! 

O cavaleiro de armadura dourada e olhos da cor do mar pensa em mim, um homem simples, pequeno e deploravelmente carente!

Para qualquer outro se trataria de uma coincidência, um fato sem importância, mas para mim se tornou tudo. Foi como se uma pequenina faísca se reacendesse em meu peito. E no meu peito congelado ela começou a espalhar o seu calor, que foi crescendo, até reacender o corpo que há muito já não vivia. 

Alguém tão indigno como eu só poderia pensar nisso como um sinal, por não sou merecedor sequer de seu olhar, que dirá de sua preocupação. 

Se pudesse me faria seu servo, me ajoalharia aos seus pés e juraria proteger com a minha a sua vida. Mas não chegaria a tanto, não seria útil a um senhor de futuro tçao grandioso. 

Tudo o que me resta então é sonhar com sua presença, com sua atenção, com seu toque, seu abraço, e quem sabe, com seu coração. 

X

Será que já é tempo suficiente para ter esquecido meu pecado? Será que já conseguiu me perdoar, e posso então arrependido voltar a te olhar?

Se fosse assim você mesmo teria vindo ao meu encontro. Só o que posso tirar disso é que está melhor sem mim, está melhor assim.

Ainda sofro ao ver sua imagem, parece tão feliz, tão realizado, não há razão para me querer ao seu lado. Você fez algo que eu nunca consegui fazer: seguiu em frente, tocou sua vida, se tornou o homem que sempre quis ser. Infelizmente não há espaço para mim em sua história. Eu apenas o observo a distância, como um fantasma sonha com a vida, ou como uma cobra que rasteja pelo chão ao sonhar com o falcão que voa alto lá no céu.

Como uma explosão nossa amizade nasceu, e como uma explosão ela se foi. Dizem que as coisas mais belas da vida são efêmeras como uma explosão, que aquele mínimo momento em que a existência se desfragmenta em milhares de pedação é a verdaderia beleza, que assim como a vida é passageira, finita. Como nossa amizade, que numa explosão deu origem a um lindo universo, mas que tinha em suas bases uma data limite para deixar de existir. O universo que um dia foi formado pelo meu e o seu mundo hoje existe como dois mundo independentes, impossíveis de se alcançar.

Seus olhos, seus belos olhos, de fato parecem mais alegres sem pesar neles o fardo que eu lhe obrigava a carregar. Conseguiram eles ficarem ainda mais bonitos, o már perde e muito em comparação com a beleza do seu olhar.

Mas esse olhar já se encontra tão distante de mim que nem me atrevo a sonhar um dia poder voltar a lhe contemplar...

X

Você se foi, sem dizer adeus, sem se importar com que eu poderia dizer. Apenas se foi, sem olhar para trás, sem pesares. E não vai mais voltar. Sequer me concedeu um último olhar, apenas se foi, e a visão das suas costas desaparecendo no horizonte foram as últimas coisas que pude ver.

Sua amizade também surgiu como uma grande explosão, arrebatadora, daquelas que faz o mundo se virar em êxtase para contemplar sua infinita beleza. Mas ela não acabou de forma tão repentina, foi se degradando lentamente, como areia ao vento, como nossas vidas ao vento, e a brisa que ontem balançava seu cabelo hoje te levou para longe de mim. Restou no meu coração agora a imagem do cabelo esvoaçante, de sua pele delicada e de seu sorriso.

O seu sorriso.

Irônico o seu sorriso ser o motivo do meu choro.

Mas sempre que penso em você a sorrir eu começo a chorar, pois não sorri comigo. Sorri a distância, quem sabe sorria com seu novo amor, mas não comigo, apenas sorri, e até esse som vai diminuindo lentamente, até que eu não possa ouvir mais nada...

Aonde está você? Para onde foi? Fui tão desprezível assim em sua vida que partiu sem nem mesmo pensar duas vezes?

X

Você também se foi, e também não olhou para trás, apenas conitnuou andando, e deixou, sozinho, desamparado, apenas sonhando com o seu abraço forte me envolvendo e me protegendo dos perigos do mundo. E eu continuo sonhando. E você, por onde anda?

Não se reprima

Reencontro.
Incertezas.
Acordo de sinceridade. 

Verdades pessoais.
Medo da sua verdade.
Medo da minha verdade.
Fuga da felicidade.

Um beijo.
Um momento onde nada mais no mundo importa.
Mas importa.
Todo um mundo de olhares importa.

Você sabe que sou melhor me expressando em palavras, por isso decidi escrever, mas não se assuste por favor, não vai ler nada aqui que já não tenha dito pessoalmente. 

Eu sei que eu sou intenso por natureza, sempre, e isso às vezes assusta, e eu compreendo seu receio em se reaproximar de mim.

Me falou sobre seu desinteresse em se relacionar, tudo bem, um direito seu. E verdade seja dita, nenhum de nós amadureceu o suficiente pra tentar algo de novo, apenas iríamos repetir o que aconteceu e voltar às cinzas.

Disse-lhe que estava disposto a fazer o que quiser, o que é verdade, não por querer ficar com você a todo custo de um jeito ou de outro, apenas por não ter nenhuma preferência no momento. 

Namorar foi bom. Seria bom também voltar. Mas sair casualmente também é bom e não vejo problemas nisso. E não ter nada, apenas uma boa amizade é igualmente bom, aliás, disso não abro mão! 
Não pensemos no amanhã. 
Nem nas possibilidades. 

Viva o hoje, o agora! 
Vamos viver o hoje, o agora! 

Se for pra sair e beijar, ta ótimo. Se não, ta bom também. Não se preocupe com eu me apegar demais, nem com o que fomos ou que deveriamos ser, isso não é importante, só o agora importa.

Então não se reprima, relaxe, se divirta, goze, seja você mesmo...

Só estou tentando dizer para não se preocupar comigo, com os meus sentimentos ou com o futuro. Você ja tenta agradar sua familia, seus amigos, seus colegas e eu não quero ser mais um fardo nas suas costas. Só quero ser um porto seguro para onde você possa retornar. Onde não precise se esconder, nem fugir, onde possa sorrir. 

Não reprima seus olhares, nem seus desejos, dentro de você uma fera implora para ser liberta, não a force a morrer sem conhecer a luz do dia! Não prive o mundo de ouvir a canção que toca em você, nem a toque para apenas uns poucos ouvidos, todos merecem conhecer em detalhes quem é você.

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Olhar que cura

Ser produtivo cansa, e como cansa! Sabe quando você tem a sensação de que tudo vai dar mega certinho e que nada pode estragar seus planos? Pois é, a vida tem mil e uma maneiras de mostrar pra gente que pode estragar sim...

Que dia, que dia! 

Não que tenha acontecido coisas fantásticas, apenas eu mesmo que me provei pela enésima vez ser meu pior inimigo. Hoje meu sabotador foi minha ansiedade. Inimiga silenciosa, brutal, me dominando como se fosse um animal selvagem, mas ela é que se mostrou ser animalesca e bestial.

X

Por outro lado no entanto nem tudo pode ser meramente desprezado assim, e as vezes males vem também para o bem, como certamente nos ensina a sabedoria popular.

Quem poderia imaginar que me meio a tantas pessoas você me notaria de tal maneira? Eu que acreditava ser invisível aos seus olhos mesmo quando estava bem frente a você... Fui visto, e percebido por alguém que julgava eu sequer existir em seu universo.

Naquele momento de pânico em que me encontrava perdido em mim mesmo você foi, mais uma vez e sem sequer se dar conta disso, meu porto seguro.

Na dança, quando giramos muito, é importante se concentrar em um ponto na parede, para assim não perder o foco do início e do fim. E naquela hora, quando te vi ali, sentado, em silêncio, mas mostrando uma aura pura, branca, eu me mirei em ti, e então você me salvou de minha própria confusão. É que eu tinha me perdido em meio a profusão de pensamento que fluíam sem parar me afogando em confusão, mas sua calma e serena divindade me resgatou, e me devolveu a paz que tinha sido tragada pelos fantasmas do meu pecado.

Não poderia agradecer de outra forma senão oferecendo a ti o meu mais sincero voto de gratidão, em doar minha vida pela sua missão, sendo para sempre seu servo leal... A gratidão é para mim sinal de alegria pela vida nova que me destes eu seu olhar, sem nem precisar me tocar.

terça-feira, 23 de maio de 2017

(Outras) Desculpas


Fiquei pensando o dia todo o que poderia dizer a você, mas não existe mais nada que em meu coração queira se fazer sentido pelo seu.

Não. 

Isto está errado. 

É uma mentira.

Eu ainda quero dizer o que sinto, de alguma forma, pedir desculpar por ter agido como um maluco, por ter atropelado a amizade que me deu de bom grado.

Mas tenho medo, que qualquer palavra que possa dizer a você, ainda que sejam desculpas, possam ser mal interpretadas, e mais uma vez faria eu me passar por louco. Não quero que pense isso de mim, e estou disposto a vencer o meu orgulho, pois só existe uma coisa que não quero perder nesse momento: 

Você! 

Não sei ao certo o que deveria fazer, se pedir desculpar ou continuar em silêncio, pois ambas as opções me oferecem perspectivas ruins das possibilidades de suas reações. Como disse, se pedir desculpas posso parecer ainda mais perturbado mentalmente do que você já acha que sou, e se não fizer nada, corro o risco de perder essa amizade que me é tão cara. 

Poderia simplesmente tomar um lexotan e tomar essa decisão sob o efeito dele, mas meu histórico de más decisões tomadas com base em minha dopada candura me alertam para não o fazer. Afinal, costumo sempre exagerar não é mesmo? E estou nessa situação justamente por não conseguir dosar esse meu exagero.Talvez desse tentar pedir desculpas sóbrio mesmo, sem recorrer a subterfúgios medicamentosos que me deem uma (falsa) sensação de segurança... 

Pois bem:

Eu acho que as muitas mensagens "fofinhas", as imagens e os "repetitivos" poemas que te enviei podem ter passado uma mensagem errada quanto as minhas intenções. Se isso aconteceu, me desculpe, pois mesmo tendo um carinho enorme por você nunca quis desrespeitar você, nem sua vocação.

Sei que sou do tipo grudento e poeticamente exagerado, mas acredite, é apenas um jeito sincero de ser amigo. E acredite, são poucos os que eu deixo conhecer esse lado.

Enfim, antes que isso vire mais um livro, me desculpe, e saiba que sua amizade é pra mim uma das coisas mais preciosas que tenho ok?

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Seu perdão

Meu corpo grita pedindo socorro, pois já começa a sentir os efeitos de ter em seu controle uma mente distorcida. O cansaço que há muito eu já sentia na cabeça agora se faz firme em meu corpo, e o cansaço é a única coisa firme de fato, pois eu to destruído... 

Dias inteiros em cima de uma cama, fala embargada, crises intermináveis e uma fraqueza enorme desde o segundo em que acordo até a hora de dormir. E que sacrifício tem sido dormir... Nenhum remédio faz mais efeito sozinho, e não posso exagerar nas doses, pois causam dependência, mas sem eles não consigo dormir, e fico no escuro pensando, e pensar só piora tudo...

Até meus textos parecem para mim todos iguais. E talvez estejam. Mas porque não consigo falar nada que não esteja em meu coração, e ultimamente em mim só há toda essa tristeza e desilusão. 

Perdoe-me se tenho me repetido, mas é que só estou escrevendo as palavras ditam pelo meu coração. 

Perdoe-me por esse meu estilo, melancólico, deprimido. 

Perdoe-me por ser esse tipo.

Perdoe-me meu amor, perdão!

Por não ter conseguido tocar seu coração. Por ter insistido mesmo você tendo dito 'não'. 

Sei que não sou merecedor de seu perdão, e sei também que essas palavras são como vento, tentando tocar seu coração, mas ainda assim, não consigo parar de pensar em tudo que poderíamos viver juntos... 

E é só nisso que tenho pensado. É só isso que tenho passado e vivido. Sem graça não? Pois é, eu sei... Mas não há em mim nada que me dê forças para fazer diferente... 

Seguir

Dizem que preciso me distrair
Te esquecer
Seguir em frente

Mas eu não consigo simplesmente
Por mais que tente, 
Seguir em frente

Eu sinto que deixaria para trás uma grande parte de mim
Se largasse você para
Seguir em frente

Quem sabe se um dia eu amadurecer um pouco mais
Eu possa voltar atrás mesmo tendo
Seguido em frente 

domingo, 21 de maio de 2017

Hecatombe

Eu acordei em minha casa, não sei em que período do dia, e tudo estava diferente...

Percebi que a aura das pessoas mudara, e que algo nas pessoas em si também estava bem diferente. Primeiro notei algumas pessoas estranhas da minha família que não costumam vir visitar e que aqui estavam, depois me atentei para o fato de que todos estavam apreensivos.

Não me lembrava de nada que tinha acontecido até ali, apenas uns poucos flashes de um passei alguns dias atrás que acabara mal. Enquanto andava por entre o cerrado da fazenda do meu padrinho em Minas Gerais fomos atacados por cães, vários deles, mas todos estavam doentes. Éramos um grupo pequeno, e eu sendo fraco logo fui derrubado e precisei da ajuda de alguém que estava próximo de mim, não recordo quem. 

Os animais tinham a aparência bizarra que todos os doentes tem. Olhos ensaguentados e pele destruída, certamente resultado das suscetivas brigas por comida que sucedem o contágio. E eu percebi naquele momento que todos haviam se mudado para minha casa por conta dessa doença. Era uma espécie de cataclismo biológico. 

Os sintomas apareciam alguns dias após os ataques, logo os olhos se tornavam ensaguentados e as pessoas, e os animais, se tornavam violentos por transmitir seu vírus bizarro. Morriam alguns dias depois do aparecimentos dos primeiros sintomas. O que fez o governo baixar leis que pudessem ajudar a população. A descoberta de uma cura havia se mostrado ineficiente até ali e os cientistas alimentavam nas populações uma esperança infundada de que tudo ficaria bem. Por isso fomos instruídos de forma clara: os contagiados deveriam ser sacrificados logo se percebessem os primeiros sinais de contágio. As pessoas não deviam se ajudar em combates, a regra era correr, e abandonar o seus. Essa se tornou a forma de viver.

Pequenas comunidades começaram a surgir tão logo a doença se alastrou, e um uma espécie de êxodo começou, como todas as pessoas saindo do interior e indo em direção a cidade, onde a segurança era maior, já que os investimentos do governo em armas que eliminavam a doença (matando o hospedeiro, obviamente) tinha sido bem mais eficaz que a empreitada científica de descoberta da cura.

As pessoas viviam agora em suas casas, ainda mais fechadas do antes da doença, com muitos parentes em volta. Os ricos pagavam por seguranças, que se tornou o emprego mais popular dessa época. Os que não eram tão ricos assim se arriscavam a sair de casa por rotas desenvolvidas de forma que minimizassem os ataques. 

Como os doentes em sua maioria embora violentos fossem fracos, morressem rapidamente e não pudessem correr a imagem de pessoas simplesmente mudando de lado na rua com um porrete em mãos se tornou bem comum.

A tranquilidade voltou a reinar depois que as pessoas começaram a se habituar a perder os seus, e a sacrificar os seus. As pessoas também em sua maioria aprenderam a lutar, embora uma parcela da população ainda vivesse trancada em quartos ou cômodos vazios, escuros e úmidos por medo do contágio.

A situação em minha casa era de tranquilidade, éramos um grupo grande, e bem capaz de se defender, sendo alguns poucos não-combatentes, eu incluso. Me tornara um tipo de estrategista, pois consegui sobreviver praticamente sozinho em meus ataques com pouca ou quase nenhuma ajuda.

Me dei conta de que as imagens do ataque do passeio se tratavam de meu primeiro ataque, e logo depois comecei a me preparar para os outros, pois sabia que não seria salvo pra sempre, já que logo a regra do abandono foi baixada em todo território nacional. 

Mas eu ainda tinha medo, e as pessoas estavam tranquilas demais. Como estrategista tinha ideias que podiam minimizar a incidência dos contágios, mas as pessoas não queriam lutar, queriam viver como se não houvesse doença.

Todas as vezes em que alguém saia eu me sentia apreensivo, e ficava na porta a sua espera, ainda mais aflito quando algum doente passava pela rua ou que via alguém correndo. Quando essa pessoa voltava me sentia tranquilo novamente. 

Me senti mal enquanto percebia que nosso futuro era incerto, e embora todos ignorassem isso, a nossa displicência iria nos levar a morte. Mas não havia nada que pudesse fazer com relação a isso, por era só um em meio uma sociedade inteira que vivia com medo, e que viveria assim até o fim. 

Em dado momento recebi um estranho poder, que apareceu tão repentinamente quanto a doença, e me fazia capaz de irradiar uma luz que tornava todos os doentes saudáveis e todos os saudáveis em imunes. Mas nem assim as pessoas queriam lutar.

Percebi então num sobressalto que a luz atraia os doentes, quando me virei e vi que uma gigantesca horda de doentes esperava por mim além daqueles portões de minha casa.

Acordei então assustado pelo despertador, me lembrando que já era hora de me arrumar para a Missa. 

sábado, 20 de maio de 2017

Risível e patético!

Eu estou desde ontem deitado na cama... Tomei um remédio forte que peguei com a psiquiatra e dormi mais de doze horas, e hoje já repeti a dose...

Tudo isso porque não consigo parar de pensar nele, e quando penso nele fico deprimido. Mas também estou deprimido por não ter motivos para sair daqui. É um beco sem saída... 

Não tenho motivos pra continuar a viver, e no entanto não consigo colocar um fim em tudo isso... Como se houvesse em mim ainda alguma coisa, alguma parte de mim que ainda quisesse lutar. Algo em mim me impede de desistir. Mas tudo o que eu quero agora é desistir.

Desistir de mim mesmo, da vida, de tudo e de todos os que me fazem sofrer e sentir dor. Dói tanto quando penso nele, em como ele deve estar feliz longe de mim, em como ele deve se sentir bem por ter se afastado de alguém tão perigoso, tão tóxico... Por isso quero dormir, para fugir dele.

Não, isso está errado!

Não tento fugir dele, mas sim do sentimento que criei por ele sem seu consentimento, e da minha absurda mania de me sabotar, de provocar a dor em mim mesmo... É disso que tento fugir...

Por isso quero dormir, e não sair daqui. Para não ter de olhar os outros me acusarem de ser um fracassado patético!

Sair da cama se tornou pesado, cansativo, extremamente cansativo, e só de pensar nisso já me reviro de pavor. Não quero sair, não quero conversar com ninguém que não seja ele, nem ver ninguém que não seja ele.

Mas ele já me deixou, assim que descobriu a verdade sobre mim, e assim que notou minhas verdadeiras intenções. Pois foi só isso que ele notou, intenções, não foi capaz de notar ou sentir meus sentimentos. Como sempre.

Ele se foi como uma borboleta que delicadamente pousou no meu dedo e depois voou, para bem longe de mim, do meu jardim, me impedindo de ver suas cores e o bater de suas asas... Eu, como uma flor imóvel, só pude ficar ali olhando, e sonhando com ela, esperando pelo dia que retornasse. Mas não retornou. Tudo o que restou foi a impressão que ela deixou em meu coração, e a certeza de que nunca mais vai voltar.

Igual a todas as outras milhares de vezes que me apaixonei eu não fui capaz de transmitir meus verdadeiros sentimentos. Minhas palavras foram ineficazes, bem como os poemas e as imagens que eu ridiculamente empurrei nele... Como foram risíveis e patéticas as minhas tentativas...

Assim como tudo que eu faço... Risível e patético!

Poema de desculpas

Desculpe-me te perturbar
Desculpe-me por insistir
Desculpe-me por persistir
Desculpe-me por confundir

Seus olhares
Suas palavras
Seus abraços

Desculpe-me por resistir
Desculpe-me por não resistir

Aos seus olhares
As suas palavras
Aos seus abraços

Desculpe-me por te acordar
Desculpe-me pot mandar mensagens antes de dormir
Por procurar poemas bobos que te fizessem refletir
Que te fizessem pensar em mim

Desculpe-me por te desrespeitar
Por deturpar a amizade que oferecestes
Desculpe-me por sonhar

Com seus olhares
Suas palavras
Seus abraços

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O que fazer?

O que preciso fazer para quebrar o seu silêncio? 

Não quero usar a voz, pois sei que não serei ouvido. 
Não posso usar o toque, pois sei que está distante demais para ser alcançado.
Não posso usar usar os lábios, pois seria avançar por um caminho ainda não traçado. 

O que posso fazer então para quebrar o seu silêncio? 
Posso esperar que venha me encontrar nestes agrestes escarpados? 
O que tenho de fazer para que percebas que estou aqui a te olhar, a te esperar, a te amar?

Se eu gritar, sei que irei te assustar,
Se derramar lágrimas em seu colo eu sei que você vai se afastar.
Se disser que te amo temo que serei rejeitado.

Mas como prosseguir então se é apenas isso que meu corpo me impele a fazer? 
O que preciso fazer para quebrar o seu silêncio? 

Não quero mandar mensagens que serão vistas e ignoradas
Nem cartas que nunca serão recebidas.
E meu pensamento também não consegue te alcançar

Continuaremos então dessa forma. 
Eu a gritar desesperadamente por ti.
E tu silenciosamente a me ignorar.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Cabeça cheia

Eu estou com a cabeça cheia... 

Amigos demais querendo se matar por não conseguirem resolver os problemas que a vida lhes dá. Terminei também querendo morrer por não conseguir resolver os seus problemas, e nem os meus... No fim das contas não resolvi nenhum sequer...

Eu estou com a cabeça cheia. 

Sufocado, esmagado...

Como se uma mão pesada estivesse sobre minhas costas e me pressionasse contra o chão, me impedindo de respirar e me deixando em completo desespero por não poder fazer absolutamente nada...

Com os meus problemas e com os problemas dos outros. Ou melhor, com os problemas dos outros e com os meus, pois eles vem sempre antes de mim.

São sempre maiores do que eu!

Mais importantes do que eu!

Mais sofredores do que eu!

E eu?

Bem eu estou sozinho com os meus problemas, meus demônios que não me deixam dormir, meus fantasmas que ainda me assustam e a fera que no meu interior, embora silenciosa, luta para sair devorando as minhas entranhas. 

Só por um momento eu gostaria de não precisar me preocupar com ninguém além de mim.

Só por um momento eu gostaria de fazer as coisas que tenho vontade de fazer, ir aos lugares que tenho vontade de visitar.

Ser quem eu sou.

Mas não dá, não posso!

Sou obrigado a estudar, a buscar um emprego, a viver uma vida que não pedi para viver, e ainda me obrigam a ser bom nela, ser justo, honrado, bem sucedido. E não tenho vontade de ser e nem de fazer nada disso...

O que eu quero de verdade, não é um estado emocional, nem financeiro, tampouco algo que alguém possa me dar, ou que eu possa conquistar. O que eu quero está acima de qualquer limite...

Eu desejo o fim, o término de tudo... Quero que tudo termine, para que eu não seja obrigado a viver da forma como o mundo deseja, para que eu possa deixar de existir, e de sentir, o que quer que seja. 

Eu desejo a destruição, a desesperança, assim ninguém mais teria motivos para me perturbar com suas desgraças, e eu poderia desfrutar da minha eterna solidão. Afinal estou sozinho mesmo...

Sozinho...

Mas o que são todas essas vozes ao meu redor?

Barulho, confusão, multidão...

Mas eu estou sozinho.

Sozinho.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

Espera

Eu esperei pelo seu 'Oi'
Esperei pelo seu 'Bom dia', pelo seu 'sonhei com você'
Esperei pelo seu 'senti sua falta'

Esperei pelo seu sorriso
Pela sua consideração
Esperei pelo seu amor

Mas o seu amor não veio
E eu decidi ir embora

Comecei a andar
E andando esperei pelo seu 'não vá!
Mas o seu 'não vá!' não veio

E eu fui embora
Embora ainda te amasse
Embora ainda esperasse

Pelo seu 'Oi'
Pelo seu 'Bom dia'
Pelo seu 'Sonhei com você!'
Pela sua consideração
Pelo seu amor

terça-feira, 16 de maio de 2017

Se sentindo triste

Me sinto triste, e não era para ser assim. Me veio de repente, como uma onda, ou um nevoeiro, turvando minha visão, me privando de todos os sentidos. Quando isso acontece, não me resta outra escolha senão sucumbir nos braços de um sono pesado, mas que não me descansa em nada, pelo contrário, acordo ainda pior do que antes...

Inquieto, cansado, como se tivesse passado o dia executando tarefas árduas, mesmo não tendo feito nada. Talvez passar o dia tentando não pensar nele seja uma tarefa árdua...

Gostaria de me despedir, de dizer tudo o que sinto, mas não existe maneira da fazê-lo sem parecer estar alucinando, e de fato talvez eu esteja mesmo.

Onde estava com a cabeça quando me deixei levar por um sentimento tão poderoso? Qualquer um veria que é loucura pular de cabeça num lugar desconhecido dessa forma. Ainda mais para mim. Não era um lugar desconhecido, eu saltei sabendo bem o que me aguardava por trás daquela névoa profunda e encontrei.

Deveria estar feliz, pois encontrei o que sabia que iria encontrar. Mas meu coração sonhava com outra paisagem por detrás daquela névoa... Tolo!

Me sinto triste, e não era para ser assim. Mas eu escolhi fazer as coisas desse jeito, e portanto não tenho o direito de me sentir assim. Só que não tenho mais forças para fazer mais nada, sempre que penso demais no que devo fazer, sou pego por uma névoa que não me deixa escapar, e que não me permite sequer enxergar os laços que me prendem a esse mundo. Não consigo mais lutar, me defender, e mesmo assim ainda sinto ser capaz de dar a minha vida por ele...

Mas o que eu daria? O que um homem que não tem nada pode dar a outro senão sua vida? Donde me vem essa vontade tão grande de me sacrificar, de me desfazer de mim mesmo... Parece que estou sempre a buscar um motivo para morrer, mas nunca sou capaz de encontrar um motivo para viver... 

E de fato não o tenho, não tenho motivos para viver. Apenas não acabo com minha vida pois também sou covarde demais para isso, e meu coração se põe a inventar pretextos para eu não fazê-lo... Tolo!

Seria melhor acabar com isso de uma vez por todas, do que ficar insistindo num existência tão patética. 

Me sinto triste, e não era para ser assim. Mas pelo pouco que pude perceber da vida, será sempre assim.

Decisão?

Num momento de suspensão da razão escrevi com meu coração este poema:

"Acredita que já me apaixonei por um abraço? 

Não era um abraço qualquer, era um daqueles fortes, sinceros, verdadeiros.  

Não era um daqueles que esmagava as costelas, mas que apertava o coração.

E naquele breve instante, em que dois corpos se abraçaram, dois mundos se chocaram, dando início a uma nova criação..." 

Mas a reação não foi como esperei, e eu lamentavelmente caí na armadilha do destino, que mais uma vez decidiu-se por divertir-se com meu amor... 

Tomei então a difícil decisão de me antecipar ao que já seria trabalho do destino e me afastar. Sei que ele se encarregaria de alguma forma de fazer isso quando já fosse doloroso demais para meu coração sonhar em viver sem ele, pois é sempre assim... Ele espera que eu me apegue de tal e, como num golpe de espada, corta os laços que me unem aqueles que eu amo de maneira que não podem mais serem restabelecidos.

Mas dessa vez eu mesmo farei seu trabalho sujo, eu mesmo me afastarei do homem que amo pois já percebi em seu olhar a distância a qual o destino nos lançaria... 

Perguntaram-me se eu estava certo dessa decisão, se deveria realmente me afastar sem dizer a ele o que sinto, e ainda estou confuso quanto a isso. Mas sempre que digo a verdade sobre meus sentimentos as pessoas se vão, assustadas com minha tempestuosa intensidade, logo iríamos nos afastar de qualquer maneira.

Talvez minha decisão tenha sido tomada com base em atributos infantis, pois o resultado em ambas abordagens seria o mesmo, o afastamento, e ainda assim preferi eu mesmo tomar a decisão de fazê-lo.

Claro, a ideia de ter sido esta uma decisão livre é completamente falsa, afinal eu não me sinto livre, muito pelo contrário, me sinto dançando apenas na palma da mão do destino, que sorri de minha patética tentativa de me soltar das correntes que eu mesmo atei em meus punhos.

Isso me irrita, saber que o destino se diverte as minhas custas, as custas da minha dor e da minha confusão. Me irrita saber que meu amor não passa de uma diversão macabra para ele, e me irrita saber que mais uma vez eu caí em suas armadilhas sem pensar duas vezes... Acreditava estar enxergando a verdade quando realmente estava apenas tapando a visão com minhas próprias mãos, e andando mais uma vez em direçao ao precipício que ele preparou para meu corpo repousar.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Solitários

Somos criaturas assustadas não é mesmo? 

Tememos a solidão mais do que qualquer outra coisa pois sabemos que não somos capazes de nada sozinhos. Mas é irônico temer uma coisa inevitável... Deveríamos apenas aceitar que, no fundo, somos criaturas solitárias. 

Sabemos porém também, que as pessoas são incapazes de permanecerem em nossas vida para sempre, e inventamos mil formas de as prender, tudo para aquietar esse medo assombroso do coração do homem que é a solidão.

No entanto todas as nossas tentativas de prender as pessoas não passam de maneiras risíveis de tentar evitar o inevitável: as pessoas sempre vão embora. Não adianta discutir, nem chorar, nem inventar pretextos para que isso não aconteça, as pessoas sempre vão nos deixar em algum momento, e aquele medo de que falei lá atras se tornará ainda mais apavorante... Mas é irônico temer uma coisa inevitável... Deveríamos apenas aceitar que, no fundo, somos criaturas solitárias. 

Em dado momento da vida todos vão nos deixar. 

Sejam elas amigos importantes, familiares, namoradas... 

Todos se vão.

...

Fico aqui sozinho, pois o medo de ficar só me paralisa, e não posso ir atrás de nenhum deles, são livres, mas sinto que sou o único a andar acorrentado num mundo de pessoas livres.

Amigos nos traem, familiares morrem, namoroso terminam, e no fim, nossa própria vida também acaba. 

Qual o sentido então de tudo isso? 

Qual o significado de ter de viver sempre superando a ausência de alguém que era importante e que nos deixou? 

Será esse um aprendizado tão importante assim? 

Olhe bem ao seu redor. Preste atenção naqueles que o cercam hoje... Seus pais, professores, aquele amigo com quem conversa diariamente no WhatsApp, sua namorada... Amanhã nenhum deles pode estar aqui. E não adianta querer evitar isso, dizendo a seus pais o quanto os ama, eles vão morrer do mesmo jeito, nem dizer o quanto a amizade daquele rapaz é importante, ou o quanto você está apaixonado por aquela pessoa: no fim, todos vão te deixar ai, sozinho, com nada além das recordação dos bons tempos que passaram juntos a te consolar...

É um destino cruel não? Uma pedagogia de ferro usada para ensinar uma lição dura... 

Mas parece que nunca aprendemos. Continuamos com medo... 

E é irônico temer uma coisa inevitável... Deveríamos apenas aceitar que, no fundo, somos criaturas solitárias. 

domingo, 14 de maio de 2017

Pensamentos insistentes

Não somos importantes. 

Eles não são importantes.

Irônico como somos burros, e extremamente eficientes em nos matar da forma mais cruel possível: aos poucos e de dentro para fora!

Passo os dias com os mesmos pensamentos na cabeça. Centenas deles, e ao mesmo tempo são todos o mesmo pensamento, o mesmo átomo de uma existência idealizada na minha pequena mente distorcida. 

Fico imaginando cenas que não deveria, sonhando com momentos que nunca aconteceram e nem vão acontecer, só existem na minha idealização de mundo perfeito. 

E esses pensamentos me trazem tantas perguntas, tantas confusões... 

Uma hora encontramos uma luzinha no fundo do túnel, uma faisca, uma centelha que seja, e logo parece que um balde água gelada é jogado sobre ela... 

E fico me perguntando: qual o sentido de passar por tudo isso?

Mesmo com tanta dor ainda temos o sonho de que tudo dê certo, de que aquela cena bela do quadro dos sonhos se realize, mas isso seria mais do que um milagre. 

E quanto mais pensamos nas perguntas, mais nos fechamos em nós mesmos, com vontade de chorar, para assim externar a dor, mas logo percebemos que isso também não funciona. Chorar nos faz sentir uma melhora rápida, mas logo a aflição retorna... 

Não fazemos esforço, como se fosse automático nosso pensamento fluir para o lado da pessoa amada. Só conseguimos então desejar não ter esse desejo, mas quando tentamos não pensar já estamos pensando, e isso nos paralisa, nos consome de dentro pra fora.

Estamos acorrentados a essas pessoas, completamente presos. Dizem que somos os únicos que podem quebrar essas correntes, mas isso me parece impossível...

X

Não somos importantes. 

Somos descartáveis.

Substituíveis.

Dispensáveis. 

Inúteis.

Supérfluos.

Desnecessários

Não somos importantes.

Todas as pessoas são dispensáveis, o mundo pode e vai continuar existindo caso qualquer uma delas deixe de existir. 

Então por qual razão fazemos tanta questão de algumas pessoas em nossas vidas?

Não somos importantes. 

Qualquer um pode ser substituído, e todos podem fazer melhor o que fazemos, isso acontece no mundo o tempo todo... 

Ninguém é verdadeiramente essencial!

Não somos importantes. 

Mais ainda assim escolhemos tornar o outro importante em nossa vida e não viver sem ele. 

Mas vivemos acreditando que não podemos viver. 

Irônico como somos burros, e extremamente eficientes em nos matar da forma mais cruel possível: aos poucos e de dentro para fora!

Não somos importantes. 

Colocamos o outro num pedestal, enquanto somos pisoteados por seus pés sem sequer sermos notados... 

Irônico como somos burros, e extremamente eficientes em nos matar da forma mais cruel possível: aos poucos e de dentro para fora!

Não somos importantes. 

Eles não são importantes.

Então até quando insistiremos em viver como se fôssemos importantes?

Até quando insistiremos em viver como se eles fossem importantes?

Não somos importantes. 

Eles não são importantes.

X

Passo os dias com os mesmos pensamentos na cabeça. Centenas deles, e ao mesmo tempo são todos o mesmo pensamento, o mesmo átomo de uma existência idealizada na minha pequena mente distorcida. 

Eu me apaixonei de novo, pela milionésima vez, e pela milionésima vez com mais intensidade que todas as anteriores, e também pela milionésima vez eu agora sofro por não ser correspondido.

Me apaixonei pela pessoa errada? 

Não sei dizer, pois acho que na verdade eu sou a pessoa errada!

Tem algo de muito errado comigo, com essa minha veia masoquista latente que insiste em se apegar e em sofrer até me levar a fronteira da loucura.

Já não consigo viver normalmente, tem me atrapalhado em todos os aspectos da minha vida. Não fico dois dias sequer sem ser acometido por uma depressão profunda que me torna incapaz de levantar da cama, ou me concentrar na faculdade, ou na vida... 

Os pensamentos se tornaram todos pesados, confusos. Voam ao meu redor procurando me confundir me levar a loucura... Hoje até a mais simples das tarefas é um penar pro meu corpo que desviou todas as minhas energias para o meu coração continuar batendo por um alguém que sequer se importa se eu estou ou não respirando. 

Meu futuro? Não sei. 

Não sei se existe pois se revela como coberto pelo véu do desconhecido. Só posso dizer com certeza que temo pelo que o destino me reserva, visto que nos últimos anos ele se mostrou bem sarcástico em puxar os fios da minha vida rumo a um precipício sem fim...

De mãos dadas

Uma noite se passou, o sol já veio surgindo, e com o raiar do dia eu esperava também despontar numa nova alvorada, mas ao que parece continuo com o mesmo gosto ruim da derrota na boca, e uma sensação de extrema impotência a paralisar minhas pernas...

Estava certo, deveria me livrar daquele sentimento, ou melhor, nem deveria ter permitido que ele me dominasse dessa maneira, mas agora é tarde demais, e é essa certeza do fracasso em ter voltado a amar que me incomoda, que me torna fraco, covarde demais para fechar meu coração e assim não mais sofrer.

Eu me abri novamente, e fui traído mais uma vez por aquele em quem depositei minha confiança... Onde estará agora meu futuro? Só me resta retornar ao buraco do qual eu nunca deveria ter saído.

Já começo a pensar que seja esse o meu lugar. Talvez meu destino não seja ao lado de alguém, caminhando de mãos dadas em belos campos verdes, mas um futuro solitário, onde não exista ninguém ao meu lado. 

Deveria não ter nascido neste mundo, pois rodeado de pessoas me sinto ainda mais sozinho. Se vivesse portanto num mundo sem ninguém talvez não sentisse falta, e nem teria inveja daqueles que tem um amor ao seu lado...

Fecho os olhos e começo a sorrir de mim mesmo... Que patético eu sou, o quão miserável eu me tornei. E talvez seja esse mesmo meu destino, o que mais poderia ser reservado a uma criatura tão desprezível assim senão a solidão eterna e a condenação de apenas invejar a felicidade do outro e desejar o coração daquele que nunca será meu...

sábado, 13 de maio de 2017

Olhar no horizonte

Acho que devo me afastar de ti, cheguei a esta conclusão na noite de hoje...

Estava do seu lado, menos de um palmo de distância, mas ao mesmo tempo senti como se estívéssemos em mundos diferentes, e nem mesmo o mais potente dos veículos poderia diminuir a distância que existe entre nós...

Você conseguiu ouvir meu coração batendo? Batia aceleradamente por você... Sem parar, pois ele queria você ainda mais próximo, não há milhares de mundos de mim. 

Mas por um instante eu observei seu olhar, ele contemplava o horizonte, distante, não posso sequer imaginar o que poderia se passar na sua cabeça naquele momento. Provavelmente pensava na grandeza de Deus, e em sua infinita bondade ao dar-nos a visita de sua preciosa mãe em Fátima... Sei que contemplava algo distante, superior, e eu estava ali, próximo, e miseravelmente inferior a ti, sem merecer sequer seu olhar de compaixão.

Um homem olha uma formiga agonizar no chão com pena? Certamente que não, a diferença entre eles é tão grande que o homem sequer por conceber a possibilidade real de a formiga agonizar. Assim somos nós, vocês se encontra numa posição tão superior a mim que sequer pode imaginar o sentimento que há em mim. 

Escute por um momento...

Está ouvindo?

É o meu coração.

Escute o meu coração bater por você.

E agora, mesmo tendo em mim a profunda impressão de que deveria colocar um ponto final nesse sentimento ainda nessa noite, só consigo desejar com cada fibra do meu corpo ser aceito e amado por você, desejado... É uma infinita contradição, um ciclo sem início e nem fim que vem me matando aos pouquinhos. 

Agora eu me vejo no chão, chorando, implorando pelo amor de um homem que sequer consegue me ouvir, que não tem tempo pra mim, e para quem eu sou apenas um estorvo insistente. 

O que eu precisaria fazer para que me amasse? 

Será que a distância que nos separa é tão grande que nem sequer deveria pensar nisso? Um mero aldeão não pode se apaixonar pelo belo cavaleiro de ouro que habita no alto da montanha?

Acho que não conseguirei deixar de te amar, tomei essa decisão tarde demais. Continuarei a chorar e olhar você contemplar o horizonte, com os olhos bem distantes.

Distantes...

Distante...

Distante de mim...

Eterna imperfeição

A sua imagem interrompe até mesmo as minhas preces... Talvez porque o desejo mais íntimo do meu coração seja rezar por você. Não tem problema, continuo rezando com imagem gravada em meu coração, ainda que isso faça meu coração sofrer...

O que você quer de mim? 

Apenas distância? Já me afastei, mas parece não ter sido suficiente...

Quer que eu deixe de sentir o que sinto? Não posso me obrigar a parar de respirar, nem obrigar meu coração a parar de bater, nem deixar de te amar.

Ou o que você quer é que a distância ajude você a sufocar o sentimento que tens por mim? 

Claro, essa última hipótese não passa de mera especulação, e não há no mundo nenhum prova realmente concrete disso, apenas é o que me diz o meu coração, e o seu olhar.

Ame-me fielmente e veja como eu te amo, de todo meu coração e com toda minha mente... Seu sorriso era para mim mais belo que o desabrochar das flores na primavera, e mais doce que o mel da abelha generosa. 

Sua amizade era meu tesouro mais precioso, e hoje me sinto miserável, por já não tenho tesouros. Não me restaram motivos para viver, apenas continuo vivendo, por ser covarde demais. Ou talvez em meu íntimo exista em mim o objetivo de viver, de sobreviver, e por isso eu ainda estou aqui. Apenas mais uma suposição.

O que me faz pensar em tantas possibilidades que se abrem a nossa frente...

E se numa brincadeira do destino fôssemos postos frente a frente novamente? Seria capaz de me ignorar, ou me diria tudo o que sei tem vontade de me dizer e nunca disse?

Uma manhã ociosa, pensamentos que fluem como a fumaça do incenso que agora queima a minha frente... Meu pensamento sobe com ela, visita meu antigo amigo, o homem que amei e venho amando. Visita aquele que hoje domina a maior parte do meu pensamento, em troca de uma leve consideração. Parece injusto não? Como se a balança da vida estivesse desequilibrada...

Mas do pouco que sei da vida, a balança está sempre desequilibrada. Ainda não conheci duas pessoas capazes de se amarem igualmente. Sempre há uma divergência, na forma do expressar ou do sentir, que seja...

Sempre um dos lados está disposto a se sacrificar, a se martirizar caso seja necessário, e isso o deseja de todo coração para que seu amor seja provado no fogo, e com fogo seja marcado no coração do amado. O outro no entanto, embora ame, quase sempre parece esperar por algo maior, melhor, pelo qual ele também queira se sacrificar...

Infelizmente a balança continua em desequilíbrio, e assim a roda da vida continua girando, sem que dois iguais possam jamais se encontrar e se amar por completo. Continuamos então numa eterna imperfeição de amor... Num momento amando demais, em outro não amando, mas nunca da forma correta.

E afinal? Qual a forma correta de amar? Bom, acho que seu eu soubesse a resposta para essa pergunta não estaria aqui escrevendo, estaria amando... 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Aflições e angústias

Muitos sentimentos

Muitos pensamentos

Muitas impressões

Muitas definições

Muitas recordações

Não sei por onde começar, pois sei que não conseguirei parar, nem de falar e nem de chorar. Mas essa carga tão grande me deixou cansado, cansado demais para viver... Não consigo mais sair da cama, as dores que sinto me dão poucos momentos de descanso, e minha cabeça nunca para de se girar loucamente em dezenas de pensamentos diferentes. 

Me sinto sozinho.

Aflito.

Angustiado.

E tudo isso tem pesado demais para o meu corpo carregar. Já não sei o que fazer, nem se é possível fazer algo. Tudo se coloca a minha frente de tal maneira que não consigo ver nada a minha frente que não sejam barreiras intransponíveis...

Toda essa confusão é normal? Todas as pessoas tem tantos pensamentos em suas cabeças que mal conseguem sair do lugar?

São tantas dúvidas, tantas questões a resolver...

Paixões mais resolvidas, amizades que se foram, obrigações, experctativas... 

É normal ter tanto a ser feito e nenhuma força para fazer? 

É normal ser cobrado o tempo todo sem poder corresponder a nenhuma das expectativas dos outros, e nem as minhas?

É normal ser incapaz de fazer qualquer coisa?

É normal se incapaz de ser normal?

Até quando todas essas duvidas vão pesar sobre minhas costas? E até quando eu terei de suportar? Será que conseguirei suportar, ou vou sucumbir ao seu peso e ser esmagado por todo o peso do mundo que preciso carregar?

Eu não consigo mais, não aguento mais, não quero mais...

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Resquícios

Minhas forças me deixaram completamente, e o digo me referindo ao meu lado físico mesmo, pela primeira vez em meses... As últimas horas foram exigentes demais para o meu corpo frágil e doente.

A pouca energia que me restava se foi completamente, toda e qualquer ação agora exige de mim um esforço que não corresponde a força de vontade que ainda resta em mim. Não a tenho mais, e isso faz com que até mesmo estas palavras me sejam penosas a escrever, pois me forçam a usar reservas exauridas, o último fio ou resquício de vida se vai nessas que agora aqui despejo.

Não sei se conseguirei me recuperar em uma noite de sono, ou duas, ou se minhas forças se foram permanentemente, me obrigando a viver pelo resto de minha patética existência como uma casca vazia, sem nenhum sinal do sopro divino que um dia me chamou à vida...

terça-feira, 9 de maio de 2017

Campo do desconhecido

As pessoas se revelam em momentos muito característicos... Pode observar, sempre em algum momento de tensão alguém irá nos surpreender. Pessoas calmas se mostram revoltosas e até mesmo violentas, e pessoas normalmente agitadas mostram uma habilidade ímpar em controlar situações delicadas. 

Gosto desses momentos, em que o véu que usam para apresentar-se a sociedade é rasgado de cima a baixo e as verdadeiras faces se revelam perante o mundo. Nenhuma verdade fica oculta para sempre, já dizia o provérbio budista aliás, que não se pode esconder o Sol, nem a Lua e nem a Verdade por muito tempo, pois esta é tão grandiosa e brilhante quanto aqueles.

Também considero de grande valia as palavras ditas pelas pessoas nesses momentos, principalmente em discussões. Pode parecer meio mórbido, mas me agrada estar em ambientes onde a mente humana é levada ao extremo de si e forçada a revelar suas nuances mais imperceptíveis. Muitos acreditam que palavras ditas em momentos de agitação devem ser ignoradas, eu discordo, pois acredito que tudo aquilo que foi dito com raiva, ou durante a ebriedade, foi pensado num momento de calma, logo estas palavras apenas se revelam nos momentos oportunos.

Na maioria das vezes eu me surpreendo com minhas próprias reações. Me vejo desesperado em ocasiões que julgara tranquilas em outro momento, e calmo onde acreditava que entraria em pânico... 

Algumas horas atrás eu acompanhei os paramédicos tentarem fazer com que a centelha de vida de meu avô não se apagasse. Ele faleceu enquanto meus pais o alimentavam ao meio dia de hoje, e fui um dos primeiros a ver seu corpo inerte, sem vida, apenas uma casca do que veio a ser um dia um homem de cerviz dura e voz firme, acamado num estado lastimável, magro e sem muitos dos traços que antes lhe eram mais característicos.

A morte é sempre uma grande provedora de reflexões, afinal é uma das poucas verdades de nossa vida. E gosto desses momentos por ver realmente quem são aqueles que me cercam, aos quais sou obrigado a chamar de Família. 

Engraçado notar como alguns agem com naturalidade, como se a notícia da morte fosse a coisa mais natural do mundo, coisa que de fato é, enquanto outros perdem seus limites, quebram suas máscaras e revelam as feras que habitam entre nós mas que não conseguimos enxergar. 

A percepção que tenho da experiência de hoje é que não somos nada, e é bom lembrar sempre disso, afinal nenhum orgulho é justificável. O que ontem era grande hoje não é mais nada, até a grande e imponente arvore de ontem pode vir a ser um galho seco algum dia... Não há razão então para acreditar na grandeza do homem, pois ele de fato nada é além de um verme fraco.

As centelhas se apagam, os corpos fortes se esvaem, a fogueiras cessam de queimar. 

Assim como a vida deixa o corpo de uma pessoa também o amor pode fazê-lo, deixando-nos tão frios como aqueles cobertos pelo manto negro da morte.

A morte.

Não a vejo como uma fantasma feio, como normalmente costumam pintá-la, mas penso nela como uma velha amiga, que há de visitar a todos um dia, não tendo portanto razão para temê-la, afinal se não conhecemos nada da morte, também não conhecemos nada do mundo em que vivemos, apenas trocamos uma incerteza pela outra. Não sabemos nada sobre o amanhã nessa vida, não sabemos nada sobre a morte... Ambos são um largo campo que se estende a nossa frente mas que não conseguimos enxergar por conta da densa névoa que a nossa frente se estende.

Mas ainda assim é sempre com profundidade que fitamos o olhar num corpo sem vida, ou nas brasas de uma fogueira que um dia clareou a noite... E agora se apagou...

segunda-feira, 8 de maio de 2017

Faíscas

Se essas palavras pudessem refletir o meu olhar nesse momento, certamente estaria elas brilhando... Não como as estrelas lá do céu, que brilham mas estão todas mortas, mas como uma luz diferente, que não tem início em nenhum processo de combustão, mas que parte do meu próprio coração!

Me aventuro a arriscar o que possa ser essa luz, que ainda brilha fraca em meio a tanta escuridão: uma centelha de esperança.

Ironicamente as mesmas mãos que escreveram sobre morte alguns dias atrás agora vem falar sobre aquela que promete uma vitória sobre tão fria criatura. 

Quando meu pensamento flutua para o lado dele, ainda que por breves momentos, faíscas saem de minha cabeça, meu olhar se ilumina e minha face ganha a cor que perdera. Sei o quanto isso é arriscado, e sei também que não poderia me aventurar a algo assim tão cedo, mas tem sido mais forte do que eu... Seu olhar, seu sorriso, o simples fato de imaginá-lo do outro lado da criptografia do WhatsApp me faz ter delírios de júbilo em sonhar com aquela pequeníssima e remota possibilidade...

Essa centelha é ainda frágil, delicada, e teme ser destruída pelo vento frio que sopra das narinas da morte, mas ela está lá, brilhante, mostrando que mesmo na mais temível escuridão, a luz pode brilhar... 

Não sei quanto tempo resistirá, não sei se resistirá, mas ainda que se apague, ela ainda há de deixar nas brasas um rastro de sua existência e dirá eternamente: eu queimei por aqui! 

Assim poderá será o futuro dessa pequena centelha, que pode vir a ser uma grande fogueira, ou extinguir-se no carvão com o qual escreverei o resto de minha história nas paredes desse mundo...